HISTÓRIAS DA TERRA E DO MAR

 

  O livro de Sophia de Mello Breyner Andresen Histórias da Terra e do Mar está dividida em cinco histórias:

 

“História da Gata Borralheira”

“O Silêncio”

“A Casa do Mar”

“A Saga”

“Vila D’Arcos”

 

   A “História da Gata Borralheira” retrata um baile onde uma rapariga, Lúcia, foi muito humilhada pela sua roupa e calçado inadequados, velhos e feios, sendo eles um vestido lilás e uns sapatos azuis de forro roto. Foi nesse  baile que ela decidiu ir viver com a madrinha, que era rica.

  Vinte anos depois, já muito rica, voltou a um baile na mesma casa, onde algo muito estranho aconteceu, a heroína conseguiu o que pretendia mas a um preço muito elevado ... 

  O que terá acontecido?

   

 A história “O Silêncio” fala de uma noite muito escura, silenciosa, onde o silêncio parecia mais silencioso que nunca. De repente, ouve-se um “longo grito   agudo e desmedido. Um grito que atravessava as paredes, as portas, a sala, os ramos do cedro.” que  acaba com todo aquele silêncio!

  Que grito terá sido este? Por que se terá dado? O que terá acontecido?

 

  Em “A Casa do Mar” é feita uma descrição de uma casa localizada perto de uma duna! É como alguém já disse “ pintar com palavras”.

 “A casa está construída na duna e separada das outras casas do sítio. Esse isolamento cria nela uma unidade, um mundo. O rumor das ondas, o perfume do sal, o vidrado da luz marinha, o ar varrido de brisas e vento, a cal do muro, os nevoeiros imóveis, o arfar ressoante do mar estabelecem e m seu redor grandes espaços vazios, tumultuosos e limpos onde tudo se abre e vibra.”

É uma história onde predomina a  descrição de um espaço.

 

  “A Saga” é a história de um rapaz chamado Hans que desejava muito viajar por mares e terras desconhecidas. Então, um dia, este fugiu de casa num cargueiro e desembarcou numa cidade que não conhecia.

    Aí, conheceu Hoyle, um negociador e conhecedor de barcos com quem passou a viver. Até Hoyle morrer, Hans fez algumas pequenas viagens, mas depois disso, a sua vida mudou completamente.

  Terá voltado para casa? Terá assumido o negócio de Hogle? Porque terá a sua vida mudado completamente?

 

  Em “Vila D’Arcos” fala-se do local que dá nome à história: a cidade Vila D’Arcos!  Esta fica situada numa região montanhosa,  é uma cidade de província e pequena  com ruas empedradas  em torno da catedral  enorme como um navio de eternas viagens. As casas são antigas – nobres mesmo quando pobres (...) Tem jardins onde “ crescem altas magnólias de grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas (...) 

  É uma história onde também predomina a  descrição.

 

  Histórias da Terra e do Mar é um livro muito bonito, de belos textos e onde poderão conhecer o fim de cada história!

 

Catarina Oliveira   9ºB

(com colaboração de Luís Afonso  9ºB e Mariana Pinto  9ºB)

 

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

 

Sophia nasceu no Porto, em Novembro de 1919. Passou a maior da sua infância na Praia da Granja, onde se inspirou para escrever a maioria das seus livros.

Teve o primeiro contacto com a poesia aos três anos através da sua criada, aos seis anos já declamava poemas de Camões, que o seu avô lhe ensinara.

Sophia decide começar a escrever livros, para contar todas as suas experiências que teve ao longo da vida.

Começa a escrever para crianças mais tarde, quando os seus filhos tiveram sarampo.  Para os entreter esta contava-lhes histórias, mas como as achava muito infantis, “ piegas ”, decide ela própria começar a escrever Contos Infantis.

Inês Diogo , 9ºB

 

 

Numa entrevista à Antena  1, em 20/04/1985, às  perguntas sobre  a diferença que Sophia encontra  na juventude do seu tempo e na de agora  e quais as razões porque vale  a pena viver, esta escritora  respondeu da seguinte maneira:

 

“Bem. É evidente que vivem num mundo extraordinariamente diferente e que isso não pode deixar de se reflectir na sua maneira de ser. Têm, sobretudo, e isso é que me aflige em relação à juventude do meu tempo, um horizonte muito difícil. É muito difícil neste momento compreender o que vai ser o futuro do Homem. Nós estamos numa civilização em crise total; a nossa forma de produção, a nossa sociedade industrial, estão numa crise profunda. Como é que esta juventude vai arranjar trabalho? Por outro lado os problemas de poluição, a destruição do ambiente.(...)

   E qual o futuro para a juventude no meio de todas essas predações e desse mundo desfigurado ? Eu penso eu é muito mais angustiante do que o mundo na minha época, em que, logo a seguir à guerra, houve uma grande esperança. Eu penso que  hoje em dia a esperança só pode estar na luta pela qualidade de vida e pela cultura de toda a poluição.”

 “Vale a pena viver porque o mundo, apesar de tudo, apesar de todos os problemas, é um dom extraordinário: a água, a luz e o vento, o amor, a infância, as árvores, as flores... E eu também creio que somos criados para uma vida eterna. Eu acho que o dom de ter nascido é um dom fundamental.

 

  ( António Pereira e Cecília Figueiredo, Análise da Obra Histórias da Terra e do Mar , Lisboa, Texto Editora, 2001, 4ª Edição, pp.11 – 12)

 

M.J.L.