A História contemporânea portuguesa pode dividir-se, em termos políticos, em cinco fases: A Monarquia Constitucional (1822-1910); A Primeira República (1910-1926); a Ditadura Militar (1926-1933); o Estado Novo (1926-1974); a Democracia (1974-2000).

 

 

 

1792

Fevereiro, 10 - O príncipe D. João assume a governação, devido à deterioração do estado de saúde mental de D. Maria I.

Agosto, 10 - Luís XVI, rei de França, é preso e destituído.

Setembro, 22 - A república é proclamada em França..

 

1793

Janeiro, 21 - Luís XVI é executado publicamente, morrendo na guilhotina.

Fevereiro, 1 - A República francesa declara a guerra à Grã-Bretanha e à Holanda.

Março, 7 - A República francesa declara a guerra à Espanha.

Abril, 10 - O governo Português informa o governo espanhol da sua intenção de entrar na Liga contra a França.

Julho, 15 - Assinatura da Convenção provisional entre Portugal e Espanha para auxílio mútuo contra a França revolucionária..

Setembro, 16 a 18 - Embarque em Lisboa para a Catalunha, da Divisão Auxiliar portuguesa.

Setembro, 17 - Portugal decreta sobre a neutralidade dos portos portugueses durante a guerra.

1801

Janeiro, 29 - Ultimato franco-espanhol a Portugal, requerendo o abandono da aliança inglesa e o fecho dos Portos aos navios britânicos. A acção foi aprovada pelo Tratado de aliança entre a República francesa e a Espanha, para a invasão conjunta de Portugal, assinado no mesmo dia..

Fevereiro, 27 - Declaração de guerra da Espanha a Portugal.

Maio, 20 - Invasão do Alentejo pelo exército espanhol, comandado por Godoy.

Junho, 7 - Tratados de paz de Badajoz, com a Espanha pelo qual este país vê reconhecida a posse de Olivença, e com a França. Os Tratados são datado de 6 de Junho, por interesse do embaixador francês, sendo que este último não será ratificado.

Setembro, 29 - Tratado de paz entre Portugal e a República francesa, assinado em Madrid, em que Portugal se obriga a fechar os portos aos britânicos.

Maio, 12 - Ruptura da Paz de Amiens. A Grã-Bretanha e a França estão de novo em guerra.

Setembro, 9 - O general Lannes, embaixador francês em Lisboa, exige o encerramento dos portos portugueses à navegação britânica.

1805

Abril, 12 - Junot, embaixador de França em Lisboa .

Abril, 25 - Junot entrega uma nota diplomática ao Príncipe Regente D. João, que exige a declaração de guerra à Grã-Bretanha.

Maio, 9 - Portugal reafirma a sua neutralidade.

1806

Maio, 16 - A Grã-Bretanha decreta o bloqueio marítimo à França, da foz do Elba ao porto de Breste.

Novembro, 21 - Proclamação do Bloqueio Continental pela França: interdição de todo o comércio com a Inglaterra, mesmo aquele dirigido para países neutrais.

1807

Agosto, 11 - Portugal é intimado pela França a cortar as relações com a Grã-Bretanha.

Setembro, 25 - Portugal declara aderir ao Bloqueio Continental, por meio de uma carta de António de Araújo de Azevedo, secretário de estado dos negócios estrangeiros, enviada ao seu homólogo francês.

Outubro, 20 - Carta Régia ordenando o fecho dos portos portugueses aos navios mercantes e de guerra da Grã-Bretanha. É a declaração oficial de adesão ao Bloqueio Continental.

Outubro, 22 - Convenção secreta entre Portugal e a Grã-Bretanha sobre a transferência para o Brasil da monarquia portuguesa e sobre a ocupação da ilha da Madeira por tropas britânicas.

Outubro, 27 - Tratado de Fontainebleau entre a Espanha e a França que decide a partilha de Portugal.

Novembro, 12 - O exército francês do comando de Junot, concentrado à roda de Salamanca, dirige-se para Sul para Alcântara, na margem sul do Tejo.

Novembro, 16 - A frota britânica sob o comando do almirante Sir Sidney Smith, que tinha saído de Plymouth, no Sul de Inglaterra, chega em frente da foz do Tejo.

Novembro, 17 - As primeiras tropas francesas entram em Portugal, pela fronteira de Segura, na Beira Baixa.

Novembro, 22 - O embaixador da Grã-Bretanha, Lorde Strangford, apresenta um exemplar do Moniteur de Paris, que declara que a casa de Bragança deixou de reinar em Portugal. O exemplar tinha sido enviado pelo embaixador de Portugal em Londres, D. Domingos de Sousa Coutinho, por intermédio da nau Plantagenet. O diplomata inglês exige uma decisão sobre a saída da corte para o Brasil. 

Novembro, 25 - O Conselho Privado pronuncia-se pelo embarque da Família Real.

Novembro, 26 - Nomeação de um Conselho de Regência, para governador Portugal na ausência do Príncipe Regente.

Novembro, 27 - O Príncipe Regente D. João e a Corte embarcam para o Brasil. A frota só se fará ao mar dia 29.

Novembro, 30 - A vanguarda do exército francês, acompanhada por Junot, entra em Lisboa.

Dezembro, 23 - Decreto de Napoleão Bonaparte determinando a cobrança em Portugal de um contribuição extraordinária de guerra de 100 milhões de francos. A medida só será divulgada em Portugal em 4 de Fevereiro de 1808.

Dezembro, 26 - Uma força militar britânica, comandada pelo general Beresford, ocupa a ilha da Madeira.

1808

Janeiro, 9 - Os navios que transportam e escoltam a Família Real portuguesa para o Brasil, cruzam o Equador às 10 h 30 m. É a primeira vez que um monarca europeu passa para o hemisfério Sul.

Janeiro, 22 - A família real chega ao Brasil, aportando em São Salvador da Baía.

Janeiro, 28 - Abertura dos portos brasileiros ao tráfego internacional, o que beneficia sobretudo a Grã-Bretanha.

Fevereiro, 1 - Declaração de que a Casa de Bragança tinha deixado de governar. Todo o território português passa a ser governado em nome de Napoleão, pondo assim em causa o Tratado de Fontainebleau com a Espanha.

- O Conselho de Regência é dissolvido.

- O valor do imposto de guerra a cobrar em Portugal, decretado por Napoleão em 23 de Dezembro de 1807, é reduzido para 40 milhões de francos.

Fevereiro, 15 - Junot auto nomeia-se comandante-chefe do exército português.

Março, 7 - D. João e a Corte chegam ao Rio de Janeiro.

Abril, 1 - É revogada a proibição de criação de manufacturas no Brasil.

Agosto, 1 - Começo do desembarque do exército britânico em Lavos (Figueira da Foz). Prolongar-se-à até ao dia 5.

Agosto, 17 - Combate da Roliça.

Agosto, 21 - Batalha do Vimeiro.

Agosto, 30 - Convenção de Sintra estabelecida entre os exércitos francês e britânico.

Setembro, 15 - Embarque de Junot e do exército francês.

Setembro, 18 - Uma proclamação do general britânico Dalrymple, anuncia o restabelecimento da Regência.

1809

Janeiro, 2 - Decreto de nomeação da Junta de Regência pelo príncipe regente D. João.

Fevereiro, 28 - Assinatura do Tratado de Aliança e Comércio entre Portugal e a Grã-Bretanha.

Março, 4 - Soult tenta atravessar o rio Minho, tanto em Caminha como em Vila Nova de Cerveira, sendo rechaçado pela tropas portuguesas. Começa assim a 2.ª Invasão Francesa de Portugal.

Março, 12 - Soult conquista Chaves, e dirige-se para o Porto, por Braga.

Março, 20 - O brigadeiro Silveira, comandante da divisão que defendia Trás-os-Montes, reocupa Chaves aprisionando a guarnição francesa.

Março, 22 - O general Wellesley, futuro duque de Wellington, chega a Lisboa, para tomar o comando dos exércitos britânico e português.

Março, 27 a 29 - O Porto é conquistado, e saqueado, pelo exército francês de Soult.

Maio, 2 - O exército britânico, comandado pelo general Wellesley, incorporando algumas unidades portuguesas, chega a Coimbra.

Maio, 12 - Soult retira do Porto, dirigindo-se para Trás-os-Montes.

1810

Fevereiro, 19 - Assinatura dos Tratados de Comércio e Navegação e de Aliança e Amizade, entre Portugal e a Grâ-Bretanha..

Setembro, 27 - Batalha do Buçaco. O exército anglo-português, comandado por Wellington, vence o exército francês, de Massena; mas continua a retirada para as Linhas de Torres Vedras.

Outubro, 12 - O exército francês chega às Linhas de Torres Vedras.

Novembro, 14 - O exército francês retira-se das Linhas de Torres Vedras, agrupando-se à volta de Santarém.

1811

Março, 4 - O exército francês começa a retirar, por Coimbra e Almeida, em direcção à fronteira Espanhola.

1815

Junho, 18 - Abertura dos portos brasileiros ao comércio mundial.

Dezembro, 16 - Criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

  1816

Março, 20 - D. Maria I morre no Brasil. D. João VI sobe ao trono, enquanto 27.º rei de Portugal.

Dezembro, 16 - O Estado do Brasil é elevado à categoria de Reino.

1817

Maio, 24 - O tenente general Gomes Freire de Andrade e outros oficiais do Exército são presos por terem organizado uma conjura contra o governo. Os conspiradores pretendiam instituir um «Supremo Conselho Regenerador de Portugal», destituindo a Regência e demitindo Beresford do comando do exército.

Outubro, 17 - O general Gomes Freire de Andrade é enforcado, na sequência da «Conspiração de Gomes Freire». 

1818

Janeiro, 22 - O Sinédrio é organizado, no Porto, por Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges, José da Silva Carvalho e João Ferreira Viana. Será a estrutura que dará origem à Revolução de 1820.

1820

Agosto, 13 - Beresford embarca para Inglaterra.

Agosto, 24 - Pronunciamento militar no Porto. Forma-se uma «Junta Provisória do Governo Supremo do Reino», presidida pelo brigadeiro António da Silveira Pinto da Fonseca.

Setembro, 15 - Pronunciamento militar em Lisboa. A regência é destituída nomeando-se um Governo interino.

Setembro, 27 - A Junta Provisória e o Governo interino, chegam a acordo, em Alcobaça, sobre a junção do dois órgãos de governo. Cria-se uma «Junta Provisional do Governo Supremo do Reino», presidida pelo principal Freire, decano da Igreja de Lisboa, tendo como vice-presidente António da Silveira Pinto da Fonseca, e uma «Junta Provisional Preparatória das Cortes», presidida pelo conde de Sampaio, e tendo como vice-presidente o conde de Resende.

Outubro, 1 - Os membros da «Junta Provisória» chegam a Lisboa.

Outubro, 10 - Beresford, chega a Lisboa, mas é impedido de desembarcar.

Novembro, 22 - De acordo com as instruções, assinadas por Fernandes Tomás, as eleições para as Cortes serão realizadas com base na lei preconizada pela Constituição espanhola de 1812.  

1821

Janeiro, 26 - Reunião das Cortes Gerais Extraordinárias  e Constituintes da Nação Portuguesa, escolhida em eleições por sufrágio indirecto. As sessões realizam-se no Convento das Necessidades.

Janeiro, 30 - As Cortes decretam a formação de um Conselho de Regência, para exercer o poder executivo em nome de D. João VI.

Fevereiro, 26 - Golpe de estado no Rio de Janeiro. Com a conivência de D. Pedro, D. João VI é obrigado a jurar as bases da futura Constituição, e a decidir-se pelo regresso a Portugal.

Abril, 7 - Abolição dos direitos banais pelas Cortes Constituintes.

Abril, 22 - D. João VI nomeia D. Pedro regente e seu lugar-tenente no Brasil.

Abril, 26 - A Corte parte do Brasil para Portugal.

Março, 20 - Extinção do Tribunal do Santo Ofício - a Inquisição. Fundação do Banco de Lisboa, primeira instituição bancária em Portugal. Em 1846 dará origem ao Banco de Portugal

Abril, 7 - A Constituinte abole os direitos banais.

Maio, 5 - Os bens da Coroa são declarados bens nacionais e incorporados na Fazenda Nacional.

Junho, 5 - D. Pedro jura as bases da Constituição.

Julho, 3 - A esquadra que trouxe D. João VI, e a Corte, de regresso a Portugal entrou no Tejo.

Julho, 4 - D. João VI, após desembarcar na Praça do Comércio, e participar num Te Deum em sua honra na Sé, dirige-se às Cortes onde jura novamente as bases da Constituição.

Setembro, 29 - As Cortes decretam o regresso imediato do príncipe D. Pedro a Portugal, para realizar uma viagem de estudo, por Espanha, França e Inglaterra.

Dezembro, 24 - A Junta de Governo de São Paulo pede a D. Pedro para não regressar a Portugal.  

1822

Janeiro, 9 - Os membros do Senado da Câmara do Rio de Janeiro pedem a D. Pedro para não deixar o Brasil.

Agosto, 6 - Num «Manifesto do Príncipe Regente do Brasil» às potências estrangeiras, D. Pedro declarava que Portugal atentara contra os direitos do Brasil e impunha uma «tirania portuguesa». 

Setembro, 7 - Proclamação da Independência do Brasil. D. Pedro põem-se à frente da Revolução brasileira, com o chamado «Grito do Ipiranga».

Setembro, 23 - Promulgação da Constituição Portuguesa.

Outubro, 1 - D. João VI jura a Constituição. A rainha, D. Carlota Joaquina recusa-se a jurá-la, sendo transferida do Paço da Bemposta para a Quinta do Ramalhão..

Outubro, 4 - Os trabalhos das Cortes Constituintes terminam.

Outubro, 13 - D. Pedro é aclamado imperador do Brasil e seu defensor perpétuo, com o título de D. Pedro I. 

1823

Fevereiro, 23 - Revolta anti-liberal do 2.º Conde de Amarante, e de outros oficiais, em Vila Real.

Maio, 27 a 31 - Sublevação do infante D. Miguel, em Vila Franca de Xira, e que ficou por isso conhecido pela Vila Francada. A Constituição é abolida, e o regime absoluto é restabelecido. D. Miguel é nomeado comandante-chefe do Exército, com o título de generalíssimo.

Maio, 31 - D. João VI, na «Proclamação aos habitantes de Lisboa», escrita em Vila Franca afirma rejeitar o poder absoluto, prometendo respeitar as liberdades individuais e que assentaria brevemente as bases de um novo código para a felicidade dos súbditos.

Outubro, 26 - Projecto frustrado de conjuração, envolvendo D. Miguel e D. Carlota Joaquina, para afastamento de D. João VI, que deveria ser preso em Vila Viçosa e substituído no trono por D. Miguel.

Dezembro, 18 - A Junta de exame do trabalho legislativo das Cortes vintistas termina os seus trabalhos. Publica-se uma Carta de Lei que revogava os decretos das Cortes, numa relação circunstanciada. Apenas o decreto de criação do banco de Lisboa se mantém em vigor.

1824

Janeiro, 4 - Carta de Lei declarando em vigor as leis tradicionais, pondo assim fim à vigência da Constituição de 1822.

Janeiro - Conclusão dos trabalhos de preparação da Carta. O rei decidiu convocar em Junho as Cortes tradicionais.

Fevereiro, 28 - O marquês de Loulé, conselheiro de D. João VI, é assassinado no Paço Real de Salvaterra de Magos.

Abril, 30 - Abrilada: Novo golpe de D. Miguel, contra os moderados. Os opositores de D. João VI prendem os principais conselheiros do rei e sequestram-no no Palácio da Bemposta. O corpo diplomático obriga à libertação do rei, que se refugia num barco surto no Tejo. D. Miguel é destituído do comando do Exército, e exilado, e D. Carlota Joaquina é intimada a sair de Portugal.

Maio, 13 - D. Miguel parte para o exílio, para Viena.

Junho - Dissolução da Junta convocada para examinar as Leis emanadas das Cortes constitucionais. Convocação das Cortes à moda antiga, que acabaram por se não reunir. Revogação da Lei dos Forais.

Julho, 12 - Iniciam-se em Londres as negociações entre Portugal e o Brasil sob mediação britânica e participação de um representante austríaco.

Outubro, 26 - Nova tentativa de revolta militar miguelista tentando forçar a abdicação do rei e estabelecer uma regência a favor da rainha «humilhada» D. Carlota Joaquina.  

1825

Agosto, 29 - É assinado, no Rio de Janeiro,  um Tratado de Paz e Aliança com o Brasil,  reconhecendo-se assim a sua independência. 

Novembro, 15 - Reconhecimento da independência do Brasil, devido à ratificação por D. João VI do Tratado de Paz e Aliança com o Brasil.

 

1826

Março, 6 - D. João VI nomeia um conselho de regência presidido pela infanta D. Isabel Maria. A decisão visa impedir a subida ao poder de D. Carlota Joaquina.

Março, 10 - D. João VI morre, dando-se início ao governo da regência.

Março, 20 - A Regência reconhece o infante D. Pedro, como legítimo rei de Portugal, enquanto D. Pedro IV.

Abril, 26 - D. Pedro IV, do Rio de Janeiro, confirma os poderes da Regência.

Abril, 29 - Outorga da Carta Constitucional, por D. Pedro IV.

Abril, 30 - D. Pedro IV nomeia os Pares do Reino de acordo com o estabelecido pela Carta.

Maio, 2 - D. Pedro IV abdica a favor da filha Maria, sob condição de esta jurar a Carta e casar com o tio, D. Miguel

Agosto, 1 - A infanta D. Isabel Maria, torna-se regente em nome de D. Maria II.

Outubro, 4 - D. Miguel jura a Carta, em Viena de Áustria.

Outubro, 30 - Abertura das primeiras Cortes cartistas.

1828

Janeiro, 2 - Reabertura das Câmaras.

Fevereiro, 9 - D. Miguel embarca em Plymouth.

Fevereiro, 22 - Chegada de D. Miguel a Lisboa.

Fevereiro, 26 - A infanta Isabel Maria, regente, transfere as suas funções para o irmão, o infante D. Miguel, após este ter jurado a Carta. D. Miguel nomeia novo governo e substitui os governadores militares.

Março, 14 - As Cãmaras são dissolvidas por D. Miguel, tendo o apoio dos governos austríaco e espanhol. É nomeada uma Junta das Instruções eleitorais. O Hino da Carta é proibido.

Março, 18 - Lentes de Coimbra, que vinham a Lisboa saudar o infante D. Miguel, são assassinados em Condeixa.

Abril, 2 - A Divisão britânica de Clinton retira-se de Portugal.

Abril, 25 - Tumultos absolutistas em Lisboa. Aclamação de D. Miguel pelo Senado da Câmara de Lisboa, de Coimbra e de Aveiro. 

Maio, 3 - Convocação dos Três Estados do Reino, à maneira tradicional - por braços.

- D. Pedro, no Rio de Janeiro, declara definitiva a sua abdicação e nomeia D. Miguel regente em nome de D. Maria II.

Maio, 16 a Julho, 2 - Pronunciamento da guarnição do Porto, a favor da Carta, com formação de uma Junta de Governo.

Maio, 18 - D. Miguel é aclamado nos Açores.

Maio, 22 - Restauração da Carta na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores.

- Aclamação de D. Pedro em Coimbra.

Maio, 25 - Pronunciamento no Algarve em defesa da Carta, que é imediatamente sufocado.

1831

Abril, 7 – Abdicação de D. Pedro, imperador do Brasil no Rio.

Abril, 13 – Saída do ex-imperador do Brasil, para a Europa.

Maio, 4 – Em viagem. D. Pedro toca no Faial, escrevendo a Terceira.

Maio, 9 – Ocupação da ilha de S. Jorge pelos constitucionais.

Junho, 12 – Chegada de D. Pedro a Cherburgo.

Junho, 23 – Ocupação do Faial, seguida pela de Flores, Corvo e Graciosa.

Junho, 26 – Chegada de D. Pedro a Londres.

Julho, 30 – Partida da expedição da Terceira a S. Miguel.

Agosto, 1 – Desembarque na Ladeira da Velha, ocupação de S. Miguel.  

1832

Fevereiro, 2 – Manifesto de D. Pedro.

Fevereiro, 10 – Organizada a expedição em Inglaterra, armada em Belle-Isle. D. Pedro parte para os Açores.

Fevereiro, 22 – D. Pedro chega a S. Miguel.

Março, 3 – Chega D. Pedro à Terceira. Assume a regência. Nomeia Ministério (Palmela, Mouzinho. Freire).

Março, 29 – Bloqueio da Madeira pela esquadra constitucional.

Abril, 25 – D. Pedro vai a S. Miguel preparar a expedição ao Reino.

Junho, 20-22 – Embarque.

Junho, 27 – Partida da expedição de S. Miguel para o Continente.

Julho, 8 – Desembarque em Pampelido.

Julho, 9 – Entrada no Porto do exército liberal.  

Julho. 14 – O primeiro ataque das forças miguelistas é rechaçado.

Julho, 22 – Reconhecimento de Valongo, retirada para Rio Tinto.

Julho, 18 – Junção dos generais miguelistas Santa Marta e Póvoas em Souto Redondo, ao sul do Douro.

Julho, 23 – Batalha de Ponte Ferreira.

Julho, 27 – Acção de Grijó.

Agosto, 7 – Acção de Souto Redondo. Os liberais são derrotados e retiram sobre o Porto.

Agosto, 8 – Reconhecimento Miguelista sobre o norte do Porto.

Setembro, 8-11 – Ataques à serra do Pilar e ao Porto, que são repelidos. 

– Ocupação de Gaia pelos Miguelistas. 

– Princípio do bombardeamento ao Porto. 

Setembro, 16 – Surtida constitucional, ocupação do cerro das Antas.

Setembro, 29 – Ataque geral dos miguelistas ao Porto é repelido.

Outubro, 11 – Batalha naval nas águas do Norte, indecisa.

Outubro, 13 -14 – Ataques à serra do Pilar, repelidos. Desenha-se o cerco, artilhando-se a margem esquerda do Douro.

Outubro, 16 – Partida de D. Miguel para Braga.

Dezembro, 17 – Surtida a Gaia, batida. Revista de D. Miguel ao exército sitiante.

  1833

Janeiro, 24 – Ataque frustrados às posições miguelistas do Crasto e do Queijo, a noroeste do Porto.

Janeiro, 28 – Chegada de Saldanha ao Porto, vindo do exílio.

Março, 2-24 – Ataques miguelistas às linhas leste e noroeste, repelidos.

Março, 16 – Vinda de D. Carlos, infante espanhol, para Portugal.

Abril, 9 – Surtidas e ocupação do reduto do Covelo, pelos liberais.

Junho, 1 – Chegada ao Porto de Palmela e Napier, com reforços.

Junho, 8 – Napier almirante da esquadra liberal.

Junho, 24 – Desembarque em Alagoa e ocupação de Tavira.

Julho, 5 – Batalha naval no cabo de S. Vicente. A esquadra miguelista é apresada.

Julho, 25 – Ataque às linhas de defesa do Porto é repelido.

Julho, 23 – Acção da Piedade, destroço dos miguelistas.

Julho, 24 – Entrada de Terceira em Lisboa.

Julho, 26 – Partida de D. Pedro, do Porto, para Lisboa, por mar.

Agosto, 10 – D. Miguel em Coimbra.

Agosto, 18 – Saldanha bate a divisão miguelista no Porto, levanta o cerco pelo norte e leste.

Agosto, 20 – Os miguelistas retiram da margem sul do Douro. D. Miguel e o exército avançam de Coimbra sobre Lisboa.

