Formação de Professores
Alcino Simões  Nov 1997

 Incentivar 

Métodos  de   Estudo

Alcino  Simões

Conferência para professores

INTRODUÇÃO 

1 - DESDE O INÍCIO DO ANO

2 - NA AULA 

3 - ENVOLVER OS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO 

4 - FAVORECER A UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS DE ESTUDO 

5 - LER ALGUNS LIVROS SOBRE MÉTODOS DE ESTUDO

Topo  Depois   1 - DESDE O INÍCIO DO ANO

INTRODUÇÃO

Compreendi que a nossa vida
é principalmente a vida dos outros...

Raúl Brandão, in Se tivesse de recomeçar a vida

Toma-se cuidado, 
não no sentido do ouvinte compreender, se quiser, 
mas para que compreenda,
queira ou não queira.

Henry Bett, in Some Secrets of Style 

Os alunos não sabem estudar! Quem os ensinou?

 

        O professor é muitas vezes o único que pode desenvolver no aluno a essencial autoconfiança e os hábitos e métodos de estudo. A comunidade educativa exige do professor cada vez mais competências e empenho nestas áreas.

        Nos países de língua inglesa existe uma longa tradição de didáctica das capacidades de estudo e de manipulação de informação. Nos Estados Unidos dos anos 50, nove em cada dez universidades tinham um curso sobre métodos de estudo destinado a melhorar o rendimento dos estudantes (Serafini, 1991).

        Em pedagogia não há uma fórmula secreta para fazer com que qualquer aluno saiba aprender. Mas há alguns processos e estratégias que maximizam o rendimento escolar de determinados alunos, em determinadas situações, em determinadas matérias. Cada aluno tem as suas características e por isso necessita de um plano apropriado de incentivos e aprendizagens em métodos de estudo. Por isso, junto dos alunos o professor estuda, divulga e incentiva a utilização de diferentes métodos de estudo. O professor procura transmitir o saber e o como saber, procurando estratégias para ajudar o aluno a estudar e a saber cada vez mais.

        Um aluno é mais eficiente se aprender a maximizar as suas capacidades. O mais importante é que ele consiga desenvolver a autoconfiança, o espírito crítico e a livre iniciativa.

           As actividades apresentadas pretendem desenvolver capacidades e atitudes do aluno. E todas as oportunidades poderão ser válidas para consolidar esta perspectiva: O aluno aprende com o professor.

        São actividades para dentro e fora da sala de aula, de modo a conduzir o aluno para a aquisição progressiva de métodos e hábitos de trabalho, eventualmente com a intervenção do Encarregado de Educação. Será dado ênfase no diálogo professor-aluno, na definição dos objectivos e de estratégias, na organização do aluno, na elaboração de esquemas e resumos pelo aluno e na resolução de problemas.

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1 - DESDE O INÍCIO DO ANO

 

1.1 - Apresentar métodos de estudo para os alunos.

        Nas primeiras aulas do ano lectivo o professor apresenta aos alunos algumas actividades, pensamentos e estratégias para que estes possam ter melhor sucesso. É lhes fornecido um pequeno texto sobre métodos de estudo.

        Mas ao longo do ano o professor vai repetindo e sugerindo estratégias e actividades, para reforçar a utilização dos métodos de estudo sugeridos.

        Os alunos são consciencializados de que querer estudar mais e melhor não é tarefa fácil. Podendo mesmo dizer "Estás com medo de vir a ser diferente? Descansa que será para melhor" ou ainda "Acreditas que podes ser melhor? Estou para ver!".

        Cada professor tem tendência a impor aos alunos os seus métodos de trabalho. No entanto os alunos têm capacidades de estudo diferentes. O professor deve analisar os seus métodos de estudo e tentar modificar eventuais situações em que pode não beneficiar os alunos. A aula é estruturada de forma a ter diferentes estratégias para beneficiar os diferentes alunos.

 

1.2 - Manter a disciplina.

        O professor é um líder. Para os alunos, o professor é a imagem de um ideal (positivo ou negativo), queira-se ou não.

        Um objectivo do professor é favorecer um determinado modelo de conduta. Favorecer o desenvolvimento de comportamentos e uma forma de estar na vida para o aluno.

        A aula deverá ser cuidadosamente planificada em todos os seus momentos. Promove-se a     concentração. Quanto mais eficaz e bem organizada for uma aula, melhor vai ser o comportamento de cada aluno.

