Alcino Simões Dez 2004


Sou um professor SATISFAZ
Testemunho pessoal da avaliação de desempenho docente

A minha última desilusão educativa: sou um professor SATISFAZ.
Pensava que o meu trabalho docente era BOM.
Afinal sou um normalíssimo professor SATISFAZ...

O texto a seguir descreve a minha experiência e pretende auxiliar a reflexão dos cidadãos sobre a avaliação do trabalho de um funcionário público.
No final, surgem os comentários dos leitores.

 

1. Esta História começa

2. Os professores são todos avaliados

3. Entreguei o meu relatório

4. Estranho país este

5. Conclusões
Notas (relatório, currículo, modelo de avaliação)

Comentários dos leitores

Seguirei para o Secretario de Estado
Consciência do professor
Por inveja
Impor com os alunos
Todos são iguais
Cada vez fazem menos
Saia da função pública!
Desesperante
Subindo por mérito próprio
Obtive Bom
Ir para a imprensa
A escola tentou sabotar
Subjectividade do avaliador
Quando um professor é considerado insatisfaz
Assim tão rebaixado
Pense mais em si
"Velhos" imobiliza o sistema...
Valores de excelência vigentes em Portugal
Ele também merecia...
Gasto milhares de euros/ano em formação
Comportamentos para o SATISFAZ
A preguiça ainda compensa
o Homem pretende obter o máximo proveito
És bom e muita gente sabe disso
O que vamos substituir? O avaliador?
Tu dormiste?
"Avaliação" incentiva à desmotivação
Sou professor contratado

Tanto trabalho, tanto esforço
Os bons que façam isso!
É preciso pertencer a elites
Relato de recurso
Não desanime, professor!

Emigrar

Ninguém nos faz sentir inferiores
sem o nosso consentimento.
Eleanor Roosevelt

 

 1. Esta História começa nos últimos dias de Junho de 2004, após doze anos de trabalho como Professor de Matemática para alunos do 7º ao 12º anos.
Tinha acabado de fazer o meu relatório de avaliação de desempenho docente, denominado "RELATÓRIO CRÍTICO Quinto Escalão", referente aos quatro anos lectivos de 2000/01 a 2003/04.
Naquele momento, pareceu-me que o meu desempenho era algo mais do que o trivial SATISFAZ. R
eparei que em 4 (quatro!) anos a minha actividade no ensino da Matemática do ensino básico e secundário com o apoio, cooperação e colaboração de outros colegas igualmente dedicados, consistiu em, de forma resumida:
- Dois anos fui elemento da Comissão de Acompanhamento do Programa de Matemática do Ensino Secundário do DES e, simultaneamente, professor do ensino secundário; Um ano fui professor do Ensino Recorrente nocturno e, simultaneamente, realizei o ano curricular do Mestrado em Educação, especialização em Tecnologia Educativa; Um ano estive com licença sabática apenas a estudar avaliação de sites educativos.
- Produzi e/ou utilizei materiais originais para alunos (fichas, testes, CD com software, avaliação, trabalho de grupo, calculadora gráfica, temas transversais,...), experimentando muitos deles com os meus alunos e reflectindo seriamente;
- Apoiei formativamente professores de diversas escolas através conversas;
- Participei na Associação de Professores de Matemática (APM);
- Construí exposições sobre Matemática e outros saberes (Publicidade, Arte, Humor, Frases,...), pagas integralmente por mim;
- Frequentei 8 (oito) acções creditadas correspondentes a 24,3 unidades de crédito (bastava quatro), correspondente a 607,5 (seiscentas e sete) horas;
- Participei nos projectos Comenius “Europa encontra a Eurolândia” (União Europeia), no programa Prof2000, no projecto “Matemática e Tecnologia 2003 (Ano Temático” promovido pela APM);
- Organizei 4 (quatro) Mostras de Fotografia e Matemática, 1 (uma) Sala_Net Matemática e Tecnologias, 1 (uma) Sessão de Trabalho sobre o Programa de MACS e 1 (um) CoimbraMat 2001, encontro de professores;
- Dinamizei 7 (sete) acções de formação creditadas para professores num total de 11,2 u.c. correspondente a 186 horas de formação;
- Dinamizei 12 Conferências, 9 Comunicações Orais, 1 Poster, 20 Sessões Práticas, 1 Grupo de Discussão e 1 Curso, correspondente a mais de 110 horas de exposição e mais de 1000 (mil) horas de trabalho;
- Frequentei 30 (trinta) acções de formação pontual em Seminários, Encontros, Conferências,..., com a duração individual entre uma tarde a três dias num total de 42(quarenta e duas) horas;
- Participo e dinamizo mais de 10 (dez) e-grupos relacionados com o ensino e a formação de professores;
- Publiquei 15 (quinze) textos originais, da minha exclusiva autoria ou em parceria, distribuídos pelo jornal da escola, actas de encontros, de seminários, da Internet;
- Elaborei oito (8) CD-Rom compilando textos e materiais da formação de professores, software Matemático, textos da didáctica da Matemática, jogos,...;
- Planifiquei, produzi, editei e/ou fiz a manutenção dos 5 (cinco) sites "a folha do Alcino", “Agrupamento de Escolas Dr Daniel de Matos - V N Poiares”, “Mostra de Fotografia e Matemática”, “Acompanhamento de Matemática em Coimbra”, “Núcleo de Coimbra da APM” e apoiei o site “MT 2003 - Matemática e Tecnologia”, totalizando, em Jun 2004, mais de 1500 páginas Web, 14000 ficheiros, 250 Mb.
[Ufffa!!!!! (demorei uma hora para contabilizar isto)]

 

 2. Os professores são todos avaliados com SATISFAZ, podendo assim mudar para o próximo escalão da carreira docente, auferindo um acréscimo no seu salário a partir desse momento. Cada docente deve permanecer um certo número de anos antes de poder progredir para o próximo escalão da carreira docente, a não ser em alguns casos, tais como:
    - A progressão nos escalões poderá ser atrasada (nº de anos do escalão) quando o docente é avaliado com NÃO SATISFAZ;
     - A progressão poderá ser acelerada (quatro a seis anos) com a concretização de um Mestrado ou doutoramento.
A alteração para a classificação de BOM é possível na lei e não acarreta mais dinheiro ou qualquer outra bonificação na carreira docente.
Trata-se apenas de validar publicamente um prestígio.
A realidade é que, em cada ano, 99,99% dos professores são avaliados com SATISFAZ!

 

 3. Entreguei o meu relatório em Junho de 2004.
- Conversei com o sindicato que desconhecia as características e respectivos pesos relativos e valorizações associados ao processo de avaliação.
- Conversei com a minha presidente que não mostrou entusiasmo.
- conversei com outros que me avisaram de que seria um processo tortuoso e raro.
Solicitei a minha reavaliação em Outubro de 2004 pelo DR11/98,15Mai e pelo Estatuto da Carreira Docente DL1/98/2Jan.
A comissão de avaliação tem três elementos: a presidente da minha escola, um representante externo solicitado pelo conselho pedagógico e um especialista solicitado por mim.
Em Novembro a comissão reúne e decide... manter a minha classificação de SATISFAZ.
Reconhecerem o meu BOM desempenho fora da escola mas... ainda assim a minha classificação deverá ser SATISFAZ.
Não recorro à Direcção de Educação do Centro para alterar esta decisão por não estar em condições de suportar outro processo de avaliação.
 

 4. Estranho país este: todos apelam aos professores para realizarem um ensino dedicado, eficaz, inovador, empenhado, promotor,...  e não existem incentivos para esse desempenho.
Não tendo sido classificado com BOM, considero que foi desbaratado o meu imenso investimento profissional (milhares de dias, euros, textos, computadores,...) que até agora realizei em tempo, dinheiro, material e comunicação interpessoal.
O meu trabalho foi gratuitamente desempenhado, na esmagadora maioria.
Perante as regras que foram aplicadas na minha avaliação, parece-me que a escala de avaliação de professores é desproporcional, como mostra a figura seguinte.

Conceitualização pelo docente da escala de avaliação de professores

Sinto que efectuei um tão grande esforço (perceptível através deste site) que não me resta esperança para atingir outra classificação mais elevada.
Fico revoltado quando observo notícias ou falas de pessoas que referem inovação ou valorização com os funcionários públicos.
Fico tristemente de acordo com a constatação da ANJE (associação Nacional de Jovens Empresários) de que há "segmentos onde por norma o empreendedorismo permanece uma expressão desconhecida, como as escolas primárias e secundárias" (Expresso Emprego, p.12, 18Dez2004).
Tenho a certeza que continuarei a desenvolver a minha abnegação pelo ensino da Matemática, mais devido a  um viciado enguiço pessoal do que pelas gratificações ou reconhecimentos.

 

 5. Conclusões
5.1. Não soube mostrar as maravilhas que tenho a certeza ter feito, tanto na minha comunidade escolar como nas de outras regiões (e a minha escola valoriza essencialmente o trabalho interno!).
É assim... Tanto trabalho gratuito (apesar do prazer mútuo) que desempenhei nestes anos e, afinal, parece não ser reconhecido!
5.2. Continuo a considerar que o meu desempenho não tem sido apenas SATISFAZ.
5.3. Tenho vontades de nada mais fazer na docência para além do estritamente necessário.
5.4. Este sistema de avaliação propicia que o empenho educacional apenas é praticado pelo professor que assumiu uma "profissão de fé". Devido a esse sistema de avaliação, são raras estas Pessoas.
5.5. Uma escola deveria ficar prestigiada pelas classificações dos seus professores. Até deveria ser a escola a sugerir a alguns dos seus professores para se proporem à avaliação de BOM ou de Muito Bom. Assim, os gestores de uma escola teriam a possibilidade de exigir um melhor desempenho a estes professores. E os professores assim reconhecidos, esforçar-se-iam para corresponder e manter o seu BOM desempenho para com a escola.
5.6. A avaliação de funcionários públicos (incluindo os professores) deveria ser regular, obrigatória, abrangente, participativa, ponderada, justa, gratificativa e pública.
O processo de avaliação deveria explicitar os objectivos, que deveriam ser restritos, explícitos, concretos, adaptados e ponderados.
Os critérios do processo de avaliação deveriam ser definidos previamente ao início do período da avaliação, tendo os avaliadores a obrigatoriedade de os cumprir.
Os resultados da avaliação deveriam incidir sobre o salário o funcionário, tanto para o aumentar como para o diminuir.
A propósito, o caso do empregado Fernando Pessoa deve ser considerado: foi apenas um escriturário SATISFAZ, apesar de nos seus tempos livres desenvolver-se gratuitamente como um escritor MUITO BOM.
5.7. Com este sistema de avaliação: o desenvolvimento do processo educativo não é um investimento para o orçamento do estado, mas a manutenção das rotinas; o ensino não é uma estratégia civilizacional nacional, mas uma obrigratoriedade de presenças; a inovação não é um projecto para fazedores de aprendentes, mas uma raridade fabricada por escritores; a aprendizagem não é potenciada por especialistas na escola, mas depende essencialmente do investimento familiar.
Que nasçam nos políticos e gestores do Sistema de Educação Português as coragens para frequentemente desenvolver e premiar. Que surjam ferramentas legais para promover e patrocinar.

