O QUE É UMA REPORTAGEM? voltar atrás
É uma notícia que, pelo seu interesse, vai ser desenvolvida.

Tal como

esta
ler reportagem

Apresenta uma estrutura semelhante à notícia.

a) O título — serve para indicar o conteúdo da reportagem.

b) O lead ou primeiro parágrafo — é a síntese da reportagem.

c) O corpo — é o desenvolvimento da reportagem, mais complexo e extenso que na notícia.

A reportagem informa sobre:

• assunto de interesse geral, actual ou não;

• "coisas vistas" (o repórter desloca-se ao local do acontecimento);

Como:

• com objectividade, mas

• detendo-se essencialmente no como e no porquê;

• integrando falas de personagens ligadas ao assunto focado;

• exprimindo comentários pessoais (podendo ser, por isso, assinada — subjectividade);

Usa uma linguagem:

• clara, viva, redigida em estilo directo;

• predominância da função informativa, o que não exclui as funções emotiva e poética;

• o discurso de 3ª pessoa com possíveis marcas do discurso de 1ª pessoa;

• linguagem corrente mas por vezes com alguma preocupação estilística.

 

Normalmente, a sugestão para fazer uma reportagem parte precisamente de uma notícia que o chefe de redacção quer ver desenvolvida, já que o assunto pode dar pano para mangas e ser explorado, de acordo com as características do jornal, constituindo um "furo jornalístico".

Por vezes, possui o carácter de denúncia de algo que importa corrigir: o mau estado de um hospital, de uma escola, situações de marginalidade social ou de delinquência, de agressão ao meio ambiente, etc. São imensos os assuntos possíveis e o posicionamento que pode adoptar o repórter.

A reportagem costuma ser acompanhada de fotografias.


Comemorou-se ontem o Dia Mundial do Não Fumador
Deixar de Fumar Compensa

Por MARIA JOÃO GUIMARÃES
Quinta-feira, 18 de Novembro de 1999

nicotina.jpg (13605 bytes)Foram ontem apresentados os resultados preliminares dos resultados da campanha "Quit and Win 98", lançada pelo Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva (INCP) para incentivar os fumadores a largarem o vício. Um ano depois, 28 por cento dos participantes continuam sem fumar.

Os resultados do INCP, apresentados por ocasião do Dia Mundial do Não Fumador (ver mais noticiário nas páginas 24 e 25) mostram os efeitos - de duas horas até dez anos - de deixar de fumar. Logo duas horas após o último cigarro, a nicotina começa a deixar o corpo. É aqui que começam os sintomas de abstinência. Quatro horas mais tarde e frequência cardíaca e pressão arterial começam a diminuir, apesar de poderem levar cerca de seis semanas a atingir os níveis normais.

Doze horas após a última baforada, o monóxido de carbono começa a sair do sistema e os pulmões começam a funcionar melhor, fazendo com que as faltas de ar se tornem menos frequentes e agudas.

Dois dias mais tarde, o ex-fumador começará a sentir melhor o gosto e o cheiro das coisas, e entre duas a 12 semanas, andará e correrá mais facilmente, já que houve uma melhora na circulação sanguínea. De três a nove meses as melhoras no sistema respiratório são ainda maiores: a capacidade pulmonar aumenta cerca de 10 por cento.

Os grandes riscos como o de ataque cardíaco ou cancro do pulmão diminuem mesmo depois de anos de abstinência. Cinco anos depois de se deixar de fumar, o risco de ataque cardíaco é duas vezes menor do que num fumador, e em dez desce mesmo para níveis idênticos aos de uma pessoa que nunca fumou. Nesta altura, o risco de cancro do pulmão diminui, passando a ser metade do de um fumador.

(Continuação)

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Os substitutos da nicotina em Portugal

Os substitutos de nicotina, em forma de pensos e pastilhas, são de venda livre em Portugal. No entanto, um parecer da Comissão Técnica de Medicamentos (CTM) do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) aconselha a que estes comecem a ser dispensados apenas com receita médica.

É que a nicotina é uma droga que tem "grande responsabilidade na génese de sérias doenças cardiovasculares e participação nalgumas respiratórias", diz o parecer. Além disso, numa dose de 30 a 60 miligramas "produz a morte em alguns minutos, por paragem respiratória".

"Só porque induzem habituação, todas as substâncias medicamentosas consideradas droga são objecto não só de uma receita médica, mas de uma receita médica especial", lembra o documento. Por isso a nicotina "é o protótipo de fármaco que deverá ser utilizada exclusivamente com prescrição médica e como parte integrante de programas de desintoxicação estruturados", conclui o parecer. O Infarmed só deverá tomar uma decisão depois de uma discussão mais alargada, que deverá incluir também a Direcção-Geral da Saúde.

No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma posição oposta à do parecer da comissão técnica do Infarmed. No seu relatório para 1999, a OMS propõe uma acção global concertada de luta contra o tabaco que incluía, entre outras medidas, o "melhor acesso a substitutos como os pensos de nicotina".

O Infarmed afirma que mesmo com a prescrição obrigatória a acessibilidade não fica diminuída, até porque assim poderia eventualmente abrir-se a porta à comparticipação dos substitutos. No entanto, para isso, tinha de ser feita a relação custo/benefício destes medicamentos.

Curiosamente, a OMS tinha proposto recentemente que o tabaco, esse sim, é que devia ser vendido nas farmácias e só com receita médica - os argumentos eram sensivelmente os mesmos que são agora invocados para a obrigatoriamente de receita dos substitutos: o tabaco provoca habituação e pode causar até a morte.

De qualquer maneira, os substitutos de nicotina estão contra indicados em pessoas que tenham tido acidentes cardiovasculares, arritmias cardíacas ou anginas de peito, úlceras pépticas, insuficiência renal ou hepática, diabetes e mulheres grávidas.

Maria João Guimarães (O Público 18/11/99)