Alguns apontamentos sobre a obra de Luís de Sttau Monteiro – Felizmente Há Luar!

A acção
A intencionalidade da obra
O paralelismo histórico
As personagens
Os símbolos

 

A acção / a tragédia

A acção: o protagonista, General Gomes Freire de Andrade, e a sua execução: da prisão à fogueira, com descrições da perseguição dos governadores do Reino, da revolta desesperada e impotente da sua esposa e da resignação do povo que a "miséria e a ignorância" dominam.

A figura central é o general Gomes Freire de Andrade "que está sempre presente embora nunca apareça" (didascália inicial) e que, mesmo ausente, condiciona a estrutura interna da peça e o comportamento de todas as outras personagens.

A defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Como consequência, a prisão dos conspiradores provocara o sofrimento (páthos) das personagens e despertará a compaixão do espectador.

O crescendo trágico, representado pelas diversas tentativas desesperadas para obter o perdão, acabará em clímax, com a execução pública do General Gomes Freire e dos restantes presos.

Este desfecho trágico conduz a uma reflexão purificadora (cathársis) que os opressores pretendiam dissuasora, mas que despertou os oprimidos para os valores da liberdade e da justiça.

 

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A intencionalidade da obra

Quando iniciámos o estudo do modo dramático, referimo-nos à intenção do autor ao conceber a sua obra, indicando as funções crítica, social, moralizadora, didáctica e lúdica como inerentes à obra de teatro.

Sendo Felizmente Há Luar! Uma peça de teatro, certamente que também veicula uma intenção, até porque, tratando-se de uma obra de um dramaturgo da década de 60, enquadra-se no conjunto das peças que evidenciam uma função social e um empenhamento ideológico. Daí dizermos que ilustra a doutrina do chamado teatro épico, de participação política, preconizado por Brecht.

Servindo-se de uma metáfora (século XIX) para atingir o presente (século XX), Felizmente Há Luar! revela uma dupla intenção crítica: à sociedade oitocentista (1817), feita de uma forma clara e bem explicita, e à sociedade da época de 60 (1961), feita de uma forma camuflada, através da técnica de distanciação. É com ela que Sttau Monteiro obriga o leitor-espectador a analisar e a reflectir sobre a situação política, social, económica e cultural do seu país, nomeadamente sobre o regime opressivo vigente que se fazia notar através das injustiças, das condenações e das torturas de todos aqueles que não comungavam das ideias salazaristas. É notória a preocupação do autor em despertar as consciências, levando o espectador a ser um agente de mudança, que reage criticamente e que toma decisões.

 

 

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Paralelismo entre o passado e as condições históricas dos anos 60 : denúncia da violência

 

Em Felizmente Há Luar! é feita a análise crítica da sociedade portuguesa do primeiro quartel do século XIX, com o objectivo de levar os leitores / espectadores a reflectirem sobre a situação portuguesa actual (1961, ano de escrita da peça e, de um modo geral, durante todo o período do fascismo).

Eis um quadro exemplificativo das duas épocas, tendo em conta as duas classes que se apresentam dicotomicamente: o povo e a classe governante.

                                                                           

Tentativa  de implantação do regime liberal em Portugal

 

- primeiro quartel do século XIX

A ditadura salazarista

 

 

- década de 60 (século XX)

O Povo

 

As figuras populares vivem em péssimas condições (“dormem estendidas no chão”; “uma velha, sentada num caixote, cata piolhos a uma rapariga nova”; Manuel anda “andrajosamente vestido”)

 

 

Idêntica situação se verifica no país

 

Manuel, símbolo da consciência popular, tenta participar numa conspiração destinada a romper com o regime vigente

 

 

Durante a ditadura salazarista houve também exemplos de antifascistas que sempre desejaram a liberdade, apesar da forte repressão

 

 

Denunciantes hipócritas e sem escrúpulos que tentam impedir a união popular em torno do general Gomes Freire de Andrade (Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento)

 

 

Dentro das camadas populares também havia indivíduos que compactuavam com o regime opressor, denunciando elementos da mesma classe, a fim de obterem determinados benefícios