 

 Notas

Nota 1: O meu relatório do 5º escalão de alcino simões 2000/04 (doc 362 Kb)
Nota 2:O meu Curriculum Vitae
Nota 3: Mais reflexões sobre a avaliação de professores em http://www.educare.pt/EE_Forum_novo.asp?F=80&Tema=Avaliação+dos+professores.
Nota 4
: Este texto tem sido lido por centenas de pessoas (não apenas professores). Algumas confessam-me que não conseguem escrever-me (por motivos de falta de tempo ou de rigor), apesar de terem iniciado. Os comentários que me enviaram permitiram-me reflectir acerca da avaliação de professores. A seguir, apresento um esboço de um modelo de avaliação de professores, que considero possível e oportuno para a situação acanhada de desenvolvimento deste país.
1. Sobre o que deve incidir a avaliação?
A prática docente é ampla: dentro da sala de aula; cargos com os alunos (professor = gestor pedagógico); cargos com professores (gestor educativo); cargos com a escola (gestor económico); cargos sociais (gestor formativo).
Nenhum destes cargos deve ser esquecido, senão existirão prejuízos para alguém ou algo. Portanto, a avaliação deve incidir sobre a actividade desempenhada pelo trabalhador/professor.
Deveria existir uma minuta/sugestões para a elaboração de relatório de avaliação.
2. Qual deverá ser o peso relativo dos itens da avaliação?
Aqui não existe consenso ou teoria de suporte a que se possa recorrer.
Um critério justo é que a ponderação dos itens da avaliação considere um perfil de professor onde se realça o mais pertinente para o país, a região, a escola e o empregado.
Os critérios deverão explícitos e definidos de acordo com a legislação, o projecto educativo da escola e o percurso profissional do avaliado. Portanto os critérios são pessoais.
3. Quem deverão ser os avaliadores?
Uma equipa de pessoas com competência demonstrada, incluindo um representante do país (especialista do ministério), um representante da escola (mandatado pela assembleia do agrupamento de escolas) e um representante do professor visado.
Os integrantes na comissão de avaliação deverão obedecer aos critérios de avaliação previamente definidos.
4. Quando se deverá realizar a avaliação?
Obrigatoriamente de quatro em quatro anos, com excepção dos contratados.
5. Quem deverá ser avaliado?
Todos os empregados.
6. Quais deverão ser as consequências da avaliação?
Para o avaliado: gratificação correspondente à avaliação com um suplemento monetário durante quatro anos.
Para a entidade empregadora: autorização/alvará para se inscrever em programas de inovação educativa.
Para a comunidade: Reconhecimento do mérito individual (do professor) e colectivo (da escola).

 

 Comentários:

 

Daquilo que pensou ...
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Comentários



56) 5Jul2006 [Pires Batista - piresbatista@vodafone.pt]
A competência é inimiga do sistema.
Quando alguém mostra ter mais competências do que aqueles que os avaliam a reacção típica é minimizar o seu valor, para que não se sintam ameaçados.
Resposta: Esta questão já foi respondida aqui.

 

 

55) 30Jun2006 [Alexandra Justiça - alexandra.j@oninet.pt]
Página excepcional o que pode refectir não um professor Suficiente mas
um Bom professor!!!
Resposta: Obrigado pelo elogio.
Alimento-me deles para continuar a fazer este site.
No entanto, ainda não sou um Bom professor. mas estou a trabalhar para isso. Apenas depois da próxima avaliação de professores, posso dizer quanto vale o meu trabalho: insuficiente, regular, bom, muito bom ou excelente.

 

 

54) 28Jun2006 [Sónia Nóbrega - soninobrega@hotmail.com]
Prezado Alcino, lamento o seu descontentamento que também é o meu. Sou uma docente que não falta quase nunca, sou dedicada à minha profissão e aos meus alunos, não crio dificuldades a ninguém, interesso-me por defender o estado (apago as luzes que os outros desnecessariamente mantêm acesas - zelo pelo património...Enfim, para quê??? ...
Eu sou Educadora de Infância há 10 anos a trabalhar como contratada... Não vinculei ainda e assim desisto de um sistema que não incentiva.
Estou a mudar-me para LONDRES e lá espero dotar-me de outras ferramentas para no futuro não precisar de voltar a Portugal. Só se a família a isso me obrigar...mais nada me fará voltar!
Para si, um abraço de uma colega que o admira apesar de só o conhecer pelo que aqui li na Internet ...
Resposta: A tentação da emigração é forte quando estamos descontentes. Até agora, consegui resistir a ela (por diversos motivos). Sei que se emigrasse, teria de me dedicar. Por isso, para o meu desenvolvimento uso o princípio: "trabalho em Portugal com a dedicação tal e qual o teria de fazer se estivesse no estrangeiro".
Sei que não devo abandonar o barco quando ele parece estar a afundar, mas devo ajudar a mantê-lo acima do nível de água. Por outro lado, conhecer outras realidades poderá ser muito frutífero e será certamente um desafio.
Desejo que a avaliação profissional dos professores que está prevista no ECD venha alterar esta pasmaceira.
Bom trabalho e boa sorte.




53) 16Jun2006 [Rui Manuel Santos Pereira - ruipereira01@sapo.pt]
Constou-me que estás todo satisfeito com a Ministra sobretudo quando coloca como critérios de classificação dos professores o abandono escolar e o insucesso escolar! O que acontece é que para sermos promovidos toda a gente vai dar 3 aos alunos conseguindo-se um autêntico milagre das rosas por via administrativa, para gáudio dos nossos parceiros comunitários, que conhecem bem os níveis de literacia em Portugal. A propósito a avaliação pelos encarregados de educação já começou naquela escola do Lumiar... Compra uns presuntinhos para oferecer aos pais...
Resposta: O ensino básico é obrigatório. Nada deve perturbar a progressão do aluno com o sucesso que ele pode evidenciar.
A escola deve despoletar todos os meios disponíveis para que um aluno, em algum percurso escolar, nunca tenha insucesso.
Ainda não está definido o peso da avaliação dos EE na classificação do professor, mas certamente não será superior a 5%.
Relativamente aos outros países, certamente não pensarás que os que apresentam 90% de pessoas com o ensino secundário é porque elas são muito mais inteligentes do que os portugueses!

 

 

52) 21Mai2006 [Elvira Simões - elviras@sapo.pt]
Alcino, acabei por vir dar a esta página ao procurar algum esclarecimento sobre matéria em tudo idêntica. Também eu pedi a minha avaliação em Bom na sequência da apresentação da minha mudança para o décimo escalão e mantive o Satisfaz.
Sinto-me muito «feliz». Como podes calcular, porque afinal pertenço à esmagadora maioria dos que têm um desempenho normal.
Conclusão: sou normal. Ainda bem que os nossos alunos podem contar com professores normais!!! Talvez por rondar os 50 anos e 26 anos de profissão que sempre desenvolvi com um envolvimento estranhamente apaixonado pelo que faço, achei, (diga-se que, ingenuamente)que nesta última etapa, devia a mim mesma, à minha escola, aos meus alunos, à minha família e amigos, este gozo de poder ver reconhecido o meu trabalho. Vã loucura de quem ousa pensar diferente!
A revolta e a desilusão que senti nas tuas palavras, sinto-as como minhas, mas não desisti. Ainda estou na luta. Esta semana vou enviar nova exposição à DREC e depois seguirei para o Secretário de Estado e depois...e depois... e depois... Talvez chegue à reforma ou morra sem cura para este mal, mas como dizia alguém «O mal não deve ser imputado apenas aos que o praticam, mas também aos que podendo evitá-lo nada fizeram».
Espero que este caminho, no final, possa um dia ainda vir a ser útil a professores como tu. e desculpa que te diga, os alunos valem sempre a pena.
Resposta: Eu não recorri da decisão sobre a minha avaliação que a minha escola fez.
Não queria prolongar uma indecisão e julgamento que já tinham sido penosos para mim.
Mas, reconheço, para o bem de todos os colegas e do sistema educativo, teria sido melhor que eu tivesse continuado como estás a fazer. Parabéns, continua! Ao recorreres da decisão da tua avaliação a uma instituição hierarquicamente superior, exiges uma segunda opinião que (talvez) é mais acertada. Por outro lado, obrigas os gestores das instituições educativas a reflectir mais sobre o funcionamento deste sistema organizacional. Além disso, mesmo que a DREC mantenha a tua avaliação em SATISFAZ, tu podes trilhar outro caminho na busca de um melhor desempenho profissional.
No mês de Abril passado foi publicada uma legislação que regulamenta as novas avaliações de funcionários públicos. Não compreendi devido ao exagero de recorrências legais e às palavras demasiado técnicas para mim. Mas, parece, a legislação sobre a avaliação dos professores vai, finalmente, mudar.
Já se fazia tarde!
Mas ainda não acredito que os professores venham a ser avaliados: um juiz não gosta de ser julgado, um policia de ser posto na ordem, um médico de ser tratado e um professor de ser ensinado.
Para a avaliação de um trabalhador/funcionário/empregado/colaborador de um sistema (industria, instituição, empresa, projecto) ser executada com o mínimo de mácula, deveria existir uma entidade semi-externa para aferir o processo de avaliação.
Os empregados de empresas públicas (incluindo escolas) têm salário para o resto da vida, um patrão que não manda e um sindicato que amedronta.
A avaliação é um passo intermédio para a melhoria do funcionamento de uma organização, mas não responde ao problema da justiça social (melhor produtividade e
correspondentes salários).

 

 

51) 21Abr2006 [Pedro - ordepoliveira@yahoo.com]
Deu para perceber que gosta de "feedback", por isso cá vai: Como muitos dos comentários devem referir (não tive tempo para ler todos), a avaliação dos docentes é apenas uma formalidade. É normal que quem trabalha e se esforça gostaria de ver o seu trabalho reconhecido pelos pares e pelos superiores hierárquicos, o que normalmente não acontece.
Tal como o Alcino, há muitos professores em todas as escolas que se destacam e que mereceriam o reconhecimento. No entanto, a avaliação é um processo melindroso, pois supõe que quem avalia tem autoridade para tal e que dispõe de todos os elementos necessários. Mas nós sabemos que quem avalia os colegas não tem muitas vezes competência para tal, nem aliás informações suficientes.
A avaliação baseia-se, principalmente, num documento de auto-avaliação (que é o relatório crítico). E isso é insuficiente para avaliar o processo de ensino-aprendizagem na sala de aula. Seria necessária uma "avaliação contínua.
Na verdade, pouco importa se nos avaliam com Satisfaz ou Bom ou Muito Excelente. Julgo que isso é mais do que dispensável. Quem procura elogios fá-lo para alimentar a auto-estima. E o que é que um elogio inconsequente importa a um professor? O que interessa é que, na sua consciência, está a ajudar os seus alunos a compreenderem a matemática e, além disso, desenvolve outras actividades para promover a sua disciplina noutros locais. E se os seus projectos forem, de facto, interessantes, não vai faltar quem os queira (ministério, editoras, outras escolas...) e, isso sim, é um verdadeiro reconhecimento.
Resposta:
O processo de avaliação de professores está ainda a gatinhar.
Nem o avaliado nem o avaliador sabem desempenhar as suas funções correctamente.
Concordo contigo: nem as informações do avaliado nem os critérios do avaliador, pertinentes ao processo de avaliação, são explicitadas.
Por outro lado, está instalado o medo de ser sujeito a uma avaliação.
É imprescindível que os outros com quem trabalho reconheçam o valor do meu trabalho.
Eu trabalho para os outros. Não basta ao professor estar bem com a sua consciência. É preciso que ela coincida com a consciência dos outros para quem ele trabalha.
Mais: há actividades do professor que podem nunca vir a ser reconhecidas pelos outros, apesar do seu valor. [Um exemplo típico é a investigação cientifica que raramente é reconhecida, a não ser que preste provas dela.] O professor pode ser um dinamizador das relações entre alunos e/ou professores sem que resulte um produto.
É imprescindível a avaliação para me apontar comportamentos desejados na Escola e fora dela.
O professor é um avaliador e não pode ter receio de ser avaliado.

 

 

50) 20Abr2006 [Rafael Pacheco - rafaelpacheco@netcabo.pt]
Coragem Alcino!
Resposta: Apesar do texto estar escrito com algum pessimismo, eu vivo feliz e construo o meu destino, limitado pelas circunstancias.

 

 

49) 19 Abril 2006 [ Elisabete Martins - martinselisabete@hotmail.com]
Meu caro colega, fiquei absolutamente fascinada com tudo o que li. Sou professora de Inglês e devo entregar o meu Relatório em Outubro deste ano. O colega é uma inspiração, não há dúvida. Só não obteve "Bom" por pura inveja.
A presidente da sua escola não deve ter nada na cabeça.
Continue a ser uma inspiração. Por favor!
Resposta: A inveja é um valor humano.
Não posso concordar contigo porque nada aconteceu em meu redor que me levasse a concluir isso.
Ainda não desisti de procurar ser um professor BOM, apesar de não me terem definido este perfil.