        O professor assume algumas atitudes, que ao longo do ano se tornam mais ou menos flexíveis:

            - mostrar-se sério nas primeiras aulas, não tendo um sorriso fácil;

            - impedir ou limitar as saídas durante a aula;

            - não permitir que se levantem do lugar sem que peçam autorização;

            - não permitir que troquem materiais sem que peçam autorização;

            - dispor os alunos em lugares fixos de modo a favorecer a cooperação e a concentração;

            - quando um aluno ou o professor fala os outros escutam;

            - não confundir a simpatia com o "porreirismo da silva".

        Os motivos da indisciplina podem ser extrínsecos à aula , tais como problemas familiares, inserção social ou escolar, excessiva protecção dos pais, carências sociais, forte influência de ídolos violentos, etc. Nestes casos o professor pouco pode fazer. No entanto existem outras causas que resultam de disfunções entre os alunos e a escola.

        Se o professor assumir uma atitude disponível mas realista, dando confiança aos alunos mas sem perder a situação e sem se mostrar inutilmente permissivo, é possível que consiga evitar alguns conflitos.

        É muito importante a fase inicial do ano. Torna-se conveniente evitar o mais possível o recurso a castigos e a críticas. O professor deve assumir a atitude de quem detém um poder mas não se sabe bem quanto nem quando o vai usar. "Se um professor usa demais as mesmas armas, acaba por ficar desarmado". Não é aconselhável a censura permanente, sendo mais adequado ignorar os comportamentos incorrectos que não perturbem directamente com o desenrolar da aula.

        Logo no inicio do ano o professor dá regras específicas sobre o comportamento dentro da sala de aula, principalmente se a turma se mostra muito indisciplinada. Assim, tenta-se conquistar a confiança dos alunos através de um comportamento exemplar do professor. O aluno deve ser informado que o seu comportamento reflectir-se-á na avaliação, quer positivamente, quer negativamente, tendo em consideração os objectivos gerais de ciclo. Alguns artigos de um regulamento de uma turma do ensino não superior.

a. Só deve falar uma pessoa de cada vez. Quando se pretende falar, levanta-se a mão e espera-se pela autorização do professor.

b. É o professor que orienta os trabalhos e permite a participação de todos os alunos.

c. Trazer de casa todos os materiais necessários.

d. Não perturbar os colegas com observações desnecessárias ou inadequadas.

e. Respeitar os horários das aulas, apenas faltando por motivos de força maior.

f. Não se levantar do lugar sem pedir autorização para a acção.

g. Pedir autorização para sair da sala e apenas em casos de extrema necessidade.

h. Não pregar aos colegas aquelas partidas que não gostaríamos que fizessem a nós.

i. Não distrair os colegas nem os provocar.

j. Informar o professor no início da aula sempre que não se traga material ou não tenha feito o TPC.

k. Ajudar os colegas com maiores necessidades.

l. Informar o colega de carteira, sempre que ele falta, do que se fez na aula e do TPC.

        A Conversa entre os alunos pode ser outra forma de indisciplina. Os alunos falam e continuam a falar, mesmo depois do professor os chamar à atenção. Porquê esta necessidade de conversar nas aulas?

            · Para relatar assuntos exteriores à sala de aula.

            · Para mostrar que faz parte do grupo/turma.

            · Para m    ostrar oposição à autoridade do professor.

            · Para esclarecer e compreender o que o professor acabou de dizer.

            · Para mostrar o seu descontentamento com a disciplina e/ou o professor.

            · Para não se calar

            · Para . . .

        Utilizam-se estratégias adequadas a cada aluno e a cada situação. A linguagem e o discurso adequados do professor são instrumentos capazes de alterar alguns comportamentos.

"O professor está a perder a autoridade!"

Que outras forma de autoridade/respeito se podem utilizar?

"É preciso que eu seja mãe, amiga ou irmã!"

Quais os papéis que o professor tem de desempenhar?

        Que outras formas de autoridade/respeito se podem utilizar ?Como prevenir comportamentos indesejáveis numa aula?

        Quais as estratégias de remedeio/combate ?

        Não há uma estratégia-padrão a aplicar perante uma atitude do aluno. Cada situação é única e irrepetível. O professor não deve ter comportamentos que induzam violência física ou moral para com os alunos. Compete ao professor conduzir o aluno de forma a que ele se sinta responsável e cooperante.

 

1.3 - Efectuar as planificações tendo em atenção a turma a que se destina.

        À medida que se vão conhecendo os alunos de uma turma, verificamos que existem estratégias de leccionação mais adequadas e que promovem a aquisição de conhecimentos. As estratégias das planificações a médio prazo e a curto prazo reflectem de algum modo as características da turma.

