"Um olhar sobre a Serra da Estrela"
Terras e gentes da Serra da Estrela
A Serra da Estrela é um maciço montanhoso culminante de Portugal e constitui a parte oriental de um alinhamento, que se estende cerca de 115 Km, desde a região da Guarda até ao maciço da Lousã (Galopim de Carvalho et al., 1990).
A Guarda:
“...É por tudo isso, e pelo demais que as palavras não conseguem traduzir,
que se gosta da Guarda, que se aprende
a gostar da Guarda.
Afinal,
gostar da Guarda é um estado de espírito.
Razões?...
Porquê?.... Para quê?!...
Ela
há razões que a razão desconhece...”
Norberto
Gonçalves
A Guarda é a mais alta cidade de Portugal, com uma altura de 1056 metros, com 22 000 habitantes, situada na Beira Alta, na encosta Nordeste da Serra da Estrela. A Guarda é apelidada de “cidade dos cinco F”: fria, farta, forte, feia e falsa (Fig. 1) (in A Guarda Aguarda-vos, 2001).

Fig. 1 - Guarda- Jardim José de Lemos (in A Guarda Aguarda-vos, 2001).
Das inúmeras aldeias do conselho da Guarda, merecem referência as de Mizarela e de Pêro Soares, aldeias separadas pelo Mondego e unidas por uma antiga ponte romana. Aqui, o rio corre sobre um tapete de lages de granito e visita moinhos e mós seculares (Fig. 2).
Se caminharmos, subindo até ao dique da Barragem do Caldeirão, é possível observarmos um cenário de socalcos sem fim e, nas proximidades desta, revelam-se alguns aspectos geológicos interessantes.

Fig. 2 - Ponte que separa Pêro Soares da Mizarela, evidenciando a passagem do Rio Mondego sobre lages graníticas.
A vila de Belmonte:
No meio de toda esta diversidade raríssima, surgem, ainda, verdadeiras jóias arquitectónicas de granito, bem patentes nas aldeias históricas, castelos da antiga linha de fronteira e outros monumentos, que hoje permanecem como documentos históricos de grande valor cultural.
É neste contexto que se destaca a vila de Belmonte, situada nas fraldas da
Serra da Estrela, no extremo Norte do vasto Distrito de Castelo Branco, mais
concretamente numa depressão denominada Cova da Beira.
Os vestígios mais antigos da presença humana na vila remontam à Pré-história,
no entanto, são da época romana e medieval o maior número de testemunhos
dessa presença. No século XIII, Belmonte era já uma vila em franco
desenvolvimento, o que justifica a existência de duas igrejas (Igreja de Santa
Maria e Igreja de São Tiago) e de uma sinagoga (Fig. 3) (in Belmonte –
Venha conhecer o desconhecido, 2001).
A vila desenvolveu-se à sombra do castelo (construção militar dos séculos XI/XII)
que terá sido erigido, ou adaptado e, que, além de oferecer protecção às
populações, garantia o controlo político, juntamente com os restantes
castelos da região (in Belmonte – Venha conhecer o desconhecido,
2001).
A
vila de Belmonte, no século XVI, deu um importante contributo para a história
de Portugal através de Pedro Álvares Cabral, que em 1500 comandou a 2ª Armada
à Índia e que, durante a sua missão, descobriu o Brasil.
Actualmente, Belmonte possui cerca de 3600 habitantes, dos quais se destacam cerca de 200 famílias de origem judaica, que constituem, desde sempre, a maior comunidade judaica do país.
Fig.
3 - Castelo de Belmonte.
É neste contexto que apraz referir a conhecida e saboreada gastronomia serrana. Como não poderia deixar se ser, destaca-se, nesta, o famoso queijo da Serra da Estrela, o pão centeio, o cabrito assado, as trutas, o arroz de carqueja, a açorda de farinheira, os enchidos e a doçura suave do requeijão com doce de abóbora, bem como tantos outros gostos inesquecíveis.
"Costumes: as imagens falam por si"