 

 

48) 20Mar2006 [Andreia Costa - and_costa@hotmail.com]
Nunca deixes a tua profissão para traz. Os alunos muitas vezes são mal educados eu sei também passei por isso. sabes o que eu fiz? Tu tens que te impor com os alunos, foi o que eu fiz e deu resultado. nunca mais me disseram nada agora sou o melhor professor da escola dos navegantes. boa sorte!!!
Resposta: A arte do professor conquista-se, ultrapassando dificuldades e abraçando desafios. Três exemplos a seguir.
1. Antes de começar a leccionar, sonhava que os alunos me tratassem por "tu": Desisti logo no primeiro dia na escola; Os alunos exigem que a relação professor-aluno seja hierárquica.
2. Os professores mais velhos avisaram: "não mostres os dentes [sorrir] nos primeiros meses, e eles vão gostar de ti a partir daí". Depois de errar, aprendi que o professor não pode ser flexível com as regras que ele próprio dita.
3. Queria levar para a aula a Democracia das decisões. Nasceu o teorema: a aula não é uma democracia, a comunidade anseia que seja o professor a mandar.
Uma atrás de outra, tenho rejeitado as características do professor-companheiro e do professor-compreensivo.
Impõe-se-me cada vez mais o professor-rigor.
Ainda não desisti de investir na minha formação e na dos com quem vivo.
Parabéns pelo teu sucesso.

 

 

47) 18Mar2006 [Miguel Filipe Gonçalves Gil - Rpalcadas2005@iol.pt]
Caro colega!
Como já te disse várias vezes, já tinha ouvido falar muito de ti, mas
quem trabalha contigo alguns meses (como é o meu caso, pois até somos do
mesmo grupo disciplinar) compreende melhor este texto.
O estado geral do ensino em Portugal - decadente nalguns aspectos, é,
na minha opinião, bem espelhado na avaliação dos professores (neste
momento tenho de me conter para não falar de mais...).
Tenho uma máxima que diz que "tratar todos por igual não é justiça
alguma, pelo contrário, é uma grande injustiça".
No nosso sistema de ensino, são grandes as forças que querem que tudo
continue (peço desculpa pelo termo mas de momento não me ocorre outro)
nas meias tintas. Todos são iguais, os bons e os menos bons, os
empenhados e os desleixados, os cumpridores e os turistas, são todos iguais,
iguaizinhos iguaizinhos, quer nas subidas de escalão, quer nos
vencimentos, e claro, nas classificações obtidas!!! Não importa de onde vieram,
não importa onde se formaram, não importa como chegaram a esta
profissão, importa é que dão aulas (note-se que para mim dar aulas não é
necessariamente o mesmo que ser professor!!!) e como tal são todos metidos no
mesmo saco.
É o sistema à portuguesa no seu melhor.
Veja-se o que aconteceu na última semana! Parece que saiu uma notícia
onde se aflorava a questão de um exame nacional aos candidatos a
docentes à saída das universidades. O que disseram aqueles que supostamente
nos protegem e nos defendem? O mesmo de sempre!!
Termino dizendo que subscrevo pelo menos a grande maioria das ideias do
teu texto, e que a avaliação - avaliação a sério e não a que existe nos
moldes actuais, não só dos docentes mas de todo o sistema de ensino é
uma medida inadiável (como já acontece noutros países da União
Europeia), que não pode ser protelada, sob pena do nosso sistema de ensino
continuar a andar para trás...
Resposta: Não tenho uma perspectiva decadente do sistema de ensino em Portugal.Mas ele merece algumas afinadelas.
Tocaste numa das suas feridas: tratar todos por igual. Assim, não se promove quem é excelente nem se corrige quem é medíocre.
Neste modelo de sistema educativo em que vivemos apenas existem duas distinções entre empregados: A) a idade, pagando mais a quem é mais velho, na razão máxima de 1 para 2; B) o reconhecimento, atribuindo funções mais exigentes aos empregados que se mostram mais competentes.
É essencial que existam estas duas valorizações, embora a idade deveria ter a razão máxima de 1 para 1,5 e o mérito (bem como o demérito) deveria ficar registado no registo profissional individual do empregado.
Além disso, falta-nos ainda a Ordem dos Professores. Temos associações que defendem o ensino, temos sindicatos que defendem o trabalho, falta-nos a Ordem dos Professores para defender a Deontologia profissional.
As profissões com uma Ordem exigem uma prova para a inscrição de cada profissional. Concordo com com a necessidade de uma prova deontológica para entrar na Ordem de Professores. Enquanto esta não existe, deve o Ministério regular esta profissão. Talvez a Ordem de Professores potencie uma mais rigorosa avaliação de professores.

 

 

46) 4Mar2006 [M. Rosa Castro Barros-Störmer - rosa1998@t-online.de]
Caro colega, depois de ler tudo o que fez, só lhe posso dizer que só por inveja é que os seus avaliadores lhe deram " satisfaz".
Admiro a sua vontade de mudança, mas parece-me que apenas pode saciar o seu ego e na primeira oportunidade caiem-lhe em cima.
Mesmo assim, e acho que devia meter o caso em tribunal.
Resposta: Traria mais valias para os outros que eu recorresse da decisão da minha avaliação. Mas eu sofreria de ansiedade e stress. Não!
Sobre o prazer dos outros em recusar-me uma classificação de Bom... Nada sei.
Já cumpri uma etapa: propus-me a uma avaliação suplementar.
Na próxima oportunidade, farei o que for mais conveniente para mim.
Quanto a recorrer a um tribunal, não acredito nele: ganha a causa o que tiver melhor advogado ou poder e não o que possui uma verdade ou uma razão.
["A verdade? É da autoridade!"]

 

 

45) 3Mar2006 [Mª Conceição - sao_boavida12@hotmail.com]
No Ministério da Educação só tentam arranjar soluções para as falhas quer dos professores quer dos alunos... e cada vez está tudo pior!
E sabe porquê?
Porque não há união ...
Porque os que pouco fazem, cada vez fazem menos...
Porque outros sentem vontade de os imitar mas não conseguem ...
continuam a ser PROFESSORES.
É um ciclo vicioso!
Parabéns pela sua opção de continuar a esforçar-se.
Se todos assim fizessem combatíamos a política do Ministério e tudo
melhorava!
É pena que não incentivem os que trabalham!
Resposta: Não verifico que "está tudo pior". Pelo contrário.
Estamos a viver tempos de exigência profissional. O que é uma oportunidade para todos os trabalhadores pagos pelo Estado Português.
Infelizmente, ainda não temos os chefes com a autonomia e o saber para promover a qualidade na Escola.
Por outro lado, são cada vez mais as exigências aos professores:
- a família quer que a escola acompanhe os filhos.
- os autarcas querem que a escola dinamize os eleitores.
- os empresários querem que a escola forme trabalhadores.
- a sociedade pede à escola que eduque cidadãos.
Mas a vocação da escola é ensinar e fazer aprender.
Este dilema de funcionalidade terá que ser, brevemente, clarificada.

 

 

44) 17Fev2006 [Isabel Fernandes - isabel_fernandes2006@yahoo.co.uk]
Saia da Função Pública e vá para a Privada.
Se não conseguir emprego, então é porque no ensino privado só existem BONS e MUITO BONS.
Resposta: Boa ideia!
Há uns anos atrás, pensei em trabalhar numa escola privada.
Logo de seguida, lembrei-me que a minha saída do ensino público iria empobrecê-lo.
Assim decidi provocar, sistematicamente, o ensino publico no sentido da mudança.
Acredito que os maus sistemas precisam de uma mudança por dentro e não uma fuga dos melhores profissionais.
A minha presença nas diversas reuniões e tomadas de decisões tem sido frutuosas.
Vou continuar aqui, teimoso!

 

 

43) 17Jan2006 [Luís Manuel Coelho Jacinto - al17169@hotmail.com]
Como diz um aluno que já tive! É a vida!!!
Dou aulas à pouco mais de um ano e já me apercebi do que relata!!
Também faço o mesmo!!! Esfolo-me por tentar dinamizar o ensino e vejo colegas meus a fazer nenhum e tenho a certeza que terão a mesma classificação que eu quando tiverem que ser avaliados... É muito triste!!! Muito desesperante!!!! Estamos em Portugal. E basta!!!
Se te consola!! Tens aqui um colega de trabalho que estará na mesma situação daqui por uns anos... É muito triste....
Resposta: Obrigado pelo teu comentário.
É encorajante saber que, apesar das contrariedades, afirmas continuar a esforçar-te porque estarás na mesma situação daqui a uns anos.
Não desistas.

 

 

42) 18Jan006 [Ema Vieira - mimivieira575@sapo.pt]
Eu não sou professora mas sou funcionária pública há 30 anos ao longo destes anos todos tenho cumprido com todas as funções que me são atribuídas e desde que há avaliações eu sou classificada com Muito Bom.
Até que me acontece o pior quando surge o Dec. Reg. 19-A/2004 altera completamente as avaliações, isto porque tenho um chefe que apenas esteve a chefiar a secção só 3 anos mas o suficiente para causar injustiças que da qual não posso concordar e sinto altamente revoltada também com vontade de não fazer mais nada.
Quando o chefe veio para a secção em 2003 dá-me a classificação de Muito Bom, quando sai o decreto em 2004 a minha avaliação vai para Bom e em 2005 também, fazendo eu o mesmo trabalho no entanto a outras funcionárias que no ano de 2004 deu Bom em 2005 deu Excelente estas, até ficaram espantadas.
Conclusão com esta atitude de pessoa chamada de chefe fez colocar as funcionárias a quem deu Excelente com meia dúzia de anos de serviço no topo da carreira e sujeitas a louvores e subidas de escalão.
Eu para chegar ao topo da carreira andei a estudar, fiz cursos de formação, fui submetida a concursos públicos e fui subindo por mérito próprio, como é possível ao fim de tantos anos de carreira ser confrontada com uma pessoa que está a chefiar uma secção com 20 pessoas e ao fim 3 anos ainda não sabe as funções de cada uma, como é possível avaliar funcionários com estas características de chefe, coitado deram-lhe os papéis para a mão e depois foi a lei do desenrasca foi para casa pensar e depois lembrou-lhe dumas funcionárias e as outras ficaram no rol do esquecimento.
Enfim é assim a justiça do nosso país e agora com a agravante de ter que gramar chefes como este até aos 65 anos.
Desculpe o desabafo, mas quando li a sua história estava no computador a fazer a minha reclamação á avaliação e pesquisei o site das avaliações.
Resposta: Não conheço a lei que referiste.
Num processo de avaliação justo, existe sempre uma margem, por vezes não delimitada quantitativamente, dependente do avaliador.
E não há alternativa.
Trata-se de uma característica em qualquer avaliação do desempenho de um Humano.
Suponho que o modelo de avaliação que tinhas anteriormente premiava todos com a mesma medida: Muito Bom. Por ter sempre o mesmo resultado, esse era um mau processo de avaliação.
O que deves questionar, é sobre os objectivos que não atingiste e o que deverás fazer para os atingir. Deste modo, o avaliador terá a obrigação de te explicitar, simultaneamente, o que te valorizou e o que desvalorizou.
Continuação do Bom trabalho e teima na qualidade dele. Só a persistência te trás mais valia.

 

 

41) 18Jan2006 [Carla Manuela Navio Dias - carla_navio@iol.pt]
Colega Alcino, (...) subscrevo tudo o que escreveu sobre a avaliação de desempenho.
Há dois anos mudei para o 5º escalão e também me foi atribuída a menção qualitativa de Satisfaz. Como durante o período em que estive no 4º escalão frequentei uma Pós-Graduação em Novas Tecnologias no Ensino da Matemática, e desenvolvi vários projectos com os meus alunos, optei por fazer um requerimento, ao Presidente do Conselho Executivo da escola onde entreguei o relatório, a pedir o Bom. A comissão, reunida para o efeito, considerou o meu pedido válido. Acrescento que só trabalhei um ano nessa escola e que o trabalho desenvolvido com os alunos foi essencialmente nos anos lectivos anteriores.
Quero dizer com isto que as pessoas que resolveram atribuir-me o Bom mal me conheciam e a sua decisão baseou-se sobretudo no relatório que entreguei.
Fico incomodada por saber que este tipo de decisões não obedece a um conjunto de critérios considerados de igual forma para todos. Por conhecer, mesmo só indirectamente o seu trabalho, considero injusta a decisão.
Gostaria também de felicitá-lo pelo seu trabalho de Mestrado em Tecnologia Educativa. (...) Todos os colegas de mestrado consideraram o seu trabalho muito válido (...).
Resposta: Fico feliz por tu teres conseguido um Bom.
Espero que esta atribuição te dê coragem redobrada para promoveres actividade e vida matemática por onde trabalhares.
As tuas palavras são explicitas e nada mais acrescento.