Agosto, 25-26 – Concentração das forças miguelistas em tomo de Lisboa.

Setembro, 22 – Chegada de D. Maria II ao Tejo, por mar, vinda de França.

Outubro, 10-11 – Surtida de Lisboa para leste. Saldanha obriga os sitiantes a retirar sobre Santarém, onde se fortificam. 

– Reconhecimento do Governo de D. Maria II pela França 

Outubro, 23 – Reconhecimento do Governo de D. Maria II pela Bélgica.

Novembro, 3 – Expedição constitucional ao Alentejo, acção de Alcácer, morticínio dos prisioneiros.  

1834

Janeiro, 14 – Saldanha toma e fortifica Leiria.

Janeiro, 30 – Acção de Pernes.

Fevereiro, 18 – Batalha de Almoster.

Março, 23 – Napier toma Caminha.

Março, 27 – Viana e Ponte de Lima. Cabreira entra em Santo Tirso.

Abril, 2 – Ocupação de Braga. 

Abril, 3 – Ocupação de Valença. Expedição de Terceira ao centro do Reino; chega ao Porto; operações no Tâmega.

Maio, 8 – Ocupação de Coimbra.

Maio, 10 – Confirmação do tratado em Lisboa.

Maio, 16 – Batalha da Asseiceira.

Maio, 17 – Retirada de D. Miguel de Santarém para Évora.

Maio, 18 Ocupação de Santarém.

Maio, 27 – Convenção de Évora Monte.

 

O estabelecimento do Regime Cartista,
de Maio de 1834 a Setembro de 1836.

Maio, 27 - D. Pedro e a família real são apupados no Teatro de S. Carlos, devido à benevolência da Convenção de Évora-Monte.

Maio, 28

Decreto de extinção das ordens religiosas masculinas e nacionalização dos seus bens. O ministro da Justiça Joaquim António de Aguiar, ficou conhecido pelo «Mata-Frades». Só será promulgado a 30 de Maio.

As cortes são convocadas para 15 de Agosto.

Junho, 1 – D. Miguel abandona Portugal, embarcando em Sines na fragata britânica Stag. Ao mesmo tempo embarcava o infante espanhol D. Carlos, pretendente carlista ao trono espanhol.

Junho, 3 - São estabelecidas as normas para a eleição dos deputados às Cortes, por meio de um decreto.

Junho, 20– D. Miguel chega a Génova, em Itália, e renega a Convenção de Évora-Monte.

Julho, 4 - Expulsão dos Jesuítas. Interrupção de relações com o Papado.

Agosto, 15 – Abertura das primeiras Cortes, de acordo com a Carta Constitucional, após o fim da Guerra Civil. As sessões decorreram no Convento de S. Bento da Saúde, que passou a denominar-se Palácio das Cortes.

Agosto, 18 - Primeira sessão parlamentar, com discussão da proposta do ministro do Reino para que D. Pedro conservasse a regência até à maioridade da Rainha.

Agosto, 30 - D. Pedro prestou juramento solene como Regente, na sala do trono do Palácio da Ajuda.

Setembro, 1 Início do debate sobre a autorização do casamento da Rainha com um príncipe estrangeiro, o que era expressamente proíbido pelo artigo 90.º da Carta Constitucional. O príncipe estrangeiro com que se tencionava casar a Rainha era o duque Augusto de Leuchtenberg, filho de Eugénio de Beauharnais (filho da imperatriz Josefina e filho adoptivo de Napoleão Bonaparte) e cunhado de D. Pedro, por ser irmão mais velho da imperatriz Amélia, segunda mulher do regente.

Setembro, 18 - D. Pedro enviou uma mensagem às Cortes a pedir escusa da Regência, devido ao seu estado de saúde.

Setembro, 20 – Juramento solene de D. Maria II da Carta Constitucional, depois de ter sido declarada a sua maioridade.

Nomeação de um novo ministério presidido pelo duque de Palmela, dando-se início ao regime Parlamentar em Portugal.

Setembro, 24 – Morte de D. Pedro IV, em Queluz, no quarto onde tinha nascido - o do Quixote.

Novembro, 8 - Assinatura em Munique do tratado de casamento da rainha D. Maria II com o duque Augusto de Leuchtenberg.

Dezembro, 1 - Casamento por procuração de D. Maria II com Augusto de Leuchtenberg. Os condes de Ficalho, Sampaio e Faial foram elevados a marqueses.

Dezembro, 22 – Aprovação da Lei da Liberdade de Imprensa.

1835

Janeiro, 26 – Casamento de D. Maria II com o príncipe Augusto de Leuchtenberg.

Fevereiro, 15 - O príncipe Augusto proferiu o discurso de recepção como Par do Reino.

O príncipe Augusto adoece repentinamente.

Março, 28 - O príncipe Augusto morre em Lisboa vítima da gripe asiática.

Abril, 25 Reforma da administração nacional e local. O país foi dividido em dezassete distritos administrativos e as ilhas adjacentes em três. Os distritos eram administrados por governadores civis de nomeação régia, os municípios por administradores de concelho, escolhidos pelo Governo, com base numa lista feita por eleição directa, e as freguesias por comissários de paróquia, escolhidos pelos administradores dos concelhos.

Maio, 4 – Nomeação do conde de Linhares para a chefia do novo governo.

Maio, 13 – Criação na Academia das Ciências de Lisboa de uma comissão encarregada de propor ao governo um plano para o melhoramento do ensino público.

Setembro, 7 – Primeira tentativa de criar um Conselho Superior de Instrução Pública, dirigido pelo ministro do Reino, enquanto «ministro da Instrução Pública». A medida não foi posta em prática devido aos protestos da Universidade de Coimbra, que era quem superintendia a instrução pública, por meio da Junta da Directoria Geral dos Estudos.

Setembro, 21– Aprovação da Lei que obrigava à construção de cemitérios e regulamentando os funerais, proibindo os enterros nas igrejas.

1836

Janeiro, 1 – Casamento por procuração de D. Maria II com o princípe Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha, irmão do primeiro rei dos Belgas, Leopoldo.

Abril, 8 – Chegada de Fernando de Saxe-Coburgo a Lisboa.

Abril, 9 – Esponsais de D. Maria II e Fernando de Saxe-Coburgo, na Sé de Lisboa.

Abril, 22 – A rainha convocou Cortes extraordinárias.

Abril, 30 – D. Fernando é nomeado comandante-chefe do Exército.

O Setembrismo,
de Setembro de 1836 a Janeiro de 1842.

Setembro, 10 - A chegada dos deputados oposicionistas do Norte a Lisboa, no dia anterior, levou à revolta de uma parte da população de Lisboa e dos batalhões da Guarda Nacional, que exigiram à Rainha a demissão do Governo e a proclamação da Constituição de 1822.

Setembro, 11 - O governo do duque da Terceira demite-se, e a Rainha jura a Constituição de 1822, nos Paços do Concelho de Lisboa. O novo governo será presidido pelo conde de Lumiares, e dirigido politicamente por Manuel da Silva Passos e Sá da Bandeira.

Outubro, 8 - As eleições são marcadas para dia 20 de Novembro.

Outubro, 21 - D. Miguel fez em Roma uma proclamação aos seus partidários, dizendo que muito breve o teriam em Portugal.

Novembro, 2 – Começo da Belenzada. Sá da Bandeira e Passos Manuel são chamados ao paço pela Rainha, aceitando a demissão do governo em que participavam.

Novembro, 3 – A pretexto de reunir o Conselho de Estado a corte transferiu-se do Palácio das Necessidades para Belém e fez um apelo aos partidários da Carta. Agostinho José Freire foi assassinado na Calçada da Pampulha, quando se dirigia para a reunião. O marquês de Valença foi nomeado presidente do novo Governo, não tendo nunca entrado em funções, e que ficou conhecido pelo gabinete dos mortos.

Novembro, 4 - Soldados ingleses desembarcam em Lisboa, e a Guarda Nacional, concentrada em Campo de Ourique, dirige-se para Belém, mas é parada em Alcântara por Manuel da Silva Passos. Sá da Bandeira consegue a demissão de Valença, sendo nomeado presidente do novo governo.

Novembro, 5 - Os soldados ingleses reembarcam, Sá da Bandeira é empossado na presidência do novo governo, terminando a tentativa de golpe de estado.

Novembro, 12 - Convocação das Cortes Constituintes.

Novembro, 17 - Criação dos Liceus, escolas secundárias que passam a ministrar um ensino de maior conteúdo prático, sem ter por objectivo único a preparação para a Universidade.

Novembro, 18 - Criação do Conservatório de Artes e Ofícios de Lisboa.

Novembro, 20 - As eleições realizam-se como previsto.

Dezembro, 10 - Proíbe-se a importação e exportação de escravos nos territórios portugueses a Sul do Equador.

Dezembro, 31 - Promulgação do novo Código Administrativo, com supressão de 466 concelhos. Os distritos passam a ser dirigidos por administradores-gerais e as freguesias por regedores.

 1837

Janeiro, 4 - Extinção do Colégio dos Nobres.

Janeiro, 5 - Criação do Conservatório de Artes e Ofícios do Porto.

Janeiro, 26 - Sessão real de abertura das Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes, presidida pela Rainha. As cortes encontravam-se reunidas desde 18 de Janeiro.

Maio, 13 – Conjura das Marnotas. Conspiração de um grupo de oficiais miguelistas, reunidos numa pequena localidade do concelho de Loures, que foi sufocada imediatamente devido à prisão dos conspiradores.

Junho, 1 - Queda do governo formado unicamente por Sá da Bandeira e Passos Manuel, que acumulavam as seis pastas. O novo governo será presidido por Dias de Oliveira.

Julho, 12 - Revolta dos Marechais. O batalhão de caçadores n.º 4 proclamou a Carta em Vila da Barca e marchou para Braga, ao encontro do regimento de infantaria n.º 9 e dos voluntários da Rainha.

Julho, 13 – O coronel barão de Leiria tomou o comando das forças revoltadas.

Julho, 14 - As forças revoltadas marcharam para Vila Nova de Famalicão, em direcção ao Porto, onde esperavam que se tivesse dado um pronunciamento da guarnição da cidade.

- As Cortes Constituintes suspenderam as garantias por 30 dias e atribuíram ao governo o direito de ordenar prisões sem culpa formada. A suspensão é prorrogada até 7 de Outubro, mantendo-se somente no Algarve, devido À guerrilha do Remexido.

Julho, 17 - As forças do comando do barão de Leiria, que tinham recuado, entram em Valença, onde são cercadas pelas forças constitucionais. O cerco durou até 7 de Setembro.

- O barão de Cacilhas revoltou-se em Estremoz, com um contingente de cavalaria e uma parte do regimento de infantaria n.º 5.  O coronel José Osório do Amaral revoltou-se em Castelo Branco, com Infantaria 12 e Cavalaria 3. O barão de S. Cosme revoltou-se em Torres Novas, com um esquadrão de Cavalaria 4.

Julho, 25 - O «Exército Restaurador» concentra-se no Sardoal, e ocupa Abrantes.

Julho, 30 - O marechal Saldanha tomou o comando das tropas revoltadas em Sobreira Formosa.

Agosto, 10 - As forças militares revoltadas entram em Coimbra, sob o comando de Saldanha.

- Sá da Bandeira foi nomeado Presidente do Conselho, mas só assumirá efectivamente a chefia do governo em 14 de Outubro devido a estar no teatro das operações militares enquanto lugar-tenente da Rainha nas províncias do Norte de Portugal.

Agosto, 13 - A Carta foi proclamada em Vila Real, em Murça, na Régua e em Chaves por várias forças militares.

Agosto, 15 - Saldanha entra em Leiria, após ter abandonado Coimbra, com intenção de se dirigir para Lisboa.

Agosto, 18 - O marechal duque da Terceira abandona Lisboa, com intenção de se juntar às forças revoltadas, com uma pequena força de artilharia, cavalaria e infantaria.

- As Cortes aprovaram uma lei que declarava «réus de Lesa Majestade» os oficiais comprometidos no «movimento cartista» e autorizava o governo a demiti-los.

Agosto, 20 - Os dois marechais do exército encontram-se em Torres Novas. As forças revoltosas compõem-se de 1.000 homens, dos quais metade era cavalaria e um quarto formado por «voluntários».

Agosto, 23-27 - As forças revoltosas apresentam-se diante das linhas de defesa de Lisboa, chegando a fazer um reconhecimento no Campo Grande. Não tendo havido movimentações políticas de apoio, as forças revoltadas retiraram para Rio Maior, pela estrada de Coimbra.

Agosto, 28 - Acção do Chão da Feira. As forças constitucionais comandadas pelo conde do Bonfim encontram-se com as forças cartistas comandados pelo marechal Saldanha. A acção, acontecida perto da Batalha, é indecisa, assinando-se um armistício que fez com que as forças sublevadas se retirassem para Alcobaça e as forças governamentais para Leiria. O conde da Redinha e o barão de S. Cosme morrem na acção, assim como o filho do conde de Vila Real que morrerá mais tarde dos ferimentos sofridos.

Setembro, 13 - Saldanha chega a Trás-os-Montes.

Setembro, 16 - Nascimento do príncipe herdeiro D. Pedro, futuro D. Pedro V.

Setembro, 18 - Acção de Ruivães. As forças constitucionais comandadas pelo visconde das Antas derrotam os revoltosos.

Outubro, 7 - Assinatura da Convenção de Chaves. As tropas sublevadas ficavam à disposição do governo. Os oficiais manteriam os seus postos, mas seriam pagos de acordo com a tarifa de 1719. Os chefes da revolta - Saldanha, Terceira, Palmela, Silva Carvalho e Mouzinho de Albuquerque - abandonam o País.

Outubro, 14 - Sá da Bandeira, regressado a Lisboa, pretendendo a criação de um Senado com membros vitalícios de nomeação régia, ao contrário do modelo electivo aprovado pelas Cortes, ameaçou não assumir a chefia do governo. A solução de compromisso encontrada foi o permitir a modificação do modelo por meio da legislação ordinária.

1838

Março, 4 - Primeira tentativa de revolta radical, das três acontecidas em Março. No primeiro domingo do mês, dia oficial de exercício da Guarda Nacional, alguns batalhões da Guarda saíram dos quartéis com intenção de exigirem a nomeação de um governo claramente setembrista. Mas só o batalhão do Arsenal da Marinha se manteve intransigente, só regressando aos quartéis no fim do dia.

Março, 5 - O deputado Leonel Tavares entrega na mesa do Congresso uma declaração de uma comissão da Guarda Nacional, afirmando o seu respeito pela rainha e declarando a sua falta de confiança no ministério.

Março, 7 - António Bernardo da Costa Cabral foi nomeado administrador-geral do distrito de Lisboa, pelo ministério de Sá da Bandeira, substituindo o demitido Soares Caldeira, que tinha dirigido a revolta de 4 de Março.

Março, 9 - Nova revolta (2.ª) do Arsenal. Dois batalhões da Guarda Nacional juntaram-se ao batalhão dos artífices do Arsenal da marinha, e exigiram a nomeação de um governo radical, um ministério puro. Sá da Bandeira demitiu o capitão-tenente Ricardo José Rodrigues França dos lugares de inspector do Arsenal e de comandante do batalhão dos artífices. O ministério é recomposto sendo formado por Sá da Bandeira e Tojal, que acumulavam todas as pastas.

Março, 13 - Última revolta (3.ª) do Arsenal. Os comandantes da Guarda Nacional exigem a reintegração de Rodrigues França, dirigindo-se para o paço. As tropas governamentais foram reunidas no Largo da Estrela, onde podiam defender tanto São Bento como o Palácio das Necessidades. A Guarda foi desalojada do Convento de Jesus, em frente a São Bento, e recuou para o alto da Graça. Quando os batalhões da Guarda desceram da Graça para o Rossio, tendo sido cercadas pelas forças governamentais reagiram, dando origem a um tiroteio que provocou a morte a cerca de 100 pessoas.

Abril, 4 – Juramento da nova Constituição pela Rainha, no dia do seu aniversário, e encerramento das Cortes Constituintes. É permitido o regresso dos dois marechais do Exército, exilados, devido a uma ampla amnistia para todos os crimes políticos praticados desde 10 de Setembro de 1836..

Abril, 9 – Nova lei eleitoral. O número de deputados era de 142 e o de senadores de 71.

Julho, 14 - Tumultos radicais em Lisboa, durante a procissão do Corpo de Deus, que são subjugados. Vários batalhões da Guarda Nacional de Lisboa são dissolvidos.

Julho, 18 e 20 - As eleições para deputados e senadores são convocadas para 12 de Agosto.

Agosto, 12 – Eleições de acordo com a nova lei eleitoral e a nova Constituição. A segunda volta realizou-se em 12 de Setembro.

Outubro, 31 - Nascimento de D. Luís I.

 

1839

Janeiro, 25 - A câmara dos deputados é dissolvida sendo convocada para 25 de Maio. Metade dos senadores serão renovados em conformidade com a nova Constituição. 

1840

Fevereiro, 25 - Dissolução da Câmara dos Deputados.

Fevereiro, 27 - São atribuídos poderes constituintes ao novo Parlamento, visando alterar o carácter electivo do Senado, para se transformar numa câmara de nomeação régia, conforme o acordado em Outubro de 1837 com Sá da Bandeira.

Março, 22 - Eleições, com vitória do governo.

Maio, 26 - Abertura do parlamento, com maioria defensora da restauração da Carta.

Agosto, 11 - Tumultos radicais em Lisboa, no Largo da Estrela, no aniversário da vitória liberal na ilha Terceira, que foram sufocados.

Agosto, 14 - Promulgação de um decreto que  suspendia as garantias constitucionais durante um mês em todo o país, sendo criado um tribunal especial para julgamento dos implicados no movimento e suspendendo a publicação de todos os jornais, excepto os literários, o Diário das Cortes e o do Governo. Em 14 de Setembro a lei é prorrogada até 15 de Novembro.

Agosto, 26 - Pronunciamento em Castelo Branco e Marvão, em defesa da Constituição, iniciado pelo coronel Miguel Augusto de Sousa, comandante do regimento de infantaria n.º 6, que foi sufocado. O coronel foi morto, na Guarda, pelos soldados do seu regimento, quando recusou render-se.

1841

Janeiro, 8 - O Congresso rejeitou o projecto de reforma dos forais, obrigando o ministro da fazenda, Pereira Forjaz, a pedir a demissão..

Maio, 21 - Publicação da Novíssima Reforma Judiciária, que entrará em vigor em 27 de Outubro. Restabelecimento das relações com a Santa Sé.

Junho, 9 - Governo de Joaquim António de Aguiar. É o sétimo e último governo setembrista.

1842

Janeiro, 2 - A reunião das Câmaras foi adiada para 21 de Fevereiro, por meio de um decreto.

Janeiro, 14 - Partida de Costa Cabral para o Porto.

Janeiro, 18 - Costa Cabral chega ao Porto, sendo recebido com vivas à Carta.

Janeiro, 27 - Pronunciamento militar no Porto, restaurando a Carta.

O Cabralismo,
de Janeiro de 1842 a Maio de 1846.

Janeiro, 27 - Pronunciamento militar no Porto, restaurando a Carta Constitucional de 1826.

Fevereiro, 5 - As forças cartistas comandadas pelo general Santa Marta, comandante da guarnição do Porto, dirigem-se para Coimbra.

Fevereiro, 7 - Queda do gabinete dirigido por António José de Ávila, futuro duque de Ávila. Palmela é nomeado para formar novo governo, que será conhecido pelo do Entrudo, por ter estado em funções três dias - até dia 9.

Fevereiro, 8 -  Proclamação cartista em Lisboa, pela guarnição do Castelo de São Jorge.

Fevereiro, 9 -  O ministério Palmela cai e o duque da Terceira é escolhido para presidir ao novo ministério.

Fevereiro, 10 -  A Carta é restaurada por Decreto, com a promessa de uma reforma, convocando-se as Câmaras para 10 de Junho, com poderes constituintes, o que será considerado ofensivo pelos cartistas.

Fevereiro, 14-16 -  Dissolução das juntas cartistas do Porto e de Coimbra.

Fevereiro, 19 -  Regresso de Costa Cabral a Lisboa.

Fevereiro, 24 -  Costa Cabral é nomeado ministro do reino. Tem início a longa administração Cabral - Terceira, que durará até Maio de 1846.

Março, 5 -  A reunião das Cortes é adiada para 10 de Julho. 

- Promulga-se uma nova Lei Eleitoral. Admite o voto dos religiosos seculares, sendo o sufrágio indirecto e censitário. Os círculos eleitorais são provinciais.

Março, 30 -  Manifesto da Coalisão [Coligação] das oposições, setembrista, miguelista e cartista dissidente. Da comissão central faziam parte Sá da Bandeira, Almeida Garrett, Oliveira Marreca e José Estêvão entre outros.

Junho, 3 - Publicação do manifesto da comissão eleitoral do partido cartista contra Costa Cabral. Os principais aristocratas são contra o ministro do Reino devido à sua baixa extracção social.

Junho, 5 - Eleições para as Câmaras cartistas. Os coligados só conseguem fazer eleger 10 deputados. A segunda volta realizou-se em 19 de Junho.

Julho, 10 -  Abertura das Câmaras. A 5.ª Legislatura durará 16 meses e 17 dias, sendo a legislatura mais longa desde 1834.

Julho, 16 -  Execução de Matos Lobo por enforcamento. Foi a última execução realizada em Portugal.

Agosto, 24 - Tentativa contra-revolucionária em Braga, que foi facilmente sufocada.

Setembro, princípios de  - Revolta do alferes Manuel Gomes França, de caçadores 26, que proclamou em Marvão a Constituição de 1820. A revolta foi sufocada.

1843

Joaquim Rodrigues Graça inicia uma viagem ao interior do continente africano que durará até 1847.

Março, 3 - Reforma do ensino.

Junho, 30 - Começo da revolta de Torres Novas. As cortes são adiadas até 15 de Novembro.

Novembro, 15 - Reabertura das Cortes. O governo continua sem ter apoio sustentado nas câmaras.

Novembro - Revolta da guarnição de Chaves, que queria a demissão do governo. Foi sufocada.

 

1844

Fevereiro, 4 - Pronunciamento militar em Torres Novas, dirigido pelo coronel César de Vasconcelos e José Estêvão, setembristas radicais, à frente do regimento de cavalaria 4, que foi sufocado. O exército manteve-se fiel ao governo.

Fevereiro, 16 - Os batalhões de Lisboa da Guarda Nacional são desarmados por ordem de José Bernardo da Silva Cabral, governador civil.

Fevereiro, finais - Sublevação, em Castelo Branco, de Infantaria 12 por vários capitães do regimento.

Abril, 8 - Sedição da praça de Almeida, em apoio aos revoltosos de Torres Novas, os quais se foram aí juntar. A praça imediatamente cercada capitulará em 25 de Abril.

Maio, 17 - A reunião das Cortes é adiada para 30 de Setembro de 1844.

Junho, 27 - António Bernardo da Costa Cabral assume a pasta da Justiça até 3 de Maio de 1845.  

Agosto, 1 - Reforma da organização da Justiça. Nova lei eleitoral.

Setembro, 18 -  Novas leis de saúde que proíbem o enterramento dos mortos fora das igrejas.

Setembro, 20 -  Criação do Conselho Superior de Instrução Pública, em Coimbra, presidido pelo ministro do Reino. O ensino primário foi remodelado dividindo-o em dois graus: no 1.º ensinava-se fundamentalmente a ler, escrever e contar; no 2.º gramática portuguesa, geografia e história, aritmética e geometria de aplicação industrial.