 

 

Dois polícias (“iguais a tantos outros”) que tentam dispersar o povo

 

A polícia e a PIDE, ao serviço do regime, através da repressão, conseguiam impedir a coesão nas camadas populares

 

As classes dominantes que exploravam e oprimiam o Povo

 

Elementos constituintes do Governo:

. Marechal Beresford, um inglês

. Principal Sousa, um padre

. D. Miguel Pereira Forjaz, um nobre

 

A mesma trindade surge a explorar o povo

 

Apesar de diferentes, unem-se para sobreviver e manter os seus privilégios, nem que para isso seja necessário matar

 

 

Aqui reside a função da PIDE, ao serviço do Governo

 

Apesar da ausência de provas para condenar Gomes Freire de Andrade, aniquilam-no

 

 

O mesmo sucede, pois o grande objectivo era silenciar todos os indivíduos “perigosos” ao regime

 

Mas

 

A força de Matilde, aquando da imolação de Gomes

 Freire de Andrade, serve de estímulo à revolta contra a tirania dos governantes (“Julguei que era o fim e afinal é o princípio.”)

 

 

As sucessivas condenações e execuções intensificam a vontade de lutar nas classes dos explorados

 

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Este paralelismo é até visível entre as personagens  intervenientes na peça e individualidades do século XX, década de 60.

Assim:

 

Gomes Freire e os outros onze condenados

 

General Humberto Delgado e os outros presos políticos

 

 

Principal Sousa

 

 

Cardeal Cerejeira  e a posição da igreja em Portugal

 

 

Beresford

 

 

Influência / ajuda estrangeira ao regime, particularmente a inglesa, que tinha interesses económicos, mesmo consciente do regime ditatorial

 

 

D. Miguel Pereira Forjaz

 

 

A burguesia dominadora que deseja manter o poder económico e social

 

 

Vicente / Andrade Corvo / Morais Sarmento

 

 

Os delatores ou “bufos” que, em geral, melhoram a sua condição social através da denúncia

 

 

Os dois polícias

 

 

A polícia e a PIDE

 

Matilde

 

 

As mães, esposas, irmãs dos presos políticos que, lentamente, vão tomando consciência da situação política e que hesitam  entre salvar o familiar ou defender o povo

 

 

Manuel / Rita / Antigo Soldado / Outros populares

 

 

As pessoas que acreditam em Humberto delgado, mas que não intervêm e são marcadas pelo desespero

 

 

Sousa Falcão

 

 

O amigo do preso político que, mesmo consciente da situação, não ousa intervir por medo de represálias

 

 

Frei Diogo de Melo

 

 

A facção da igreja que está consciente da situação (grupo da Tribuna Livre, 1968)

 

 

Tribuna Livre – grupo de padres, criado em 1968, que se reunia mensalmente, a fim de trocar ideias, informações e reflexões sobre a situação que se vivia em Portugal na época. Começou em Lisboa e cedo se espalhou ao resto do país.

As iniciativas de oposição à ditadura e à guerra colonial multiplicavam-se por todo o território nacional e mesmo no interior da Igreja.

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As Personagens

 

Se procedermos a uma leitura metódica da obra, constatamos a existência de uma problemática social, baseada em duas forças de acção (a favor da mudança e contra ela), envolvidas num determinado espaço e num determinado tempo.

Não podemos alhear-nos do facto de Felizmente Há Luar! Constituir, obviamente , a verdade de Luís de Sttau Monteiro (que não é objecto da nossa análise), que a faz chegar até ao leitor – espectador através das personagens e das suas acções, transformando-se ao longo da história em sinais, em símbolos.