 

 

40) 13Jan2006 [Abel Eça - pereiraeca@prof2000.pt]
Tens toda a razão.
Deverias ter recorrido.
Ainda podes ir para a imprensa e fazer uma exposição à actual ministra, para esta ver como se premeia o mérito neste pais.
Resposta: O meu estado emocional não me permitia que propusesse um recurso à DREC.
Até ser re-reavaliado, continuava a sentir-me avaliado por todos (alunos, pais, professores, gestores,...).
Teria sido uma pressão muito grande para um lucro nulo (pois mesmo que fosse favorável, não receberia mais dinheiro nem promoção, nem ...).

 

 

39) 19Dez2005 [Judith Tomaz - judithtomaz@sapo.pt]
Apetece até não dizer nada... É tão caricato, que se não fosse "triste", talvez nos conseguíssemos "rir"... Mas, a verdade é que estamos nas mãos de "inimigos imprevistos". E não me refiro só ao Ministério da Educação; mas em especial à Escola onde somos avaliados, e cujos orgãos: Executivo e Pedagógico NUNCA CHEGAM A SABER COM VERDADE A REALIDADE DO NOSSO TRABALHO... Mas também a colegas que, nem adjectivo... E, digo isto com propriedade, pois estou também perante um SATISFAZ.
O meu caso é este: há cerca de dez anos tive um Acidente em Serviço, do qual resultou um traumatismo craniano... Com a minha ingenuidade, pedi alta ao médico hospitalar (que também me tinha atendido na urgência), ao fim de um mês. Tendo o médico alertado para o facto de eu ainda não estar bem. Mas, os "meus meninos" estavam à minha espera... Hoje sei que fiz mal...Mas era capaz de voltar a fazer o mesmo. Só não contava com as recidivas e sequelas que me esperavam. E, no ano lectivo seguinte tive de pedir redução da componente lectiva...E no outro... e ainda no outro. Até que, sem aviso prévio me consideraram (sem fundamentação legal; mas só, por of "diálogos" extraordinários... análises psicológicas; poemas em grupo; mas sobretudo ouvi-os... e eles ouviram-me... E houve entre nós ENVOLVIMENTO.
No ano em que tive o acidente, desenvolvi um trabalho experimental de "Interligação de Sentidos e Percepção dos mesmos", baseado no sistema neural. Mais tarde, tendo melhorado um pouco, voltei à Escola e fui integrada num Projecto de: A Escola em Palco. Fiz uma adaptação da Peça de Teatro "Sonho de uma Noite de Verão" de W. Shakespeare, para 45 minutos. O grupo de professores deste projecto "desmoronou-se", tendo ficado só eu e o Director do projecto. A Escola tentou sabotar o nosso trabalho: não nos fornecendo espaço para ensaio e,...etc. Quando a Peça foi representada (embora estivessem presentes 90 pessoas da escola: Professores, Encarregados de Educação e Funcionários) NINGUÉM do Conselho Executivo, ou do Pedagógico se fez representar. Foi feita uma compilação musical (que integrava Strauss; Massenet; Lizt; Ravel... pois o prof. de Educação Musical também saiu do grupo)...
Agora, neste campo atribuíram-me um Bom; no relacionamento com os alunos, outro Bom; nos projectos inovadores também Bom...Todavia, no cômputo final: SATISFAZ.
Falta dizer que, 8 anos depois do acidente, com a devida fundamentação Médica foi reaberto o processo do mesmo. A Junta Médica da ADSE Deliberou 25% de Incapacidade Permanente Parcial e a CGA (pois fui compelida à aposentação), desceu para 15%.
Colega, estive 10 anos e 8 meses, sem poder progredir na carreira, e só em Agosto deste Ano me foi possível (pois tive direito por lei a 110 dias de férias) fazer uma Acção de Formação, através da Internet, para obter os créditos necessários e, subir para o "7ºEscalão", com 25 anos e 8 meses de serviço - "Pedi" BOM; mas, depois de me terem" cortado" as pernas para a vida que, para mim escolhi: SER PROFESSORA, a sensação que tenho é de ter cometido um crime. Sei o mérito do meu trabalho; mas, é triste, que pessoas com as quais trabalhámos, nos olhem de uma forma que, desta vez, vou adjectivar: É Irracional. E o BOM não é atribuído, por "medo". Mas não vou parar...de lutar. E não é só por mim...é por todos os injustiçados. Força...
Deixo este pensamento à consideração de quem faz do ensino um
apostolado e pauto-o como "factotum":
"Não se ensina o que se quer
Não se ensina o que se faz
Ensina-se o que se É." Jaurés
Resposta: O teu caso é comovente.
Apesar de muitos reconhecem que o trabalho de um professor não é apenas SATISFAZ, a comissão de avaliação decide mantê-lo.
Não desistas. Porque a Escola vive e é conhecida devido a pessoas como tu que a Ela se dedicam para além do estritamente esperado.

 

 

38) 10Dez2005 [Ana Maria Bastos - mariacavacos@netvisao.pt]
O problema da avaliação é sempre o mesmo: diferentes olhares e nenhum isento de subjectividade.
Um professor é aquilo que o avaliador quer que seja... que não o suplante!
Resposta: Concordo: qualquer avaliação é subjectiva para o avaliado e objectiva para o avaliador.
Sobre a capacidade do avaliador, pergunto-me se será possível um avaliador atribuir mais do que aquilo que possui.
Penso que sim. Mas exige dele uma sinceridade e humildade perigosas.

 

 

37) 05Dez2005 [Carlos Matos - jcmd@oniduo.pt]
E se o professor é  NÃO SATISFAZ? Não deverão haver consequências? Ou vai continuar a prejudicar alunos cantando e rindo? Que podem os alunos e seus pais fazer quando estão a ser prejudicados por professores incompetentes?
Resposta: Pois... é um tema muito impreciso, conforme concluirás pela minha resposta.
É raríssimo (0,01%?) haver uma classificação INSATISFAZ para um professor.
Não conheço nenhum professor com esta classificação.
Não sei o que lhe aconteceria. Provavelmente, apenas será retido no escalão de vencimento, não progredindo na sua carreira profissional.
Ou, talvez, ser levantado um processo disciplinar interno.
O processo disciplinar é, por obrigação, de carácter sigiloso.
O que fazer quando um professor é considerado insatisfaz por um aluno:
1º Consultar os restantes colegas/alunos para verificar que as incompetências são detectadas pelos restantes
[ver conselho 1 abaixo]
2º Registar pormenorizadamente ocorrências significativas/marcantes/evidentes. recolher provas. Conversar com outros docentes para se certificar de que a actuação do professor é deveras insatisfatória/incompetente.
3º Elaborar uma declaração dirigida ao Conselho Executivo da escola e assinada pelos alunos ou por um ou mais pais, contendo anexos as cópias das provas recolhidas que atestem o mau comportamento/desempenho do professor, em carta registada com aviso de recepção.
4º Publicitar oralmente na escola que esta acção foi iniciada, explicitando as provas e as causas.
5º Esperar apenas 15 dias pela resposta da carta. caso nada seja comunicado por escrito, dirigir uma carta ao Director Regional de Educação reclamando a não resposta da escola e anexando a referida carta, registada e com aviso de recepção.
6º Caso nada aconteça no prazo de 30 dias, dirigir uma carta ao ministro expondo a situação, registada e com aviso de recepção.
Cuidado 1: Uma opinião não é suficiente para atestar um mau desempenho do professor;
Cuidado 2: Um aluno facilmente critica um professor e tem muita dificuldade em querer estudar e adaptar-se ao método do professor.
Cuidado 3: Muitos gestos do professor na sala de aula podem ser incorrectamente relatados e, por isso, deturpar uma realidade pedagógica complexa.
Cuidado 4: As provas recolhidas devem ser evidentes sobre a situação ocorrida.
Cuidado 5: Se a acusação se concluir sem fundamento, então o professor tem o direito (e deve) apresentar em tribunal uma queixa contra o acusador.
Reflexão global: Independentemente do resultado da acusação ao professor, então os restantes professores vão diminuir o seu desempenho na actividade docente visada na acusação.
Conselho 1: Conversar, conversar, conversar.
Conversar com outros alunos.
Conversar com outros professores.
Conversar com outros funcionários.
Conversar com os responsáveis/superiores do professor.

 

 

36) 28Nov2005 [Anabela - belasilva@hotmail.com]
Nem sei o que pensar desta sociedade e prática pedagógica.
Penso que é muito injusto para um professor que quer inovar a sua leccionação seja assim tão rebaixado, espero que isto melhore, pois também serei professora e não queria passar por esses constrangimentos.
Boa sorte!
Resposta: Quando iniciei a minha carreira de professor, transportava cuidadosamente ideias e ideais para aumentar os sucessos dos meus alunos.
Algumas destas ideias eram belas, mas incorrectas ou desajustadas.
[Por exemplo, desejava que os meus alunos me pudessem tratar por "tu", mas constatei que o processo ensino-aprendizagem neste sistema educativo exige um distanciamento verbal entre o professor e o aluno]
Quando o constato, abandono uma ideia e abraço um ideal.
Este refazer de ideais tem sido doloroso e, nesses instantes, apetece-me desistir de pensar.
Vejo agora que o meu caminho não é linear nem o poderia ter sido.
Sei que tenho e terei sempre constrangimentos entre o que desejo, o que faço, o que recebo e o que poderia ter sido.
Vou continuar a aprender a SER PROFESSOR.
Não desisto!

 

 

35) 18Nov2005 [Walmir Benedito dos Reis - walmir@grupog3.com.br]
Sou brasileiro, funcionário público, professor de Artes no maior estado brasileiro (São Paulo) e no momento desfruto de uma licença sabática, navegando pela área de treinamento e desenvolvimento em empresas privadas.
Aqui também temos uma cultura punitiva, que enxerga a avaliação como sistema de medição, e este tema é espinhoso não só na esfera pública como também na esfera privada.
Fazendo pós-graduação em gestão de recursos humanos, começo a enxergar o tamanho do problema.
Persista e puxe o trem da mudança.
Resposta: Fiquei curioso sobre o modelo de avaliação de professores no Brasil. É o mesmo para todos os professores?
Existe salários diferentes? Depende da idade como acontece aqui em Portugal?
Nós não temos uma cultura punitiva da avaliação de professores.
O que é uma pena!
No nosso modelo, de 4 em 4 anos 99,99% dos professores são avaliados com "satisfaz", permitindo-lhes um aumento de salário.
Nem existem prémios (incentivos) nem existem punições (restrições).

 

 

34) 15Nov2005 [identidade apresentada]
Estamos no mesmo barco, também sou professor satisfaz porque dizem que todas as actividades e projectos que realizei e coordenei deveriam ter um comprovativo dado pelo CEI. E que deveria ter falado também do trabalho dos meus colegas.
Basta... Não é um grupo de cotas frustrados e encalhados que me avaliam.
Sou professor muito bom.
Resposta: É desesperante, eu sei!
Mas a persistência produz a qualidade.
Além disso, temos de saber conviver nesta sociedade já organizada.
Não desistas!

 

 

33) 9Nov2005 [Álvaro Anjo - a-anjo@clix.pt]
Parabéns pelo trabalho. Continue.
..mas também seja um pouco egoísta, pense mais em si, e tente tirar benefícios económicos do seu trabalho...
E agora em defesa do diabo...
No seu relatório, o título, diz "Relatório Crítico do 5º Escalão", e na introdução não faz referência se é do 4º para 5º, ou do 5º para o 6º, o que julgo ser preciso.
Obs: tomei registo, do relatório e dos comentários. É que eu não trabalho muito, mas trabalho... mas um dia isso pode ser in+suficiente...
Resposta: Por definição, um relatório refere-se a um prazo do passado. Logo o "relatório do 5º escalão" refere-se aos anos deste escalão, com o intuito de passar ao escalão seguinte.
Neste momento ando ao ritmo do meu prazer, sem deixar de fazer o que é pertinente para a escola. Assim, dedico-me a pequenos gestos que poderão ser úteis para outros (por exemplo: escrever sobre o insucesso e as suas causas).
Enquanto a lei de avaliação do trabalho de professores não mudar, sei que não me iludo nem me dedico como antes.
Não consigo trabalhar a pensar apenas no meu interesse económico.
Mas não me dedico tanto a actividades fora da escola (como as actividades propostas pela APM).
Alenta-me saber que o que vou escrevendo no meu site é útil nem que seja para uma única pessoa.