Setembro, 30 -  A Câmara  dos Deputados concede a bill de indemnidade ao governo. A lei permitia regularizar a vida legislativa aprovando as leis promulgadas pelo governo sem que tivessem reunidas as Cortes, o que equivalia a governar em ditadura.

Dezembro - Fundou-se a Companhia das Obras Públicas com o plano de construir uma linha férrea de Lisboa até à fronteira espanhola.

1845

Janeiro, 15 - As oposições unificadas começam a publicar o jornal Coalizão.

Abril, 28 - Marcação de eleições para 17 de Agosto, e regulamento para a sua realização, por meio de Decreto.

- Criam-se seminários em todas as dioceses do reino e das Ilhas Adjacentes, regulando-se o plano de estudos e o método de ensino

Maio, 3 - José Bernardo da Silva Cabral sucede ao irmão interinamente nas pastas do Reino e da Justiça.

Julho, 24 - Costa Cabral volta a assumir a pasta do Reino.

Agosto, 3 - Eleições. A oposição só elege seis deputados, no Alentejo.

Setembro, 8 - A rainha D. Maria II concede o título de Conde de Tomar a Costa Cabral.

Novembro, 26 - Decreto de reorganização da saúde pública, que impõe o enterro nos cemitérios, de acordo com vários decretos anteriores, e o de 21 de Setembro de 1835 em particular.

1846

Março, 19 - Um grupo de mulheres enterraram uma defunta na Igreja de Santo André dos Frades, sem autorização da junta de saúde. Nos dias seguintes sucederam-se casos idênticos, estendendo a revolta a todo o Minho.   

Abril, 7 - Promulgação do decreto de criação do Grémio Literário, proposto por 85 figuras marcantes da vida portuguesa. Era «a reunião de todos os indivíduos de conhecido mérito em qualquer ramo da ciência, literatura ou belas-artes».

Abril, 15 - Sublevação popular no Minho. Revolução da Maria da Fonte, com formação de juntas revolucionárias.

Abril, 20 - Decreto de suspensão das garantias constitucionais. Os crimes de sedição e rebelião passam a ser julgados em tribunal de guerra.

Maio, 20 - Queda do Gabinete presidido pelo duque da Terceira devido à revolução. Exílio dos irmãos Cabrais, que se dirigem para França a bordo do vapor Pachá.

A Patuleia e o Acto Adicional à Carta,
de Maio de 1846 a  Dezembro de 1852.

1846

Maio, 27 - Revalidação do decreto de10 de Fevereiro de 1842, convocando Cortes com poderes de revisão da Carta Constitucional.

Junho, 22 - Lei que conclui a extinção dos forais.

Junho, 23 - Saldanha regressa a Portugal, vindo de Bruxelas, onde tinha passado o Inverno de 1845-46. Tinha sido embaixador em Viena de 1841 a 1845.

Julho, 19 - Recomposição governamental, com entrada de Sá da Bandeira e Joaquim António de Aguiar para o ministério.

Julho, 27 - Decreto regulando o modo prático da realização das eleições, convocadas para 1 de Setembro seguinte, pelo método directo, mas que não se realizaram.

Setembro, 23 - Organização da «Comissão Central do Partido Cartista» (cabralista).

Outubro, 5-6 - Golpe palaciano, conhecido pelo nome de Emboscada, organizado por Costa Cabral, de Madrid, posto em prática por Saldanha com o apoio de D. Maria II, e que provocou a demissão do governo de Palmela e à constituição de um ministério cabralista presidido pelo marechal.

Outubro, 7 - Decreto de suspensão das garantias constitucionais, por 30 dias. Será prorrogado em 5 de Novembro e 6 de Dezembro.

Outubro, 9 a 29 de Junho de 1847 - Guerra Civil da Patuleia. Segunda fase das sublevações começadas com a Maria da Fonte.

Outubro, 9 - Dissolução das câmaras, convocadas para 2 de Fevereiro de 1848. Os decretos de 27 de Julho são declarados sem efeito, porque considerados contrários à Carta, restabelecendo-se assim a antiga lei eleitoral.

 - José Passos constitui no Porto a «Junta Provisória do Supremo Governo do Reino», que é presidida pelo conde das Antas, seguida pela formação de outras juntas em todo o país, que se declaram em rebelião contra o governo de Lisboa.

Outubro, 10 - O duque da Terceira, mandado ao Porto como lugar-tenente da Rainha, é preso.

Outubro, 11 - O conde das Antas assume o comando militar da revolta, presidindo à Junta de Governo, de que José Passos era vice-presidente..

Outubro, 16 - O governo português pede a intervenção estrangeira para acabar com a revolução, defendendo que era uma revolta miguelista. Os espanhóis mandarão forças para a fronteira, mas o governo britânico não aceita que haja uma revolta miguelista.

Outubro, 25 - Pronunciamento em São Miguel, Acores.

Outubro, 26 - O exército da Junta dirige-se para Santarém.

Outubro, 27 - A rainha assume plenos poderes extraordinários, suspendendo-se a legalidade constitucional.

Novembro, 4 - Santarém é ocupado pelas forças revoltosas.

Novembro, 6 - Costa Cabral, no exílio em Espanha, é nomeado embaixador nesse país.

Novembro, 19 - Decreto de fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança, prevendo-se a criação de um Banco de Portugal.

Novembro, 20 - O que resta das forças de Sá da Bandeira, de regresso ao Porto, são atacadas pelas forças miguelistas de MacDonell.

Novembro, 25 - Forças miguelistas entram em Guimarães.

Dezembro, 3 - Tomada de Valença pelas forças governamentais.

Dezembro, 4 - Ataque a Viana pelos miguelistas. As forças governamentais conseguirão manter o castelo em seu poder.

- Publicação do Manifesto da Junta do Porto.

- Acção de Ourém.

Dezembro, 22 - Acção de Torres Vedras, com vitória do exército governamental comandado por Saldanha sobre o exército da Junta, comandado pelo conde de Bonfim.

Dezembro, 26 - Criação do Banco de Portugal.

Dezembro, 31 - Os miguelistas são completamente derrotados em Braga, tendo o seu comandante, Macdonell sido preso e morto em 30 de Janeiro de 1847.

1847

Janeiro, 10 - Saldanha propõe secretamente à Junta do Porto um acordo de paz com base na convenção de Chaves de 1837, que tinha acabado com a Revolta dos Marechais.

Janeiro, 12 - Assinatura das bases da «União dos realistas insurgentes com a Junta do Porto», isto é, da aliança dos miguelistas com os setembristas.

Janeiro, finais de - Saldanha encontra-se perto do Porto, comandando as forças militares leais ao governo. A esquadra governamental, comandada por Soares Franco, bloqueia o Douro.

Fevereiro, 20 - Remodelação governamental, desfavorável aos cabralistas.

Fevereiro, 27 - Ataque a Estremoz por forças patuleias comandadas pelo conde de Melo.

Março, 15 - Cartas de Saldanha fazendo um ultimatum ao governo e à Rainha, para que houvesse uma remodelação governamental, que impusesse contribuições forçadas de artigos e material de guerra,  e que a rainha vendesse as jóias para angariar fundos suplementares para a conclusão da guerra

Março, 19 - Pedido oficial do governo português de execução do auxílio estrangeiro a prestar pela Grã-Bretanha, Espanha e França de acordo com o Tratado da Quádrupla Aliança.

Março, 26- 28 - Embarque e partida da expedição comandada por Sá da Bandeira, por mar, do Porto para Lagos, e marcha subsequente em direcção a Lisboa.

Março, 28 - Mudança governamental em Espanha. O novo governo dirigido por Pacheco dispõem-se a cooperar com a Grã-Bretanha na tentativa de encontrar uma solução para a Guerra Civil portuguesa.

Abril, 1 - A expedição de Sá da Bandeira desembarca em Lagos, no Algarve.

Abril, 11 - Tentativa de sedição em Lisboa, que foi malograda.

Abril, 12 - O embaixador espanhol oferece ao governo português a ajuda de uma força militar totalizando 12.000 homens.

Abril, 16 - Sá da Bandeira chega a Setúbal onde se reúne às forças do conde de Melo. 

Abril, 17 - José Bernardo da Silva Cabral chega a Lisboa.

Abril, 25 - D. Fernando II, comandante-chefe do exército, tendo-se deslocado à margem sul do rio Tejo, escreve à rainha pressionando-a a remodelar o governo e a aceitar as condições de mediação de Palmerston de 5 de Abril.

Abril, 28 - Remodelação ministerial, com entrada de políticos favoráveis à mediação britânica.

- O governo aceita oficialmente a mediação britânica, aprovando uma amnistia para todos os revoltosos.

Abril, 29 - Tumultos em Lisboa, com abertura das cadeias e fuga de 600 presos. Devido ao problema das subsistências, começam a ser distribuídas sopas económicas, que se manterão até Junho.

 - Pronunciamento na Madeira.

Abril, 30 - O coronel Wylde, enviado pessoal da rainha Vitória a Portugal, desloca-se a Setúbal e consegue estabelecer um armistício entre as forças de Vinhais e de Sá da Bandeira.

Maio, 1 - Acção do Alto do Viso. Sá da Bandeira confronta-se com as forças do conde de Vinhais, perdendo cerca de 500 homens, assinando um armistício.

Maio, 12 - A Junta do Porto rejeita a mediação britânica e anuncia o fim do armistício.

Maio, 21 - É assinado em Londres um protocolo fixando as condições da intervenção estrangeira em Portugal.

Maio, 22 - Pronunciamento na ilha Terceira, Açores.

Maio, 25-27-31  - Intervenção britânica no Porto. A Junta do Porto é informada que a barra do Douro se encontra bloqueada, o que impede a saída da expedição do conde das Antas, enviada pela Junta ao Sul do país, e o seu apresamento quando tenta forçar o bloqueio.

Junho, 1 - Proclamação da Junta do Porto em que declara ser forçada a aceitar o armistício devido à intervenção estrangeira.

Junho, 15 - Sá da Bandeira e Melo entregam-se aos aliados em Setúbal. A Patuleia desaparece a Sul do Tejo.

Junho, 19 - Intervenção espanhola. Uma divisão espanhola entra em Portugal, por Mirandela, em Trás-os-Montes, e dirige-se para o Porto, acampando dia 25, a uma légua da cidade. Forças britânicas ocupam o Forte de São João da Foz

Junho, 10 - Proclamação de D. Maria II anunciando uma amnistia geral e prometendo cumprir com as outras três condições da mediação.

Junho, 13 - Organização em Lisboa de um «Centro Eleitoral Cartista» (cabralista).

Junho, 24 - Assinatura da Convenção do Gramido que pôs fim à Guerra Civil, vencida pelos cartistas.

Julho, 7 - Saldanha entra no Porto.

Agosto, 22  - Remodelação governamental. Saldanha continua na presidência.

Outubro, princípios de  - José Estevão redige o programa da Associação Eleitoral Setembrista.

Outubro, 17  - Vitória cabralista nas eleições municipais de Lisboa.

Novembro, 28 - Dezembro, 14  - Eleições primárias e reunião dos colégios eleitorais para apuramento dos deputados eleitos. Vitória dos cabralistas.

Dezembro, 9-14 - Decretos abolindo o curso forçado das notas, retirando-lhes a garantia do Estado.

Dezembro, 18 - Remodelação ministerial, que reforça a presença dos cabralistas. Saldanha continua na Presidência.

  - Criação da Sociedade Secreta de S. Miguel de Ala, que reuniu defensores do absolutismo interessados em derrubar o liberalismo.

 

1848

Janeiro, 2 - Abertura da primeira sessão parlamentar da 7.ª Legislatura, que começou a funcionar a 11.

Março, 29 - Remodelação governamental. Gorjão Henriques, cabralista puro, é exonerado da pasta do Reino, sendo substituído por Saldanha. Os irmãos Cabral divergem politicamente já que Costa Cabral apoiou Saldanha e Silva Cabral apoiou Gorjão.

Maio, 17 - Criação de uma comissão revolucionária de Lisboa por Oliveira Marreca, Rodrigues Sampaio e José Estevão, a que aderiram Casal Ribeiro, Henriques Nogueira, Anselmo Braamcamp, Luís Augusto Palmeirim e Lobo de Ávila. 

Maio, 29 - Criação da Carbonária Lusitana, sociedade secreta coimbrã, próxima do republicanismo.

Julho, 30  - Inauguração da iluminação a gás na Baixa de Lisboa, com vinte e seis candeeiros.

  - Acordo com a Santa Sé para a reintrodução das ordens religiosas em Portugal.

Agosto, 15 - As câmaras fecharam até 2 de Janeiro do ano seguinte. Costa Cabral retirou-se para Tomar onde foi visitado pelo rei consorte D. Fernando II.

1849

Junho, 18 - Costa Cabral regressa ao poder, presidindo um ministério apoiado por Saldanha, com o conde do Tojal nos estrangeiros e António José de Ávila, na Fazenda.

Outubro, 24 - Publicação de um manifesto de um partido nacional unindo cartistas e setembristas

Dezembro,  26 - A antiga maçonaria do Sul torna-se a Confederação Maçónica Portuguesa, tendo como grão-mestre Pina Cabral.

  - Reorganização militar.

  - Chegada a Moçamedes, Angola, dos primeiros colonos.

  - Constituição da Comissão Geológica, sob a alçada da Academia das Ciências, com o intuito de realizar o cadastro geológico do país.

  - Inauguração da primeira estrada em macadame em Portugal.

1850

Fevereiro, 1 - Apresentação da proposta sobre a nova Lei da Liberdade de Imprensa.

Fevereiro, 7 - Saldanha foi demitido do cargo de mordomo-mor do Paço, tendo pedido a demissão de conselheiro de estado, passando a estar em oposição clara ao governo de Costa Cabral.

Fevereiro, 18 - Manifesto público contra a nova lei de imprensa, subscrito por Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Latino Coelho e Lopes de Mendonça.

  - O conde do Lavradio acusa Costa Cabral de ser um criminoso de lesa majestade, na Câmara dos Pares, e tendo o apoio de Saldanha.

Abril, 16 - Confirmação da criação do Banco de Portugal, por Carta de Lei, referendada por António José de Ávila.

Agosto, 3 - A nova lei da liberdade de imprensa, que ficou conhecida como a Lei das Rolhas é aprovada.

Setembro, 4 - Promulgação da Lei das Rolhas.  

Junho, 27 - Fundação da Associação dos Operários, primeira organização deste tipo em Portugal, e do jornal O Eco dos Operários.

1851

Janeiro, 29 - Nova Lei Eleitoral.

Abril, 7 - Maio, 1  - Golpe de Estado de Saldanha, preparado em casa de Alexandre Herculano, que levará à formação do primeiro ministério regenerador. Saldanha sai de Lisboa em direcção a Sintra com o batalhão de caçadores 1, para sublevar infantaria 7, o que não conseguiu. Partiu em direcção ao Porto, mas não tendo tido apoio explícito vagueia pelo País com algumas tropas, internando-se na Galiza. O apoio do Porto aparece finalmente em 29 de Abril, realizado por infantaria 18, com o apoio dos irmãos Passos,  trazendo-lhe a vitória e a queda de Costa Cabral.

Abril, 29 - Costa Cabral embarca para Vigo e reocupa o lugar de embaixador em Madrid.

Maio, 1 - Saldanha é nomeado presidente do Conselho de Ministros.

Maio, 4 - Tumultos patuleias em Lisboa reprimidos pela Guarda Municipal, comandada por D. Carlos de Mascarenhas, irmão mais novo do marquês de Fronteira, defensores de Costa Cabral.

Maio, 15 - Saldanha chega a Lisboa, vindo de vapor do Porto. Governará quase sempre em ditadura até 31 de Dezembro de 1852.

Maio, 18 - Tentativa de pronunciamento cabralista, que foi sufocado.

Maio, 25 - As Cortes são dissolvidas.

Junho, 12 - Rebelo da Silva emite uma carta-circular como secretário do centro eleitoral de apoio à situação política vigente.

Junho, 20 - Reforma da Lei Eleitoral, com alargamento do sufrágio.

Julho, 7 - Início do Movimento da Regeneração, com a formação de um governo presidido por Saldanha, com a participação de Rodrigo da Fonseca Magalhães e António Maria Fontes Pereira de Melo, tendo como lema fundamental o desenvolvimento de benefícios materiais.

Novembro, 2-16 - Realização das primeiras eleições do período da Regeneração. Os regeneradores históricos apoiantes da situação política estabelecida ganham as eleições aos cartistas, que só conseguiram 34 deputados em 159.

Dezembro, 15 - Abertura das Cortes. Estarão reunidas até 24 de Julho de 1852.

 

1852

Janeiro, 23 - É apresentada na Câmara dos Deputados uma proposta de reforma da Carta.

Maio, 6 - O governo decide realizar uma linha de caminho-de-ferro de Lisboa à fronteira espanhola, «atendendo a que no geral e progressivo desenvolvimento, que as vias férreas vão tendo em diversos países, é de absoluta e instante necessidade que Portugal siga o mesmo exemplo, a fim de colher os imensos benefícios, que somente por tal meio se podem hoje alcançar».

Maio, 20 - As Cortes reabrem, começando a discussão sobre a proposta de reforma da Carta.

Junho, 4 - A discussão sobre a reforma da Carta termina na Câmara dos Deputados.

Julho, 1 - Concluí-se a discussão sobre a reforma da Carta na Câmara dos Pares.

Julho, 5 - Promulgação do Acto Adicional à Carta Constitucional de 1826, com intenção de pôr termo à divisão entre cartistas e setembristas (constitucionalistas), tornando a carta aceitável por todos os grupos políticos.

Julho, 24 - Dissolução das câmaras. O governo entra novamente em «ditadura».

Agosto, 30 - Criação do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, integrando uma Secretaria-Geral, a Direcção das Minas e Obras Públicas, a da Agricultura, Comércio e Manufacturas e a Repartição de Contabilidade. Fontes Pereira de Melo é o ministro nomeado para este novo departamento do estado, mantendo estas funções até 6 de Junho de 1856, tirando um pequeno período de 2 meses em finais de 1855 e princípios de 1856.

 - Criação do Conselho Geral do Comércio, Agricultura e Manufacturas, órgão consultivo da apoio ao novo Ministério das Obras Públicas.

Setembro, 1 - Criação da Companhia Geral do Comércio, Agricultura e Manufacturas.

Setembro, 11 - Reforma das Alfândegas de Lisboa.

Dezembro, 10 - O Código Penal foi aprovado, permitindo «abrir uma nova época de moralidade e justiça.»

Dezembro, 12-19 - Eleições com vitória das listas governamentais, onde se incluíam os ordeiros, setembristas moderados, sobre uma coligação que agrupava históricos (setembristas), cartistas e miguelistas. O regime regenerador institucionaliza-se definitivamente.

Dezembro, 13 - O sistema Métrico Decimal é adoptado por decreto.

 - Cisão dos constitucionalistas em duas facções: o Partido Progressista Dissidente, ou Histórico, e o Partido Progressista Regenerador. O primeiro defendia uma organização política mais democrática, o segundo era centralista e defensor do regime censitário.

 - Criação do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.

 - Organização da primeira exposição agrícola portuguesa.

 - Silva Porto inicia em Benguela a sua viagem que o levará à contra-costa.

A Regeneração,
de 1853 a  Julho de 1868.

1853

Março, 23 - Medidas de fomento florestal, com distribuição gratuita de sementes, e responsabilização das câmaras municipais pelos projectos de fomento florestal.

Maio, 10 - Fontes Pereira de Melo, ministro das Obras Públicas, aprova os estatutos da Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal, que serão publicados no Diário do Governo de 20 de Maio.

Novembro, 15 - Morte de D. Maria II, de parto, ao dar à luz o seu 11.º filho, com 34 anos de idade.

Novembro, 16 - D. Fernando II é jurado Regente perante o Conselho de Estado, na menoridade do filho, D. Pedro V, que contava 16 anos, sendo a maioridade atingida aos 18 anos.

  - Começo da utilização dos selos postais.

1854

Janeiro, 21 - Criação da comissão central para a Exposição Universal de Paris, presidida pelo marquês de Ficalho.

Fevereiro - São criadas comissões distritais para o estudo da cultura do arroz.

Junho, 6 - Criação do Curso Administrativo português.

Julho, 8 - Primeira experiência de caminho de ferro em Portugal, entre Sacavém e Vila Franca de Xira.

Agosto, 2 e 7 - A produção cerealífera foi fraca, tendo sido dada autorização de importação de milho estrangeiro até 15 de Setembro.

Agosto, 5 - O monopólio do sabão é abolido, pelas Cortes.

Setembro, 17 - Alexandre Herculano recusa fazer parte da comissão central do Partido Progressista.

Dezembro, 8 - O Papa Pio IX promulga o Dogma da Imaculada Conceição.

Dezembro, 14 - Os escravos pertencentes ao Estado são libertados.

Aparecem os jornais O Comércio do Porto e O Conimbricense.

1855

Janeiro, 12 - São aprovados os estatutos da Associação Comercial de Lisboa.

Fevereiro - Falta de cereais no Porto, o que obrigou a baixar o preço de venda do pão.

Março, 19 - A Escola Regional Agrícola de Viseu é transferida para Coimbra.

Maio, 1 - Inauguração da Exposição Universal de Agricultura e Indústria de Paris, com uma participação portuguesa.

Julho, 17 - Reorganização do ensino da Veterinária.

Maio, 2 - A extensão legal da légua passa a ser de cinco mil metros ou cinco quilómetros, passando a denominar-se légua itinerária.

Setembro, 16 - D. Pedro V fez 18 anos entrando no exercício do poder real, por meio da celebração do juramento e aclamação numa sessão real extraordinária das Cortes.

 - Exposição Industrial no Porto.

 - Inauguração do serviço telegráfico.

 - Assinatura do contrato para lançamento de um cabo submarino ligando Portugal continental aos Açores e Estados Unidos da América.

1856

Fevereiro, 16 - Confronto entre o duque de Saldanha e o conde de Tomar, na Câmara dos Pares. Os dois políticos discutem durante três horas.

Março - O visconde de Fonte Arcada discursa sobre a crise agrícola.

Junho, inícios - D. Pedro V recusa nomear uma fornada de vinte pares, como lhe tinha sido pedido pelo duque de Saldanha considerando que «a oposição é uma condição essencial dos governos representativos, e todo o ataque que se lhe dirige é um ataque que vai recair sobre as próprias instituições». Saldanha pede a demissão.

Junho, 6 - O duque de Loulé, tio do rei D. Pedro V, assume a presidência do governo formando um ministério com Sá da Bandeira nas pastas da Marinha e Colónias e nas Obras Públicas, José Jorge Loureiro na Guerra e na Fazenda, Silva Sanches, no Reino e Cunha Pessoa na Justiça.

Junho, 12 - Devido ao mau ano agrícola, é autorizada a importação de cereais em grão ou farinha, e mais tarde, em 6 de Agosto, de bolachas e massas para sopa.

Junho, 16 - Carta de Lei que autoriza a criação do Banco Mercantil.

Julho, 24 - É dada a liberdade aos filhos de escravos nascidos no ultramar, depois de atingirem os 20 anos.

Agosto, 8 / 10 - Revolta das subsistências. Devido ao mau ano agrícola realizaram-se manifestações em Lisboa contra o aumento do custo de vida, com tumultos e assaltos a lojas.

Agosto, 28 - Criada a Associação Geral do Comércio e Hipotecas.

Setembro, 5 - É emitido o manifesto da comissão eleitoral progressista de Lisboa.

 Setembro, 29 - O número de deputados é aumentado, passando de 156 para 162.