 

1.4 - Aplicar metodologias activas na sala de aula.

        Quanto mais activa, melhor é a aprendizagem. É um principio pedagógico que acompanha o professor sempre que planifica.

 

1.5 - Registar sistematicamente a avaliação formativa.

        O professor avalia sistematicamente os alunos. Este procedimento é feito de modo a desenvolver a responsabilidade nos alunos, promover o empenho e reconhecer a imparcialidade do professor.

        No início do ano lectivo, o professor informa os alunos sobre o processo de avaliação e dos diversos parâmetros envolvidos (participação oral e escrita, assiduidade, comportamento, atitudes, trabalhos, testes, ...).

        Para anotar as avaliações formativas em cada período pode ser usada uma folha A4 com uma tabela de duas entradas: nomes dos alunos na vertical; semanas na vertical. Em cada quadrícula coloca-se uma notação conveniente e com informação qualitativa, por exemplo

TPC = T     /        To = não fez T_ = errado T± = com incorrecções T+ = correcto

        Do mesmo modo pode ser anotado outras informações: C=comportamento ; P=participação ; Q=chamada ao quadro ; V=trabalho voluntário; CD=caderno diário ; A=assiduidade ; Problema=projecto.

        Os TPC propostos são sempre corrigidos na aula. Podem ser propostos para TPC alguns dos        exercícios que fazem parte do plano da aula seguinte. Nessa aula o professor verifica se o fizeram.

        O aluno pode e deve observar a grelha de avaliação formativa para se consciencializar do que tem sido o seu desempenho.

 

1.6 - Fornecer uma grelha de explicação de enunciados.

        Muitas vezes os alunos não respondem a uma questão porque não compreendem o enunciado. Explicite os verbos que são utilizados mais frequentemente e apresente exemplos.

 

1.7 - Fornecer fichas de objectivos.

        Nas primeiras aulas os alunos recebem uma ficha com os objectivos gerais desse ano de escolaridade, que foram sintetizados dos objectivos gerais de ciclo e dos objectivos gerais da disciplina. Estes objectivos referem-se aos comportamentos, atitudes, capacidades e conhecimentos que o aluno deverá ser capaz de desenvolver ou atingir nesse ano de escolaridade.

        No início de cada unidade temática o professor entrega uma ficha de objectivos pré-requeridos ("Antes desta unidade aprendeste a:") e objectivos da unidade ("Nesta unidade vais aprender a:").

 

1.8 - Sugerir regras de saúde e de alimentação.

        Sempre que oportuno, referem-se aspectos importantes da higiene e da alimentação. O professor nunca se dirige a um aluno de uma forma ameaçadora ou pondo em causa os seus hábitos. Actua diplomaticamente sem que os alunos se sintam humilhados ou sobrevalorizados.

 

1.9 - Dar um exemplo de um calendário de estudo.

        Mostrar a importância em deixar livre algum tempo de lazer na planificação de um horário de estudo. Referir a adequada distribuição do tempo pelas disciplinas, lembrando que não se deve deixar para o fim do estudo as disciplinas em que se tem maiores dificuldades.

        Ter especial atenção com os "desperdícios" de tempo.

 

1.10 - Sugerir métodos de organização do espaço e da informação.

        Mostrar como se deve organizar um dossier. No 3º ciclo o professor pode pedir aos alunos para trazer o caderno diário. Depois de analisado, acrescentam-se os comentários oportunos.

        Os ruídos da TV ou da rádio podem ser perturbantes para uns e não o ser para outros. O importante é que cada aluno consiga concentrar-se. É necessário que o espaço tenha pelo menos uma mesa larga, uma estante ou prateleiras (nem que sejam com tijolos e tábuas) e um bom candeeiro. A mesa está colocada de forma a que o aluno não se distraia facilmente com o que se passa para lá da janela ou da porta. As coisas mais necessárias devem estar próximas da mesa, tais como canetas, dicionários e cadernos.

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2 - NA AULA

 

        É na sala de aula que o professor intervém mais eficazmente para promover condições e vontade de aprender. Nada deve ser deixado ao acaso na planificação de uma aula. Quanto melhor for a planificação, melhor será a aprendizagem.

        Para o professor melhorar o seu desempenho na aula, poderá solicitar ao delegado da disciplina, ou a outro professor, para observar a sua aula. Há pormenores que só os outros conseguem descobrir. No entanto, poderá optar por outra forma de observação, utilizando gravadores audio ou video que serão analisados mais tarde.