 

 

32) 11set2005 [António Amado Ferreira - aafamado40@hotmail.com]
Depois do que li acho que tens toda a razão.
Há que alterar todo este sistema de avaliação que premeia toda a gente mesmo aqueles que nada fazem mas que tal como tu também têm um satisfaz.
Parabéns pelo teu trabalho e compreendo a tua desilusão.
Resposta: Eu sei que qualquer avaliação é subjectiva.
Mas não é eficaz nem eficiente este sistema de avaliação.
Estou ansioso para o que este governo está preparando.

 

 

31) 19Jun2005 [Vera Oliveira - Vera_go@mail.pt]
São os próprios professores que não se importam que lhes atribuam satisfaz, desde que não não sejam perturbados no seu vencimento.
Sim, porque a maioria dos professores mais "velhos" imobiliza o sistema...
Por não se quer estar a chatear com nada, desde que ninguém o chateie, faça este professor bem ou mal o seu serviço. O satisfaz neste relatório, é simplesmente mais um daqueles que é feito para nada simplesmente para manter o "protocolo".
Resposta: De uma forma breve, posso afirmar que... concordo inteiramente contigo.
Os reavaliadores, aqueles que vão ponderar a atribuição de BOM ou de MUITO BOM, estão constrangidos para a mudança. Por alguns factores:
- Os avaliadores de uma comissão de reavaliação são chefes hierárquicos do avaliado mas, em qualquer instante, podem voltar a ser apenas colegas dele;
- Os chefes que reavaliam suportam-se em opiniões das pessoas que leram e/ou conhecem o professor reavaliado, podendo, naturalmente, ser influenciados;
- A avaliação do comportamento (de um funcionário) é uma teoria muito complexa que os reavaliadores não dominam;
- Os critérios para a atribuição de uma classificação que não o SATISFAZ são muito vagos, tornando-se subjectivos;
- a atribuição de um BOM ou MUITO BOM faz reconhecer aos avaliadores que o reavaliado tem uma avaliação superior à própria sua que foi SATISFAZ.
- A obrigação de sigilo da reavaliação do trabalho docente permite que todos os implicados sejam desculpados e esquecidos;
- A atribuição de BOM numa reavaliação é executada com os critérios de MUITO BOM (pensam que ele vai logo pedir o MUITO BOM), elevando desadequadamente o nível de exigência;
- Se os reavaliadores atribuíssem o BOM teriam no ano seguinte que trabalhar muito mais na reavaliação de dezenas de pedidos de reavaliação;
- A não retribuição salarial do BOM desmotiva a requisição da reavaliação dos que tiveram o mero SATISFAZ;
- Os pedidos para a DRE respectiva é um processo moroso, fazendo com que o funcionário se sinta continuamente sob intensa observação (1 mês?) pela comunidade educativa, levando-o a uma depressão e, no final, provavelmente receberia o SATISFAZ (para não contrariar os reavaliadores);
- Igualmente aconteceria num pedido ao Ministério da Educação, mas com uma pressão muito superior;
- Estes dois últimos procedimentos levaria o professor requisitador da reavaliação a ter que contactar, ler, redigir e consultar dezenas de pessoas, provavelmente pagando.
Apenas pode apoiar o sistema de avaliação docente que tem existido até este momento, o professor que é SATISFAZ e quer ganhar como o professor MUITO BOM, mas faz o mínimo!
É triste que este sistema de avaliação de professores mantenha a ideia de que somos todos iguais. É triste que os que se preocupam, pensam e agem sejam excluídos pelos restantes! É triste manter um sistema retributivo que promove a mediocridade e a preguiça!
Não recrimino cada um destes professores que se aproveitam deste sistema de pagamento salarial. Contesto os dirigentes e políticos que pactuam com ele e o mantêm! Não achas estranho que em centenas de milhares de professores existem apenas umas dezenas (!) de BOM e ainda menos MUITO BOM!
POR ISSO, APENAS POSSO LOUVAR A INICIATIVA DESTE GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES POR ACABAR COM A PROMOÇÃO AUTOMÁTICA E IMPLEMENTAR UM DESEJADO SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE.
Acredito no trabalho legislativo deste governo e espero que daqui a um ano não tenha de aqui escrever que o sistema de avaliação é deficiente ou incompleto.
Mas nada pode ser tão nefasto para Educação e a Aprendizagem dos portugueses como o processo de avaliação de professores que temos tido até hoje.

 

 

30) 18Jun2005 [não se identificou]
Sempre foi assim, quem mais trabalha pior fica.
O país gosta de quem não trabalha e o ministério não gosta de conhecer quem trabalha...
Resposta: Sim! Confesso, sou um trabalhólico.
Sou um professor que não consegue ficar parado!
"O país gosta" de quem não se evidencia. De quem fica quietinho no seu lugarzinho.
Claro que quem faz algo corre o grande risco de ... errar. O que se torna uma boa oportunidade para os que nada querem/sabem fazer poderem criticar e, assim, manterem-se na crítica vã de acção.
Para os governantes reconhecerem que algum professor trabalha precisa de ter algo para lhe oferecer. Mas o dinheiro já foi desperdiçado com os preguiçosos (horários zero, benesses de idade, subsídios, faltas e muitas outras formas de preguiçite aguda, a doença de muitíssimos funcionários públicos).
Dá mesmo vontade de aproveitar este marasmo, mesmo que todos os especialistas económicos apontem a pasmaceira da administração pública portuguesa.

 

 

29) 31Jun2005 [João Cruz - jrrbc@hotmail.com]
Embora solidário tenho que lhe lembrar os valores de excelência vigentes em Portugal:
1. Aluno excelente é o que consegue entrar em medicina sem ser desportista
2. Professor excelente é o que consegue que os alunos entrem em medicina
3. Outro critério de excelência: professor excelente é o que consegue ganhar o dobro do ordenado em explicações.
Eu, por exemplo, considero-me excelente segundo o meu próprio critério (o critério do "ranking"): estou nos 50 primeiros lugares no concurso nacional de professores.
Resposta: Obrigado pela tua pontaria. Realmente, outros critérios de avaliação podem ser levantados.
Há professores que consideram o seu trabalho como BOM por diversos motivos, sintetizados de seguida.
1. Foi efectuada uma avaliação inicial (Avaliação Diagnóstica)
        - Possui uma certificação para leccionar;
        - Possui um estágio;
        - Possui um tempo de trabalho.
2. Foi avaliado por outros pertencentes à sua escola (Avaliação Interna)
        - Foi aprovado num processo de avaliação docente por colegas da sua escola;
3. Foi avaliado por outros de fora da escola (Avaliação Externa)
        - Foi aprovado num processo de avaliação docente por entidades que não trabalham na sua escola;
4. Foi analisado por outros (Análise Externa)
        - Alguns dos seus chefes afirmam alguma coisa do seu trabalho;
        - Alguns dos seus alunos afirmam alguma coisa do seu trabalho;
        - Alguns dos seus colegas/professores afirmam alguma coisa do seu trabalho.
5. Foi analisado por si mesmo (Auto-Avaliação)
        - Sente que fez um grande esforço ou dedicação;
        - Produz algo mais do que os seus colegas;
        - Produz algo diferente do que os seus colegas;
        - Produz algo com maior valor do que os seus colegas fazem.
6. É localizado na avaliação de uma outra coisa (Avaliação Indirecta)
        - Os seus alunos possuíram algum tipo de sucesso;
        - A sua escola possuiu algum tipo de sucesso;
        - A sua classe profissional possuiu algum tipo de sucesso.
Aqui, apenas interessa discutir a avaliação externa, directa e final, num certo período de tempo, sobre o trabalho demonstrado e confirmado do professor.
Claro que deve ser uma Avaliação Ajustada às competências necessárias e  ajustadas do professor. Deve também ser uma Avaliação Formativa para promover o desenvolvimento do professor. Deve ainda ser uma Avaliação Consequente nas funções e no salário do professor.
Qualquer avaliação tem uma percentagem de subjectividade. Mas podemos construir uma avaliação com suficiente objectividade, porque só assim ela será reconhecida.
A nossa avaliação actual deverá ser alterada de modo à classificação obtida na avaliação do trabalho de um professor seja usada como referência e, assim, ser a privilegiada por todos as pessoas de uma comunidade escolar.

 

 

28) 9Jun2005 [Vycyus - vycyus@hotmail.com]
És um toto!!!!!!!!!!!!!!
Resposta: Não compreendi perfeitamente. Será que te referes a eu perder o meu tempo a pensar nisto?
A reflexão nesta page poderá auxiliar muitos a não cometer os mesmo erros que eu.
Não achas?

 

 

27) 1Jun2005 [Ana Oliveira - ana.goncalves@mail.telepac.pt]
Saí há poucas horas de uma comissão de avaliação para atribuição (ou não) de um bom.
Eu queria dar um bom, o colega que avaliei não tem digamos que metade
das actividades que o Alcino diz que desenvolveu.
Ainda assim ele também merecia...
Ainda não me recompus.
Resposta: O sistema educativo (chefes, gestores e políticos) tem receio do que possa vir a acontecer numa comunidade escolar quando é atribuído um nível superior a SATISFAZ. Alguns pensam que os restantes professores se vão tornar incompetentes ou que a atribuição não corresponda à realidade.
A verdade é que é muitíssimo anormal é que as pessoas sejam todos iguais no desempenho profissional.
Claro que existirá sempre uma fronteira de dúvida entre duas classificações.
Além disso, é necessário que os avaliadores tenham a coragem de impor uma classificação mesmo que seja contraria à desejada.
Não desistas.
O resultado da avaliação não dependeu da tua intervenção mas do que o presidente dessa reunião levava na mente.
É assim. Mas vai mudar...espero!

 

 

26) 18Mai2005  [Francisco Ribeiro - frajoleri@sapo.pt]
Concordo que é frustrante receber uma avaliação de satisfaz igualmente como quem apenas cumpre. No entanto é de lei que assim seja... na 1.ª avaliação, como muito bem sabes. Para ter classificação de "Bom" tens de fazer novo relatório e nomear um teu representante. Coisa que já fizeste e mantiveram-te o "Satisfaz". E que fizeste tu? Desististe...
Vai em frente se achas que mereces o "Bom". Esgota todas as possibilidades de te darem a classificação que pensas merecer, pois assim demonstras que não és mais um acomodado do "Satisfaz", independentemente de te manterem a avaliação na última instância. Então sim chora ou cerra os dentes e procura mudar o sistema mantendo o teu bom desempenho, porque só assim estarás a cumprir aquilo a que no início da profissão era teu propósito: ser um bom professor para os alunos segundo a tua consciência e não segundo a consciência dos outros expressa na forma como te avaliam.
Resposta: Quando numa escola de 100 professores, aproximadamente, nunca existiu um que não fosse classificado SATISFAZ, devo concluir que algo está errado; é muito estranho que sejamos todos iguais.
Penso que esta página faz mais do que a minha vã recorrência.
Por outro lado, ser teimoso ao recorrer não é sinónimo de ter razão.
Sobre o meu comportamento que entretanto assumo, devo anuir e resignar-me, conforme já fizeram (quase) todos os outros professores.
Logo que tenha uma possibilidade, devo intervir para auxiliar uma mudança do sistema.

 

 

25) 17Mai2005 [Olga Vaz - ovaz@math.uminho.pt]
Tem razão, a maior parte do tempo apetece mesmo mandar tudo às urtigas e fazer só o estritamente necessário.
O problema é que há pessoas viciadas em fazer coisas bem feitas, coitadas!!!
Não adianta? bem, sempre se fica satisfeito quando se percebe que o nosso ensino é melhor e isso é reconhecido pelos alunos.
No seu caso, fica sempre a esperança de que isto ainda mude; no meu caso, como já estou no 10 escalão, vou ser sempre satisfaz; paciência...
restam-me os alunos
Resposta:
O mais triste da dedicação profissional é que constato que quem não se dedica como à escola tem mais do que eu; Gasto milhares de euros por ano na minha formação e contribuo para a dos outros sem que obtenha qualquer lucro.
Enquanto os merecidíssimos SATISFAZ têm férias duas ou três vezes por ano, têm carros, e casa.
Por ter gasto o tempo com a minha profissão e não com os meus bens, só agora, aos 36 anos, estou a começar a fazer a minha casa.
Não vou desistir de me dedicar (está na minha forma de ser), mas vou desinvestir (pelo menos nos próximos tempos).
Sobre estares no 10 escalão, devo lembrar que a reavaliação é independente do escalão em que se está. Pois a avaliação de BOM não acarreta qualquer benefício financeiro mas apenas um reconhecimento pela comunidade.