Outubro, 28 - Inauguração do primeiro troço de caminho de ferro, entre Lisboa e o Carregado, primeira secção da linha de Leste, com uma extensão de 36 km.

Novembro,  9 - Realizam-se eleições, com a vitória dos progressistas históricos, no Governo, que venceram os progressistas regeneradores, de Rodrigues Sampaio, José Estevão e Fontes Pereira de Melo, ente outros, e o pouco numeroso partido cabralista.

  - Inauguração da rede oficial de telégrafo eléctrico.

  - Concessão da liberdade a todos os escravos que desembarquem em Portugal continental, Ilhas adjacentes, Índia e Macau..

1857

Janeiro, 23 - Sá da Bandeira acumula a secretaria da Guerra, substituindo José Jorge Loureiro, com a da Marinha e Colónias, tendo deixado a pasta das Obras Públicas em Junho de 1856.

Fevereiro, 20 - Discursos da oposição, nas duas câmaras, contra o governo. As questões agrícolas ocupam as Cortes, sobretudo o problema do vinho do Douro, e a importação de cereais.

Maio, 26 - Autorizada a liberdade de importação dos cereais.

Julho, 12 a 14 - Exposição Agrícola no Porto.

Agosto, 8 - Criação de uma Comissão Central de Estatística..

Agosto - O Conde do Lavradio, embaixador de Portugal na Grã-Bretanha, vai à Alemanha tratar do casamento de D. Pedro V. Tinha sido ele também o negociador do casamento de D. Maria II com D. Fernando.

Setembro, 17 - Alexandre Herculano é nomeado vogal da secção de Agricultura do Conselho do Comércio, Agricultura e Manufacturas.

Setembro - Abertura da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.

Dezembro, 8 - Assinatura em Berlim do contrato matrimonial entre D. Pedro V e D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmarinen.

 - É criado o Observatório Astronómico de Lisboa.

1858

Março, 26  - A Câmara dos Deputados é dissolvida.

Abril, 6  - Marcação de eleições para 2 de Maio.

Abril, 29  - Casamento por procuração, na igreja de Santa Edwiges em Berlim, de D. Pedro V e D. Estefânia, sendo o rei representado pelo duque da Terceira.

 - Promulgação de um decreto que fixava a extinção da escravatura para 29 de Abril de 1878.

Maio, 2 - Eleições. O partido histórico, que apoia o governo, ganha as eleições. Os cartistas - regeneradores - unem-se aos miguelistas sendo conhecidos por coligados. Alexandre Herculano, eleito por Sintra, recusará ser deputado.

Junho, 7  - Abertura do Parlamento.

Setembro, 28 - O contingente militar que foi fundar a colónia de Huíla, em Angola, saiu de Lisboa, com soldados e famílias. Chegou a Moçâmedes em 5 de Dezembro.

Dezembro, 31 - Comício anti-clerical presidido por Alexandre Herculano.

 - A Companhia União Mercantil estabelece as primeiras carreiras regulares, a vapor, de Portugal para Angola.

 - Fundação do Museu de História Natural da Escola Politécnica de Lisboa, que sucede ao Museu do Palácio da Ajuda.

 - A linha férrea do Norte chega à Ponte de Asseca.

 - Apresentação do projecto de Código Civil.

 - Abertura ao público do primeiro telégrafo, em Lisboa. 

1859

Janeiro - Morais Soares, director do Archivo Rural propõe a criação de um partido dos agrocaratas, par o fomento da agricultura.

Março, 4 - José Estevão e Vicente Ferrer de Neto Paiva apresentaram uma moção anticlerical, em que se pedia ao governo para se opôr com firmeza «ás demasias e influencias de qualquer especie de reacção religiosa».

Março, 16 - O duque da Terceira forma governo, em que acumulará as pastas dos Estrangeiros e da Guerra, e  que será composto por Fontes Pereira de Melo no ministério do Reino, Martens Ferrão na Justiça, Casal Ribeiro na Fazenda, António Serpa nas Obras Públicas e Ferreri na Marinha e Colónias; todos políticos regeneradores.

Abril, 18 - Proposta de liberalização do comércio dos cereais, proposta por António Serpa.

Junho  - Criação do Curso Superior de Letras, que teve o apoio do rei D. Pedro V, que chegou a assistir a algumas aulas. Os primeiros professores foram José Viale, Rebelo da Silva e Lopes de Mendonça, já que Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho recusaram.

Junho, 30 - Decretada a importação livre de milho em Portugal.

Julho, 17  - Morte da rainha D. Estefânia, devido a uma angina diftérica, com 22 anos de idade.

Agosto, 19 - Organização do Tribunal de Contas.

Setembro, 14 - Decreto aprovando o regulamento do Curso Superior de Letras. 

 - É assinado um contrato com o financeiro espanhol José de Salamanca para a conclusão da via férrea do Norte e para a ligação ao Entroncamento.

Novembro, 23  - As câmaras são dissolvidas, sendo convocadas para 26 de Janeiro de 1860. Sendo aprovada uma nova Lei Eleitoral, influenciada por Oliveira Marreca e José Estevão. São criados os círculos uninominais. O censo é diminuído aumentando por isso o número de eleitores.

Novembro, 28  - Marcação de eleições para 1 de Janeiro de 1860.

 - Criação da Direcção-Geral de Instrução, no ministério do Reino, por iniciativa de Fontes Pereira de Melo.

1860

Janeiro, 1 - Eleições. O Partido Regenerador, o partido que apoiava o governo, integrando os cabralistas, ganha as eleições. Os históricos só elegem 15 deputados, sendo eleitos 2 deputados miguelistas. Os deputados foram eleitos por meio de círculos eleitorais uninominais.

Janeiro, 26 - Abertura das Cortes.

Abril, 19 - Setúbal é elevada a cidade.

Maio, 1 - Joaquim António de Aguiar assume a Presidência do ministério, devido à morte do duque da Terceira, sem ocupar nenhuma pasta. António Serpa é substituído na secretaria de estado da Guerra pelo visconde da Senhora da Luz, o general Joaquim António Velez Barreiros.

Junho, 10 - Criação da Real Associação Central da Agricultura Portuguesa.

Junho, 30 - Os morgados e capelas ainda existentes são abolidos.

Julho, início - O governo regenerador de Aguiar, enfraquecido desde a morte do duque da Terceira, pede a demissão no seguimento do debate sobre o crédito predial, ou hipotecário.

Julho, 4 - O duque de Loulé é incumbido de formar o governo. Ocupando a pasta do reino, escolhe Lobo de Ávila, antigo cartista puro, para a Fazenda e os Negócios Estrangeiros, e membros do partido histórico e antigos cabralistas, para as outras pastas.

Dezembro - Exposição agrícola no Porto.

 - Fundação da Associação Industrial Portuguesa.

 - Nova tentativa de estabelecimento dos britânicos na baía de Lourenço Marques.

 - Reforma do ensino secundário, sob a égide de Fontes Pereira de Melo.

1861

Janeiro, 14 - Abertura solene do Curso Superior de Letras.

Março, 27 - Dissolução da Câmara dos Deputados, com marcação de eleições em 22 de Abril.

Abril - Estudantes de Coimbra criam a «Sociedade do Raio», com intenção de se manifestar contra o reitor Basílio Sousa Pinto, sendo formada, entre outros, por Antero de Quental, Alberto Sampaio e José Falcão.

Abril, 4 - Desamortização dos bens das freiras e das igrejas, com incorporação dos bens na fazenda nacional.

Abril, 22 - Eleições. Vitória dos históricos, apoiantes do governo, mas com cerca de 50 deputados oposicionistas.

Julho, 29 - Portugal declara-se neutral nos assuntos internos dos Estados Unidos da América, em plena Guerra Civil.

Agosto, 20 - Foi autorizado a fundação do Banco União, o quarto banco português.

Agosto, 25 - Inauguração pelo rei D. Pedro V da Exposição Industrial Portuguesa, organizada no Palácio da Bolsa do Porto pela Associação Industrial.

Novembro, 6 - Morte do infante D. Fernando. 

Novembro, 11 - D. Pedro V morre no seguimento de uma viagem ao Alentejo, vítima de febre tifóide. 

Novembro, 14 - D. Luís desembarca em Belém, regressado de Paris com o seu irmão o infante D. João, ao saber da morte do infante D. Fernando, sem saber que D. Pedro V já tinha morrido, e que era  o novo rei de Portugal. 

Dezembro, 22 - Começo do reinado de D. Luís I, com a ratificação do juramento realizado em 14 de Novembro, por intermédio de uma proclamação publicada no Diário do Governo, e a cerimónia de aclamação realizadas na sala da Câmara dos Deputados. 

Dezembro, 25 - Tumultos em Lisboa, devido às suspeitas lançadas sobre as causas da morte de D. Pedro V e D. Fernando, assim como da doença dos seus irmãos, D. Augusto e D. João.  

Dezembro, 27 - Morte do  infante D. João. Dos cinco filhos varões de D. Maria II, que chegaram à adolescência, só dois D. Luís e D. Augusto sobreviveram ao Outono de 1860.

 - Início da construção do Palácio de Cristal, no Porto.

 - Linha-férrea do Barreiro a Vendas Novas e de Pinhal Novo a Setúbal.

1862

Fevereiro, 21 - O duque de Loulé formou novo governo, depois de o anterior se ter demitido devido aos tumultos de Dezembro. António José de Ávila não faz parte do novo governo. Sá da Bandeira mantêm-se na Guerra, a Marinha é entregue a Mendes Leal, Lobo de Ávila, futuro conde de Valbom, ocupa as Obras Públicas. Anselmo José Braamcamp substituiu Loulé no ministério do Reino, o que provocará a intensificação das medidas contra as congregações religiosas. 

Maio, 1 - Tumultos no Minho. 

Junho - Morais Soares defendeu no Archivo Rural que o latifúndio travava o desenvolvimento agrícola.

Agosto, 16 - Tumultos populares em Aveiro e Braga, que tinham como origem o aumento dos impostos.

Setembro - Trabalhadores rurais boicotaram o funcionamento de uma máquina de debulhar na Quinta da Cartuxa. 

Setembro, 15 - Revolta de Braga, sufocada. O regimento de Infantaria 6 revolta-se chefiado pelo capitão Guilherme Macedo.

Setembro, 27 - Casamento de D. Luís I com a princesa de Sabóia, D. Maria Pia, filha de Vítor Manuel II, futuro rei de Itália, mas na altura ainda rei do Piemonte e Sicília,  tendo como procurador o duque de Loulé. 

Outubro, 6 - O casamento de D. Luís com D. Maria Pia de Sabóia é ratificado na Igreja de São Domingos. A rainha tinha chegado a Lisboa no dia anterior.  

 - As congregações religiosas são proibidas em Portugal.

 - A estátua de D. Pedro IV é inaugurada no Rossio, em Lisboa.

 

1863

Março, 4 - Novas medidas para disciplinar a cultura do arroz. 

Maio, 19 - Abolição dos Morgados, com a excepção dos pertencentes à casa de Bragança. 

Maio, 30 - Abertura da linha férrea até Badajoz, concluindo-se a linha do Leste, e chegada a Évora da linha do Sul.

Junho - Grandes chuvadas, que provocam a perda de um terço da produção agrícola. 

Junho, 22 - Lei sobre as sociedades anónimas. 

Julho, 13 - Reorganização do crédito hipotecário, da responsabilidade do ministro da fazenda Joaquim Tomás Lobo.

 - Autorização do 5.º banco português, o Banco Aliança.  

Setembro, 28 - Nascimento de D. Carlos I.

Outubro, 16 - Exposição agrícola e industrial de Braga, organizada pelo governador civil.

Dezembro, 12 - Reforma da Contabilidade pública.

Dezembro, 31 - Primeiro recenseamento nominal simultâneo de toda a população do país: 3.829.618 habitantes.

 - Exposição industrial têxtil no Teatro D. Maria II, em Lisboa. 

1864

Janeiro -  Governo consegue um empréstimo de 5 milhões de libras.

Fevereiro, 11 - As Cortes reconhecem o príncipe D. Carlos como herdeiro do trono.

Abril, 7 - As associações de socorros mútuos são autorizadas.

Maio, 16 - É dada autorização para a fundação do Banco Nacional Ultramarino, que se estabelecerá em Luanda. 

Junho, 18 - É criada a Companhia da Fábrica de Tabacos de Xabregas, controlada por Francisco Isidoro Viana, tendo como outros accionistas João Henrique Ulrich, João Paulo Cordeiro e José Rodrigues Penalva, entre outros.

Setembro, 11 - Eleições. Os históricos, no Governo, vencem elegendo cerca de 100 deputados em 177. Os eleitores são cerca de 350.000 numa população de cerca de 4,2 milhões de habitantes (8,5 %).

Setembro, 29 - Forma-se em Inglaterra a 1.ª Internacional, reunindo sindicalistas britânicos, proudhonianos e marxistas alemães, assim como refugiados húngaros, polacos e italianos.

Outubro, 25 - Os estatutos da Companhia geral do Crédito Predial Português são aprovados.

Dezembro, 28 - É criado o Conselho Geral de Estatística.

 - Conclusão da linha férrea do Norte até Gaia, e da do Sul até Beja. E abertura do caminho de ferro até Vilar Formoso.

 - Começo da publicação do Diário de Notícias, em Lisboa.

1865

Abril, 17 - Formação de um ministério presidido por Sá da Bandeira, que se manterá em funções até Setembro.

Maio, 15 - A Câmara dos Deputados é dissolvida, marcando-se as eleições para 9 e a convocação para 30 de Julho.

Junho, 1 - Fundação da Companhia União Fabril, tendo como principais accionistas José Dias Leite Sampaio, visonde da Junqueira, William Gruis e Anselmo Ferreira Pinto Basto, para fabrico e comércio de tabaco, mas também de sabão e sabonetes e velas de estearna, óleo de purgueira e outros produtos químicos.

Junho, 11 - Tratado de comércio com a França.

Julho, 9 - Eleições. Uma união de históricos e regeneradores, que se apresentam como progressistas vence as eleições, por pequena margem. Sá da Bandeira apresenta a demissão, sendo contrário à fusão, mas achando que o governo deva ser «apoiado por uma maioria suficiente».

Agosto - O Banco Nacional Ultramarino abre a sucursal de Luanda.

Setembro, 4 - Ministério da Fusão, primeiro dos quatros a que presidirá Joaquim António de Aguiar, que detinha também a pasta do Reino, e que juntou no mesmo gabinete regeneradores e históricos. Fontes Pereira de Melo na Fazenda, Barjona de Freitas na Justiça, Andrade Corvo nas Obras Públicas

Setembro, 15 - Abertura da Exposição Internacional do Porto, no Palácio de Cristal. 

Setembro, 27 - Início da «Questão Coimbrã» ou «Questão Bom Senso e Bom Gosto». Polémica originada pelas referencias depreciativas de Castilho a Antero, Teófilo Braga e outros da mesma geração, em carta posfácio ao editor do Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, datada deste dia.

Dezembro, 7 - Autorizada a livre exportação de vinhos pelo Douro.

Dezembro, 23 - Criação de um imposto sobre a produtos vínicos entrados no Porto.

 - Inauguração do Palácio de Cristal, no Porto.

 - Fundação do Banco Nacional Ultramarino.

 - Fundação da Companhia União Fabril (CUF), com base numa fábrica de sabões nas Fontaínhas.

 - Organização do partido reformista, que se opõe à «fusão». 

1866

Fevereiro, 7 -  Na continuação da «Questão Coimbrã», Antero de Quental bate-se em duelo, no Porto, com Ramalho Ortigão que fica ferido.

Maio - Antero de Quental parte para Paris, onde irá trabalhar como tipógrafo.

 - Desamortização dos bens das câmaras, irmandades, hospitais, misericórdias e outras instituições pias. 

1867

Janeiro, 29 - Proposta de reforma administrativa, com aumento da centralização.

Janeiro / Agosto - Eça de Queirós dirige, e redige sozinho, o jornal oposicionista O Distrito de Évora.

Fevereiro, 24 - Eleições suplementares, com vitória da oposição. 

Julho, 1 -  Promulgação do novo Código Civil português, do visconde de Seabra, que continha nova legislação sobre o casamento civil, e de uma reforma do sistema penal e prisional, que abolia em Portugal a pena de morte para todos os crimes civis.

 - Fundação da Confederação da Alemanha do Norte, último passo para a unificação de toda a Alemanha, sob a direcção da Prússia.

Agosto, 8 - Criação de uma grande comissão, presidida pelo duque de Loulé, e formada por dezoito outros membros, para propor reformas urgentes com intuito de «melhorar as condições economicas do paiz e extinguir ou atenuar o défice do orçamento do Estado».

 - Extinção das rodas de enjeitados e sua substituição por hospícios destinados a admitir crianças abandonadas.

 

1868

Janeiro, 1 - Janeirinha: Tumultos no Porto e em Lisboa. 

Janeiro, 4 - Queda do governo da Fusão e constituição de um ministério presidido por António José de Ávila, conde de Ávila, e futuro duque de Ávila e Bolama, governo da direita reformista que subiu ao poder para dar satisfação ao movimento da Janeirinha.

Março, 22 - Eleições. O governo ganhou as eleições.

Abril, 15 - Reabertura das Câmaras. O governo conseguiu a ratificação de todos os decretos promulgados em ditadura, isto é sem as cortes estarem reunidas.

Julho, 13 - O governo pediu o adiamento das Câmaras, que não foi aceite pelo Conselho de Estado, sendo obrigado a pedir a demissão.

 - Fundação da Companhia das Águas de Lisboa.

 - Santarém é elevada a cidade.

 - Adopção da unificação de pesos e medidas.

 - Aparece no Porto o jornal O Primeiro de Janeiro

O Fontismo,
de Julho de 1868 a  1890.

1.ª parte: de 1868 a 1878

1868

Julho, 22 - Governo de Sá da Bandeira. O primeiro governo do Partido Reformista, que se propõe fazer reformas e economias

Julho, 29 - Convocação extraordinária das Cortes, para apresentação do governo..

Outubro, 17 - O Conselho Superior da Instrução Pública é extinto.

Outubro, 30 - A Repartição de Pesos e Medidas é extinta.

Novembro, 5 - Reforma do Tribunal de Contas.

Novembro, 18 - Dezembro, 9 - Viagem do Secretário de Estado da Fazenda, Carlos Bento da Silva, a Paris para negociar um empréstimo externo, que fracassa.

Dezembro, 3 - Reforma dos serviços de saúde. É criada a Junta Consultiva da Saúde Pública.

Dezembro, 9 - Pedido de demissão de Carlos Bento da Silva.

Dezembro, 17 - Remodelação Ministerial: Sá da Bandeira substitui Carlos Bento da Silva na Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Calheiros e Menezes entra para a Fazenda.

Dezembro, 27 - O conde de Samodães é nomeado secretário de estado da Fazenda.

Dezembro, 31 - Reorganização do Ministério das Obras Públicas.

1869

Janeiro, 2 - Abertura das Cortes. No discurso da Coroa o ministério afirma que «é grave o estado da fazenda pública».

Janeiro, 6 - O governo apresenta a demissão, devido às dificuldades de fazer passar as propostas legislativas para combater o défice orçamental.

Janeiro, 17 - Após reunião do Conselho de Estado, D. Luís reconduziu o governo demissionário.

Janeiro, 22 - Sá da Bandeira apresenta-se às Câmaras, anunciando a recondução do governo.

Janeiro, 22 - As Cortes são dissolvidas.

Fevereiro, 23 - A escravatura é abolida em todas os domínios portugueses.

Março, 11 - Decreto de nacionalização das linhas férreas do sul e sueste, com começo da administração do estado no dia 13 seguinte, e com pagamento de indemnização.

Março,18 - Nova lei eleitoral. Redução do número de deputados para 108 e dos círculos eleitorais.

Abril, 11 - Eleições, com vitória do governo.

Abril, 15 - Redução do número de funcionários das Câmaras dos Deputados e dos Pares.

Abril, 22 - Reforma do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Maio, 4 - Abertura das Câmaras.

Junho, 10 - D. Fernando casa com a cantora Elisa Hensler, a quem o duque Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gotha tinha concedido previamente o título de condessa de Edla.

Julho, 9 - O governo é autorizado a contrair um grande empréstimo com a casa bancária Fruhling & Gosch.

Agosto, 9 - Rebelo da Silva apresenta na Câmara dos Pares uma moção de desconfiança ao governo, que é aprovada por 25 votos contra 13.

Agosto, 11 - Governo Loulé / Lobo de Ávila. Regresso do chefe do Partido Histórico ao poder. Loulé acumulará a presidência com a secretaria do Reino, enquanto Ávila terá as pastas das Obras Públicas e do Exército. Anselmo Braamcamp Freire terá a Fazenda, Mendes Leal os Negócios Estrangeiros e Rebelo da Silva a Marinha e Ultramar. José Luciano de Castro entrará para o Reino, mais tarde, na sua primeira participação governativa.

Agosto, 12 - Apresentação do governo às Câmaras. As duas facções dos históricos - a unha branca de Loulé e a unha negra de Ávila reconciliam-se. O governo tem o apoio da maioria dos deputados, 58 apoiantes contra 25 opositores.

Agosto, 28 - Desamortização dos passais, dos baldios e dos bens dos estabelecimentos de instrução pública.

Outubro, 23 - Eça de Queirós começa a sua viagem ao Médio Oriente, para assistir à inauguração do Canal do Suez.

Dezembro, 1 - Saldanha é pateado no Teatro D. Maria II, devido aos seus supostos ideais iberistas.

- Publicação no Diário do Governo da reestruturação administrativa  das colónias portuguesas, dividindo-se o território ultramarino português em seis províncias, divididas em distritos e concelhos, dirigida por Luís Augusto Rebelo da Silva.

Dezembro, 2 - A Direcção-Geral da Instrução pública é restabelecida.

Dezembro, 5 - Vários oficiais da guarnição de Lisboa apresentam cumprimentos ao marechal, o que provoca a reacção do governo. Alguns oficiais recusam serem transferidos e são presos. Saldanha intervêm em sua defesa pedindo a demissão do governo.

Dezembro, 30 - O decreto sobre o arrolamento predial gera revoltas populares em todo o país. 

1870

Janeiro, 2 - Reabertura das câmaras. O governo vê o apoio à sua acção muito diminuído no debate de resposta ao discurso da Coroa.

Janeiro, 20 - As câmaras são dissolvidas, marcando-se a reunião do novo Parlamento para dia 31 de Março.

Fevereiro, 3 - No dia em que marca as eleições, para 13 de Março, o governo faz publicar uma circular em que explica as razões da dissolução das câmaras e organização de eleições.

Março, 13 - Eleições. O governo consegue uma grande maioria, tendo 89 deputados contra os 15 deputados reformistas do bispo de Viseu e do conde de Peniche.

Março, 31 - Reabertura das câmaras. A 18.ª Legislatura desde 1834.

Abril, 20 - Modifica-se o decreto de 30 de Dezembro de 1869 sobre o arrolamento predial, que tinha provocado revoltas populares por todo o país.

Abril, 27 - Discurso da Coroa. O ministério apresenta as propostas financeiras de Anselmo Braamcamp, que visavam o equilíbrio orçamental, sendo as principais as que diziam respeito à reforma da contribuição predial e à criação do imposto de rendimento. É também apresentada uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial.

Abril, 29 - A estátua de D. Pedro IV no Rossio, em Lisboa, é inaugurada.

Maio, 11 - O jornal A República, Jornal da Democracia Portuguesa, redigido por Antero de Quental e Oliveira Martins, sai para as ruas.

Maio, 18 - 13 deputados da oposição renunciam aos seus lugares na câmara.

