O Passado da Escola
O Ensino Industrial em Setúbal surgiu por decreto de Emídio Navarro, em 13 de Junho de 1888. Começou a funcionar em 1 de Outubro desse mesmo ano e estava vocacionado para o ensino dos cursos de Desenho Elementar, de Desenho Industrial, e de Lavores Femininos.
Com 123 alunos nos primeiros cursos e 26 alunas em Lavores, funcionou, de início, numa casa na Rua da Praia, actual Av. Luísa Todi.
No princípio do século, a Escola, agora chamada Rainha D. Amélia, funcionou na Rua Antão Girão e, mais tarde, no Palácio dos Cabelos e Vasconcelos.
Com o advento da República e a partir de Outubro de 1912, a Escola passa a chamar-se Escola de Desenho Industrial Gil Vicente.
Dois anos depois, com a nomeação do pintor João Vaz para director, a escola é oficialmente vocacionada para o ensino da indústria e do comércio, com a designação de Escola Industrial e Comercial Gil Vicente.
A partir de 1918, a escola transforma-se em Escola de Artes e Ofícios, mantendo o seu nome.
Em Agosto de 1931 assume a nova designação de Escola Industrial e Comercial João Vaz, funcionando a secção industrial na Saboaria e a secção comercial na Av. Luísa Todi, na esquina com a Praça Bocage.
Só em 1947 a escola passa a ter o nome Escola Industrial e Comercial de Setúbal, afinal um nome que ficou na memória de muitos, já que ainda hoje é designada pela "Comercial".
O progresso exigia a introdução de novos cursos; já com cerca de 1500 alunos em 1953, eram ministrados os seguintes cursos: do Ciclo Preparatório os cursos de formação em serralharia, carpintaria e marcenaria; formação feminina e geral do comércio; cursos de mestrança e de rendeiras.
É chegado, por fim, o dia 8 de Maio de 1955, com a inauguração do "novo" edifício com uma área de 18000 m2, capacidade para 1500 alunos, tendo custado 15 mil contos.
Mais tarde foi adoptado o nome de Escola Secundária de S. Julião, até que, no ano lectivo de 1987/88, assumiu de vez o actual nome de Escola Secundária de Sebastião da Gama, em homenagem ao grande poeta setubalense Sebastião Artur Cardoso da Gama.
Devemos aqui uma palavra de agradecimento à Senhora Dona Maria de Lourdes Alves pela cedência, para análise, de uma excelente peça de museu que tinha em sua posse, na qualidade de Presidente da Associação Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial de Setúbal: um álbum datado de 1955, com o registo fotográfico da história da Escola.
Este álbum contém uma série de fotografias a preto e branco, do fotógrafo Setubalense Américo Ribeiro, que ilustram de forma minuciosa e elucidativa um pouco da história do Ensino Industrial em Setúbal - os edifícios e suas instalações oficinais, o fecho da secção industrial da Escola João Vaz, o lançamento da primeira pedra e a inauguração do novo, e actual, edifício.
Tal como, aquando da inauguração há pouco mais de quarenta e sete anos, a escola mantém as características de um edifício da época em que foi edificada; grande, maciça, de certa forma imponente no local onde está inserida, mantém-se como uma referência no espaço da cidade, junto ao Jardim do Bonfim.
Ocupando quase um quarteirão, é constituída por um grande bloco com salas de aula, serviços directivos e administrativos, por outro bloco com as oficinas e o bar dos alunos e, por fim, um bloco com o ginásio e o refeitório.
A toda a volta, junto ao muro, existem canteiros, alguns muito bem cuidados pelos alunos do Professor Domingos Mota na disciplina de Educação Tecnológica - Hortofloricultura.
O edifício, exteriormente, está muito degradado, não tendo sido até hoje feitas quaisquer obras de manutenção. No entanto, continua a ter locais que denotam algum cuidado na arrumação dos espaços quando foi construída.
Sendo uma Escola com um passado ligado ao Ensino Industrial, tem nas suas instalações oficinas de carpintaria, de mecânica e de electricidade. São espaços completamente desajustados à realidade actual, tendo por isso uma taxa de ocupação muito reduzida. No entanto continuam a ter o equipamento necessário à leccionação das disciplinas afins.
Ainda na tradição da Escola, as salas de Secretariado, onde era ensinada Dactilografia, mantêm algumas máquinas de escrever que estão gradualmente a ser substituídas por computadores.
A Oficina de Artes Visuais é uma ex oficina de electricidade; embora grande, tem o problema da ausência de iluminação natural e o desajustado pé direito. No entanto, tem sido um local muito profícuo na formação e criação artística, com resultados bem visíveis no meio envolvente; como exemplo, destacamos duas ex alunas de Artes - Ana Melo e Cristina Alberto - como autoras do actual símbolo e logotipo do Inatel.
No campo das Artes Plásticas, podemos mostrar um conjunto de obras, baseadas em pinturas de autores conhecidos, que inaugurarão uma exposição no próximo dia 12 de Junho na Casa do Corpo Santo em Setúbal.
No segundo período, a nossa escola disponibiliza uma semana à exposição de todos os trabalhos da Área-Escola. Ao longo do ano também surgem semanas dedicadas à Matemática, ao Francês, ao Alemão, ao Desporto e à Ciência. Paralelamente temos actividades de complemento curricular que se desenvolvem ao longo de todo o ano. O Clube da Imagem é um exemplo.
A nossa Escola tem uma sítio na internet com muita informação referente a todas as actividades que lá se desenvolvem.
A equipa do Clube da Imagem
Escola Secundária de Sebastião
da Gama
Setúbal,
Maio de 2002