 

 

24) 10Mai2005 [Paulo Correia - paulomic@sapo.pt]
Pois é... Com a aproximação da minha mudança de escalão pensei em "comprar a
guerra" que tu descreves... Agora que li isto - já desisti.
O reconhecimento terá que vir das pessoas que respeitas - a acta da reunião da comissão da tua avaliação nunca te dará o prazer do número cresceste dos visitantes da tua página - isso é a tua verdadeira avaliação.
No dia em que as pessoas que tu respeitas te disserem que és satisfaz, então serás. Enquanto as pessoas que tu consideras como boas ti disserem que és mais do que satisfaz, então tu és Bom. (A minha opinião é que o teu trabalho é Bom, não sei se me consideras ou não...).
Pela minha parte posso desanimar-te ainda mais, para além da falta de reconhecimento que lamentas, a direcção da escola dificulta e boicota todas as actividades que tento desenvolver, perante a passividade da maioria das pessoas da escola... vive-se bem!!
Resposta: é nobre afirmar que "o reconhecimento terá que vir das pessoas que respeitas". Mas não podes chamar apóstolo a quem não tem seguidores.
Dito de outro modo, tu és um professor reconhecido e valorizado por muitos (tenho a certeza!) mas na tua escola receiam-te e estão impedidos de te dar o que tu mereces.
Tu vais ser um abnegado trabalhador, assim como eu. No entanto, no final de uma caminhada (ano escolar) fica-nos o sabor amargo da indiferença a que somos catalogados.
Temos de continuar a marcar presença, quanto mais não seja ao obrigar os nossos chefes a reflectir sobre o nosso trabalho.
Eu não me arrependo de ter solicitado uma reavaliação, pois verifico que a escola me olha de modo diferente.
Ainda não sou mais do que um professor SATISFAZ. Mas vou auxiliar outros a deixarem de serem apenas SATISFAZ.
FORÇA PAULO! Não desistas.

 

 


23) 10Mai2005 [Sérgio Coelho - sergio_coelho@sapo.pt]
Eu também já tive disso!
Mas ao fim de duas classificações de satisfaz curei-me. Quero dizer, não estou totalmente curado mas melhorei muito.
Resposta: Entendi que te propuseste duas vezes a uma reavaliação e foi mantida a classificação de satisfaz. Deve ter sido doloroso.
Porque as pessoas são diferentes, há três tipos de desempenhos possíveis para uma rigorosa e justa avaliação SATISFAZ:
1- o professor MAU que se dedica tanto que atinge o SATISFAZ
2- O professor SATISFAZ que desenvolve as suas normais competências
3- o professor BOM que foi preguiçoso e produziu menos do que seria capaz
Parece-me que está a ser atribuído injustamente a classificação de SATISFAZ para todos os outros casos.
No momento oportuno, devemos intervir perante os sindicatos e o ministério da educação.

 

 

22) 6Mai2005 [Roberto António Cesário Sepanas - roberto.sepanas@netvisao.pt]
Sou professor do 1º Ciclo e aconteceu-me algo semelhante a si, só que inclusivamente recorri para a direcção regional, o processo manteve-se no SATISFAZ, pode consultar o meu currículo e observar os documentos na minha page em http://clientes.netvisao.pt/roberto/.
Compreendo exactamente o que está a passar e subscrevo-o na íntegra.
Resposta: Decidi não recorrer sobre a decisão da reavaliação e não estou arrependido.
Seria um processo moroso e sentiria que estaria a ser sistematicamente avaliado.
Além disso, em nada mudaria o processo de avaliação de desempenho de professores.

 

 

21) 19abr2005 [Carlos Filipe Rêgo - cfrego@sapo.pt]
Apetece... bater com a mão na mesa não é?
Infelizmente no actual sistema é assim que as coisas funcionam... São muitos aqueles que passam por uma escola (alguns por uma carreira) que ninguém deles se lembra... tudo por se mantiveram na sombra... Não fizeram... nem se preocuparam em fazer... nem tão pouco criticaram quem
fazia (era o que faltava!!!)... e também esses... são professores
SATISFAZ.
Realmente o sistema de avaliação e de progressão na carreira deveria ser diferente... Esperemos que "Bolonha" possa de algum modo... "iluminar" a mente de quem decide...
Quando me refiro a Bolonha, não me refiro ao sistema de avaliação mas sim à questão da obtenção de títulos. Se alguém durante a sua carreira participou nas mais diversas acções de formação... procurou investigar... procurou o "saber" muito para além do que lhe era exigido para a simples mudança de escalão, seria justo o reconhecimento, por exemplo, do grau de Mestre. Infelizmente hoje em dia... muitas das acções de formação que vemos dirigidas à classe docente são... "de pacote" (a expressão é minha). São acções que se repetem anos a fio... sempre com os mesmos objectivos e destinatários e que só existem porque há créditos a amealhar para a mudança de escalão.
(...) Na minha opinião urge rever o sistema de avaliação. O verdadeiro professor não deverá temer isso. Como dizes... venha daí o "capitalismo"... e a produtividade. Hoje que tanto se fala em produtividade... é necessário que se eliminem tabus e a produtividade possa chegar às escolas. O professor produtivo não é aquele que no final do ano apresentam um baixo número de classificações negativas. Vai muito para além disso... e esse "além"... não é na maioria dos casos avaliado.
Talvez se a produtividade fosse avaliada e os benefícios fossem visíveis e as coisas seriam diferentes. Mas enquanto os nossos "sindicatos" andarem entretidos com "o sexo dos anjos"...
Resposta: Concordo plenamente contigo.
Até nem vejo dificuldades na definição de um sistema de avaliação de educadores. Outros trabalhos com registo oral ou mental passam por esse crivo, tais como os de chefes de equipas de trabalho em empresas privadas.
O único obstáculo está nas mentes dos nossos colegas que preferem manter o sistema neste estado do que se sentir com a obrigação de se esforçar e mostrar esse esforço. A preguiça ainda compensa!...
No entanto, num sistema de avaliação rigoroso, os professores Satisfaz não teriam que marcar presença nem se destacar em nada. Seriam normais funcionários públicos e muito úteis ao desenvolvimento das escolas.
Como existem sempre alguns que se destacam, deveriam-lhes dar um privilégio. Pelo menos uma palavra de afecto e agradecimento. O óptimo é que os que um funcionário tivesse um salário correspondente ao seu feito, acrescendo, mantendo ou subtraindo ao dito salário SATISFAZ.
Que eu conheça, Bolonha não passa pela avaliação de professores do ensino básico ou secundário. Mas espero que o capitalismo comece a aparecer nas escolas portuguesas que ainda se regem num sistema muito semelhante ao comunismo.

 

 

20) 04Abr2005 [Não Identificado]
De facto precisa-se urgentemente de mecanismos de avaliação, não só para docentes, mas para todos os funcionários públicos.
Num empresa privada, se temos um mau desempenho então somos despedidos, ou temos um decréscimo no salário, ou simplesmente não somos aumentados enquanto não produzirmos mais. Porque é que no sector público não é assim?
O facto de não haver avaliações levanta inúmeros problemas. Degrada a qualidade do ensino e de qualquer outra instituição pública, pois como em qualquer empresa "normal", apenas os melhores deviam ser mais reconhecidos e não serem todos reconhecidos da mesma forma. Isto obrigaria as pessoas a produzirem mais e melhor e consequentemente a ajudar a sociedade a progredir... que muito precisa!!
Resposta: Conforme disse o investigador Paulo Trigo Pereira (Revista Pública, 3Abr05, pp. 5-8) "no caso português existe espaço para melhorar a equidade e a eficiência, isto é, combater o insucesso escolar com o mínimo de recursos possíveis [...] O acréscimo de despesa não está orientado para aquilo em que é mais eficaz do ponto de vista do sucesso educativo". Além disso, ainda estou convicto da lei de que o Homem pretende obter o máximo proveito com o mínimo esforço. Não pretendia que as escolas fechassem com a mesma facilidade como acontece com as empresas. Mas poderão facilmente ser implementadas medidas, transitórias, de modo a potenciar os recursos existentes (materiais e humanos), tais como, existir autonomia financeira de cada escola com base num orçamento determinado à priori, haver responsabilidade local pelos currículos e orçamentos de uma escola, a escola poder aceder a especialistas que lhes resolveriam os seus problemas prementes, valorização e estagnação dos profissionais de uma escola determinados por avaliações.

 

 

19) 30Mar2005 [Luis Santos - luisantos@walla.com]
Percebo claramente que alguém se passe com um 'satisfaz', naquela do... nem bom, nem mau, antes pelo contrário. Até já estava solidário e tudo. Mas ... quando vi que um colega, professor, ainda mais de matemática, no comentário deixado ao texto do Linhares, escreve ACERTIVO ... uiiii ... confesso que há erros e erros e que sou alérgico aos ortográficos, de fundo, não de digitação. Comecei a ficar com pele de galinha. ASSERÇÃO é um termo matemático :-)
Mas, à parte esta coisita, acho que tens toda a razão. Há que protestar, mas não nos podemos ficar pelos protestos aqui na net, temos que barafustar com a Escola, com os Sindicatos, com quem de direito e de direita, que os de esquerda não são melhores. Enfim, assertivamente, pelo que vi, é um satisfaz nada satisfatório; e como quem não se sente não é filho de boa gente ... eu protesto, tu protestas, ele/a protesta ... mas quando protestaremos todos juntos? hãããã???
Resposta: Eu não quis escrever "assertivo". "Acertivo" não está escrito no meu dicionário. Mas quando as palavras são poucas, inventem-se novas. Acertivo = Acertar sempre.
Tens razão: temos de barafustar para que a realidade mude. Mas o peso do passado não auxilia a mudança. Além disso, todos os funcionários públicos (= pessoa que recebe dinheiro do estado português por um trabalho) são felizes neste sistema de avaliação. O problema reside no desejo do aumento da produtividade. No nosso caso, a produtividade é a aprendizagem dos alunos. Como eles não querem aprender (pretendem outras coisas), não há contestação a este modo de trabalhar "nem bom, nem mau".

 

 

18) 15Mar2005 [Célia Franco - urbanaclara@yahoo.com.br]
Oh, Alcino. Não desanimes!... És bom e muita gente sabe disso.
Não deixes de trabalhar e de fazer pela vida das pessoas, "só" por teres o azar de ter nascido em Portugal.
Resposta: Já passaram quatro meses e ainda não me conformo. Quando me propus a esta re-avaliação do meu desempenho profissional, esperava que:
- uma resposta favorável me fortalecesse
- uma resposta negativa me motivasse a melhorar.
A verdade é que perdi o entusiasmo. Estou mais egoísta.
Significando que continuo a dedicar-me mas já não me apetece gastar tempo e (milhares de) euros por ano na minha formação e na dos outros.
Recusei dinamizar sessões práticas, não me inscrevo em conferências e encontros, não me apetece dinamizar formações, não me apetece actualizar os meus SiteMat.
Nem quero ir ao ProfMat. Acreditas?

 

 

17) 10Mar2005 [Lourdes - lourdes.ribeiro@dgpatr.pt]
Também sofro do mesmo mal. Sou Jurista e faço muito mais do que simples pareceres jurídicos, como os meus colegas.
Tenho pouco experiência nas matérias que trabalho mas tenho empenho, brio profissional e não me inibo de pedir ajuda, conselho ou até orientações aos mais experientes. No entanto, sou responsável por uma base de dados + ou - complexa onde deverão constar assuntos, temas, tipologias, técnico responsável, legislação aplicada, entre outros. Aquela BD foi «quase» (havia uma que nunca tinha sido usada nem testada, que alterei substancialmente) inteiramente concebida por mim, inserida a 90% por mim, actualizada, corrigida e a meu cargo tenho ainda o relatório de actividades. Todos esperamos um BOM. Tenho colegas que são óptimos Juristas em conhecimentos e experiência mas de que vale o nosso desempenho, esforço se não temos compensação correspondente? Se perco tempo a escrever este comentário é porque dou mensalmente 5 a 10 horas a mais ao serviço. Mas se chego atrasada um minuto tenho que justificar, humildemente.
Sinto-me mal e ... prefiro não pensar. Talvez amanhã seja diferente. Quem sabe? Vivamos de sonhos, de ilusões...
Resposta: Será que o referencial de avaliação de cada trabalhador está deturpado?
No caso do comportamento final de um trabalhador ser classificado como normal pode acontecer três casos.
Caso do lento e dedicado: o esforço feito pelo trabalhador foi muito grande, mas o nível atingido não deixou de ser o normal.
Caso do descontraído e eficaz: o esforço feito foi razoável, e tudo o que faz é normal.
Caso do extraordinário e preguiçoso: o esforço feito foi pequeno, pois faz o normal com facilidade.
Um raciocínio semelhante poderia ser feito para quem é classificado com "mau" ou com "bom".
Uma das ilações é que todos os trabalhadores são diferentes e exigem diferentes níveis de dedicação para a mesma produtividade (nada que um professor não encontre todos os anos na sala de aula).
Outra ilação é que uma empresa estatal (escola, hospital,...) não deseja que os seus trabalhadores sejam diferentes do que é considerado "normal" para que a competitividade não provoque mal estar social.