Maio, 18/19 - Golpe de estado conhecido por Saldanhada - o último golpe de estado dirigido pelo marechal Saldanha. O marechal é nomeado ministro da guerra, mas o duque de Loulé não referenda a decisão do rei D. Luís, sendo por isso demitido e substituído por Saldanha, que é nomeado Presidente e ministro de todas as pastas.

Maio, 20 - Nas câmaras discursa-se contra o golpe de estado, a violação da Carta, a ditadura militar e opossível iberismo de Saldanha.

Maio, 21 - A câmara dos deputados reune com somente 48 deputados. A reunião das cortes é adiada para 20 de Junho.

Maio, 26 - Governo de Saldanha - dos Cem Dias - apoiado por todas as forças oposicionistas ao antigo governo histórico de Loulé. Governará até 29 de Agosto.  

Junho, 4 - As Cortes são novamente adiadas até 31 de Outubro. O governo faz publicar uma circular onde expõe o seu programa político.

Junho, 10 - São publicados no Diário do Governo os primeiros decretos do governo, ditatoriais, por não estarem reunidas as câmaras.

Junho, 19 - Realiza-se em Lisboa um comício de apoio ao Governo.

- Começo da Guerra Franco-Prussiana.

Junho, 22 - Criação do Ministério da Instrução Pública. O seu primeiro-ministro será D. António da Costa de Sousa Macedo, ministro da marinha. O ministério durou 69 dias

- Costa Cabral é nomeado embaixador junto do Papa.

Julho, 21 - Criação do Supremo Tribunal Administrativo, com a aprovação do novo Código Administrativo, que não chega a entrar em vigor.

- As cortes são dissolvidas, não se reunindo desde 21 de Maio.

Julho, 27 - Sá da Bandeira pede ao rei para acabar com a ditadura, na inauguração de um centro eleitoral histórico reformista.

Agosto, 1 - O marquês de Angeja, o conde de Peniche, sai do governo ao ser nomeado embaixador na Bélgica. Os amigos de Peniche manifestam-se contra a solução falando-se de novo golpe.

Agosto, 29 - O governo pede a demissão, sendo substituído por um ministério formado por Sá da Bandeira. O governo tem como principal função a realização de eleições. Saldanha é nomeado embaixador em Londres onde morrerá em 1876.

Setembro, 4 - Eleições. António José Ávila concorre independentemente dos outros partidos.

Outubro, 29 - Governo Ávila, formado com membros do antigo ministério.

Dezembro, 12 - Alves Martins, bispo de Viseu, apresenta uma proposta de reforma eleitoral que prevê a representação proporcional. A proposta não foi aprovada. 

1871

Janeiro, 18 - Proclamação do Império Alemão, em Versalhes, na França invadida.

Janeiro, 30 - Ávila substitui Alves Martins no ministério do Reino.

Fevereiro, 3 - Reunião das Cortes, cuja abertura tinha sido adiada por decreto de 1 de Janeiro. Reunirão durante cinco dias, sendo novamente adiadas em 8 de Fevereiro até 11 de Março.

Fevereiro, 4 - A ala esquerda do Partido Histórico decide não provocar a queda do ministério.

Fevereiro, 10 - O Partido Histórico decide continuar a apoiar o governo, devido a um entendimento entre Ávila e Sá da Bandeira.

Março, 18 - Aparece no jornal Revolução de Setembro o programa do Cenáculo, onde participam Antero de Quental, Eça de Queirós, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga.

- Começo da insurreição da Comuna de Paris.

Maio, 22 - Junho, 19 - Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, organizadas por Antero de Quental, e que terão a participação de Teófilo Braga, Eça de Queirós e Oliveira Martins, entre outros.

Junho, 3 - A Câmara dos Deputados. é dissolvida 

Junho, 26 - Proibição das Conferências Democráticas decretada por António José de Ávila, marquês de Ávila e Bolama, presidente do conselho na altura.

Julho, 9 - Eleições, decretadas no dia 5 de Junho anterior. O governo só conseguiu uma maioria de cinco deputados.

Julho, 22 - Abertura da sessão legislativa da 20.ª Legislatura do regime liberal, desde 1834. 

Setembro, 13 - Primeiro governo presidido por Fontes Pereira de Melo, que se manterá em funções até Março de 1877. O governo com maior duração na segunda metade do século XIX. Dele faziam parte Fontes Pereira de Melo, na Presidência, Guerra e Fazenda; Andrade Corvo nos Negócios Estrangeiros; Jaime Moniz na Marinha e António Cardoso Avelino nas Obras Públicas.

1872

Janeiro, 14 - Fundação da Associação Fraternidade Operária, promovida por José Fontana, e apoiado por Antero de Quental.

Janeiro, 20 - Apresentação de uma proposta de reforma da instrução, que tornava a instrução primária obrigatória para as crianças de ambos os sexos.

Fevereiro, 4 - Apresentação por Fontes Pereira de Melo, enquanto ministro da Fazenda, de um relatório em que expunha a situação do Tesouro, e propunha o lançamento de novos impostos transitórios para acabar com o défice.

Julho, 9 - No decurso da sua viagem ao Norte do País, D. Luís assiste no Teatro de S. João a um sarau comemorativo do trigésimo aniversário da entrada do exército liberal no Porto.

1873

Janeiro, 15  - No debate da resposta ao discurso da Coroa, José Luciano de Castro destaca-se na crítica ao governo de Fontes Pereira de Melo.

Janeiro, 26  - A imperatriz D. Amélia, viúva de D. Pedro IV, morre no seu Palácio nas Janelas Verdes, tendo sido decretado luto nacional durante oito dias.

Setembro, 22 - Abertura da subscrição pública de um empréstimo interno no valor de 38.000 contos, destinado à consolidação da dívida flutuante interna. O maior empréstimo interno realizado até aquela data. 

1874

Janeiro, 5 - O ministro da fazenda apresentou o orçamento geral do Estado, considerando que a situação financeira do País era muito boa.

Janeiro - Na discussão do orçamento o deputado Rodrigues de Freitas, futuro republicano, propôs a redução radical das dotações da casa real, e o seu colega Luís de Campos propôs a redução para metade da dotação de D. Fernando II. As propostas foram  rejeitadas por 68 votos contra 4, e 4 abstenções.

Abril, 1 - As Cortes encerram sem dissolução, marcando-se eleições para 12 de Julho.

Julho, 12 - Eleições. O ministério teve uma maioria de 13 deputados.

Dezembro, 29  - Devido à revolta do general Martínez Campos, a Monarquia espanhola é restabelecida, com a proclamação de D. Afonso de Bourbon, filho da rainha destronada Isabel II, enquanto Afonso XII. 

1875

Janeiro, 2 - Abertura da 21.ª Legislatura, que durará até 1878, tendo quatro sessões legislativas. Neste ano só funcionará até 3 de Abril, durante 3 meses e um dia.

Janeiro, 5 - Começo da construção da Ponte ferroviária de D. Maria Pia no Porto. A construção esteve a cargo da empresa Eiffel durará até 1877.

Janeiro, 10 - Fundação do Partido Operário Socialista (Partido Socialista Português).

Março, 22 - Criação do Banco Lisboa e Açores.

Junho, 20 - Abertura da linha de caminho de ferro entre o Porto e Braga, a primeira realizada com capitais e técnicos portugueses.

Novembro, 10 - Apresentação do projecto de criação da Sociedade de Geografia.

1876

Janeiro, 2 - Abertura da 2.ª sessão legislativa da 21.ª Legislatura. No Discurso da Coroa o governo mostra haver algum desafogo financeiro e promete algumas medidas de desenvolvimento da riqueza e do progresso. A oposição renova a questão da reforma da Carta.

Março, 25 - Fundação do Partido Republicano, com o consentimento do rei D. Luís, tendo nas suas fileiras Oliveira Mareca, Latino Coelho, Elias Garcia, Consiglieri Pedroso, etc.

Março, 28 - A oposição distribui um manifesto condenando a rejeição da comissão de inquérito proposta em 23 de Março.

Abril, 3 - O directório do Partido Republicano é eleito.

Abril, 22 - Morte da Infanta Isabel Maria, que tinha sido regente após a morte de D. João VI, de 6 de Março de 1826 a 22 de Fevereiro de 1828.

Maio, 18 - No decurso de um jantar no Hotel dos Embaixadores decidiu-se a fundação de um Centro Republicano Democrático Português.

Agosto, 4 - O Banco do Porto e uma casa bancária da mesma cidade suspendem os pagamentos, devido à baixa precipitada da cotação de fundos espanhóis, que levaram a uma corrida aos bancos. Em 7 de Agosto o Banco Comercial de Viana do Castelo suspendeu também os pagamentos.

Agosto, 18 - Sexta-feira Negra: Os Bancos de Portugal, Ultramarino e Lusitano suspendem os pagamentos, obrigando o governo a decretar uma moratória de dois meses para todas as transacções entre bancos, companhias e particulares.

Setembro, 7 - Pacto da Granja: Fusão entre históricos e reformistas, criando o Partido Progressista, na Praia da Granja. Estiveram presentes, convidados por Anselmo Braamcamp, chefe do partido histórico, o bispo de Viseu, José Luciano de Castro, Mariano de Carvalho, Ribeiro da Cunha, Pinto Bessa, Pereira Coutinho de Macedo, Luís de Campos, Tomás Lobo, Francisco de Albuquerque, Pereira Cardoso e Adriano Machado.

Outubro, 16 - A Sociedade de Geografia, numa representação ao rei D. Luís alertava para a importância da nossa posição em África e dos nossos conhecimentos adquiridos ao longo de séculos, e para a necessidade de empreender explorações científicas sensacionais e cuidar da divulgação dos resultados.

1877

Fevereiro, 19 - Devido às críticas violentas do partido progressista ao orçamento geral apresentado por António de Serpa Pimentel, este demite-se. A necessidade de recomposição do ministério leva ao pedido de demissão de Fontes Pereira de Melo.

Março, 5 - António José de Ávila, marquês de Ávila e Bolama, e presidente da câmara dos pares assume a presidência do governo em vez de Fontes Pereira de Melo, oficialmente doente. O governo irá manter-se até 29 de Janeiro de 1878, sendo conhecido como o «mientras vuelve» já que em Espanha se noticiou que este governo se manteria em funções até que regressasse («mientras vuelve») Fontes.

Março, 24 - É decidido realizar o primeiro Recenseamento Geral da População, que terá lugar em 31 de Dezembro de 1877.

Abril, 12 - O governo é autorizado a despender trinta contos para organizar e subsidiar uma expedição científica destinada a explorar os territórios compreendidos entre as províncias de Angola e Moçambique. A decisão veio no seguimento da conferência geográfica de Bruxelas, em que Portugal não participou, que permitiu criar a Leopoldo II da Bélgica a Associação Internacional Africana que pretendia «implantar o estandarte da civilização sobre o solo da África Austral.»

Maio, 11 - Hermenegildo de Brito Capelo, Roberto Ivens, oficiais da marinha, e Alexandre Alberto Rocha Serpa Pinta, oficial do exército, foram designados por decreto para as expedições a África. O seu principal objectivo era o estudo do rio Cuango e das suas relações com o rio Zaire.

Julho, 7 - Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens partem de Lisboa para Luanda, para realizarem expedições científicas no interior de África.

Agosto, 22 - Os três exploradores portugueses chegam a Lunada, capital de Angola.

Agosto, 24 - D. Pedro II, imperador do Brasil, chega a Lisboa.

Setembro, 10 - Melo Gouveia passa a acumular a pasta da Fazenda devido à demissão de Carlos Bento da Silva, que só tinha conseguido, em Londres, um empréstimo de 3 milhões de libras, quando o pretendido eram 6 milhões e meio.

Setembro, 13 - Alexandre Herculano morre.

Outubro, 21 - Fontes Pereira de Melo regressa a Lisboa após uma longa viagem pela Europa.

Novembro, 4 - A Ponte D. Maria é inaugurada no Porto. O comboio chega ao Porto.

Dezembro, 27 - O partido progressista decide, em Assembleia Geral, apoiar incondicionalmente o governo de Ávila.

Novembro - Começo da viagem de exploração científica de Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e de Serpa Pinto, que de Benguela se dirigem para o planalto do Bié, e depois os dois primeiros  para Norte, e o último para sudoeste. 

Dezembro, 31 - Primeiro recenseamento da população portuguesa. Portugal tem 4.160.315 habitantes.

1878

Janeiro, 2 - O partido regenerador decide apoiar o governo, «sempre que este tomasse providências julgadas convenientes para o bem do país.»

Janeiro, 5 - O governo apresenta uma proposta de reforma eleitoral.

Janeiro, 26 - Aprovação de uma moção de rejeição contra o governo considerado esbanjador e antiliberal. Os regeneradores votaram contra o governo.

2.ª parte: de 1878 a 1890

1878

Janeiro, 29 - Novo governo, o segundo, presidido por Fontes Pereira de Melo. Contra a tradição política, que impunha o chamamento do chefe da oposição para formar governo, D. Luís chama uma personalidade do partido do governo. A oposição dos progressistas torna-se violenta, e atinge não só a figura do rei, acusado de exercer o poder pessoal, como o próprio regime monárquico.

Março, 8 - Os exploradores portugueses Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto chegam a Belmonte, no planalto do Bié, no interior de Angola.

Março, 18 - António José de Ávila conde de Ávila e marquês de Ávila e Bolama é feito duque.

Abril, 16 - Reforma da Câmara dos Pares.

Maio, 4 - A 20.ª legislatura encerra sem dissolução. 

Maio, 8 - Nova lei eleitoral com alargamento do número de eleitores.

Julho, 13 - Começo do Congresso de Berlim.

Julho, 14 - Comício republicano no Porto.

Agosto, 4 - Eleições locais. O governo ganha em Lisboa, mas perde no Porto.

Outubro, 22 - O governo elevou a taxa de juro, como meio de evitar a fuga de capitais. 

Novembro, 13 - Eleições com vitória dos regeneradores elegendo 97 deputados em 137 possíveis. O partido republicano consegue eleger o seu primeiro deputado, Rodrigues de Freitas, pelo Porto.

Novembro, 15 - Barjona de Freitas demite-se de ministro da Justiça por não ter sido aceite a criação do registo civil obrigatório incluindo o dos católicos, que o realizavam por meio das paróquias.

Novembro, 28 - O decreto do registo civil é promulgado, mas só obriga os não-católicos.

1879

Fevereiro, 3 - É eleito uma nova direcção do Partido Republicano que passa a compor-se de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia.

Fevereiro, 11 - O ministro das obras públicas,  apresenta proposta de concurso para o porto de Leixões

Fevereiro, 12 - Serpa Pinto chega a Pretória tendo explorado o Cubango e o Alto Zambeze.

Maio, 28 - O governo é violentamente atacado na Câmara dos Pares por, entre outros, o conde de Sabugosa e José Frederico Laranjo, devido ao relacionamento entre o ministro da fazenda, António Serpa Pimentel, e o Banco Nacional Ultramarino, sendo também criticada a entrega ao capitão de artilharia Paiva de Andrade da concessão de exploração das minas, baldios e florestas da Zambézia, em Moçambique. 

Maio, 29 - O ministro da fazenda, António Serpa Pimentel, apresenta a demissão, o que obriga os restantes membros do ministério a segui-lo no dia seguinte.

Junho, 1 - Primeiro governo progressista presidido por José Anselmo Braamcamp. Na câmara dos deputados os Avilistas prometeram apoio, os constituintes benevolência, os regeneradores oposição. O governo foi melhor recebido na Câmara dos Pares.

Junho, 9 -  Chega a Lisboa Serpa Pinto, após a travessia de África com Capelo e Ivens começada em 7 de Julho de 1877.

Junho, 12 - Início de publicação da revista satírica António Maria de Rafael Bordalo Pinheiro, que contou com a colaboração de Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo.

Julho, 10 - Por proposta de Saraiva de Carvalho o governo cria uma comissão para estudar a crise agrícola do país.

Agosto, 29 - A Câmara dos Deputados é dissolvida, devido à oposição constante do Partido Regenerador.

Outubro, 19 - Eleições legislativas. 

1880

Janeiro, 2  - As Cortes reabrem.

Fevereiro, 4 - O ministro José Luciano de Castro apresenta uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial. A proposta é aprovada na Câmara dos Deputados, mas nunca foi admitida na Câmara dos Pares.

Fevereiro, 17 - Estreia-se como deputado António Cândido, propondo a vida nova.

Março, 17 - Comício republicano no Teatro dos Recreios, com Manuel Arriaga, Elias Garcia e Magalhães Lima.

Junho, 7 - O parlamento encerra.

Junho, 8 - Aparece O Século, no dia em que começaram as festas do Tricentenário da morte de Camões, começando com um duro ataque ao Tratado de Lourenço Marques.

Junho, 17 - Anselmo José Braamcamp ocupa o lugar de ministro da marinha.

Setembro, 5 - Eleições suplementares para quinze vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores.

Setembro, 20 - Reunião em Lisboa do IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica.

Novembro, 29 - João Crisóstomo é substituído por José Joaquim de Castro na guerra.

1881

Janeiro - É criado o Centro Eleitoral Republicano Federal do Círculo 96 conhecido pelo Clube Henriques Nogueira, que tenta unificar as diversas facções republicanas.

Janeiro, 30 - Comício realizado no Teatro de São Carlos pela oposição monárquica.

 - Sai o Portugal Contemporâneo de Oliveira Martins

Março, 17 - Anselmo Braamcamp, ministro dos negócios estrangeiros e presidente do conselho, pediu a demissão, a seguir ao voto de desconfiança apresentado por Fontes Pereira de Melo, e que o governo ganhou por um único voto.

Março, 25 - Governo regenerador de Fontes Pereira de Melo e Rodrigues Sampaio. Irá manter-se em funções até princípios de 1886.

Março, 29 - As Cortes são adiadas.

Abril, 27 - Carta de Lei que determina que seja erguido em Lisboa um monumento ao marquês de Pombal, durante as comemorações centenárias a promover em 1882.

Maio, 3 - Morre António José de Ávila, duque de Ávila e Bolama.

Maio, 30 - Reabertura das Cortes, com ataque dos progressistas ao governo regenerador.

Junho, 4 - Dissolução das câmaras.

Junho, 15 - A lei de meios é aprovada por decreto, em ditadura, devido à dissolução das Cortes.

Julho, 7 - Promulgação do inquérito industrial.

Agosto, 21 - Eleições. António Cândido é eleito deputado nas listas do partido progressista.

Novembro, 14 - Fontes Pereira de Melo substitui Rodrigues Sampaio na presidência do ministério, devido à doença deste.

1882

Janeiro, 2 - Reabertura das Cortes. 

Janeiro, 22 - Aprovado tratado de comércio com a França.

Maio, 8 - Comemorações do Centenário do Marquês de Pombal, em Lisboa, Porto e Coimbra. Promovida por uma comissão de mais de cinquenta membros, integrando Pares, Deputados e funcionários da Câmara Municipal de Lisboa, e presidida por Rodrigues Sampaio. As comemorações tornaram-se  meiis de propaganda republicana e anticlerical, dando origem a manifestações anti-jesuítas.

Julho - Comício republicano em S. Bento. Gomes Leal é preso.

Agosto 3 - Inauguração do caminho de ferro da Beira Alta.

1883

Maio, 22 - As Cortes são adiadas por 13 dias até 4 de Junho 31, para preparar o debate da ratificação do Tratado do Zaire. 

Julho - Congresso da Comissão Organizadora do Partido Republicano, reunido no Clube Henriques Nogueira, as diferentes facções republicadas unem-se na direcção do partido.

Outubro - Remodelação governamental, provocada pela extinção do partido constituinte. O governo recruta dois antigos membros desse grupo liderado por José Dias Ferreira: António Augusto de Aguiar, nomeado ministro das Obras Públicas, e Manuel Pinheiro Chagas, nomeado para a Marinha.   

1884

Janeiro, 3 - Reforma do ensino industrial, seguindo-se em 20 de Dezembro a publicação do «Regulamento geral das Escolas Industriais e de Desenho Industrial»..

Janeiro, 15 - É discutida na Câmara dos Deputados uma proposta de reforma da Carta, por meio de um novo Acto Adicional à Carta Constitucional.

Maio, 21 - Aprovação de uma nova lei eleitoral, com o apoio da oposição progressista. O número de deputados passa para 169. O sufrágio é alargado, abrangendo cerca de 70% da população adulta. A lei vai vigorar durante uma década.

Junho, 29 - Eleições. Vitória dos regeneradores, no governo, apoiados pelos constituintes. São eleitos dois deputados republicanos por Lisboa.  

Agosto, 22 - O cortejo de homenagem a Fernandes Tomás, promovido pelos republicanos, é proibido .

Setembro, 4 - 50.000 manifestantes republicanos homenageiam Fernandes Tomás no cemitério.

1885

Fevereiro, 4 - Remodelação governamental. Fontes Pereira de Melo assume o ministério das obras públicas.

Fevereiro, 26 - Os trabalhos da Conferência de Berlim terminam, sendo reconhecidos os direitos portugueses somente em relação aos territórios de Cabinda, Molembo e Nóqui, dividindo o antigo reino do Congo por Portugal, França e Bélgica.

Março, 24 - António Cândido lança a proposta da Vida Nova, admitindo uma solução ditatorial. Logo foi secundada por Oliveira Martins. Os dois e Carlos Lobo de Ávila aderem aos progressistas. É a proposta de um regime político musculado do tipo que Bismarck tinha criado na Alemanha, aumentando os poderes do executivo e do próprio rei.

Maio, 4 - Elias Garcia, deputado republicano, declara, na Câmara dos Deputados, que se preza de pertencer ao partido liberal de Fernandes Tomás, Passos Manuel e Sá da Bandeira.

Julho, 2 - Criação das cadeiras de Antropologia, Paleontologia Humana e Arqueologia Pré-Histórica na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, por iniciativa de Bernardino Machado.

Julho, 17 - Grande assembleia dos progressistas no Porto, que consagra a adesão de Oliveira Martins, realizada em Fevereiro.

Julho, 18 - Corrida em massa dos depositantes ao Montepio Geral, por recearem uma ruptura financeira.

Julho, 24 - O 2.º Acto Adicional à Carta é promulgado.

Setembro, 7 - O Partido Republicano promove um comício anti-jesuítico no Porto. 

Setembro, 16 - Anselmo Braamcamp, chefe do partido progressista desde o Pacto da Granja, morre.

Novembro, 10 - Reunião do Partido Progressista. Sob proposta de Barros Gomes, José Luciano é eleito para a chefia do partido, com o apoio de Oliveira Martins, e a oposição de Emídio Navarro e Mariano de Carvalho.

Dezembro, 15 - Morte do rei-consorte D. Fernando II, marido de D. Maria II. 

1886

Fevereiro, 12 - Fontes Pereira de Melo pede a demissão, invocando uma polémica entre Guimarães e Braga. O verdadeiro motivo é o descontentamento popular pela restauração do velho imposto do real de água, da alteração do imposto sobre o rendimento, da modificação do imposto sobre o consumo e da remodelação das pautas aduaneiras, entre muitas outras medidas de agravamento fiscal.

Fevereiro, 20 - José Luciano de Castro, chefe do partido progressista, preside ao novo ministério, por proposta de Fontes Pereira de Melo, mesmo havendo uma maioria regeneradora nas Cortes.

- Oliveira Martins é proposto para ministro da Agricultura, novo departamento governamental a ser criado durante o governo progressista. Emídio Navarro, ministro das obras públicas, que supervisionava a agricultura, opõem-se. Oliveira Martins, que terá de esperar mais uns tempos para chegar a uma pasta ministerial, passará a criticá-lo nas páginas do jornal A Província.