        Muitos alunos apenas estudam na sala de aula. Os seus métodos de estudo estão reduzidos ao essencial (por diversos factores). A aula deverá ser o local privilegiado para a aprendizagem.

 

2.1 - Conhecer e aplicar os dez mandamentos para professores de Polya.

        Polya escreveu estes dez mandamentos* a pensar precisamente nos professores. Mas poderiam ser adaptados para outros desempenhos. Cada frase encerra diversos raciocínios e acções. Leia atentamente e pausadamente.

            1. Tenha interesse pela sua matéria.

            2. Conheça a sua matéria.

            3. Procure ler as expressões faciais dos seus alunos; procure descobrir as suas expectativas e as suas dificuldades; ponha-se no lugar deles.

            4. Compreenda que a melhor maneira de aprender alguma coisa é descobri-la você mesmo.

            5. Dê aos seus alunos não apenas informação, mas know-how, atitudes mentais, o hábito de trabalho metódico.

            6. Faça-os aprender a dar palpites.

            7. Faça-os aprender a demonstrar.

            8. Procure encontrar, no problema que está abordando, aspectos que poderão ser úteis nos problemas que virão - procure descobrir o modelo geral que está por trás da presente situação concreta.

            9. Não desvende o segredo de uma vez - deixe os alunos darem palpites antes - deixe-os descobrir por si próprios, na medida do possível.

            10. Sugira, não os faça engolir à força.

Adaptado do texto publicado no Jornal de Mathematica Elementar nº 119 de Junho de 1992.

 

2.2 - Desenvolver a autoconfiança.

        Utilizar os reforços positivos e estimular a auto-estima e a autonomia.

        A autoconfiança é a melhor arma do estudante porque favorece a motivação e a aprendizagem.

        O professor deve ser o catalisador do auto-aperfeiçoamento do aluno.

        Para encorajar ou incentivar, o professor apresenta frases como as seguintes.

            - Há poucos génios! Há quem trabalhe, trabalhe e trabalhe.

            - A dedicação traz os seus lucros, mais cedo ou mais tarde.

            - Não digas "Eu não sou capaz!", diz "Estou a tentar resolver este passo".

            - Não digas "Não compreendo nada!", diz que "Não compreendo este passo!".

            - Se os outros são capazes, tu também serás.

            - Pergunta a ti próprio.

            - Já aprendeste muitas coisas. Reflecte sobre o que sabes.

        Mas a desmotivação dos alunos é o principal problema. O que fazer na aula para que aqueles que "não sei nem quero saber!" passem a querer alguma coisa?

        Antes de mais é preciso que o professor acredite que o aluno é capaz. E durante as conversações o professor transmite confiança e métodos de estudo. Coloque este aluno ao pé de um que tenha conhecimentos razoáveis. O professor poderá também apresentar exposições diferenciadas do mesmo tema. Começar por sugerir exercícios mais simples, partindo daquilo que o aluno já sabe. Progressivamente aumenta o grau de dificuldade, dando-lhe sempre a confiança de quem já aprendeu algo.

 

2.3 - Não ser permissivo com as datas pré definidas.

        O professor é inflexível nas datas que foram previamente discutidas e acordadas na turma. Assim, deve-se cumprir e fazer cumprir as datas, nomeadamente no que se refere a: entrega de TPC ; realização de testes ; apresentação de trabalhos.

 

2.4 - Promover o diálogo.

        Quando um aluno diz que não compreende, repita por outras palavras. Ou talvez, apresente um exemplo ou um contra-exemplo. Não é conveniente estar a repetir o que já antes tinha dito. Talvez seja boa ideia perguntar ao aluno qual a parte ou raciocínio que não compreendeu. E depois explicar apenas a parte em que o aluno tinha dificuldades.

        Idealmente o ensino da matemática propõe "venham, vamos raciocinar em conjunto". Mas muitas vezes, o que se sai da boca do professor é "oiçam, digo-lhes que é assim".

        O professor pretende expor cuidadosamente o processo de resolução de problemas. Pode utilizar o método heurístico de Polya, questionando sucessivamente os alunos até eles conseguirem resolver o problema. Ou seja, questionar conduzindo o aluno à compreensão do assunto. Cada questão é construída de modo que o aluno saiba facilmente responder. No final, as conclusões são apresentadas. O professor pode apresentar falsas pistas para a resolução de exercícios, ou ao tirar dúvidas, para que os alunos verifiquem que são erradas.