 

 

16) 22Fev2005 [Valério - valeriunix@simplesnet.pt]
Bem.... O conteúdo satisfazzz, mas a minha opinião continua a ser a mesma:- Perda de tempo, Perda de tempo, Perda de tempo, Perda de tempo.....
O mal está não está em quem avaliou, mas sim no “sistema”.
Se fosse na informática eu sugeria substituir a board (placa principal onde tudo é conectado) e reinstalar tudo. O problema era cortado pela raiz.
Neste caso o problema é mais complicado. O que vamos substituir? O avaliador? O seu Superior? O Superior do Superior?..... Provavelmente teríamos que os substituir a todos e mudar a mentalidade deste país, onde as pessoas se importam mais com o seu do que com a produtividade.
Resposta: Na verdade, a produtividade não é um tema praticado no ensino ou na aprendizagem em Portugal.
O PENSAMENTO QUE RESTA TEM SIDO: Mais vale ser SATISFAZ do que não ser funcionário público.
Isto é o mesmo que dizer: o funcionário publico satisfaz-se com o salário no dia 23 de cada mês. Pinga pouco, mas pinga sem esforço.
Não se trata de um sistema informático, mais fácil de tratar ou abandonar.
Numa empresa publica, a culpa é de .. ninguém!
Assim vamos... lentos!

 

 

15) 10Fev2005 [José Gomes - jmtgomes@netcabo.pt]
(...) O Sr Professor queixa-se de ser um "satisfaz". Ora ora! Deixe lá que o importante são os seus alunos. Será que para eles o Sr. só "satisfaz"?
Então num País gerido por gente má e medíocre como queria o Sr. ser classificado. O "bom" só será para os génios ou então para os amigos do "cartão". Eu até nem me quereria ver metido com tal gente.
É claro que há ou podem haver efeitos perversos que passam por oficializar essas avaliações e extrapolar que os Professores são só "satisfatórios" - e aí está uma das causas dos maus resultados da população estudante na disciplina - ou então podem os alunos, ao ter conhecimento de tais avaliações hesitarem sobre a competência do Professor, etc, etc, etc, que a noite já vai longa. (...)
E vejamos: também eu só sou um "satizfaz" e aplica-se-me rigorosamente o que a si se aplicou (...) A minha mulher é Médica (...) trabalhadora e muito dedicada aos seus doentes - não tem clientes!! - só trabalha para o Estado, i.é, não faz Medicina Privada. Pois também ela é "satizfaz".
E tenho mais exemplos - hóóóóó se tenho!!
É assim o País não "satisfaz".
Foi-me muito salutar encontrar este seu artigo na Net. Na verdade não podemos baixar os braços mais e permitir a continuação do naufrágio. Os hipócritas que nos dão palmadas nas costas e "satisfaz" também quando estamos de costas estão condenados a lavrar na sua lama.
O País sairá deste caos mais tarde ou mais cedo e seremos nós, os que não pedimos nada mas sim que exigimos o que é nosso, que o levantaremos.
Os espantalhos que por aí andam nem pardais assustam. São maus, fazem mal, mas deles a História guarda meia página para os evocar. (...).
Resposta: Nunca perguntei directamente aos meus alunos se eles me consideravam bom ou não. Tenho recebido comentários positivos todos os anos.
Mas, verdade seja escrita, em alguns anos alguns dos meus alunos não ficam muito satisfeitos comigo. Ainda não percebi se foi por causa dos resultados por eles alcançados se pela insuficiência do meu desempenho. Tenho de apurar melhor. [deu-me uma ideia ... obrigado. Talvez faça um questionário anónimo].
Mas o professor tem mais actividades do que na sala de aula. E neste aspecto, parece que é unanime que o meu desempenho foi Bom.
Terei outras oportunidades para crescer.
Mas reconheço que fico desapontado. Assim, como sucede consigo e a sua esposa, 99,99% (será maior?) das avaliações dos profs é ...SATISFAZ.
Um sistema que não premeia nem pune não pode ser classificado como um sistema que funcione de boa forma.
Além disso, todos os funcionários duvidam das avaliações feitas, chegando ao cumulo de se poder dizer que os funcionários públicos são ... Maus.
Imagine que a escola apenas ensina sem classificar os alunos: quem confiaria nas aprendizagens de um aluno?
Um empresário confiaria no certificado de uma pessoa que saísse dessa escola?
Além disso, os melhores avaliadores de um país são os professores e, segundo estatísticas, é uma das profissões em quem a sociedade mais confia.
No entanto, cada professor avalia de uma forma diferente, obtendo resultados diferentes de aluno para aluno...
Dito isto resta concluir que uma avaliação equalitária acarreta a generalização de funcionários com desempenho mediano ou razoável e fomenta a generalidade das desconfianças.
Não conheço nenhum sistema produtivo, eficaz ou inovador em que os seus elementos são todos classificados de igual modo.
Neste sistema há a virtude de todos sermos felizes sem preocupação pelos prejuízos ou lucros advindos.
Muito obrigado por me ter proporcionado esta reflexão e, fiquei a saber que existem outros lutadores pela qualidade do seu trabalho sem contudo serem nomeados ou remunerados.

 

 

14) 7Fev2005 [Joaquim Marques - jfmarques@mail.prof2000.pt]
Eu conheço muita gente e apenas conheço uma pessoa que escreveu no seu CV que foi avaliada com "Bom" no ano lectivo de ...
Uma coisa que também não percebo muito bem é que um professor seja
"Bom" num ano lectivo e a seguir apenas "Satisfaz".
Deixou de trabalhar?  Perdeu o interesse?...
Resposta: Perante este teu desabafo só poso concluir que ... a avaliação de desempenho de professores não existe!
Acerca das classificações alternadas, compreendo perfeitamente que um professor se tenha dedicado num certo prazo reunindo as condições para uma classificação de Bom ou de Muito Bom, e que depois venha a ser classificado de outra maneira.
Por isto digo: a classificação deve perdurar num carto prazo de tempo acompanhada pelas inerentes regalias.

 

 

13) 02Fev2005 [Maria Almeida - mfa@netvisão.pt]
Neste país só os incultos e preguiçosos são apreciados.
Resposta: Não sei se posso concluir isso.
Mas uma verdade é que a inteligência emocional é determinante para cativar os avaliadores.
Eu talvez não tenha demonstrado esse saber.

 

 

12) 28jan05 [Identificação Omitida]
Tu dormiste?

Resposta: E ainda não tinha acrescentado no relatório as minhas actividades inovadoras e os materiais para a sala de aula que inventei. Isto porque parti do pressuposto de que os avaliadores já os conheciam ou interpretariam nas parcas palavras do relatório.

 

 

11) 27jan05 [Margarida Costa - mmcosta@iol.pt]
A "avaliação" existente incentiva à desmotivação, à falta de mérito, porque não existe diferença entre ser competente e incompetente.
Muitas vezes apetece baixar os braços, porque parece que não há como fazer entender as vantagens de uma boa avaliação, mas às vezes questiono se a culpa também não será dos docentes, parece que estão acomodados à mediocridade, preferem ser incompetentes até tem menos trabalho....
E realmente sinto que só alguns, gritam e tentam ir mais além, mas são tão poucos que não conseguem ser ouvidos.
Parabéns pelo seu trabalho, e nunca desista, quem sabe se a pouco e pouco não nos conseguimos fazer ouvir?
Resposta: Disseste:"preferem ser incompetentes até tem menos trabalho....". Eu diria: "preferem ter menos trabalho....logo vão ser incompetentes".
Como estamos numa democracia em que o mais numeroso vence, somos "tão poucos que não conseguem ser ouvidos".
Além disso, os lideres deste sistema protegem-se de modo a não perder as suas regalias.
Claro que há vantagens neste modelo de avaliação.
E não são poucas.
Saber se os lucros compensavam os prejuízos com alguma mudança neste sistema é um desafio intelectual que eu ainda não consegui apurar.

 

10) 16Jan2005 [Antero de alda - anterodealda@clix.pt]
OK Alcino! Já me aconteceu o mesmo.
Mas, confesso, sou capaz de lamentar mais por ti do que por mim.
Resposta: Não percebi!
Pois, eu SINTO-TE igualmente rotulado como "BOM".
Os professores que conhecem o meu trabalho dizem-me para não desanimar.
Os que não me conhecem questionam-me sobre o desempenho nas minhas aulas: estou a continuar a ser avaliado.
Acho que vou por um ponto final no assunto.

 

 

9) 14Jan2005 [identificação apresentada - omiti o nome ]
Eu já passei por este processo de avaliação de desempenho. Com um acréscimo injusto: sou um professor contratado. E nesta categoria não existe outra possibilidade de avaliação a não ser a SATISFAZ.
Estamos perante um problema da educação nesta sociedade.
Produzir e dedicar-se mais ao trabalho deveria ser uma forma incentivada pela comunidade.
A sociedade deveria premiar este desempenho.
A avaliação de professores, como noutras profissões estatais, promovia a cultura de excelência.
Os professores assim incentivados a um desempenho classificado de Bom seriam um modelo a seguir.
Ser professor deveria ser a profissão à qual se associaria imediatamente o papel PRO-ACTIVO nesta sociedade.
Principalmente na importância que tem na educação das pessoas e dos HOMENS de amanhã.
Nesta cultura, os professores não teriam dúvidas de qual seria o seu desempenho. Não teriam que "fugir com o rabo à seringa".
Resposta: Pois, este é um problema da educação de uma sociedade com uma grande percentagem (50%) de trabalhadores efectivos que são estatais.
Com uma cultura de “somos todos iguais” podem aparecer espontaneamente trabalhadores dedicados.
Mas a evolução natural humana ensina-nos que é forte a “lei do mínimo esforço” para a obtenção do máximo lucro.

 

 

8) 13Jan2005 [Emília Creus Santos - pinelios@sapo.pt]
Não resisto em dar-te umas palavrinhas de conforto, na verdade eu
também recebi um mero satisfaz ao transitar em Dezembro de 2004 para o 6º escalão.
Não vou descrever com pormenor a insatisfação que o satisfaz me deu, apenas voltei a ler a carta e no momento senti aquele vazio..., tanto esforço, tanto trabalho, tantas horas dedicadas em função do Ensino da Matemática e dos meus alunos.
No fundo ser professor é muito o dar aos alunos aquilo que de melhor temos, seja como professores de Matemática ou como educadores, com tudo o que esta palavra possa significar.
Serão os alunos com aquilo que conseguirmos ensinar-lhes no dia a dia e contribuirmos na construção e consolidação das suas personalidades, os
verdadeiros instrumentos de Avaliação do nosso trabalho.
Resposta: Concordo contigo: a verdadeira avaliação é dada por aqueles a quem nos dedicamos.
Oferecem-nos sorrisos, apertos de mão e vontade de estar connosco.
Recebemos a nossa avaliação sempre que os alunos nos reconhecem. E isto não nos podem tirar.
Infelizmente, com este processo de avaliação, a informação que fica no ar diz que apenas há professores SATISFAZ.
Uma qualquer pessoa fica com a ideia de que os professores são todos apenas "satisfaz"...

 

 

7) 7Jan2005 [Jorge Nogueira - jorge_nogueira@hotmail.com]
A propósito, o caso do empregado Fernando Pessoa deve ser considerado: "foi apenas um escriturário SATISFAZ, apesar de nos seus tempos livres desenvolver-se gratuitamente como um escritor MUITO BOM."
Provavelmente, e analogamente a Fernando Pessoa, o sr. poderá ser um "MUITO BOM" qualquer coisa e muitas coisas, mas não passará de um professor "SATISFAZ".
Resposta: Pois... é esse um dos desafios da minha vida!