Fevereiro, 21 - Apresentação nas câmaras do novo governo progressista. Latino Coelho, na Câmara dos Pares, assume-se como republicano.

Maio, 1 - Greve em Chicago, nos Estados Unidos da América, em defesa do horário de 8 horas de trabalho diário.

Maio, 23 - Casamento do príncipe D. Carlos com D. Amélia Helena de Orleans, filha mais velha do conde de Paris, pretendente ao trono de França, apelidada de Madame Égalité pelos monárquicos legitimistas, relembrando a sua condição de descendente do duque de Orleans que tinha votado a morte de Luís XVI, em 1792.

Julho, 28 - Criação da Direcção-geral de Agricultura, no ministério das Obras Públicas.

Julho, 29 - Reorganização dos liceus, dando ao seu ensino um carácter enciclopédico e melhorando o estatuto dos professores..

Agosto, 2 - D. Carlos assume a regência devido à saída de D. Luís do país em viagem.

Dezembro, 9 - Criação das circunscrições regionais agrícolas e do Conselho Superior de Agricultura.

Dezembro, 30 - Reforma dos institutos industriais e comerciais de Lisboa e do Porto. 

1887

Janeiro, 5 - Dissolução da Câmara dos Deputados e da parte electiva da Câmara dos Pares, com marcação de eleições para 6 de Março e reunião das Câmaras em 9 de Abril. 

Janeiro, 22 - Fontes Pereira de Melo morre.

Março, 6 - Eleições, com vitória dos progressistas, no governo. Os republicanos mantêm como deputados por Lisboa Elias Garcia e Consiglieri Pedroso. 

Março, 21 - Nascimento do príncipe D. Luís Filipe, herdeiro do trono.

Março, 28 - Realizam-se dois comícios republicanos. 

Abril, 2 - Abrem as Cortes.

 - É inaugurada a linha de caminho de ferro de Sintra.

Abril, 18 - António Arroio chama a José Luciano presidente carnavalesco. 

Abril, 27 - Surge o projecto de lei de fomento rural de Oliveira Martins.

Maio, 7 - Ferreira de Almeida esbofeteia em plena Câmara dos Deputados o ministro da marinha e ultramar Henrique Macedo que responde a murro. O ministro é demitido, o deputado, oficial da armada, é condenado a 4 meses de prisão.  

 - No mesmo dia, nova cena de pugilato no parlamento entre José de Azevedo Castelo Branco e Bivar de Sousa.  

Maio, 9 - Barros Gomes substitui Henrique Macedo na pasta da marinha até 15 de Setembro.

Maio, 15 - A escravatura é abolida no Brasil. 

Maio, 21 - Editado em volume o Projecto de Lei de Fomento Rural de Oliveira Martins.

Junho, 20 - António Serpa é escolhido para suceder a Fontes Pereira de Melo.

Julho, 31 - Barjona de Freitas anuncia a criação de um novo partido, a Esquerda Dinástica, separando-se do partido regenerador.

Agosto, 1 - Anúncio na imprensa da eleição de António Serpa para chefe dos regeneradores.

Setembro, 4 - Morte de António Augusto de Aguiar. 

Setembro, 16 - Eleições municipais em Lisboa, com vitória da lista monárquica de Fernando Palha e Rosa Araújo. 

Setembro, 29 - Inauguração da linha de caminho de ferro do Tua, da Foz do Tua até Mirandela, na Linha do Douro.

Outubro, 31 - Inauguração do novo porto de Lisboa.

Dezembro, 18-22 - Congresso do partido republicano no Porto. 

1888

Fevereiro, 8 - A cartilha maternal de João de Deus, é apresentada na câmara dos deputados como sendo um projecto de interesse nacional.

Fevereiro, 25 - Teófilo Braga é eleito deputado por Lisboa, numa eleição suplementar.

Maio, 22 - Mariano de Carvalho impõe o monopólio da indústria do tabaco.

Junho, 7 - Início da Exposição Industrial de Lisboa.

Junho, 22 - O corpo de Alexandre Herculano é transladado para os Jerónimos.

Junho, 29 - É criado um imposto sobre a produção e consumo de açúcar.

Outubro - Primeiro jogo de futebol público em Cascais.

Dezembro, 12 - O explorador António Maria Cardoso chega ao Lago Niassa, em Moçambique, instalando uma missão de estudo. 

1889

Fevereiro, 4 - Adiados os trabalhos parlamentares até 5 de Abril.

Fevereiro, 23 - Remodelação governamental.

Outubro, 19 - Morte de D. Luís e início do reinado de D. Carlos. 

Outubro, 20 - Eleições legislativas com vitória do partido progressista. Os republicanos mantêm os dois deputados.  

Novembro, 3 - Eleições municipais. 

Novembro, 9 - Remodelação governamental. 

Novembro, 14 - Nascimento de D. Manuel.

Novembro, 25 - O governo britânico entrega uma nota ao governo português protestando pela decisão de Portugal de considerar os territórios entre Angola e Moçambique como dependentes da soberania portuguesa.

Novembro, 29 - O ministro dos negócios estrangeiros, Barros Gomes, enviou uma nota ao embaixador de Portugal em Londres, Luís de Soveral, a justificar o ponto de vista português, na questão do Mapa Cor-de-Rosa.

Dezembro, 7 - Chega a Lisboa o destituído Imperador do Brasil .

 - Decreto de delimitação do novo distrito de Zumbo, na província de Moçambique.

Dezembro, 18 - O governo britânico entrega uma nota em que declara não permitir que os seus direitos fossem postos em causa, na questão do Mapa Cor-de-Rosa.

Dezembro, 28 - Juramento de D. Carlos I.

Do Ultimato à República,
de 1890 a  1910.

1890

Janeiro, 11  - Entrega de um Memorando do governo britânico fazendo um Ultimato a Portugal, para a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, no actual Zimbabwe, a pretexto do incidente provocado entre os portugueses e os Macololos

Janeiro, 14  - Nomeação de António Serpa Pimentel para presidir ao governo, após o Ultimato britânico. 

 - O ministro da justiça do novo governo, Lopo Vaz de Sampaio e Melo, dissolve a câmara municipal de Lisboa, na altura liderada pelo progressista Fernando Palha.

Fevereiro, 11  - Comício republicano na Rua da Palma, em Lisboa, perto do Largo de Martim Moniz. A manifestação é dissolvida por uma campanha de apitos da Guarda Municipal.

Março, 23 - António José de Almeida, estudante universitário em Coimbra, futuro presidente da república, publica um artigo com o  título «Bragança, o último», que será considerado calunioso para o rei e o levará à prisão.

Março, 30 - Eleições legislativas, com ocorrência de violentos recontros que provocaram 10 mortos e mais de 40 feridos. São eleitos 3 deputados republicanos (Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga), todos por Lisboa.

Abril, 5 - Criação do ministério da instrução pública, sendo encarregue da pasta João Arroio, até aí ministro da marinha e ultramar..

Abril, 7 - Nova Lei de Imprensa, conhecida pela «Lei das rolhas», promovida pelo ministro da justiça Lopo Vaz

Abril, 11 -  É posto à venda o Finis Patriae de Guerra Junqueiro. A figura do rei é ridicularizada.

Abril, 19 - Reabertura das Cortes.

Maio, 1 - O 1.º de Maio é comemorado em Lisboa pela primeira vez.

Maio, 4 - Realiza-se em Lisboa um comício operário na Rua Nova da Piedade, onde se fala de Karl Marx.

Maio, 6 - Barros Gomes, na Câmara dos Deputados, pede ao governo a publicação de um Livro Branco sobre o Ultimato britânico.

Maio, 19 - Governo apresenta propostas financeiras, em que se prevê a entrega do monopólio dos tabacos por meio de licitação.

Julho, 1 - O escritor Camilo Castelo Branco suicida-se na sua casa em São Miguel de Seide.

Julho - Os padeiros ameaçam aumentar o preço do pão.

Agosto, 20 - O Tratado de Londres é assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha, definindo os limites territoriais de Angola e Moçambique..

Agosto, 30 -  Publicação do Tratado de Londres no Diário do Governo.

- Aparecimento da Liga Liberal, movimento de protesto presidido por Augusto Fuschini e participado por João Crisóstomo contra o Tratado de Londres. A Liga promoveu uma reunião, no Teatro de São Luís, em que participaram cerca de 400 oficiais fardados.  

Setembro, 15 - O Tratado de Londres é apresentado na Câmara dos Deputados.

Setembro, 20-24 - Manifestações em Lisboa reprimidas por ordem do governador civil Paço d’Arcos. As sessões das Câmaras são suspensas por falta de quorum

Outubro, 14 - Um governo extra-partidário presidido por João Crisóstomo é nomeado após 28 dias de crise governamental. O governo será apoiado pela Liga Liberal

1891

Janeiro, 5-7 - Congresso do Partido Republicano Português, no Porto. É aprovado um novo programa para o partido.

Janeiro, 31 - Revolta republicana no Porto, com proclamação da República na varanda da câmara municipal. 

Fevereiro, 5 - As Câmaras reabrem para votarem as bases do monopólio do tabaco e um empréstimo de 10 milhões de libras. O Conde de Burnay emprestará 3 milhões de libras, com a condição de lhe ser concedido o monopólio do tabaco.

Fevereiro, 20 - Promulgação de uma Portaria que restringiu a liberdade de reunião e associação, em nome da manutenção da paz social.

Março, 23 - Aprovação de uma lei que garantia a jornada de trabalho de 8 horas e fixava uma tarifa de salários mínimos.

Abril, 1 - Adiamento da reunião do parlamento. O governo anuncia que passará a governar em ditadura.

Abril, 14 - Decreto regulamentador do trabalho feminino e infantil na indústria.

Abril, 21 - O dirigente republicano Elias Garcia morre.

Maio, 7 - Bancarrota do Estado português. É suspensa por 90 dias a convertibilidade das notas de banco, o que provoca uma desvalorização do papel-moeda em cerca de 10%

- O exército é colocado em estado de prevenção.

Maio, 9 - As associações operárias são autorizadas, desde que os seus fins fossem exclusivamente profissionais.

Maio, 25 - Grande remodelação governamental, que retira ao governo o carácter extra-partidário. A crise financeira é o principal problema que o novo governo terá que enfrentar.

Maio, 28 - Joaquim Tomás Lobo de Ávila, conde de Valbom, negoceia as bases do tratado de Londres, o que permite  que seja apresentado na Câmara dos Deputados em 2 de Junho. Portugal cede vastas áreas compreendidas entre Angola e Moçambique.

Junho - Congresso do Partido Socialista Português, em Coimbra.

Junho, 23 e 25 - Aires de Gouveia, na Câmara dos Pares, critica a perseguição aos republicanos, considerando-os uma pequena minoria

Julho, 9 - É imposto por decreto o curso forçado das notas de banco.

Agosto, 29 - Latino Coelho, dirigente republicano, antigo ministro progressista, morre.

- Heliodoro Salgado, jornalista republicano, é preso por delito de imprensa.

Setembro, 11 - Antero Quental suicida-se em Ponta Delgado, nos Açores, com dois tiros de revólver.

Outubro, 8 - Criação do primeiro Hospital Veterinário, em Lisboa.

Outubro - Domitilia Hormizinda Miranda de Carvalho torna-se a primeira mulher a inscrever-se na Universidade de Coimbra. Médica e professora do Liceu Maria Amélia Vaz de Carvalho será eleita em 1935 e em 1938 deputada à Assembleia Nacional nas listas da União Nacional.  

1892

Janeiro, 17  - Nomeação do governo de Dias Ferreira, de Acalmação Partidária. No governo participa pela única vez na sua carreira política, e só até 27 de Maio, Oliveira Martins.  

Janeiro, 20  - Oliveira Martins discursa na Câmara dos Deputados

Janeiro, 21  - O deputado Ferreira de Almeida propõe novamente a venda das colónias para se fazer face ao défice orçamental de 10 mil contos, excluindo da venda apenas Angola e a Índia.

Janeiro, 29  - D. Carlos cede 20% da sua dotação para diminuir o défice.

Fevereiro, 5 - Manuel de Arriaga, deputado republicano e futuro presidente da república, propõe um inquérito ao antigo ministro da fazenda Mariano de Carvalho.

Fevereiro, 26 - Oliveira Martins apresenta a proposta de uma Lei de Salvação Pública.

Março, 3 - O ministério da instrução pública é extinto novamente, voltando a educação a ser dirigida pelo ministério do reino.

Março, 22 - O jornal Revolução de Setembro deixa de ser publicado, ao fim de 51 anos de vida.

Março, 24 - Realização de um Congresso das Associações de Classe, no Porto.

Abril, 13 - Dias Ferreira nomeia António Serpa para negociar um acordo com os credores externos.

Maio 10 - Nova pauta aduaneira, que termina com o livre-cambismo

Maio 27 - Dias Ferreira, presidente do conselho, substitui Oliveira Martins na fazenda, aproveitando uma  remodelação governamental

Junho - Julgamento do jornalista republicano Heliodoro Salgado.

Junho, 11 - É assinado o contrato para a colocação de um cabo submarino entre o continente e os Açores.

Junho, 15 - O processo de pagamento aos credores externos do estado é regularizado.

Junho, 27 - É assinado o contrato definitivo com a Companhia de Carris de Ferro de Lisboa. 

Julho - Congresso das Associações de Classe, em Lisboa, reunindo as associações do Sul que tinham abandonado o Congresso reunido no Porto.

Julho, 11 - Assinatura de um novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal, que é contestado pela Associação Comercial de Lisboa

Setembro, 13 - O jornalista e dirigente republicano João Chagas é preso.

Setembro, 18 - Começa a publicar-se em Lisboa o jornal anarquista A Revolta.

Dezembro, 19 - Detonação de uma bomba em Lisboa, despoletada por anarquistas.

1893

Janeiro, 16 - Propostas financeiras apresentadas na Câmara dos Deputados

Janeiro, 21 - Ataque dos regeneradores ao governo

Fevereiro, 23 - Governo de Hintze Ribeiro. Regresso ao rotativismo, com a nomeação de um governo do Partido Regenerador.

Fevereiro, 27 - Comício operário em Lisboa presidido por Azedo Gneco

- Decreto de amnistia de crimes políticos, em que são abrangidos alguns dirigentes republicanos como  João Chagas, Alves da Veiga e Sampaio Bruno

Março, 16 - Decreto regulamentador do trabalho feminino e infantil na indústria.

Maio, 1 - Manifestação socialista. Romagem ao túmulo de José Fontana. Comício no teatro da praça da Alegria.

Maio, 15 - Reabertura das Cortes. Apresentadas as propostas de reforma da fazenda pública

Junho - Conferência em Badajoz dos republicanos ibéricos.

Junho, 27 - Conferência do agrónomo Louis Grandeau na Sociedade de Geografia de Lisboa sobre a cultura do trigo

Julho - Lei que restringe o direito de reunião.

Julho, 10 - Apresentadas propostas de lei sobre os caminhos de ferro e as obras no porto de Lisboa.

Julho, 15 - Discurso parlamentar de Carlos Lobo de Ávila sobre a conferência de Badajoz.

Agosto - Pinheiro Chagas é nomeado presidente da Junta do Crédito Público.

- Conflito entre o Governo e a Associação Comercial de Lisboa sobre a contribuição industrial

Setembro, 30 - Decreto de Bernardino Machado para promover o povoamento do Alentejo.

Outubro, 17 - João Franco, em nome da ameaça anarquista, defende meios extraordinários de governo.

Outubro, 23 - Eleições para as Câmaras. Os republicanos elegem três deputados.

Dezembro, 9 - As Cortes são dissolvidas, sendo marcadas eleições para 7 de Março de 1894.

Dezembro, 17 - Reunião dos progressistas com o apoio de João Crisóstomo.

Dezembro, 20 - Hintze Ribeiro substitui Augusto Maria Fuschini na fazenda. Frederico de Gusmão Correia Arouca substitui Hintze nos negócios estrangeiros. Carlos Lobo de Ávila nas obras públicas.

1894

Janeiro - Realização do Congresso Cooperativista.

  - Durante a campanha eleitoral, membros do Partido Progressista começam a falar na possibilidade da instauração de um regime republicano em Portugal.

Janeiro, 29 - Manifestações das associações comerciais e industriais de Lisboa contra a política fiscal do governo. O comício anunciado para o dia 29 é proibido

Janeiro, 31 - As eleições são adiadas sine die sendo dissolvidas a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Industrial e a Associação de Lojistas.

Fevereiro, 12 - Carlos Lobo de Ávila cria a Câmara do Comércio e Indústria.

Março, 5 - As eleições são adiadas para dia 15 de Abril, e a abertura das Cortes marcada para 3 de Maio.

Abril, 15 - Eleições. Os progressistas são derrotados em Lisboa. Os regeneradores obtêm uma vitória esmagadora, reduzindo os progressistas a 11 deputados e os republicanos a dois deputados eleitos por Lisboa. 

Maio - Novo Congresso Nacional das Associações de Classe, sendo criada a Confederação Nacional das Associações de Classe.

Maio, 27 - O jornal Correio da Tarde ataca violentamente a situação política acusando o rei de tomar medidas anticonstitucionais.

Junho, 8 - António Cândido anuncia o regresso ao Partido Progressista a fim de continuar a pelejar pelas conquistas liberais.

Julho, 2 - Constitui-se uma União Liberal entre progressistas e republicanos.

- Os alemães ocupam Quionga na foz do Rovuma, na fronteira entre Moçambique e a África Oriental Alemã, actual Tanzânia.

Agosto, 24 - Oliveira Martins morre, com 49 anos.

Setembro, 1 - Lobo de Ávila substitui Frederico Arouca na pasta dos negócios estrangeiros. Campos Henriques entra para as obras públicas

Setembro, 27 - Reorganização das Alfândegas

Outubro, 1 - Reabertura das Cortes. João Franco põe em causa a actual situação política.

Novembro, 28 - Governo entra em ditadura. São encerradas as Cortes e deixa de haver parlamento até Janeiro de 1895. Situação semelhante apenas ocorrera em 1847.

Dezembro, 3 - A oposição reúne-se na redacção do Correio da Noite, formando-se a Coligação Liberal, juntando progressistas e republicanos.

Dezembro, 9 - Grande comício no Campo Pequeno, juntando republicanos e progressistas. José Maria de Alpoim proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães também preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real. 

1895

Janeiro, 10 - Novo Código de Justiça Militar, restabelecendo a pena de morte, revogando-se o artigo 16 do Acto Adicional. Os Conselhos de Guerra passam a ser competentes para crimes contra a segurança do Estado cometidos por civis.

Janeiro, 17 - Ferreira de Almeida na marinha e ultramar em lugar de Neves Ferreira. Defenderá que o país não pode administrar os territórios ultramarinos no número existente.

Janeiro, 20 - Eleita a comissão municipal republicana do Porto. O secretário da Universidade de Coimbra, Cerqueira Coimbra, depois de aderir aos republicanos, é imediatamente demitido.

Março, 2 - Sexto Congresso do Partido Republicano, em Lisboa. A polícia impede a reunião.

- Novo Código Administrativo de cariz centralizador, com o reforço da tutela governamental e supressão de muitos concelhos. A representação das minorias é impedida.

- Joaquim Martins de Carvalho, director de O Conimbricense, adere ao Partido Republicano.

Março, 28 - Publicada nova lei eleitoral, que revoga a de 1884. Os círculos eleitorais correspondem aos  distritos, e as minorias não são representadas. A quota censitária é diminuída, mas os chefes de família deixam de ter direito a voto automaticamente o que afasta os eleitores mais pobres, prejudicando em príncipio sobretudo os republicanos.

Abril, 8 - Morte de Manuel Pinheiro Chagas

Maio - Polícia começa a circular armada com revólveres.

Maio, 17 - Incêndio na Câmara dos Deputados

Agosto, 14 - Reforma do ensino secundário decretada por Jaime Moniz, acentuando-se o pendor humanístico em detrimento do científico.

Setembro, 25 - Reforma da Carta Constitucional por decreto ditatorial. Revogado o Acto Adicional de 1885. Rei pode converter em lei projectos aprovados apenas numa das Câmaras.

Outubro - Congresso do Partido Socialista em Tomar.

Outubro, 12 - Chegada a Portugal do primeiro automóvel da marca Panhard & Levasseur, importado de França pelo 4.º conde de Avilez.

Novembro, 16 - D. Carlos visita a França, a Alemanha e a Inglaterra.

Novembro, 17 - Eleições com vitória do Partido Regenerador, sendo que a oposição não concorreu em muitos círculos, o que permite a continuação do Governo de Hintze Ribeiro. A legislatura será conhecida pelo Solar dos Barrigas.

1896

Janeiro, 11 - O pedagogo João de Deus morre.

Fevereiro, 2 - Reabrem as Cortes no edifício da Academia das Ciências

Fevereiro, 13 - Lei contra os anarquistas, que ameaçava reprimir as acções violentas com a deportação para as colónias.

Fevereiro, 29 - Pedradas contra a carruagem real atiradas por um anarquista

Abril, 3 - Novo Acto Adicional à Carta Constitucional

Maio, 21 - Nova lei eleitoral. Regressam os círculos uninominais no continente, estabelecendo-se dois grandes círculos plurinominais em Lisboa e no Porto, agregados às respectivas parcelas rurais.

Agosto, 4 - Crise financeira. Começa na praça do Porto, quando, devido ao jogo dos fundos espanhóis, o Banco do Porto e o Banco Comercial de Viana se tornam insolventes.

Agosto, 18 - Sexta feira negra, corrida aos bancos em geral e suspensão de pagamentos. 

1897

Janeiro, 26 - Tratado de comércio e navegação entre Portugal e o Japão.

Fevereiro, 6 - D. Carlos não sancionou a proposta de nomeação de novos pares do reino, levando o governo de Hintze Ribeiro a pedir a demissão.

Fevereiro, 7 - Governo de Luciano de Castro com regresso dos Progressistas ao governo.

Fevereiro, 8 - As Cortes são dissolvidas. Decreto de amnistia para os crimes de imprensa

Fevereiro, 11 - Alvarás aprovam os estatutos das Associação Comercial de Lisboa, da Associação dos Lojistas de Lisboa e da Associação Industrial Portuguesa. Estavam à espera da aprovação do governo desde Março de 1894.

Março, 18 - Lei criando as Escolas Normais para os professores da instrução primária.

Abril, 12 - É inaugurada na Escola Politécnica a Exposição Oceanográfica de D. Carlos

Abril, 15 - Reunião em Lisboa do Congresso Pedagógico dos professores do ensino primário.

Abril, 20 - Inauguração na Academia das Ciências de Lisboa do 7º Congresso da União Internacional do Direito Penal.

Maio, 3 - Eleições com a vitória do Partido Progressista, no governo.

Maio, 23 - Comício republicano na Praça da Alegria, contra a alienação de parcelas do Ultramar.

Junho, 10 - Abertura das Cortes.

Junho, 13 - Comício republicano no Porto sobre a situação financeira.

Junho, 29 - Conselho de Ministros aprova medidas de fomento agrícola

Julho, 3 - Eduardo Coelho eleito presidente da Câmara dos Deputados

Julho, 12 - Ressano Garcia apresenta na Câmara dos Deputados as propostas financeiras do governo

Agosto - Crise financeira na praça do Porto

Agosto, 14 - Veiga Beirão apresenta proposta de nova lei de imprensa

Agosto, 29 - Comício republicano no Porto.

Setembro, 5 -Realização do 7.º congresso do Partido Republicano, em Coimbra.

