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1. O ponto tem várias funções. A mais importante é delimitar frases, pois indica o fim de frase. Além desta função primordial, o ponto é ainda usado em abreviaturas, para indicar entradas em listas e separar números em datas.
O ponto delimita frases como auxiliar indicador da estrutura frásica na escrita, indicando o fim de uma frase completa. Definindo uma frase completa: pode ser a uma só palavra quando essa palavra é um verbo incluindo a inflexão do sujeito; quando se trata de um verbo transitivo ou de significação indefinida, o verbo terá de ser seguido do complemento directo ou do nome predicativo para completar a frase. Além dos elementos essenciais, a frase poderá ainda incluir elementos acessórios como os complementos circunstanciais, o atributo ou aposto.
Ex.: Isto vai ser bom.
Certos autores distinguem entre ponto e ponto final, considerando ponto final o ponto do fim do texto. De facto, existe uma expressão oral que poderá apoiar esta diferença.
Ex.: Não se fala mais nisso e ponto final.
Expressão semelhante pode ser atestada em Eça de Oueirós, A Cidade e as Serras (p. 224): "Sou o último Jacinto, Jacinto ponto final."
Ponto final significa conclusão. Certos autores entendem o ponto final como final de frase. Neste caso 1., seguem-se sempre ao ponto dois espaços em dactilografia.
2. O ponto indica abreviaturas.
Ex.: Ex.mos Srs.
Esta regra não é extensível a siglas, cujas letras não devem ser separadas por ponto, como no caso da sigla CEE.
3. O ponto aparece, em muitos casos, erradamente, a separar números em datas.
Ex.: 09.09.1990
Segundo a NP-950 de 1984, os elementos na representação numérica de uma data (ano-mês-dia, por esta ordem), devem separar-se por travessões, por um espaço ou não serem separados.
Ex. : 1990-09-09 ou 1990 09 09 ou 19900909
De acordo com uma regra antiga, usava-se o ponto para separar números por milhares. Actualmente, seguindo as regras de normalização, deixam-se apenas espaços a partir das dezenas de milhar .
Ex. : 9000 mas 10 000
4.O ponto separa entradas em listas.
5. Indica o fim de uma entrada bibliográfica.
Ex.: Costa, Maria, 1984.
Paragraph cohesion: a comparison of Portuguese
and English. University of South Carolina thesis.
Exercícios
A. Use ponto onde for necessário.
1. Vejam só como a Sara consegue fazer a espargata!
2. Ontem perguntaram-me de quem era o cão barulhento que ladra toda a noite
3. Como se chama o teu irmão?
4. A escrita foi usada cerca de 5000 aC
5. A UNESCO foi especialmente criada para desenvolver a educação no mundo
B. Acrescente os pontos finais.
O planalto passa por Janeiro como por um sonho muito longo adormecido e quieto debaixo da neve que estende uma cortina branca incerta e fosca do lado de fora das janelas abafa os sons e esbate os contornos cai ininterruptamente e em silêncio no som de um aviso sem mensagem um sobressalto aleatório como se os elementos sugerissem sem no entanto o afirmarem peremptoriamente que continuamos minúsculos diante da força deles criaturas frágeis e nuas por momentos iludidas com um simulacro de domínio sobre o mundo a neve mete-me medo tudo na vida das pessoas que aqui decidiram construir as suas casas e enraizar as suas famílias se tem que alterar pelo prazo de alguns meses sair de casa passa a ter um significado diferente guiar passa a ser uma poderosa aventura solitária gestos quotidianos que sempre pensámos destituídos de peso tornam-se bruscamente actos a ponderar com demora jornadas de alta complexidade que se planeiam com avanço é muito estranho
(Clara Pinto Correia, Marie Claire, Fevereiro, 90, p. 127)
C. Comente a utilização de pontos no texto seguinte.
Chegaram a Lisboa ao cair da tarde, na hora em que a suavidade do céu infunde nas almas um doce pungimento, agora se vê como tinha razão aquele admirável entendedor de sensações e impressões que afirmou ser a paisagem um estado de alma, o que ele não soube foi dizer-nos como seriam as vistas nos tempos em que não havia no mundo mais que pitecantropos, com pouca alma ainda, e além de pouca, confusa. Passados tantos milénios, e graças ao aperfeiçoamento, já pôde Pedro Orce reconhecer na melancolia aparente da cidade a imagem fiel da sua própria tristeza íntima. Habituara-se à companhia destes portugueses que o tinham ido procurar às inóspitas paragens onde nascera e vivia, agora não tarda que devam separar-se, cada um para seu lado, nem as famílias resistem à erosão da necessidade, que fariam simples conhecidos, amigos de fresca data e tenras raízes.
(José Saramago, A Jangada de Pedra, p. 93)