 

 

6) 6jan2005 [Ana Paula Rocha Silva - anapfsilva@netcabo.pt]
Bem haja aos professores que ainda têm coragem de lutar como é demonstrado acima.
Parabéns!
Da colega que aprecia o teu trabalho, bem-hajas!
Resposta: Obrigado pelo apreço que tens da minha acção.
O meu trabalho tem sido, maioritariamente, a pensar que poderia ser útil aos meus colegas.
Felizmente, tenho a certeza que não estou só.  Comigo, existem centenas de professores de Matemática que se dedicam a divulgar e a discutir as suas metodologias e práticas docentes.

 

 

5) 06Jan2005 [Albino Linhares - albinolinhares@hotmail.com]
Pelas informações que apresentas não é possível fazer um comentário muito concreto.
Eu, pessoalmente, acho que a avaliação deve, efectivamente, incidir sobre a actividade na escola e, mais concretamente, na actividade desenvolvida dentro da sala de aula (que tem que ser devidamente preparada - para isso é que temos 'apenas' 22 horas lectivas) é para isso que fomos contratados e, é com isso que a sociedade em geral (quem paga os impostos) se preocupa - com o que os alunos aprendem (ou não).
No teu texto nada é dito sobre a relação com os alunos, sobre o aproveitamento destes, sobre o cumprimento dos programas...
Não te conheço pessoalmente e o que vou dizer a seguir não te é, de forma alguma, dirigido.
Um professor pode ter, extra sala, uma actividade muito grande e não ser capaz de controlar as turmas, sendo incapaz de 'dar' uma aula normalmente. Há casos em que isto acontece.
Para os alunos e para os pais dos alunos e para o país seria muito melhor ter um professor que 'apenas' preparasse as aulas tendo em conta a utilização do quadro e do giz, que 'não se metesse em nada´, mas que conseguisse um ensinar o que tem que ensinar.
Conheço muitos colegas (acho que todos conhecemos) que aproveitam todos os subterfúgios para fugirem à leccionação. As acções, os congressos, as visitas de estudo, a procura pelos mais variados cargos, corresponde, muitas vezes, ao desejo de não ‘dar aulas’.
Voltemos ao teu caso:
Dos quatro anos, na perspectiva da escola, um não existiu (licença sabática - o trabalho que desenvolveste, provavelmente integrado no mestrado, ser-te-á recompensado com a progressão quando o mestrado terminar); no ano relativo ao ensino recorrente quantos alunos tinhas a frequentar as aulas?
Poucos por turma quase de certeza – um ano de descanso lectivo!
Os Acompanhamento do Programa de Matemática do Ensino Secundário do DES tinham redução de horário? Penso que sim (se não tinham redução de horário eram remunerados o que dá no mesmo). Que importância tiveram esses acompanhante? Na minha região seriam perfeitamente dispensáveis. Como se reflectiu toda a actividade extra escola na assiduidade? (Nós, se quisermos podemos, dentro da legalidade e sem recurso a atestados, faltar muito ao longo de um ano).
Pessoalmente acho que devemos estabelecer fronteiras claras entre os deveres que para com a nossa entidade patronal e aquilo que fazemos por prazer pessoal ou visando a melhoria da nossa situação económica ou profissional.
Pessoalmente sempre tive satisfaz e, sinceramente, ia-me sentir um pouco incomodado com a classificação bom.
Como dizes no teu texto esta classificação acarretaria responsabilidades acrescidas, o que agora faço com gosto e dedicação passaria a fazer por ‘obrigação’, seria, certamente, olhado de soslaio pelos colegas, aquando da distribuição de serviço ouviria certamente – os bons que façam isso.
Penso que a atribuição massiva da classificação satisfaz é uma forma da própria escola não deteriorar o ambiente entre colegas, como não tem reflexo no ordenado quase ninguém se preocupa muito com isto.
(Sei que é uma atitude pouco nobre – deves estar a pensar: f*@*! É por isso que esta m*@* está como está. – mas, assim, seguindo o nacional porreirismo, pouco a pouco sempre se consegue fazer alguma coisa.)
Seria interessante conhecer o relatório crítico que apresentas-te, bem como as explicações que te foram dadas pela Presidente do C.E. A comissão de reavaliação emitiu alguma justificação?
Resposta: Os teus acertivos e explicitados juízos. Transparece uma observação atenta do processo educativo na escola.
Propões que a avaliação incida sobre a actividade na sala de aula. Um presidente de um conselho executivo nunca seria avaliado positivamente?
A injustiça nasce quando o professor tem outras ocupações que lhe poderão retirar a dedicação à sala de aula.
Por isso, a avaliação deve incidir sobre toda a prática docente, consignada (por exemplo, director de turma) ou desejada (por exemplo, texto publicado).
O texto que coloquei no meu site pouco refere sobre o trabalho que desempenhei com os alunos, por lapso. Conforme podes ver no meu relatório que está nesta página, julguei os produtos obtidos e referidos nas listagens exaustivas de tudo o que fiz seriam suficientes para esclarecer isso.
Além disso, quando me propus para avaliação não tinha a pretensão de ser BOM ou MUITO BOM em todos os parâmetros.
Mas, ponderei-os e conclui que o trabalho que fiz não caberia na classificação SATISFAZ. Além disso esclareço que não faltei a não ser para participar em formação (três a oito dias por ano, três deles consecutivos).
Aceitei todo o trabalho que me foi proposto e propus-me a mais trabalho do que o esperado. participei activamente nas reuniões para que fui convocado e favoreci a partilha de experiências entre profissionais.
Não posso te mostrar o texto conclusivo da minha avaliação por sigilo profissional e respeito aos seus intervenientes.
Sobre as consequências para os professores na escola aquando da atribuição de Bom ou Muito Bom, presumo que evidenciaria dois grupos de professores: os que trabalham e os que estão empregados.
Reconheço que, inicialmente, os professores com classificação de Bom seriam perseguidos e sobrevalorizadas as expectativas. É um risco preferível à hipócrita preguicite aguda que se instalou nos trabalhadores do estado.

 

 

4) 04jan2005 [Isabel Marques - izebel@mail.pt]
Estou estupefacta.
De facto, a avaliação é muito subjectiva.
E depende de quem a faz.
Com certeza que a pessoa que a faz não dá o devido valor.
Não sei bem o que dizer, mas neste país é assim.
Lamento, e espero sinceramente que da próxima vez tenhas mais sorte com quem avalia o relatório.
Pois para mim, estás considerado como bom professor.
Sem estar a fazer favor nenhum em dizer.
Não deve servir como consolo, mas...
Resposta: Fico feliz por me reconheceres essa classificação.
No entanto, neste momento não me apetece insistir nessa caminhada de reavaliação.
Acho que aprendi para o meu futuro.

 

 

3) 04jan2005 [identificação apresentada]
Neste País para se ser reconhecido é preciso pertencer a elites socialmente reconhecidas, mesmo sendo elites corruptas, porque o trabalho por mérito pessoal nunca é reconhecido, por inveja de quem o reconhece... se calhar os que estão certos, são os que faltam oitenta por cento do ano e nada se pode fazer porque têm as faltas justificadas de acordo com a lei em vigor.
Resposta: A aprendizagem da vivência em sociedade não é fácil nem rápida.
Exige uma atenção e dedicação em certos espaços...
Se calhar, não os tive em consideração quando decidi pedir a minha reavaliação de desempenho.

 

2) 03jan2005 [identificação apresentada - omiti o nome]
Caro Colega: sou parceira deste infortúnio.
Em 18 anos de carreira, já fiz de tudo um pouco e principalmente, descuidar a minha vida pessoal para investir no ensino, pagar a quem cuidasse dos meus filhos para eu desenvolver projectos educativos, dinamizar fóruns e quantas outras actividades para a
escola e para os alunos...até que um dia... pensei em pedir a avaliação de Bom.
Ora, tinha recentemente mudado a presidente da minha escola.
Indeferiu o meu pedido porque, erros meus, má fortuna, contei mal os dias para fazer o pedido. Contei mal os dias porque andava muito ocupada com as tarefas do final do primeiro período... foi indeferido por um dia porque não me apercebi que um dos meses era de trinta dias e não de trinta e um! Ainda me disseram com um sorriso, chamando-me à parte à direcção:
"não julgues que é má vontade, mas pretendemos cumprir rigorosamente".
Esperei pela seguinte mudança de escalão, para dentro dos prazos legais pedir o Bom, esforçando-me para isso... ou seja: esperei os anos necessários para outra mudança de escalão, reitero o pedido... e conclui que da primeira vez tinha existido má vontade, assim como da segunda vez.
Assim, recorri para a DREC, dando conhecimento à minha Chefe.
Porque apenas aplicaram critérios distintos dos meus, só se centraram em actividades que não fiz, sem nunca se pronunciarem positivamente sobre as que tinha realizado. Sobre essas, fazia-se vista grossa ou denegria-se.
Sou mesmo uma ingénua: bastou-lhe um telefonema para uma colega dela, que não me atrevo a nomear, mas que conheço, para que, em substituição de critérios bem definidos, viesse o seguinte: "que no âmbito da discricionaridade técnica
que competia a quem no momento se pronunciava, se mantinha a avaliação de Satisfaz". Fui ao sindicato, em vão, pois, para que serve o Bom, são esforços perdidos, a colega pode recorrer facultativamente para o Secretário de Estado, mas volta tudo à DREC... ou seja ando às voltas...
Ainda o fiz, por descargo de consciência...
Resultado, disse onde falharam, as ilegalidades que identifiquei, mas não lhes soube dar o nome tal, segundo o artigo tal, fui rotulada de incompetente porque não sei citar leis! por aí é que temos bons professores... tal nunca me tinha sido dito... Se alguém vier ao meu local de trabalho e apreciar os resultados dos meus alunos, se folhearem actas, projectos educativos, planos de actividades, folhas de jornais, etc...eu existo lá, para o trabalho... mas, quando se fala de algum reconhecimento...eu não tenho rosto, nem identidade... estamos à mercê de quem gosta ou não gosta de nós, ainda que objectivamente se desconheçam os motivos...
Ou melhor: um docente deve ser dócil como as ovelhas, passivo, pastar sem reflectir... se por ventura reflecte, envereda por um mestrado... constitui uma ameaça... tem que se lhe destruir a pouca auto-estima que lhe resta e não lhe dar qualquer vontade de voltar para dentro dos muros da escola...
Ser professor é ... trabalhar muito, sem nunca pedir nada em troca...
Resposta: As tuas palavras pesaram-me.
Doeram-me a ler.
A minha re-avaliação foi em Novembro e todos os dias me lembro daquela triste sina: eu sou um professor satisfaz.
Perante aquela reavaliação só me apetece fazer... nada.
Mas já decidi que a partir de agora, para o ensino da Matemática só farei o que estritamente me der gozo e nunca colocando à frente da minha vida familiar ou monetária.
A não ser que alguém me apresente um projecto em que acredite, vou manter esta postura.
Não sei se vou continuar a alimentar o Ensino da Matemática em Portugal.
Eu sei que não estou só.
Graças à Associação de Professores de Matemática, conheci centenas de professores(as) que despem diariamente a sua camisola para agasalhar o Ensino da Matemática.
Com esses, poderei continuar a pensar e a agir.
Mas apenas por eles e até eles existirem ao meu lado.

 

 

1) 28dez2005 [Bruna Costa - bruna_marlene86@hotmail.com]
Não desanime, vá à luta... que depois vai ver o resultado que isso vai dar.
Pode ser que seja muito melhor do que é agora se quer ser um professor de bom esforce-se mais do que se tem esforçado.
De uma aluna sua do 10ºB 2004/2005.
Resposta: Obrigado, Bruna, pelas tuas palavras.
Como vês, também os professores são avaliados.
E, tal qual os alunos, nem sempre somos avaliados como desejamos.
O caminho que vou trilhando, não depende apenas de mim.
No entanto, não desisto de contribuir com o meu melhor em cada momento.
 

Simões, Alcino. (1998-200?, Dez 2004). Sou um professor SATISFAZ. Folha do alcino.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/eu/satisfaz.htm
alcinosimoes@yahoo.com

 

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