        As questões são explicitas, concisas e completas em termos gramaticais. Evitam-se frases do tipo "O que achas?", "A solução?", "Onde é?" ou "Este lado é a ..."

        De uma forma hábil e imparcial, o professor questiona um por um todos os alunos regularmente. Não são privilegiados os "bons" alunos nem os "maus alunos no que se refere ao número de perguntas, ao tempo de espera, aos elogios ou às críticas.

 

2.5 - Promover o predisposição para aprender.

        Iniciar a unidade ou sub-unidade temática com uma introdução cativante, tal como um problema, história da matemática ou uma aplicação da matemática. Se possível levam-se objectos e/ou instrumentos para a aula, relacionados com o que se vai falar.

        O caminho para a compreensão é o caminho original da descoberta. Isto é, se conhece o modo como algo foi pensado pela primeira vez, ou de como surgiu o problema, essa pode ser uma boa maneira para apresentar o assunto.

 

2.6 - Utilizar os TPC como uma forma de incentivo à aprendizagem.

        Os alunos serão informados que existirão TPC, em que o professor corrigirá alguns seleccionados em cada aula de entre os alunos. Ou poderá nunca corrigir nenhum, desde que verifique quem fez e se chegou ao resultado previsto.

        Para que um aluno possa resolver um TPC terá de conhecer previamente os conceitos envolvidos. Assim, o professor já ensinou o assunto antes de propor o TPC correspondente. Isto pode não acontecer em trabalhos de investigação.

Todos os TPC que o professor apresenta são corrigidos na aula para que os alunos verifiquem e aprendam com os eventuais enganos.

 

2.7 - Promover a cooperação e a união da turma.

        Os alunos são dispostos na sala de modo que os "bons" alunos possam estar ao lado dos "maus" para os poderem ajudar. Ambos serão avaliados pelos seus empenhos e progressão. Mas também pode acontecer que o professor não altere a ordem da sala a não ser quando há problemas de indisciplina ou de aproveitamento. Ou ainda, os alunos são agrupados de acordo com as suas dificuldades ou competências, para que se possa maximizar o ensino diferenciado.

        Quando o professor utiliza o trabalho de grupo, favorece a participação de todos os seus elementos.

        Perante um acontecimento doloroso ou de pesar de um dos alunos, ou do conhecimento geral, o professor demonstra a sua sensibilidade. Estes momentos estreitam elos de ligação entre os alunos e, em segundo plano, permitem avaliar alguns eventuais comportamentos anómalos.

        O professor incentiva e promove a união entre os alunos de forma a que eles formem um grupo construtivo, cooperante, com auto-estima e aberto.

 

2.8 - Melhorar o aproveitamento dos meios técnicos disponíveis.

        O professor informa-se sobre os utensílios disponíveis na escola e, sempre que seja necessário, utiliza-os.

        Apresentar filmes ou diapositivos para motivar os alunos.

        Gerir adequadamente e criativamente o quadro da sala de aula. Utilizar várias cores, apresentar esquemas, dividir o quadro. Apresentar cartolinas, mapas, gráficos, instrumentos, etc.

        No inicio da aula escreve-se o tema geral da aula no canto superior esquerdo do quadro. Por exemplo, "EQUAÇÕES DO 2º GRAU") que ficará visível durante toda a aula.

 

2.9 - Melhorar as três fases de aprendizagem de um teste de avaliação (antes, durante, depois).

        Há muitas técnicas e abordagens a este tema que poderão ser úteis. Mas o mais importante é escolher a estratégia a que o professor se adapta melhor, de forma a levar os alunos a aprenderem com os próprios erros. Apresento aqui algumas sugestões.

        Na aula de revisões, o professor começa por tirar as dúvidas dos alunos. E só depois apresenta outros exercícios, de acordo com a sua planificação da aula.

        Os testes não devem conter apenas os conteúdos de uma unidade. Principalmente no ensino secundário, devem ser abordados todos os temas, com destaque da unidade mais actual.

        Não permitir qualquer burburinho durante a aula do teste, sem se tornar num "caso de vida ou de morte". Promove-se a tranquilidade e a descontracção necessária para a concentração.

        Utilizar uma notação de correcção que seja explícita e compreensível para o aluno.

        A aula de correcção poderá seguir várias estratégias, não se fixando(?) apenas numa.

            - O professor apresenta a correcção no quadro ou por escrito para todos;.

            - Os "bons" alunos resolvem o teste no quadro.

