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Bibliografia
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A PRIORI / A POSTERIORI
Segundo Kant, são a priori os elementos do conhecimento (intuições,
conceitos, juízos) independentes da experiência. Assim, por exemplo, a
proposição "todos os corpos são extensos" é uma afirmação necessária e
universalmente verdadeira (os juízos a priori são
universais e necessários), existam corpos ou não; é uma verdade
que não depende da experiência. O conhecimento é a posteriori quando só
é possível através da experiência.
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Ver o texto Kant: apriorismo e
criticismo
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ACTO
(Em redacção). O conceito de acto é, com o de potência, um
dos conceitos centrais da filosofia de Aristóteles.
Constituem ambos uma tentativa de explicar o movimento enquanto devir. A
mudança de um "objecto" só é inteligível se houver nele uma "potência" de
mudar: a mudança é a passagem de um estado de potência ou potencialidade a
um estado de acto ou actualidade -- a passagem da potência de ser algo ao
acto de o ser. Utilizando exemplos de Aristóteles: uma estátua (acto) está
em potência na madeira; o ser que não especula, embora tenha a faculdade de
especular, é um sábio em potência. O acto é, então, a realidade do ser.
A potência, entende-a Aristóteles sobretudo em dois sentidos: como o poder
que uma coisa tem de produzir uma mudança noutra coisa -- e (o significado
mais importante para a Metafísica
de Aristóteles) como a potencialidade residente numa coisa de passar a outro
estado.
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ACTUAL
Diz-se do que está em acto, por
oposição ao que está em potência.
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AGNOSTICISMO
(Em redacção). O termo agnosticismo foi usado a primeira vez em
1869 por Th. H. Huxley com o significado de "renúncia ao saber" -- renúncia
a saber as coisas que se não podem saber por estarem para além das
possibilidades do conhecimento científico (para além da experiência).
Normalmente chama-se
agnóstico a quem se abstém de qualquer juízo sobre as proposições
religiosas, por as considerar inacessíveis à razão humana.
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ÁGORA
Praça pública (da Grécia antiga), onde fervilhava a vida social da cidade
grega: nela se situava o mercado que depois passou a ser o centro político,
cívico e religioso da cidade. Ficou célebre a ágora de Atenas.
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AGRESSIVIDADE
A noção de agressividade corresponde à violência que o sujeito se faz a si
próprio. Consciente ou inconsciente a agressividade é ambígua.
Pode nascer de uma necessidade vital, em ligação com o
instinto de
vida; pode também vir de uma pulsão destrutiva, o instinto de morte. Para
Anna Freud, é a disjunção entre estes dois instintos que provoca a
agressividade. Por outras palavras, as forças agressivas podem alimentar os
impulsos sexuais, ajudá-los a atingir o seu fim; tornam-se, então,
construtivas, possessivas. Noutra hipótese, as forças agressivas contrariam
esses impulsos sexuais e tornam-se prejudiciais e dissimuladas. A
agressividade oculta, provocada pelos complexos, pelas
neuroses,
pode ser detectada pelos métodos projectivos (testes). A agressividade
patológica manifesta-se sob uma forma violenta no epiléptico, de forma fria
no paranóico. Encontra-se por vezes em numerosos estados mórbidos,
nomeadamente nos concernentes à afectividade." (AAVV - dicionário de
psicologia. Lisboa: Verbo, 1978).
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ALMA
(Em redacção).
Ver também Amor, Corpo,
Destino e Imortalidade.
No seu diálogo
O Fédon,
Platão recorda os últimos momentos de Sócrates.
Este vai abordar com os seus discípulos o problema da
imortalidade
da alma. A filosofia
aparece como uma aprendizagem da morte. Em O Fédon de Platão a aluna Ana Raquel analisa
criticamente as teses defendidas neste diálogo.
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AMOR
1. Tendência de se unir com o outro, isto é, possuí-lo de modo contínuo,
ou formar um todo com ele (ex.: "amor a Deus"). 2. Em
Platão: aspiração ao belo
e ao bom, isto é, ao absoluto; o amor é por
excelência o motor da filosofia, definida à
partida como «amor à sabedoria». 3. Em Kant,
é preciso distinguir duas formas de amor: o amor patológico, ligado à nossa
sensibilidade e interesse, e o amor prático, preocupação verdadeira e
desinteressada pelo bem do outro. 4. Em Freud:
cf. Eros.
Afirmando que o amor é a principal motivação da filosofia (O Banquete), Platão
descobre o lugar central deste conceito. Mas convém distinguir cuidadosamente
o amor egoísta e possessivo que persegue o outro como um objecto a devorar ("o
amante ama o amado como o lobo ama o cordeiro", escreve Platão) e o amor
autêntico que liberta do sofrimento e do desejo e
conduz a alma ao banquete divino. Pois o amor
verdadeiro – rapidamente saciado pelos alimentos sensíveis – só pode ser
satisfeito pela contemplação, para além do belo, do
verdadeiro e do bem. A
tradição filosófica retomará de um modo geral esta oposição entre o
amor-paixão (egoísta) e o amor-acção (altruísta), desde os
estóicos que condenam sem apelo o amor-paixão,
a Kant que demonstra que só o "amor prático" é moralmente aceitável, enquanto
o "amor patológico" (impossível de controlar) é desatino e desprezo pelo
outro. Todavia é possível pôr em causa esta dicotomia e defender "que existe
entre a consciência moral e a consciência amorosa uma afinidade secreta" (Alain
Finkiekraut, La Sagesse de l’amour)".
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ANALOGIA (Em
redacção). ||| Raciocínio: analogia, indução e dedução é o título
de uma das rubricas da unidade
lógico-argumentativa do programa de
Introdução à Filosofia do 11º ano.