A análise dessas personagens, que apresentamos a seguir, parte de uma hierarquia social, assente em três grandes grupos sociais:

 

Os governadores          D. Miguel Forjaz

     do reino                  Principal Sousa

                                    Beresford


 

                              Morais Sarmento

Os delatores         Andrade Corvo

                              Vicente

 


 

                        Manuel                  os mais conscientes

O povo             Rita

                        Vicente                        o traidor da sua classe

                        Antigo Soldado

                        Dois polícias

                        Primeiro Popular                grupo anónimo

                        Segundo Popular

                        Terceiro Popular

                        Uma velha

                        Uma Voz

 

 

Nota: Não englobamos nesta hierarquia o general Gomes Freire de Andrade, Matilde e Sousa Falcão porque formam um grupo à parte, destacado.

 

Os governadores do reino

Representam o poder político e a fragmentação nele existente: Principal Sousa o poder da Igreja, Beresford o poder dos oficiais ingleses e D. Miguel o poder da nobreza.

D. Miguel Forjaz revela um carácter prepotente e corrupto, representante da classe da nobreza, sujeita ás imposições estrangeiras pelo facto de D. João VI estar ausente do reino. Orgulhoso da sua origem nobre, despreza o povo, demonstrando assim um carácter antipopular. É um homem de carácter calculista, prepotente, o protótipo do tirano que se opõe ao progresso por razões meramente pessoais. Defensor do absolutismo, sente-se ameaçado pelas ideias de liberdade. É um homem de gabinete, que exerce o poder com prepotência, sentindo-se ameaçado pela figura de Gomes Freire, seu primo, pois reconhece nele qualidades que não possui.

Principal Sousa é um representante da igreja que defende um Deus feito à imagem e semelhança dos homens. Pretende manter o povo na ignorância para poder exercer a sua tirania. Preocupam-no também as ideias revolucionárias, oriundas de França, uma vez que a sua divulgação poria em causa o poder eclesiástico. É cúmplice e comprometido com o poder, aspecto evidenciado no seu diálogo com Beresford. Revela ser hipócrita e falso, quando demonstra uma preocupação não sincera em relação à condenação de um inocente.

 

Nota: Matilde, ao desmascará-lo, acaba por caracterizar toda a Igreja e os seus falsos princípios.

 

Beresford representa o domínio do exército inglês em Portugal. Revela preocupação em denunciar e castigar os traidores. É autoritário e detentor de grande poder. É irónico, pelo tom jocoso quando se refere a Portugal; país em relação ao qual assume uma posição de superioridade. Quando fala com Matilde revela-se um homem trocista e insensível. Adopta uma atitude de antipatia relativamente ao catolicismo caduco e ao incompetente exercício do poder. Pretende acabar com a possível conspiração de Gomes Freire de Andrade, não por razões nacionais ou militares mas sim pessoais, nomeadamente a manutenção do seu posto e da sua renda anual.

 

Nota: Beresford apresenta ao longo da acção um tom sarcástico e autoritário, manifestando um certo desprezo pelos seus companheiros governantes.

 

Os delatores

 

Representam os denunciantes que vendem informações ao Poder em troca de dinheiro. Homens sem escrúpulos, de personalidades mesquinhas, que não respeitam os seus próprios códigos morais.

 

Morais Sarmento, um capitão do exército, atormenta-se com o facto de o poderem rotular de traidor.

 

Andrade Corvo, um oficial, pensa apenas no dinheiro que irá receber, não se preocupando com aquilo que dele poderão dizer.

 

Vicente surge enquadrado no grupo dos delatores, uma vez que se trata de uma personagem que numa primeira fase pertence a um grupo (povo) e posteriormente passa para outro (delatores).

Trata-se, portanto, de uma personagem modelada, que revela evolução.

Inicialmente, vive as mesmas dificuldades, a mesma miséria e o mesmo terror dos seus companheiros de classe, mas, graças á sua astúcia, ganha a confiança dos governadores. Renega as suas origens, mostrando-se frustrado por ser um elemento da trapeira (quando fala com o Primeiro polícia). Tem consciência das injustiças sociais, mas a ganância em subir mais alto, mesmo sem olhar a meios, é mais forte. Apresenta um tom de voz irónico, fingindo interesse e piedade pelos seus “irmãos”, quando toma consciência do perigo das suas palavras ao renegar a “cambada” a que pertence. Mostra-se falso nas palavras, nas atitudes e nos gestos que encena e estuda como se fosse um membro da nobreza, à qual desejava ter pertencido. Pretende a promoção social, facto que vai fazer dele um delator, mesmo que para isso tenha de trair a confiança do povo. Francamente ambicioso, mostra-se altivo e insensível para com os da sua classe, quando passa a “chefe de polícia”, como diz o Primeiro Popular aos seus amigos. É um homem sem escrúpulos, como tantos outros, que se perdem pelo preço de um emprego, perdendo a sua dignidade.