            - Formam-se grupos de trabalho de alunos que resolvem o teste e, eventualmente, avaliam-se;

            - Cada aluno corrige os seus erros com base numa resolução que lhe é fornecida, e eventualmente, avalia-se.

            - Cada aluno corrige os seus erros, investigando livremente, e eventualmente, avalia-se.

            - Cada aluno corrige o teste de outro aluno, e eventualmente, avalia-o.

        Poderá ser apresentada ao aluno uma grelha como a seguinte. Este entregue-a ao professor que depois de a observar devolve-a ao aluno. Quanto mais cruzes existirem "pior" é o aluno.

Ficha de Reflexão     "PORQUE É QUE EU TIVE ESTA CLASSIFICAÇÃO NO TESTE?"

        Para cada questão do teste na primeira linha, lê as frases todas colocando uma cruz sempre que concordares.

Eu penso que \ Questões

1

2.2

2.2

3

4.1

4.2

5

6

Não estudei o assunto                
Li mal a pergunta                
Não compreendi a pergunta                
Não sei a definição                
Não apliquei a fórmula adequada                
Não apresentei os cálculos                
Errei os cálculos                
Não observei o gráfico com atenção                
Não estruturei a resposta                
Não apresentei a conclusão                
Não relacionei os conhecimentos                
Sabia mas não tive tempo                
Não respondi pois não sabia                

        Espero não cometer os mesmos erros da próxima vez. Por isso, eu vou fazer o seguinte: _________________________________________________________________________

______________________________________________________________

[ Poderão ser apresentadas propostas de reflexão.]

 

2.10 - Utilizar o sumário para reflectir sobre anteriores aprendizagens.

        O sumário de uma aula é escrito no início da aula seguinte. Questiona-se os alunos, levando-os a reflectir sobre os conteúdos abordados na última aula de forma a construir o sumário.

 

2.11- Desenvolver uma pedagogia por objectivos.

        O professor esforça-se por conhecer e faz com que o aluno se conheça. Questiona o aluno acerca do que estuda porque estuda e para que estuda. Sugere-lhe que escreva os seus objectivos a médio e a curto prazo. Faz-lhe ver que é o aluno que conduz a sua vida e que o caminho por ele agora percorrido vai ajudá-lo mais tarde atingir as outras metas pretendidas.

        As questões são elaboradas de forma a que o aluno não se sinta ameaçado. O professor consegue captar o momento mais adequado para intervir com este tipo de questões, favorecendo o auto-conhecimento do aluno.

 

2.12 - Responder a questões sobre a utilidade da matemática.

        Os alunos têm uma curiosidade natural em saber para que serve a matemática, onde se aplica, quem a fez, como surgiu, etc. Apresente textos ou apenas alguns comentários que vão de encontro a estas questões. Esta é uma forma de criar ambiente e predisposição para aprender.

 

2.13 - Pôr os alunos à prova.

        Quando um aluno vai resolver um problema ao quadro, sabe que está a ser avaliado. Naquele momento ele vai tentar fazer o seu melhor perante o professor e toda a turma. Não é correcto que os seus colegas o ajudem descaradamente, pois nem o aluno aprende, nem o professor o avaliou adequadamente.

        Outra estratégia mais apropriada para o 3º ciclo, consiste em questionar os alunos à entrada da sala. Na aula anterior os alunos são avisados de que tinham que saber dizer o teorema de Pitágoras. No início da aula, e ainda no corredor, o professor faz a pergunta a um aluno de cada vez. Se responder correctamente entra na sala, senão vai estudar enquanto não volta a vez dele responder.

 

2.14 - Elaborar fichas de trabalho diferenciadas.

        O professor pode construir fichas de trabalho diferenciadas (na estratégia, nos conteúdos e/ou nos objectivos) e que levam cada aluno a atingir os objectivos pretendidos. Pode ser

- uma ficha de objectivos,

- uma ficha de curiosidades,

- uma ficha com a exposição de um método de resolver problemas,

- uma ficha de texto com espaços em branco para o aluno completar, em que se solicita uma explicação, uma análise de um gráfico ou uma definição,

- uma ficha de exercícios de conteúdos pré-requeridos,

- uma ficha de exercícios com grau crescente de dificuldade, abrangentes, bem formulados e atraentes,

- uma ficha com um pouco de tudo anterior.

 

2.15 - Utilizar o livro adoptado.

