
nasceu em 1889 e morreu em 1918.
Aluno de Veloso Salgado, na Academia de Belas-Artes em Lisboa, Santa-Rita inicia a sua actividade no movimento futurista, aquando da sua estada em Paris como bolseiro do governo português. Terá passado pela galeria de Bernheim-Jeune onde privou com Marinetti.
Na correspondência que manteve com Pessoa, quando se encontrava a estudar em Paris, Sá-Carneiro faz referência, em 22 cartas, ao seu convívio com Santa-Rita, às suas atitudes políticas e artísticas. Oscilando entre o fascínio e o choque, Sá-Carneiro informa Pessoa sobre a personalidade do pintor: "interessante, sem dúvida, mas por vezes fatigante." (carta número 6)
Fascina-o a excentricidade, chocam-no as atitudes políticas e artísticas.
Dois aspectos exasperavam Sá-Carneiro: por um lado, Santa-Rita descrevia os quadros que pintava, sem os mostrar ao amigo, pois "só umas dez pessoas, em todo o mundo, (...) podem não só compreender como ver" as suas obras (carta número 6); por outro, denominava-se "pintor futurista". O que leva o escritor a afirmar: "Santa-Rita é de há muito um meu inimigo íntimo." (carta número 81) Mas confessa, nessa mesma carta, "À parte que (Santa-Rita) tem licença para dizer tudo, e a gente continuar - até um certo ponto - a falar- lhe." Passou, pois, a considerá-lo uma "blague".
Escreve ainda na mesma carta "o Santa-Rita não aprecia na prosa ideias, nem belezas - apenas quer música: "Escreva-me você, por exemplo, a descrição de um serrador serrando onde os rr se precipitem raspantes, e eu não terei dúvida em proclamá-lo um artista. (...) Mas só admite esta arte."
Como Sá-Carneiro e Pessoa nunca deixaram Santa-Rita apoderar-se da revista Orpheu para dela fazer o órgão do Futurismo em Portugal, nasce, então, a revista Portugal Futurista, cujo primeiro e único número publicou o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX de Almada. Em nove textos em prosa, dois são sobre Santa-Rita (um de Bettencourt Rebelo e outro, em francês, de Raul Leal); há ainda o conto Saltimbancos de Almada dedicado ao pintor. Outros dois artigos apresentam reproduções de pinturas de Santa-Rita.
Participou na I Conferência Futurista, no Teatro República, a 4 de Abril de 1917. Aí, Almada Negreiros declara formalmente a existência do movimento futurista em Portugal. Vestindo um fato-macaco, Almada foi recebido por "uma espontânea e tremenda pateada seguida de uma calorossíssima salva de palmas que eu cortei de um gesto." diz Almada na revista Portugal Futurista. Santa-Rita Pintor "que o público recebeu com uma ovação unânime", afirma Almada, encontrava-se entre a diminuta assembleia. Apesar de não ser ele o orador, Santa-Rita dominou a conferência. De acordo com a proposta do conferencista Almada, Santa-Rita interrompeu-o a seu bel-prazer.
Esta figura da sociedade artística
das primeiras décadas do século, cujo espólio se resume
a poucas pinturas, revela-se bastante interessante,
por ser frequentemente citada por escritores que a descrevem nas suas composições.
Penso no Repórter X e em Sá-Carneiro,
nalguns contos de Céu em Fogo, por exemplo.