De onde vêm os bébés pintainhos?...

 

(adaptado de um trabalho apresentado por uma

ex-aluna na disciplina de TLB III)

A minha última aula de Ciências ao Natureza foi a melhor que eu já tive. Eu explico porquê.

A minha grande paixão é a Natureza e os animais. Tudo o que com eles está relacionado despertava o meu interesse e curiosidade.

Este Verão passei-o na quinta dos meus avós. Tive desta forma oportunidade para brincar com os diversos animais que povoam aquela grande quinta.

Tenho, no entanto, um carinho especial por aves. Por isso era com os pequenos pintainhos amarelos dos meus avós que gostava mais de brincar.

Um dia enquanto observava como a mãe galinha dava de comer aos seus filhotes surgiu- me uma grande dúvida: como é que de um ovo tão pequeno, como o da galinha podia nascer um pintainho?!

Por isso, ontem, primeiro dia de aulas, coloquei a questão à minha professora de Ciências.

- Stôra como é que se forma e desenvolve um pintainho?

Como a turma ficou curiosa e interessada pelo assunto. Todas as cabeças se começaram a encher de dúvidas e curiosidade.

- Tantas perguntas João!! Eu explico-te.

Os meus olhos brilharam de entusiasmo e a minha curiosidade era agora ainda maior. O mesmo acontecia com todos os que me rodeavam, que começavam a encostar-se nas cadeiras como quem se prepara para ouvir uma longa e bela história.

A professora retirou da estante uns acetatos, abriu um livro e começou a explicar. Foi o início de uma aula espectacular!

- Tudo começa na época do acasalamento. O galo corteja as galinhas e elege uma. Por vezes, na capoeira, os machos pretendem a mesma fêmea o que origina disputa entre eles. O vencedor fica com a galinha e inicia-se o “namoro”, que tem como consequência a formação do ovo.

- Mas como se forma esse ovo “dentro da galinha”?

- Bem. . . a galinha possui um ovário, do qual sai um oviduto, um género de caminho para o exterior através da cloaca. Por outro lado, o galo produz espermatozóides que contêm algumas das suas características. Durante a cópula, esses espermatozóides são introduzidos no oviduto da galinha e vão fecundar o óvulo na região superior. Enquanto o óvulo desce, as glândulas da parede do oviduto secretam albumina – a clara.

- Que giro! É por isso que o futuro pintainho

 terá características do galo e da galinha! Exclamou  radiante o meu companheiro.

- Pois é! Mas continuando. . . depois o óvulo fica algumas horas no útero, onde se forma a casca calcária. É esta casca dura que o mantém separado das influências prejudiciais do ambiente.

 

A professora interrompeu por alguns momentos a explicação e mostrou um acetato com o sistema reprodutor da galinha.

Depois continuou:

- Por fim a galinha põe o ovo num ninho de forma a que fique protegido e quentinho. Para poderem ter um desenvolvimento normal, os ovos devem manter uma certa temperatura.

- Ah! Então é por isso que as galinhas “chocam” os seus ovos desde que são postos até ao momento que os filhotes saem da casca. Eu vi isso este Verão na quinta da minha avó!

- Sim. . . João, tens razão. Dessa forma o calor de seus corpos mantém os ovos aquecidos e proporciona as condições ideais para que se incubem.

- Mas os ovos dos répteis, dos anfíbios, das aves e dos outros animais são todos iguais? — pergunta o Nelson com um ar intrigado.

- Não, os ovos diferem conforme o ser a que se referem. Mas vou explicar como é o ovo da galinha...

- Tudo isto é muito interessante. O ovo é como se fosse a “barriga da galinha”.

- É mais ou menos isso, só que as aves são ovíparas, ou seja, as galinhas põem ovos e o desenvolvimento embrionário dá-se fora do corpo da “mãe”, à custa das reservas do ovo.

- Umm!!! E quais são as fases do desenvolvimento embrionário do ovo da galinha?

À medida que a professora avançava nas explicações a atenção da turma era cada vez maior e as perguntas surgiam umas a seguir às outras.

- Olha, Ana o desenvolvimento embrionário é um processo contínuo, em que os processos vão acontecendo sucessivamente. Consideram-se, no entanto, normalmente duas fases: a segmentação e a gastrulação...

. . . E após a gastrulação, vai dar-se progressivamente a diferenciação do embrião...

Toda a turma estava entusiasmada com as explicações da professora, e à mínima pausa desta, logo uma pergunta surgia, para dar continuidade à aula. Até a Maria, que entrava muda e saía calada das aulas levantou o braço e perguntou:

- Mas Stôra, o desenvolvimento dos pintainhos dentro do ovo, até atingirem o estado definitivo, é devido a quê?

- A professora retirou um acetato do retroprojector, colocou outro e respondeu à pergunta:

- Devido à presença no embrião da ave, no decurso do seu desenvolvimento, de diferentes anexos embrionários com funções de protecção, alimentação e respiração, e que desaparecem depois com a passagem à vida livre...

. . . - Essas estruturas permitem que o pintainho esteja bem protegido dentro do ovo – concluiu uma colega.

- Lembrem-se que este processo se desenrola durante a incubação, o choco, que dura vinte e um dias.

- E após vinte e um dias dá-se a eclosão, não é? Interrompeu eufórico o Mário.

- É. Os movimentos...

- Stôra!- interrompi eu a professora - posso explicar eu como se dá a eclosão do pintainho? Eu observei isso este Verão na quinta da minha avó!

Após um aceno afirmativo da professora iniciei a explicação.

- Os movimentos do pintainho dentro da casca fazem com que a cabeça se volte para fora e o bico para cima. O “ dente” do bico, devido a esses movimentos, rompe as membranas que forram a casca e finalmente parte-a. O pintainho, ao mesmo tempo que, com o bico, alarga a cavidade aberta na casca, vai-a empurrando. Quando acaba de nascer, o pintainho, aparece molhado, com as penas coladas ao corpo. É horrível!! Mas rapidamente as penas secam e este adquire um aspecto sedoso.

- Muito bem João! Observaste com grande pormenor todo o processo.

- Pois foi! Verifiquei ainda que o pintainho é capaz de se alimentar sem o auxílio da mãe, limitando-se esta apenas a conduzi-lo ao local adequado.

O toque da saída dava como terminado a aula, para grande tristeza de toda a turma. As aulas têm outro sabor quando se ouve falar daquilo que realmente nos interessa!

- Bem, espero que tenham ficado esclarecidos sobre todo o processo de desenvolvimento embrionário das aves, e... até amanhã!

Esta foi, para mim uma grande aula. Permitiu-me ver e perceber o que se passa dentro de um ovo e o que leva à formação dos pequenos pintainhos amarelos.

Recolha de A. Fidalgo