 

O povo

 

Enquanto personagem colectiva, abstractizada, constitui o pano de fundo da acção dramática.

É a vítima de um regime opressor e absolutista, a classe explorada, que vive na ignorância, na miséria e na desilusão.

 

Nota: Manuel é um elemento do povo que vive sob a opressão do regime instaurado, contudo consciente da injustiça em que vive, ainda que impotente para mudar a situação. Simboliza, assim, a desilusão, a frustração daqueles que alimentam a chama da liberdade, todavia interceccionada pelo poder da corrupção.

 

Os amigos do general Gomes Freire de Andrade

 

Como já dissemos, formam um grupo destacado, revelando-se ao longo da acção fiéis aos seus valores e a si próprios, e unidos pela fidelidade e amizade a Gomes Freire.

 

Matilde, mulher de Gomes Freire e sua amiga, é uma personagem forte, com grande densidade psicológica, combativa e extremamente apaixonada.

Não surge no primeiro acto de peça e podemos dizer que é a figura central do segundo acto, uma vez que é ela que vai tentar salvar Gomes Freire da condenação, tentando tudo ao seu alcance para o tirar da prisão.

Verificamos que é uma mulher sofrida, angustiada pelo facto de o marido estar preso injustamente, chegando mesmo a contestar os valores que defendia, tal era o seu desespero.

Estamos perante uma personagem carregada de simbologia, que luta por causas perdidas – a justiça, a lealdade, a valentia. Esse simbolismo é evidente na cor da saia que tem vestida no fim da peça, aquando da execução de Gomes Freire – possivelmente a imortalidade e a esperança numa sociedade mais justa.

Na sua condição de mulher digna e lutadora, enfrenta heroicamente, recorrendo à hipocrisia e ao sarcasmo, os membros da Igreja, na pessoa de Principal Sousa, pondo a nu os vícios de toda uma classe – o clero.

Matilde atinge o auge do seu sofrimento quando, num longo discurso, carregado de intensidade dramática, questiona o Deus redentor.

 

Sousa Falcão é um amigo fiel do general Gomes Freire e de Matilde. Tal como Matilde, também só surge no segundo acto, acompanhando-a no seu sofrimento.

Mostra-se solidário com Matilde, nomeadamente quando esta decide ir falar com os governadores.

Nutre uma grande admiração pelo general e pelos princípios que defende. A morte leva-o a reflectir sobre si próprio, pois a sua falta de coragem e a sua cobardia distinguem-no do amigo.

 

General Gomes Freire de Andrade é a personagem central da peça, embora ausente fisicamente. O que sabemos sobre ele é através das outras personagens, que nos seus diálogos, discutem a figura do general. Assim, para os populares ele é um herói de grande coragem e justiça. Para Matilde e Sousa Falcão é um amigo, honesto, destemido, corajoso; aquele que luta pelos seus ideais, enfrentando o poder instituído. Para os governadores é uma ameaça ao poder absolutista, pelas suas ideias liberais, e até mesmo pela firmeza de carácter, que estes não possuem. Constitui, em suma, um “alvo” a abater.

É amado pelo grupo de personagens que aspiram à liberdade, à abolição do regime absolutista instituído, e odiado por aquelas que vêem a sua presença como uma ameaça aos privilégios até então obtidos.

 

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Os símbolos

 

1 – A saia verde

- A felicidade – a prenda comprada em Paris (terra da liberdade), no Inverno, com o dinheiro da venda de duas medalhas;

- Ao escolher aquela saia para esperar o companheiro após a morte, destaca a “alegria” do reencontro (“agora, que se acabaram as batalhas, vem apertar-me contra o peito”).