        É o único livro onde os alunos têm os conteúdos da disciplina. Se os alunos o trouxerem para a aula, pode ser uma poupança de tempo porque não se tem de escrever no quadro e os alunos têm sempre a informação à frente. Também se torna mais fácil marcar os TPC. Cada dois alunos combinam-se para terem sempre um livro na aula.

 

2.16 - Estudar o seu método de ensino.

        O estilo do professor deverá estar entre o ensino tradicional e o ensino liberal, assumindo características do professor-companheiro ou do professor-experimentador ou ainda do professor-director. O professor pode adoptar algumas

variáveis para tornar mais eficaz a aula:

  1. Velocidade de exposição;
  2. Redundâncias na exposição;
  3. Exemplos múltiplos;
  4. Variações de voz;
     5. Cuidados em apontar analogias;
     6. Questionamento individual ou colectivo;
     7. Quadro;
     8. Suportes visuais ou audiovisuais.

        Na aula poderão ser desenvolvidas algumas estratégias que incentivam o estudo dos alunos.

Leitura Orientada

        Sem avisar, o aluno lê um texto que desconhecia, acompanhado por actividades.

Ensino Mútuo

        Os alunos mais diligentes ou disponíveis podem auxiliar o trabalho do professor ajudando regularmente os colegas com mais dificuldades. O ensino mútuo também pode ser aplicado a alunos com igual nível de aproveitamento, alternando os papéis.

Aulas Dadas Pelos Alunos

        Um aluno dá uma parte (ou toda) a aula sobre um tema previamente seleccionado. O professor indicará algumas sugestões de modo a maximizar o desempenho dos alunos. Ou ainda pode ser que um aluno dê uma aula a outra turma do mesmo nível ou de outro nível anterior.

Trabalho de grupo

        Consiste num trabalho de pesquisa, divulgação ou resolução de problemas. O grupo tem três ou quatro elementos e constitui-se espontaneamente ou por indicação do professor ( a sua intervenção permite a criação de grupos equilibrados com "bons" e "maus" alunos).

        Inicialmente o professor apresenta as características do trabalho de modo que os grupos fiquem com uma ideia clara do que se pretende. Durante o trabalho, o professor circula entre os grupos certificando-se dos seus desempenhos.

Discussão Livre (Brainstorming) e Discussão Regulamentada

        A discussão livre é uma técnica de debate orientada para a produção de ideias em que cada participante expõe em voz alta todas as observações e todas as ideias que lhe vierem instintivamente à cabeça. Vão sendo apresentadas novas ideias ou partindo das ideias já apresentadas, respeitando sempre os outros e as suas intervenções. O professor poderá apresentar o tema para debate e permite que todos se manifestem.

        A discussão regulamentada é uma forma de debate em que está prevista a existência de moderador. A este compete-lhe dar início à discussão, regular o debate, criar um bom clima, ajudar a tomar decisões e elaborar um relatório final.

Realização de Projecto

        Um projecto consiste na recolha de informações, organização, sistematização e apresentação do trabalho. A apresentação poderá ser feita utilizando os mais diversos materiais e ser oral, escrita, video, etc.

        O professor avalia o projecto a nível cientifico, pedagógico, criativo e qualidade de apresentação.

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3 - ENVOLVER OS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

 

        Cada vez mais, compete aos pais e encarregados de educação auxiliar o desempenho dos seus filhos na escola. Isto traduz-se pela manutenção ou a construção de condições de tranquilidade, diálogo e autoconfiança nos alunos.

         O professor pode ter um papel importante ao sensibilizar os pais para estes factores de sucesso do seu educando. A seguir são sugeridas algumas actividades que pretendem desenvolver a cooperação e responsabilização dos pais e dos alunos no processo ensino-aprendizagem.

          Para se utilizar qualquer uma das sugestões a seguir apresentadas, deverá ser estudado o meio socio-cultural dos alunos e dos encarregados de educação, bem como outras características locais. Posteriormente, todas as palavras e temas, que a seguir se apresentam, deverão ser adaptadas à realidade de cada turma ou de cada aluno, reflectindo sempre para não ferir sentimentos nem provocar hostilidades dos pais ou dos alunos. Caso não se pense e repense neste parágrafo, vale mais não entrar em contacto com os pais.

 

3.1 - Carta dirigida aos Encarregados de Educação no início do ano lectivo.

        Ex.mo Sr. Encarregado de Educação

        Os meus respeitosos cumprimentos.

        Este ano, sou professor de matemática do seu filho(a) e desde já desejo que ele tenha sucesso nesta disciplina. Nesse sentido estarei atento e farei o possível para que o seu educando aprenda cada vez mais e melhor.

