Ponto de interrogação

 

Ponto de interrogação ( ? )

 Como o próprio nome indica, o ponto de interrogação é usado para indicar perguntas. É um sinal de fim de frase como o ponto final. Além de delimitar a frase, marca-a também como frase interrogativa directa. Nas frases interrogativas indirectas a estrutura frásica é afirmativa e por isso termina com ponto final. A interrogativa directa coincide, na maior parte dos casos, com a estrutura frásica das frases afirmativas. C'

Ex. : O João foi nomeado para receber o Prémio Nobel.l'

O João foi nomeado para receber o Prémio Nobel?

Em frases interrogativas com pronomes interrogativos, o pronome antecipa-se na frase quer seja sujeito, complemento directo, ou complemento circunstancial, etc. Pode apenas ser precedido de preposição. ,

Ex.: Quem tem medo de Virgínia Woolf?

Que fazes num dia de chuva ?

Onde vais buscar as tuas ideias?

De que são feitos os sonhos?

 O ponto de interrogação pode ainda ser usado entre parênteses para indicar dúvida em relação à ideia que o antecede.

Ex.: Excluem-se visitas a museus e despesas de carácter pessoal. (?)

Nesta frase, o ponto de interrogação significa que as despesas de carácter pessoal, não estando especificadas, se podem entender de maneira diferente, conforme o leitor. Devido à imprecisão desta regra, o seu uso é principalmente indicado em escrita de registo informal e em apontamentos pessoais ou correcções.

O ponto de interrogação circunscreve-se a determinadas funções na escrita. Por isso marca os textos onde é usado.

É mais frequente em transcrições de entrevistas e diálogo, menos frequente em escrita de carácter formal em que só é usado para chamar a atenção para ideias de particular importância. Por exemplo, podemos mencionar perguntas retóricas, favoritas como técnica de apresentação de ideias em introduções, em pontos climácticos do texto ou em conclusões.

Pelo seu carácter expressivo, o ponto de interrogação é frequente em frases com estrutura específica. Ora ocorre com inversão do sujeito,

Ex.: Não sabia eu que menina, vinha, peral e faval são maus de guardar?

(Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas, p. 125)

 Ora com frases incompletas em que os outros elementos são subentendidos

Ex. : Concorres?

 Por vezes ocorre concomitantemente com outros sinais de fim de frase. Ocorre com ponto de exclamação, ora precedendo-o

Ex.: A serra da Forca é longe e é feia. Tem pasto, mas de que vale?!

(Miguel Torga, Novos Contos da Montanha, p.1 04)

ora seguindo-o.

Ex.: -Eu ando a ver se o livro das enrascadas que arranja por sua má cabeça e dá-me o pago. Por bem fazer, mal haver.

-Que enrascadas!?

(Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas, p.170-171)

Ocorre com reticências.

Ex.: -Então é Portugal, hem?.. Cheira bem.

(Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, p. 129) Ocorre com reticências e ponto de exclamação.

Ex.: Uma vez, lembra-me como se fosse ontem, vinha eu

das Antas, aconteceu-me tropeçar com ele na serra da Lapa, botados ambos lá de baixo do vale do Távora. Vossorias conhecem aquelas serranias onde Nossa Senhora apareceu a uma pastorinha de gado, que era muda... ?!

(Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas, p.132)

Não ocorrem com ponto final, vírgulas ou os restantes sinais de pontuação.

No entanto, podem ocorrer perguntas em série.

Ex.: Não voltou mais.

A que ilha indescoberta

Aportou? Voltará da sorte incerta Que teve?

(Fernando Pessoa, Mensagem, p. 71 )

Perguntas em série podem usar um só ponto de interrogação, separando-se as frases por vírgulas.

EXERCÍCIOS

Corrija as frases que considerar erradas, quer adicionando quer omitindo pontos de interrogação.

1. Que formação profissional para o ano 2000.

2. Quantos anos viveu num país estrangeiro?

3. Não estará a exagerar um pouco.

4. Dois e dois são quatro.

5. A cavalo dado não se olha o dente?

6. De todos os presentes, quem é capaz de atirar a primeira pedra.

7. Aonde vamos neste ritmo.

8. A Sofia indagou incrédula: -A Joana.

9. Por te cansares tanto, nunca pensaste consultar um cardiologista.

10. O entrevistador perguntou ao guerrilheiro se o apoio económico recebido do estrangeiro os motivava a prosseguir a luta.

11. Com certeza já alguma vez perguntou a si própria a razão de tantos sucessos.

12. É estranho, mas parece que ninguém o ouve.

13. A testemunha do acidente aproximou-se e perguntou se podia ajudar.

14. As crianças perguntarão de imediato: -Se Deus fez tudo, quem fez Deus?

15. Vasco da Gama demorou dois anos achegar à índia. Ou três. Ou um e meio?

16. Quantas vezes se começa um quadro com uma ideia condutora que desemboca noutra totalmente diferente!

17. Quantos somos.

18. Hoje é dia dos teus anos. Então, vamos celebrar? 19. Diz-me com quem andas.

20. Será que a ideia não o seduz.

Voltar ao início