 

Convém recordar, a propósito, que a saia é uma peça eminentemente feminina e que o verde está habitualmente conotado com tranquilidade e esperança, traduzindo uma sensação repousante, envolvente e refrescante. O Dicionário dos Símbolos diz-nos que:

“Entre o azul e o amarelo, o verde resulta das interferências cromáticas. Mas entra com o vermelho no jogo simbólico de alternâncias. A rosa floresce entre folhas verdes. Equidistante do azul-celeste e do vermelho infernal, ambos absolutos e inacessíveis, o verde, valor médio, mediador entre o quente e o frio, o alto e o baixo, é uma cor tranquilizadora, refrescante, humana.”.

  

2 - O título / a luz / a noite / o luar

O título surge por duas vezes ao longo da peça, inserido na fala das personagens:

 

- D. Miguel salienta o efeito dissuasor que aquelas execuções poderão exercer sobre todos os que discutem as ordens dos Governadores.

Esta primeira referência ao título da peça, colocada na fala do Governador, está relacionada com o desejo expresso de garantir a eficácia desta execução pública: a noite é mais assustadora, as chamas seriam visíveis de vários pontos da cidade e o luar atrairia as pessoas à rua para assistirem ao castigo, que se pretendia exemplar.

 

- Na altura da execução, as últimas palavras de Matilde, “companheira de todas as horas” do General Gomes Freire, são de coragem e estímulo para que o Povo se revolte contra a tirania dos governantes.

 

A luz, simbolicamente, está associada à vida, à saúde, à felicidade, enquanto a noite e as trevas se associam ao mal, à infelicidade, ao castigo, à perdição e à morte. Na linguagem e nos ritos maçónicos, após ter participado de olhos vendados em alguns rituais, após prestar juramento, o neófito poderia “receber a luz”, o que significava ser admitido...

 

A lua, simbolicamente, por estar privada de luz própria, na dependência do Sol, e por atravessar fases, mudando de forma, representa a dependência, a periodicidade e a renovação. A lua é, pois, símbolo de transformação e de crescimento.

A lua é ainda considerada como “o primeiro morto”, dado que durante três noites em cada ciclo lunar ela está desaparecida, como morta; depois reaparece e vai crescendo em tamanho e em luz...Ao acreditar na vida para além da morte, o homem vê na lua o símbolo desta passagem da vida para a morte e da morte para a vida...

Por isso, na peça, nestes dois momentos em que se faz referência directa ao título, a afirmação de que “felizmente há luar” pode indiciar duas perspectivas de análise e de posicionamento das personagens:

- As forças das trevas, do obscurantismo, do anti-humanismo utilizam, paradoxalmente, o lume (fonte de luz e de calor) para “purificar a sociedade” ( a Inquisição considerava a fogueira como fonte e forma de purificação).

- Se a luz é redentora, o luar poderá simbolizar a caminhada da sociedade em direcção à redenção, em busca da luz e liberdade...

Assim, dado que o luar permitirá que as pessoas possam sair de suas casas (ajudando a vencer o medo e a insegurança, na noite da cidade), quanto maior for a assistência, isso significará:

- para uns, que mais pessoas ficarão “avisadas” e o efeito dissuasor será maior;

- para outros, que mais pessoas poderão um dia seguir essa luz e lutar pela liberdade.

3 – A fogueira / o lume

 

Após a prisão do General, num diálogo de tom “profético” e com “voz triste” ( segundo a didascália), o Antigo Soldado, acabrunhado, afirma: “Prenderam o general... Para nós, a noite ficou ainda mais escura...”. A resposta ambígua do primeiro Popular pode assumir também um carácter de profecia e de esperança: “É por pouco tempo, amigo. Espera pelo clarão das fogueiras...”

Matilde, ao afirmar que aquela fogueira de S. Julião da Barra ainda havia de “incendiar esta terra!”, mostra que a chama se mantém viva e que a liberdade há-de chegar.

 

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