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ANGLICANISMO (Em
redacção). Conjunto das doutrinas e instituições da Igreja Anglicana,
Igreja oficial da Inglaterra. Resultado da ruptura de Henrique VIII
com Roma, mistura a liturgia católica
com a doutrina luterana e reformista, adoptando da Igreja calvinista a sua
doutrina eucarística e da luterana, a sua doutrina da redenção.
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APOLO (Em redacção). Segundo a mitologia
grega, Deus da música, da medicina e da luz. Nietzsche
(A Origem da Tragédia) distingue dois princípios fundamentais da vida,
o apolíneo e o dionisíaco,
que correspondem aos deuses gregos Apolo e Dionísio. O apolíneo, a imagem
clássica da Grécia, simboliza a serenidade, a claridade, a medida, o
racionalismo.
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APORIA
Reconhecimento por parte de todos os interlocutores
da impossibilidade de definir a noção em debate. "Impasse do pensamento. O
raciocínio aí conduz quando nenhuma solução é possível. Sócrates conduz muitas
vezes os seus interlocutores a aporias para os fazer mudar de problemática. Em
Platão, um diálogo aporético é aquele que leva a uma impossibilidade de
conclusão acerca do problema colocado." (ROBERT, François - Os termos
filosóficos. 2ª ed. Mem Martins : PEA, [1995]. vol. 1.
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ARGUMENTO
Raciocínio mais
ou menos desenvolvido cujo objectivo é provar ou refutar uma proposição ou uma
tese.
Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor
os seus preconceitos de uma forma nova. É por isso que muita gente considera
que argumentar é desagradável e inútil, confundindo argumentar com discutir.
Dizemos por vezes que discutir é uma espécie de luta verbal. Contudo,
argumentar não é nada disso.
Argumentar quer dizer
oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados
favoráveis a uma conclusão. Argumentar não é apenas a
afirmação de determinado ponto de vista nem uma discussão. Os argumentos são
tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões. Neste
sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais.
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ARQUIMEDES (Siracusa, 287 a.C.-212 a.C.) Sábio grego, autor de uma obra científica considerável.
Formulou o famoso Princípio ou teorema de Arquimedes. Um dos
princípios fundamentais da hidrostática, enuncia-se assim: Todo o corpo
submerso num fluido recebe um impulso, de baixo para cima, igual ao peso do
fluido deslocado pelo corpo.
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ASSIMILAÇÃO
Sobre o significado deste conceito para
Piaget, ver o
texto Perspectiva
psicogenética da actividade cognitiva.
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ASTROBIOLOGIA Há
séculos que os cientistas pensam na vida para além da Terra, mas nunca tiveram
a certeza de como haveriam de designar o seu estudo. Houve vários proponentes
que sugeriram bioastronomia, exobiologia e cosmobiologia, estabelecendo
óptimas distinções entre estas actividades de nomes tão sonantes. A
astrobiologia, como foi definida pela NASA num grande encontro de que Morrison
[David Morrison, director espacial do Ames Research Center da NASA] foi
co-presidente no ano passado, tem por objecto reunir todas estas correntes de
pensamento ou apenas algumas. No encontro foi decidido que era da competência
da astrobiologia responder a duas questões científicas fundamentais: 'Como
começa e se desenvolve a vida? e 'Existe vida noutros pontos do universo?' Há
depois uma interrogação de índole mais especulativa: 'Qual é o futuro da vida
na Terra e para além dela?
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ATARAXIA Do grego
ataraxia: «impassibilidade». Introduzido por Demócrito, e utilizado
sobretudo pelos epicuristas e estóicos, o termo significa tranquilidade da
alma -- ausência de perturbação.
Os
estóicos
identificam a ataraxia com a apatia, isto é, a serenidade intelectual,
o domínio de si, o estado da alma que se tornou estranha às desordens das
paixões e insensível à dor, rejeitando a procura da felicidade; já que as
"coisas" não podem ser de outro modo, o mais sensato é acomodarmo-nos.
Os
cépticos e
os epicuristas
procuram o mesmo através da ataraxia, atitude que, sem renunciar à amizade, à
compaixão, ao prazer ou à dor, não permite a perda do equilíbrio espiritual.
Epicuro
entende que se chega à felicidade pelo prazer, mas, porque alguns prazeres se
revelam nefastos, é necessário fazer uma "triagem", rejeitando aqueles que não
são naturais ou não são necessários à nossa paz: o prazer é, então, ausência
de perturbações passionais da alma -- a ataraxia. O homem sem paixões é o que
é/está em si e para si: "estar fora de si" (o homem colérico, diz-se, é o que
está fora de si) é a expressão que traduz o estado contrário à
ataraxia.
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AUSCHWITZ (em polaco, Oswiecim). (Em redacção). Cidade polaca onde os alemães criaram
um dos maiores campos (42 km2) de extermínio (1940-1945). Nele terão morrido,
em câmaras de gás e fornos crematórios concebidos à escala industrial, cerca
de 4 milhões de polacos e de judeus de todos os países ocupados.
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AXIOMA Tradicionalmente, um axioma era encarado como uma
proposição
evidente, da qual outras proposições poderiam ser derivadas recorrendo a meios
adequados. Era neste sentido que Euclides
entendia os seus axiomas. Hoje em dia, em termos técnicos, um axioma é uma
proposição de um sistema formal que não é derivável, nesse sistema, a partir
de qualquer outra proposição (supondo a independência do sistema em causa),
contrastando por isso com os teoremas, que resultam dos axiomas pela aplicação
de regras de inferência Ver
Sistema e Teorema.
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