Dezembro, 23 - Bernardino Machado declara-se republicano. 

1898

Janeiro, 2 - Discurso da Coroa, na abertura das Cortes.

Janeiro, 5 - Reunião do Partido Progressista.

Janeiro, 14 - São restaurados 51 concelhos.

Março, 7 - Comício republicano presidido por Bernardino Machado.

Abril, 3 - Veiga Beirão nos estrangeiros. Francisco Felisberto Dias da Costa, capitão de engenharia e professor da Escola do Exército, na marinha.

Abril, 22 - Publicação no Diário do Governo dos estatutos da Companhia União Fabril -- CUF -, surgida pela fusão da Companhia Aliança Fabril com a União Fabril.

Junho, 30 - Reorganização do ministério da fazenda.

Julho - Campanhas contra o governo do Jornal do Comércio, com Burnay, e do Diário Popular, com Mariano de Carvalho.

Agosto, 5 - Campos Sales, presidente da República do Brasil, visita Lisboa.

Agosto, 18 - Remodelação governamental.

Agosto, 30 - Convenção anglo-alemã que previa a apropriação das possessões portuguesas a Sul do Equador, a pretexto de um eventual empréstimo a Portugal.

Setembro, 8 - Reorganização do Ministério das Obras Públicas.

Setembro, 26 - Sétimo Congresso Internacional da Imprensa na Sociedade de Geografia de Lisboa.

Outubro, 1 - Os embaixadores da Grã-Bretanha e da Alemanha em Lisboa anunciam uma Convenção anglo-alemã de Londres e oferecem o concurso dos respectivos países para sanar a crítica situação financeira de Portugal.

Dezembro - Soveral, embaixador português em Londres, num telegrama dirigido a D. Carlos, refere que os norte-americanos pretendem tomar os Açores, no seguimento da Guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. 

1899

Janeiro, 4 - Reunião da maioria parlamentar

Janeiro, 13 - Discurso de Casal Ribeiro na Câmara dos Pares sobre os credores estrangeiros.

Janeiro, 14 - França Borges sai da cadeia do Limoeiro, onde se encontrava detido. João Arroio ataca o ministro Espregueira.

Janeiro, 26 - Discussão parlamentar sobre o aumento do imposto de selo. Protestos da Associação Comercial de Lisboa.

Fevereiro, 7 - Discurso de Dias Ferreira de oposição ao governo.

- Falta quórum nas sessões parlamentares. D. Carlos em sucessivas caçadas. Descontentamento militar. Burnay denuncia actos financeiros do governo, nomeadamente a compra de prata.

Março, 1 - Começa a publicar-se o primeiro número do jornal republicano A Pátria dirigido por José Benevides.

Março, 23 - Promulgação do decreto sobre a mendicidade.

Abril, 4 - Elvino de Brito apresenta na Câmara dos Deputados proposta de novo regime cerealífero.

Abril, 19 - Hintze Ribeiro ataca a política de importação de cereais.

Junho, 20 - Discussão do regime cerealífero. Campos Henriques ataca a proposta de Elvino de Brito.

Julho, 14 - Lei dos Cereais, conhecida por «Lei da Fome», de Elvino de Brito, restabelecendo o imposto à entrada de cereais.

Julho, 26 - Nova lei eleitoral. São dados poderes constituintes às próximas Cortes.

Agosto, 6 - Nova lei do imposto de selo.

Setembro - A Grã-Bretanha pede autorização para as suas tropas passarem pelo território moçambicano.

Outubro, 4 - Criação da Direcção-geral de Saúde e Beneficiência Pública.

Novembro, 5 - Eleições municipais em Lisboa. Vitória da lista não progressista do conde do Restelo

Novembro, 18 - 8.º Congresso do Partido Republicano.

Novembro, 26 - Eleições, com vitória dos republicanos no Porto, elegendo Afonso Costa, Paulo Falcão e Xavier Esteves. O conde Burnay vence em Setúbal. As eleições foram anuladas em 5 de Janeiro de 1900. 

1900

Janeiro, 2 - Discurso da Coroa

Janeiro, 4 - Publicação de um Manifesto da Real Associação Central da Agricultura Portuguesa sobre a crise vinícola, exigindo medidas prontas e eficazes para resolver o problema da falta de escoamento do vinho.

Janeiro, 5 - As eleições no Porto são anuladas, alegando-se irregularidades.

Janeiro, 18 - Conflito entre João Franco e o ministro dos negócios estrangeiros Veiga Beirão sobre a guerra dos Boers na África do Sul.

Janeiro, 29 - O ministro da justiça José Maria Alpoim enfrenta Abel de Andrade num duelo.

Fevereiro, 5 a 8 - Reunião do Congresso Vinícola Nacional.

Fevereiro, 12 - O deputado José Bento Ferreira de Almeida, antigo ministro da marinha, propõe mais uma vez a venda das colónias, exceptuando Angola e São Tomé e Príncipe.

Fevereiro, 18 - Repetição das eleições no Porto, com nova vitória, e alargada, dos republicanos, com a eleição de Afonso Costa, Xavier Esteves e Paulo Falcão.

Março, 2 - Morte de António Serpa Pimentel, chefe do Partido Regenerador.

Março, 12 - Abertura das Cortes, com a presença dos deputados republicanos..

Março, 19 - Morte de António Nobre. Poeta autor de , publicado em Paris em 1892.

- Hintze Ribeiro é escolhido para a liderança dos regeneradores, devido à morte de Serpa Pimentel.

Julho - Realização de um Congresso anticlerical, organizado pelos Círios Civis, socialistas.

Julho, 7 - As promoções no exército são suspensas.

Julho, 21 - O novo código administrativo, aprovado pelo governo anterior é suspenso.

Agosto, 16 - Morte de Eça de Queirós em Paris.

Setembro, 9 - Grande comício republicano contra as congregações religiosas.

Setembro, 16 - Primeiro número do jornal republicano O Mundo, que será no futuro o porta voz da facção de Afonso Costa e do Partido Democrático.

Outubro, 27 - Dissolução da Câmara dos Deputados.

Novembro, 4 - Grande banquete republicano no Porto

Novembro, 25 - 39.ª eleições gerais, com nova vitória do partido no governo. As listas monárquicas vencem em Lisboa e no Porto, não sendo eleitos deputados republicanos, mesmo que a sua votação tenha aumentado.

Novembro, 30 - Remodelação governamental.

1901

Janeiro, 13 - D. Miguel, o pretendente legitimista à coroa portuguesa, visita Portugal semi-clandestinamente

Fevereiro, 12 - Ruptura entre Hintze Ribeiro e João Franco,

Fevereiro, 17 - Incidente Calmon, com manifestações anticlericais em Lisboa devido à tentativa de rapto, com a sua conivência, de uma mulher de 32 anos filha do cônsul do Brasil no Porto,  que queria entrar para um convento, contra a vontade dos pais.

- Aparece o periódico Imparcial dirigido por Abel de Andrade e Carneiro de Moura.

Março, 12 - Decreto anticongreganista, o governo emite um decreto sobre ordens religiosas, mantendo assim, com o apoio do Rei D. Carlos, a tradição anticlerical do Partido Regenerador.

Março, 28 - O jornal católico A Palavra é apreendido.

Março, 18 - Criação do Centro Nacional Académico, por Francisco José de Sousa Gomes, transformado no ano seguinte em Centro Académico de Democracia Cristã.

Abril, 14 - D. Carlos é saudado como rei liberal na praça de touros do Campo Pequeno, devido ao seu reconhecido anti-clericalismo.

Abril, 18 - Decreto controlador das casas religiosas, sendo apenas são admitidas as casas religiosas que se dedicarem à instrução ou à beneficência ou então à propaganda da fé e civilização no Ultramar.

Abril, 20 - São encerradas várias casas religiosas.

Abril, 25 - Criação de uma Comissão Liberal, isto é, anticlerical, presidida por José Dias Ferreira.

Abril, 30 - Criação de uma Junta Liberal republicana, presidida por Miguel Bombarda.

Maio, 14 - 25 deputados regeneradores acompanham João Franco no abandono do partido, dando origem aos regeneradores-liberais.

Maio, 16 - Criado o Centro Regenerador-Liberal em Lisboa.

Junho, 1 - Duelo entre João Franco e Pinto dos Santos.

- Dissolução da Câmara dos Deputados, devido à perda pelo governo do apoio da facção João Arroio do Partido Regenerador, já enfraquecido pela saída do grupo de João Franco.

Agosto, 8 - Aprovação da última lei eleitoral da Monarquia, apelidada de Ignóbil Porcaria  por João Franco, que dividindo os círculos eleitorais de Lisboa e Porto, conseguia impedir a representação dos pequenos grupos políticos, como os republicanos, mas também como os regeneradores-liberais, na câmara dos deputados.

Agosto, 12 - Decreto dando a autonomia ao arquipélago da Madeira.

Outubro, 6 - Eleições. Não são eleitos membros do partido Republicano em Portugal, tendo os franquistas eleito um único deputado. O dirigente republicano Afonso Costa conseguirá ser eleito por Angola no escrutínio de 15 de Dezembro.

Outubro, 18 - Dantas Baracho abandona o partido regenerador.

Dezembro, 24 - Reforma do ensino primário, passando a ser gratuito e obrigatório.

- A reforma dos estudos jurídicos faz aparecer a cadeira de «Ciência Política e Direito Constitucional» na Universidade de Coimbra.

- Reforma do Curso Superior de Letras, por proposta de Jaime Moniz.

1902

Janeiro - Criação do Centro Nacional por Jacinto Cândido da Silva, instituição que dará origem ao  Partido Nacionalista no ano seguinte.

Janeiro, 3 - Governo é atacado na Câmara dos Pares por Costa Lobo, que qualifica o governo de absolutista, Dantas Baracho e pelo conde de Bretiandos.

Janeiro, 5 e 6 – Reuniu o Congresso do Partido Republicano, em Coimbra

Março, 7 - João Arroio rompe com Hintze Ribeiro. Pinto dos Santos e Luís Augusto Rebelo da Silva filiam-se no partido progressista. Chanceleiros considera que o governo está a agir contra a Carta.

Março, 25 - Pereira Carrilho consegue negociar em Paris um acordo dos credores estrangeiros quanto à dívida externa portuguesa. Na altura, D. Luís Filipe assiste em Londres à coroação de Eduardo VII.

- Motins estudantis nas Universidades do Porto e de Coimbra, assim como na Escola Politécnica de Lisboa, que se estenderão até Abril.

Abril, 24 - Criação da Escola de Medicina Tropical, em Lisboa, por iniciativa de Teixeira de Sousa, ministro da marinha e do ultramar.

Maio, 28 - Inauguração da iluminação eléctrica em toda a cidade de Lisboa.

Agosto - Campanha de imprensa contra o governo por causa da questão das moagens.

Setembro - Aprovação de medidas de reforço da «segurança interna» pelo governo.

Novembro, 2 - Eleições municipais, com vitória dos regeneradores no Porto.

1903

Fevereiro, 27 - Demissão do governo de Hintze Ribeiro, que continua como Presidente do Conselho à frente de novo governo Regenerador, havendo mudanças de pastas e entrada de novos elementos.

Maio, 1 - Dissidência progressista, com a saída de seis deputados.

Maio, 18 - Manifestação de 2.600 viticultores em Lisboa, promovida pela Real Associação Central da Agricultura Portuguesa, para entregar uma mensagem ao parlamento a pedir medidas urgentes contra a crise do vinho.

Julho, 3 - Congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo, onde se vota o programa. O novo partido é declaradamente católico.

Julho, 28 - Greves operárias no Porto, começadas pelos tecelões, mas que se alastram a outras categorias de assalariados.

Novembro, 1 - Eleições municipais em Lisboa

Dezembro, 7 - Greve dos metalúrgicos, começada na Empresa Industrial Portuguesa.

1904

Fevereiro, 4 e 5 - Adesão de trabalhadores portuários e de metalúrgicos de outras empresas à greve dos metalúrgicos da Empresa Industrial Portuguesa.

Junho, 26 - Eleições gerais com vitória do partido regenerador, no governo, com acordos eleitorais com os progressistas

Agosto, 29 - Reforma do Ensino Secundário de Eduardo José Coelho.

Outubro, 18 - 20 - Queda do governo Hintze Ribeiro devido à discussão parlamentar sobre os novos contratos do tabaco e dos fósforos. O Partido Progressista volta ao governo, onde permanecerá até 1 de Fevereiro de 1906. Será o último governo presidido por Luciano de Castro, apelidado o ministério das mil e uma maravilhas.

Novembro, 16 - Assinatura de um Tratado Luso-Britânico, em Windsor, em que se reitera a aliança existente entre Portugal e a Grã-Bretanha.

1905

Fevereiro, 4 - Manifestação republicana de apoio a Bernardino Machado em Lisboa.

Fevereiro, 12 - Eleições gerais com vitória do Partido Progressista, no governo.

Fevereiro, 19 - Costa Cabral morre.

Abril, 26 - Apresentação o novo contrato dos tabacos na Câmara dos Deputados, com ataques de João Arroio e Teixeira de Sousa.

Maio, 2 - Dissidência progressista de José Maria de Alpoim por causa do contrato dos tabacos, levando consigo seis deputados progressistas, dando origem à chamada Dissidência Progressista.

Maio, 11 - Remodelação governamental. Artur Pinto Miranda Montenegro substitui José Maria de Alpoim na justiça, devido à não comparência de Alpoim na reunião do conselho de ministros de dia 9, e à sua exoneração no dia 10.

Agosto, 29 - Promulgação de nova reforma do Ensino Secundário. O número de disciplinas literárias em comparação com as disciplinas científicas torna-se mais equilibrado.

Agosto, 30 - Dias Ferreira faz um discurso na Câmara dos Pares onde defende a constituição de grandes partidos políticos

Setembro, 1 - Cenas de pugilato na Câmara dos Pares entre Dantas Baracho e Pereira Dias.

Setembro, 10 - As Cortes são dissolvidas.

Outubro, 19 - Mariano Cirilo de Carvalho morre.

Novembro, 20 - D. Carlos parte para Paris

Dezembro, 10 - Comício dos republicanos, na Estefânia. Discursos de Afonso Costa, António José de Almeida e Brito Camacho.

Dezembro, 28 - Nova remodelação governamental. 

1906

Fevereiro, 1 - Discurso da Coroa

Fevereiro, 2 - Alpoim declara que a Coroa não tem direito a censurar ninguém

Fevereiro, 7 - Sessão agitada na Câmara dos Deputados quando José Luciano apresenta os novos ministros. 

Fevereiro, 9 - O Conselho de Estado não aprova proposta de José Luciano para a dissolução das cortes. 

Fevereiro, 12 - Hintze Ribeiro propõe uma coligação das oposições monárquicas em defesa do rei que o governo comprometera.

Fevereiro, 13 - São apreendidos O Mundo, de França Borges, e O Primeiro de Janeiro.

Fevereiro, 16 - São apreendidos A Paródia, o Novidades e O Liberal.

Fevereiro, 19 - Manifesto dos estudantes de Coimbra contra a degradação da actividade governamental

Fevereiro, 20 - Estudantes do Liceu do Carmo em Lisboa queimam um grande charuto de cartão, onde podia ler-se Abaixo o Governo

Fevereiro, 22 - Manifesto das empresas jornalísticas de Lisboa contra a apreensão de jornais. Subscrevem-nos França Borges, por O Mundo, Moreira de Almeida, O Dia, Magalhães Lima, Vanguarda, Alfredo Cunha, Diário de Notícias, Zeferino Cândido, A Época.

Março, 11 - D. Carlos parte para Espanha em vista oficial. Regressará no dia 16.

Março, 19 - O governo de José Luciano de Castro demite-se.

Março, 21 - Último governo de Hintze Ribeiro.

Março, 28 - Nomeados novos governadores civis e administradores de concelho. Conde de Sabrosa, governador civil de Lisboa

Abril, 8 - Amotinação do cruzador D. Carlos I, surto no Tejo, a primeira revolta da história da armada portuguesa.

Abril, 13 - Sublevação no couraçado Vasco da Gama.

Abril, 22 - Comícios republicanos na Estefânia e nos Olivais

Abril, 24 - São apreendidos os jornais Vanguarda e Mundo por publicarem os discursos dos comícios.

Abril, 29 - Nas eleições gerais não são eleitos deputados republicanos, mas à última hora, Bernardino Machado, graças ao uma chapelada governamental, aparece eleito pela assembleia do Peral, com três vezes mais votos do que o número de eleitores.

Maio, 1 - Brito Camacho funda o Jornal A Lucta.

Maio, 4 - Incidentes, no Rossio, quando republicanos esperam a chegada de Bernardino Machado

Maio, 6 - Incidentes na praça de touros do Campo Pequeno: espectadores voltam as costas à família real e ovacionam Afonso Costa.

Maio, 7 - O jornal O Mundo é apreendido

Maio, 8 - D. Carlos conferencia com João Franco no Palácio das Necessidades.

Maio, 13 - Duelo entre Ferreira Borges, de O Mundo, e Eduardo Schwalbach, do Notícias de Lisboa, por causa dos incidentes do dia 4.

Maio, 15 - O governo pede o adiamento das Cortes, mas D. Carlos não cede ao pedido de Hintze Ribeiro, que se vê obrigado a pedir a demissão.

Maio, 19 - Governo de João Franco. O rotativismo partidário entre regeneradores e progressistas, inaugurado em 1893, termina a sua fase. Pensa-se que João Franco irá concretizar o programa de Vida Nova, proposto por Oliveira Martins e António Cândido.

Maio, 24 - Banquete de homenagem a Abel de Andrade no Palácio de Cristal, no Porto, em desafio a João Franco.

Maio, 25 - O governo, pela voz de João Franco, anuncia o seu programa: tolerância e liberdade para o país compreender a monarquia.

Maio, 27 - Aumento dos vencimentos dos pequenos funcionários públicos.

Maio, 28 - Conselho de Estado vota amnistia para os crimes de imprensa.

Maio, 29 - Reunião de republicanos sobre o caso Schroeter

Maio, 31 - D. Carlos começa a assistir aos conselhos de ministros

Junho, 1 - Reabrem as Câmaras. Apresentação parlamentar do novo governo no dia 1 de Junho.

Junho, 4 - Governo apresenta-se na Câmara dos Pares. José Luciano promete apoio leal e Pimentel Pinto, oposição frontal.

Junho, 5 - Conselho de Estado vota dissolução da Câmara dos Deputados.

Junho, 6 - O jornal franquista Diário Ilustrado publica certidão de idade de Hintze Ribeiro, onde este é considerado cidadão brasileiro. Aliás, nas mesmas circunstâncias se encontra Bernardino Machado, também nascido no Brasil.

Junho, 29 - Discurso de João Franco no Centro José Novais: um partido, no significado honesto e verdadeiro da palavra, não existe no nosso país há muito tempo, pelo menos dentro das fronteiras da política monárquica

Junho, 30 - Decreto sobre a crise do Douro. É definida territorialmente a zona demarcada

Agosto, 2 - Incidentes em Alcântara na inauguração de centro franquista

- Inaugurado o centro franquista Marques Leitão em Alcântara. Presente o industrial Alfredo da Silva que é alvo de uma pedrada.

Junho, 4 - Suspensa a cobrança do real de água na região do Douro

Junho, 6 - Carta de D. Carlos a João Franco

«Seja como for e suceda o que suceder, temos de caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-o), porque aqui, mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim … nem tu!»

Junho, 14 - Julgamento dos revoltosos do cruzador D. Carlos. Sentença extremamente rigorosa.

Junho, 19 - 44ª eleição geral da monarquia constitucional, com vitória dos governamentais. Há quatro deputados republicanos eleitos por Lisboa, apesar da lista governamental os ter vencido por cerca de duas centenas de votos

Junho, 20 - D. Carlos, em Mafra, escreve a João Franco sobre as eleições: fizeram-se com uma ordem e uma liberdade a que estamos desabituados, ordem e liberdade em que é absolutamente necessário não só entrar, como agora, mas prosseguir

Junho, 23 - Rei parte em viagem oceânica.

Outubro, 18 - António José de Almeida discursa na Câmara dos Deputados contra João Franco.

Outubro, 20 - Afonso Costa discursa na Câmara dos Deputados, afirmando que «à frente do governo está um rábula».

Outubro, 29 - Duelo entre José de Alpoim e o jornalista Gaspar de Abreu do jornal Correio da Noite

Novembro, 4 - Eleições municipais do Porto, com vitória dos republicanos

Novembro, 6 - Discurso de Hintze Ribeiro na Câmara dos Deputados. Pergunta se a coligação de franquistas e de progressistas é de responsabilidade limitada ou de parceria

Novembro, 7 - Discurso de João Arroio no parlamento. Considera que João Franco está a fazer a revolução nos bancos do poder auxiliando poderosamente a onda revolucionária. Também critica directamente o Paço, por D. Carlos alojar Soveral e pelo teor das cartas do rei para Hintze Ribeiro.

Novembro, 20 - Questão dos adiantamentos no Parlamento em Novembro. Na sessão de dia 20, Afonso Costa disse: «Por menos do que fez o Sr. D. Carlos, rolou no cadafalso a cabeça de Luís XIV.» Os deputados republicanos são suspensos durante um mês dos trbalhos parlamentares.

Novembro, 22 - Manifestação de apoio a Afonso Costa, sendo presas 63 pessoas.

Novembro, 28 - Comício republicano no Porto

Dezembro, 2 - Comício republicano no Porto mobiliza cerca de 12 000 pessoas

Dezembro, 8 - Comício republicano em Leiria

Dezembro, 14 - Conselho de Estado sanciona adiamento das Cortes até ao final de 1906.

Dezembro, 21 - Afonso Costa e Alexandre Braga regressam à Câmara dos Deputados. Há uma mensagem de apoio subscrita por cerca de quarenta e cinco mil pessoas.

Dezembro, 23 - Banquete de homenagem aos deputados republicanos na rua da Junqueira em Lisboa.

Dezembro, 29 - Regresso do rei a Lisboa, vindo de Vila Viçosa. Há uma manifestação de homenagem 

1907

Março - Começo da greve académica de Coimbra. O pretexto foi a reprovação de um candidato a doutoramento em direito, José Eugénio Dias Ferreira, filho de José Dias Ferreira, que se declarava republicano e dedicara a tese a Teófilo Braga. Em 23 de Maio São mandadas encerrar as matrículas

Abril, 11 - Lei de imprensa de 11 de Abril de 1907 é considerada pela oposição como lei contra a imprensa. Dela resulta o chamado gabinete negro.

Maio, 1 - Surge o jornal A Luta de Brito Camacho

Maio, 8 - É emitido o primeiro decreto ditatorial.

- A oposição desencadeia uma vaga de ataques a João Franco e a D. Carlos. A oposição dos dissidentes progressistas entende-se com os republicanos e chega mesmo a instituir-se um comité revolucionário com Ribeira Brava e Alpoim, pelos dissidentes, Afonso Costa e Alexandre Braga, pelos republicanos.

Junho, 6 - Dissolução da Câmara Municipal de Lisboa

Junho, 20 - Nova lei de imprensa, proibindo escritos, desenhos ou impressos atentatórios da ordem pública.

Agosto, 7 - Decreto sobre o descanso semanal obrigatório. 

1908

Janeiro, 28 - Jugulada uma conspiração conjugada, entre dissidentes progressistas e republicanos. 

Janeiro, 31 - Decreto prevendo a deportação dos que atentassem contra a segurança do Estado. O decreto foi assinado por D. Carlos em Vila Viçosa.

Fevereiro, 1 - Assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.

Fevereiro, 5 - Governo dito da «acalmação». São revogados alguns dos diplomas franquistas, como a lei de imprensa e o decreto de 31 de Janeiro.

Fevereiro, 6 - Reaparecem os jornais suspensos: Diário Popular, Liberal, O Dia, O País, Correio da Noite. São libertados António José de Almeida, Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas e França Borges.

Fevereiro, 8 - Funerais de D. Carlos e D. Luís Filipe.

Fevereiro, 12 - Amnistia para os marinheiros implicados nas revoltas de 8 e 13 de Abril de 1906.

Fevereiro, 29 - Dissolução da Câmara dos Deputados

Abril, 5 - Eleições. As Cortes abrem no dia 29.

Maio, 6 - Aclamação de D. Manuel II

Junho, 3 - António José de Almeida defende na câmara dos deputados que a bomba de dinamite em revolução, e em certos casos, pode ser legítima.

Novembro, 1 - Republicanos vencem as eleições municipais de Lisboa, sendo toda a vereação do P.R.P.

Novembro, 8 - O rei D. Manuel visita o Porto em 8 de Novembro e Coimbra no dia 20 do mesmo mês. Regressa a Lisboa no dia 4 de Dezembro, mas atravessa a cidade em carruagem fechada que circulou a alta velocidade, por conselho de Ferreira do Amaral.

1909

Março, 10 - Duelo entre Caeiro da Matta e o ministro da fazenda.

Abril, 11 - Governo de Sebastião Teles

Abril, 24 e 25 - Congresso do Partido Republicano em Setúbal

Maio, 14 - Governo de Wenceslau de Lima.

Julho, 3 e 4 - D. Manuel II visita o Norte.

Julho, 21 - Decreto incentivando a elaboração de monografias sobre freguesias rurais

- Congresso Nacional Operário em Julho. No mesmo mês Consiglieri Pedroso vence as eleições para a presidência da Sociedade de Geografia, derrotando a lista monárquica de Carlos Roma du Bocage.

- Partido Republicano organiza uma Comissão Militar para organizar a revolução.

- José Luciano de Castro defende, em carta a D. Manuel, que o partido republicano avança a passos rápidos, e prepara-se para uma aventura revolucionária.

Agosto, 2 - Organiza-se uma manifestação anticlerical em Lisboa que terá reunido cerca de 100.000 pessoas.

Novembro, 26 - Decreto manda fazer inquérito sobre a situação social e económica das classes trabalhadoras.

Novembro, 29 - Republicanos vencem as eleições para 122 juntas de paróquia

Dezembro, 22 - Governo de Veiga Beirão (até 26 de Junho de 1910). Todos os ministros são do partido progressista e todos com experiência governativa.

Dezembro, 23 - Manifestação da Junta Liberal, chefiada por Miguel Bombarda, António Aurélio da Costa Ferreira, Egas Moniz e Cândido dos Reis, junta cerca de uma centena de milhar de pessoas. 

1910

Janeiro, 2 - Abertura das Cortes

Fevereiro, 14 - Surge a revista Alma Nacional de António José de Almeida.

Abril, 29 e 30 - Congresso do Partido Republicano no Porto

Maio, 14 - D. Manuel II preside à sessão inaugural do Congresso Nacional, na Sociedade de Geografia de Lisboa.

Maio, 16 a 27 - D. Manuel II ausente do país para participar nos funerais de Eduardo VII.

Junho, 27 - Dissolução das Cortes. 

Agosto, 7 - Grande comício republicano em Lisboa.

Agosto, 19 - Governo, dizendo temer movimento revolucionário das oposições monárquicas, põe as tropas de prevenção.

Agosto, 28 - Eleições.

Setembro, 17 - Amnistia para os crimes de liberdade de imprensa.

Setembro, 23 - Abre o parlamento. Logo no dia seguinte as cortes são adiadas

Setembro, 27 - Comemorações do centenário da batalha do Buçaco.

Setembro, 29 - Greves de corticeiros, tanoeiros e garrafeiros.

Outubro, 3 - Assassinado Miguel Bombarda, cerca das 11 horas. O acto foi executado por um antigo doente, oficial do Exército. Mal a notícia circulou, tiveram lugar manifestações espontâneas.

O regime republicano,
de 1910 a  1926.

 

 

 

 

1910

 

 

5 de Outubro

Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição.

 

22 de Outubro

O Brasil e a Argentina são os primeiros países a reconhecer  oficialmente a República Portuguesa.

 

 

1911

 

 

19 de Junho

Os Estados Unidos da América reconhecem a República Portuguesa, no dia da abertura da Congresso, sendo a primeira potência com algum significado a fazê-lo.

 

24 de Agosto

A França reconhece a República portuguesa, no dia da eleição do Presidente da República, sendo o primeiro país europeu a fazê-lo

 

3 de Setembro

Nomeação do primeiro Governo Constitucional da República.

 

11 de Setembro

Reconhecimento conjunto da República portuguesa pelas grandes potências europeias, todas com um sistema político monárquico: Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, Itália e Áustria-Hungria.

 

5 de Outubro

Primeira incursão monárquica, comandada por Paiva Couceiro, em Trás-os-Montes.

 

 

1912

 

 

7 de Fevereiro

O governo britânico desmente os boatos, postos a circular pelo embaixador português Teixeira Gomes, que davam como certo um acordo entre o Reino Unido e a Alemanha para divisão das colónias portuguesas de África.

 

6 e 7 de Julho

As forças monárquicas de Paiva Couceiro entram, pela segunda vez, em Portugal tentando tomar a praça de Valença, o que não conseguem. Entrarão no dia seguinte em Trás-os-Montes tentando capturar Chaves. 

 

8 de Julho

Combate de Chaves. Os monárquicos são completamente desbaratados, deixando alguns mortos e feridos no campo.

 

 

1913

 

 

9 de Janeiro

Tomada de posse do 1.º governo, presidido por Afonso Costa

 

27 de Abril

Tentativa revolucionária contra o primeiro governo, presidido por Afonso Costa. É a primeira vez que republicanos participam num golpe contra um governo republicano.

 

3 de Julho

O governo Afonso Costa retira o direito de voto aos chefes de família analfabetos. O sufrágio universal deixa de existir em Portugal ao contrário de países como a Alemanha, Itália, Áustria, Montenegro, Suécia e Suiça. O número de eleitores é igual ao existente no tempo da monarquia.

 

7 de Julho

Tentativa revolucionária com assalto ao Quartel de Marinheiros

 

20 de Julho

Tentativas monárquicas de assalto a vários quartéis de Lisboa, contra os quais foram arremessadas bombas explosivas.

 

14 de Outubro

O jornal O Dia publica, reproduzindo o Daily Telegraph londrino, as supostas bases do acordo franco-espanhol de Cartagena em que a França permitiria que a Espanha de Afonso XIII, de acordo com uma hipotética base VIII, pudesse reclamar uma intervenção directa em Portugal, motivada pela progressão da «anarquia» no país. 

 

20 de Outubro

Nova tentativa de revolução monárquica levada a cabo por civis e liderada por João de Azevedo Coutinho.

 

9 de Dezembro

O ministro dos negócios estrangeiros alemão, fazendo no Reichtag o discurso anual sobre política externa, torna pública a existência de negociações com a Grã-Bretanha sobre as colónias portuguesas e prevê o êxito das mesmas.

 

 

1914

 

 

9 de Fevereiro

O governo chefiado por Bernardino Machado toma posse, tentando ser um governo de reconciliação nacional.

 

10 de Fevereiro

O embaixador francês em Londres, Paul Cambon, faz notar à Grã-Bretanha que a publicação do acordo anglo-alemão de Outubro de 1913 sobre as colónias portuguesas, tornava significativa a aproximação anglo-alemã, o que implicava o enfraquecimento da «Entente Cordiale» entre Paris e Londres.

 

28 de Junho

O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do imperador austro-húngaro Francisco José, é assassinado em Sarajevo, capital da província da Bósnia-Herzegovina, por revolucionários sérvios..

 

 

A Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia. A Rússia mobiliza, dando início às movimentações que levarão ao desencadear em 4 de Agosto da Primeira Guerra Mundial.

 

1 de Agosto

A Alemanha declara a guerra à Rússia. 

 

 

A França ordena a mobilização geral dos exércitos.

 

3 de Agosto

A Alemanha declara a guerra à França, e invade o Luxemburgo e a Bélgica.

 

4 de Agosto

A Grã-Bretanha declara a guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente.

 

 

A França e a Grã-Bretanha declaram a guerra à Áustria-Hungria.

 

 

O Japão declara a guerra à Alemanha.

 

10 de Outubro

O governo britânico, invocando a antiga aliança, «formalmente convida o Governo Português a deixar a sua atitude de neutralidade, e enfileirar activamente ao lado da Grã-Bretanha e dos seus aliados.»

 

20 de Outubro

Movimentos revolucionários monárquicos em Mafra e Bragança. Declaram-se contra a participação de Portugal na Guerra.

 

 

1915

 

 

15 de Janeiro

O presidente da república, Manuel de Arriaga, reúne os principais dirigentes políticos para ouvir a sua opinião sobre a política seguida pelo Partido Democrático, de Afonso Costa, de empurrar Portugal para a guerra.

 

25 de Janeiro

O presidente da república, Manuel de Arriaga, demite o governo de Afonso Costa e encarrega, em ditadura, isto é, sem que o Congresso tivesse em sessão, o general Pimenta de Castro de formar um novo governo com intenção de preparar eleições. A participação dos militares nos assuntos políticos torna-se cada vez maior.  

 

4 de Março

Os deputados do Partido Democrático de Afonso Costa são proibidos de entrar no Parlamento. Os deputados e senadores democráticos reunidos em Loures, no Palácio da Mitra, aprovam uma moção declarando o ministério fora-da-lei.

 

22 de Abril

Os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa são intimados a ceder o lugar à Comissão Administrativa nomeado pelo governo. São presos por terem recusado.

 

10 de Maio

Grandes manifestações republicanas em Lisboa.

 

14 de Maio

Em Lisboa, grupos tumultuosos de pessoas assaltam armazéns e padarias à procura de comida. Aproveitando a situação, republicanos civis e militares levam a efeito um movimento revolucionário que custa centenas de mortos e feridos.

 

15 de Maio

O governo ditatorial de Pimenta de Castro é demitido, sendo nomeado João Chagas para formar o novo ministério.  O general Norton de Matos é escolhido para ministro da Guerra.

 

17 de Maio

Devido ao atentado no Entroncamento a João Chagas, que fica gravemente ferido e cego de um olho, José Ribeiro de Castro é nomeado chefe do governo.

 

29 de Maio

Teófilo Braga é nomeado presidente da república interino, devido à demissão no dia 15 de Maio de Manuel de Arriaga.

 

13 de Junho

O Partido Democrático ganha as eleições legislativas, obtendo a maioria absoluta.

 

1 de Julho

Nova Lei Eleitoral. Os militares no activo passam a ter direito de voto. Os analfabetos continuam a não poder votar.

 

4 de Agosto

O governo é autorizado a contrair dois empréstimos, destinados a fazer face ao aumento das despesas com as forças expedicionárias enviadas para as colónias.

 

29 de Novembro

Afonso Costa, restabelecido de uma fractura do crânio, provocada pela saída precipitada de um carro eléctrico devido ao receio de um atentado bombista, é nomeado chefe do governo, constituído unicamente por membros do Partido Democrático.

 

 

1916

 

 

17 de Fevereiro

O governo português recebe um pedido do governo britânico «em nome da aliança» de «requisição urgente de todos os barcos inimigos estacionados em portos portugueses».

 

23 de Fevereiro

 

Portugal apreende todos os navios mercantes alemães fundeados nos Portos portugueses, a fim de serem colocados ao serviço da causa comum luso-britânica, numa operação dirigida pelo capitão de fragata Leote do Rego, comandante da Divisão Naval de Defesa.

9 de Março

A Alemanha declara a guerra a Portugal.

 

15 de Março

Constituí-se o chamado governo de «União Sagrada», em que Afonso Costa cede o seu lugar de presidente do governo e cede o seu lugar a António José de Almeida.

 

25 de Março

O ministro da Guerra, general Norton de Matos, publica uma Ordem do Exército, esclarecendo a situação de guerra.

 

28 de Março

Todas as publicações, periódicas ou não, são obrigados à censura prévia enquanto durar a guerra.

 

20 de Abril

É decidida a censura à correspondência enviada para países estrangeiros e para as colónias, e da recebida destas.

 

9 de Junho

Afonso Costa, ministro das finanças, e Augusto Soares, ministro dos Negócios Estrangeiros, partem para Paris para participar na Conferência Económica dos Aliados. Nessa reunião considera-se como condição preliminar e sine qua non de paz a restituição dos territórios indevidamente ocupados pela Alemanha: Alsácia e Lorena à França, em 1871, e Quionga, Moçambique, em 1894, a Portugal.

 

15 de Junho

O governo britânico convida formalmente Portugal a tomar parte activa nas operações militares dos aliados.

 

22 de Julho

É constituído, em Tancos, sob o comando do general Norton de Matos, o Corpo Expedicionário Português (CEP), formado por 30 mil homens.

 

7 de Agosto

O Parlamento português aceita a participação de Portugal na Guerra de acordo com o convite formal do governo britânico de 15 de Junho.

 

31 de Agosto

É votada a pena de morte em situação de guerra.

 

13 de Dezembro

Machado Santos faz, em Tomar, uma tentativa revolucionária, malograda

 

26 de Dezembro

O governo francês manifesta ao governo português o desejo, de que fosse enviado para França  pessoal de artilharia necessário para guarnecer 20 a 30 baterias de artilharia pesada francesa.

 

 

1917

 

30 de Janeiro

A 1.ª Brigada do CEP, do comando do general Gomes da Costa sai do Tejo a bordo de três vapores britânicos.

 

8 de Fevereiro

As tropas portuguesas chegam à zona de Thérouane, na Flandres francesa, que será o local de concentração da divisão do CEP.

 

23 de Fevereiro

Parte para França o segundo contingente do CEP

 

4 de Abril

As primeiras tropas portuguesas entram nas trincheiras. É morto o primeiro soldado português em combate, António Gonçalves Curado.

 

 

Os Estados Unidos da América declaram a guerra à Alemanha.

 

25 de Abril

Constituição do terceiro governo, presidido por Afonso Costa, devido ao fim do ministério da União Sagrada.

 

12 de Julho

Devido às greves constantes é declarado o estado de sítio em Lisboa e concelhos limítrofes.

 

10 de Setembro

É estabelecida a censura militar aos filmes que façam alusão à guerra.

 

25 de Outubro

O presidente da República, Bernardino Machado, chega a Lisboa, após a sua visita às tropas portuguesas em França.

 

7 de Novembro

Revolução Bolchevique de «Outubro».

 

5 de Dezembro

Sidónio Pais, embaixador de Portugal em Berlim de 1912 a 1916, na altura professor da escola de Guerra (Academia Militar), e major, chefia uma revolução que o levará ao poder três dias depois. O movimento e a situação política que criou será conhecido pelo «Dezembrismo».

 

 

Armísiticio Russo-Alemão de Brest-Litovsk.

 

9 de Dezembro

O Congresso (Parlamento) é dissolvido.

 

12 de Dezembro

O Presidente da República,  Bernardino Machado, é destituído.

 

 

1918

 

 

6 de Janeiro

Tentativa de acção contra-revolucionária levada a cabo por marinheiros da Armada.

 

3 de Março

Assinatura do tratado de Brest-Litovsk entre a Alemanha e a Rússia soviética. A Rússia abandona a guerra.

 

11 de Março

O sufrágio universal é instituído, pela primeira vez, em Portugal.

 

9 de Abril

A batalha do Lys começa, com uma prolongada barragem de artilharia alemã. A 2.ª divisão do CEP é destruída no decurso da batalha.

 

28 de Abril

Eleições legislativas e presidenciais, por modo directo, sendo Sidónio Pais o único candidato.

 

29 de Setembro

A Bulgária assina um armistício e abandona a Guerra.

 

12 e 13 de Outubro

Tentativa revolucionária em diversas localidades do país. É declarado o estado de emergência pelo governo, que consegue controlar a situação.

 

 

A Turquia, derrotada na Mesopotâmia (actual Iraque) e na Palestina, abandona a guerra.

 

29 de Outubro

A República da Checoslováquia é proclamada em Praga. A Húngria proclama a sua separação do Império.

 

9 de Novembro

Guilherme II, Imperador alemão, abdica.

 

11 de Novembro

O Armistício proposto pelos aliados é aceite pela Alemanha..

 

12 de Novembro

Tentativa de Greve Geral convocada pela União Operária Nacional.

 

3 de Dezembro

As Câmaras do Congresso reúnem-se para comemorar a assinatura do Armísticio. Cunha Leal, na Câmara dos Deputados, e Machado dos Santos, no Senado, criticam a política do Sidonismo em relação à participação de Portugal na guerra.

 

14 de Dezembro

Sidónio Pais é assassinado em Lisboa, na Estação do Rossio, baleado por um sargento do exército.

 

16 de Dezembro

Canto e Castro é eleito presidente da República, pelas duas câmaras do Congresso.

 

 

1919

 

 

3 de Janeiro

Manifesto da Junta Militar do Norte, do Porto, que se assume como representante do sidonismo.

 

12 de Janeiro

Movimento revolucionário, de cariz republicano, em Santarém que leva a confrontos com o exército durante alguns dias.

 

18 de Janeiro

Inicia-se a Conferência de Paz, em Versalhes, França. A delegação portuguesa é chefiada por Egas Moniz.

 

19 de Janeiro

A Monarquia é proclamada em Lisboa e no Porto. Organiza-se uma Junta Governativa do Reino dirigida por Paiva Couceiro, que declara o estado de sítio em todo o território continental. O movimento ficará conhecido por «Monarquia do Norte».

 

20 de Janeiro

Manifestações em Lisboa de apoio à República. Organização de Batalhões de Voluntários para combaterem a insurreição monárquica do Norte.

 

24 de Janeiro

A revolta monárquica é subjugada em Lisboa.

 

13 de Fevereiro

Após combates no litoral centro as tropas governamentais entram no Porto. A «Monarquia do Norte» é derrotada, terminando a Guerra Civil.  

 

1 de Março

Os analfabetos são proibidos, novamente, de participar nas eleições. A reposição desta restrição ao sufrágio, era uma reivindicação dos republicanos históricos.

 

30 de Março

Tomada de posse do governo chefiado por Domingos Pereira, do Partido Democrático. É o regresso da «República Velha».

 

11 de Maio

Eleições legislativas. O Partido Democrático ganha as eleições.

 

16 a 18 de Junho

Greve Geral promovida pela União Operária Nacional.

 

 

 

A Assembleia Nacional Constituinte de 1911

A 5 de Outubro de 1910, na sequência de um movimento militar iniciado na véspera, é proclamada a República de Portugal e constituído um governo provisório, presidido por Teófilo Braga.

O movimento republicano tinha já vindo a manifestar-se, de uma forma minimamente organizada, desde a década de 70 do século anterior; consumava-se agora o fim do poder da única instituição que, por não ser eleita pelos cidadãos, era alheia ao princípio político da soberania nacional: o Rei.

Após a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 tornou-se necessário elaborar uma constituição que estabelecesse os fundamentos do novo regime político. Para tal, foi eleita uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita num sufrágio em que só houve eleições em cerca de metade dos círculos eleitorais. O sufrágio universal foi afastado, tendo votado apenas os cidadãos alfabetizados e os chefes de família, maiores de 21 anos. Tratou-se de um sufrágio onde, pela primeira vez, se utilizou o método da representação proporcional de Hondt na conversão dos votos em mandatos, embora apenas nas cidades de Lisboa e Porto. A elaboração e aprovação da Constituição foi concluída a 21 de Agosto de 1911.

A Constituição de 1911 afastou o sufrágio censitário, não tendo, no entanto, consagrado o sufrágio universal, nem dado a capacidade eleitoral às mulheres, aos analfabetos e, em parte, aos militares. Só em 1918, com o decreto nº 3997, de Sidónio Pais, se alargou o sufrágio a todos os cidadãos do sexo masculino maiores de 21 anos. Contudo, este alargamento só duraria um ano, com a reposição do antigo regime de incapacidades regulamentado por lei especial, para a qual remetia o articulado constitucional.

O poder legislativo pertencia exclusivamente ao Parlamento, sem a possibilidade de veto por parte do Presidente da República, sendo mesmo prevista uma forma de promulgação tácita no caso de o Chefe de Estado não se pronunciar no prazo de 15 dias.

O Congresso elegia o Presidente da República, podendo igualmente destituí-lo, sem que o Presidente tivesse, na versão original da Constituição, o direito de dissolver as 2 câmaras. Só mais tarde, com a revisão constitucional de 1919, foi atribuído ao Presidente da República o poder de dissolução, condicionando-o à prévia audiência do Conselho Parlamentar.

Após a aprovação da Constituição, a Assembleia Nacional Constituinte elegeu o primeiro Presidente da República por sufrágio secreto e transformou-se no Congresso da República, desdobrando-se na Câmara dos Deputados e no Senado, nos termos previstos nas disposições transitórias do texto constitucional de 1911.

Os 71 senadores foram assim eleitos de entre os deputados constituintes, maiores de 30 anos, num sistema de eleição por listas, de forma a procurar assegurar a representação de todos os distritos. Os restantes 152 membros da Assembleia Constituinte constituíram a Câmara dos Deputados.

O mandato destas duas Câmaras terminou com a eleição, em 1915, do Congresso da República nos moldes previstos na Constituição.

 

 

Os partidos políticos no período da 1ª República

 

Os condicionalismos políticos resultantes da Revolução de 1910 levam a que o único partido representado na Assembleia Constituinte seja o Partido Republicano Português. Das diversas formações políticas que deste irão emergir destaca-se o Partido Democrático, que viria a ser dominante nos anos seguintes, embora outros como o Partido Evolucionista e o Partido Unionista tivessem uma consistência estatutária relevante.

O Partido Democrático é o vencedor sistemático das eleições para o Congresso da República (com excepção das que se realizam em 1921) e assume uma presença dominante na administração do Estado, limitando o acesso ao poder de outras forças partidárias, a não ser em coligações efémeras. A dinâmica do sistema de governo é perturbada pela dificuldade do Partido Democrático em estabelecer alianças amplas no Parlamento e satisfazer exigências sociais prementes, resultantes da alteração da vida económica e social trazida pela participação de Portugal na primeira Guerra Mundial. Vão-se gerando movimentos de contestação nas margens do regime, onde começam a surgir apelos à regeneração nacional.

Em 5 de Dezembro de 1917 triunfa uma revolta militar chefiada por Sidónio Pais, com o apoio do Partido Unionista, que instaura uma ditadura militar. Um Decreto de 1918 previa, em parte, a adopção de um sistema de governo presidencialista. Constituiu-se o Partido Nacional Republicano (mais tarde designado por Nacionalista), vencedor das eleições ao Congresso em 1918, onde se manteve uma forte minoria de monárquicos e católicos.

Depois do assassinato de Sidónio Pais, em 1918, seguiu-se uma grave crise política em que se defrontaram Republicanos e Monárquicos. O controle da situação pelos Republicanos só vem a dar-se em Março de 1919, enfrentando graves problemas económicos e sociais a nível nacional e internacional. A década de 20 é marcada por sucessivas alterações de governo, rivalidades entre as alas esquerda e direita do Partido Democrático, o receio contra os apoiantes do anarquismo e do bolchevismo, uma crescente simpatia do Exército pelas soluções autoritárias. A ditadura viria a ser instaurada na sequência do movimento militar de 28 de Maio de 1926 que dissolveu o Parlamento.