        Um professor educa numa disciplina; como um jardineiro que apenas cultiva rosas. Mas todos juntos, pais e professores, podemos fazer um lindo jardim.

        Mas o sucesso do seu filho(a) não depende apenas do professor. Antes de mais, ele terá que dizer "Eu quero aprender!".

        E os pais têm o papel mais importante.

        Ao fim do dia, pergunte ao seu filho(a) "O que aprendeste hoje na aula de matemática?".

        E não fique satisfeito com uma resposta do tipo "Aprendi muitas coisas!" ou "Resolvi equações!". Vá mais longe e faça perguntas de modo que ele lhe ensine o que aprendeu hoje na aula. Se for preciso peça-lhe que escreva ou faça desenhos.

        Faça-lhe muitas perguntas. Mesmo que ele diga "não sei!" ou "ainda não estudei!".

        O que lhe proponho é que dedique cinco minutos por dia ao seu filho conversando sobre a escola e o que ele aprende lá. Pergunte-lhe tudo o que lhe apetecer. O mais importante é que converse com ele e que o observe. Desta forma já está a ajudá-lo a estudar.

        Não fique triste por não compreender tudo o que ele diz. É natural. Mas não desista facilmente. Se ele sofre de um caso de "preguiça", ajude-o a ganhar motivação e autoconfiança.

        Preocupe-se com a forma de estudar do seu educando e se necessário ajude-o a criar um método de estudo. Será que ele já leu algum livro sobre métodos de estudo? A biblioteca da escola tem alguns (mas é preciso ler o mesmo livro algumas vezes para aprender a estudar). A predisposição para aprender ganha-se cedo mas facilmente se perde. É preciso ser paciente e persistente.

        Nos primeiros dias poderá ter dificuldades em comunicar com ele ou mesmo aborrecer-se. Mas se conversar frequentemente, ao fim de algumas semanas verificará que "Afinal conheço o meu filho!" e que "Ajudei-o a pensar".

        Este ano lectivo irão ser leccionados na disciplina de matemática os subtemas:

Geometria (do plano e do espaço, radicais, operações lógicas);

Funções (lineares, quadráticas, módulo e por ramos) ;

Estatística (representação de dados, moda, média e mediana, variáveis bidimensionais).

Material: livro adoptado, um caderno quadriculado, régua, compasso e calculadora gráfica.

        Ao longo do ano forneço gratuitamente algumas fichas de trabalho.

        Despeço-me com estima e consideração, atenciosamente,

                            Figueiró dos Vinhos, _____________________( Prof. Alcino Simões )

        Por favor assine, destaque e devolva-me a parte abaixo. Obrigado.

O Encarregado de Educação ______________ do aluno nº __ / 9º __ em ___ / ___ / 199__

 

3.2 - Informar o director de turma sobre o desempenho do aluno.

        Comunicar regularmente com o director de turma, oralmente ou por escrito, sobre o desempenho dos alunos. Só assim é possível informar um E.E. que apareça ao meio de um período.

 

3.3 - Carta aos Encarregados de Educação sempre que o aluno demonstre dificuldades ou insucesso.

        Ex.mo Sr. Encarregado de Educação

        Os meus respeitosos cumprimentos.

        Este ano, sou professor de matemática do seu filho(a). Estive atento ao estudo dele e verifiquei que o seu educando tem muitas dificuldades/ não sabe [ escolher as características mais importantes. Sugestões: não estuda; não sabe ler; não se concentra; é muito irrequieto; é muito distraído; não se relaciona com os colegas; raramente fala; etc. ]

[ Falar acerca dos conteúdos em que o educando tem dificuldades ]

[ Apresentar um conjunto de sugestões para que os E.E. ajudem o seu educando a estudar]

[ Indicar actividades do livro para o E.E. verificar se o educando as fez ]

        Despeço-me com estima e consideração, atenciosamente,

 

3.4 - Carta dirigida aos Encarregados de Educação para auxiliar a resolução do TPC.

        Ex.mo Sr. Encarregado de Educação

        Escrevo-lhe para que ajude o seu filho(a) a resolver os exercícios do T.P.C. de matemática que a seguir apresento.

        Sem lhe mostrar esta folha, leia estas perguntas em voz alta. O seu filho(a) deverá responder sem copiar. Depois coloque uma cruz no local adequado de acordo com a resposta dele.

        Muito obrigado.

T.P.C. COMO RESPONDEU ?

QUESTÃO RESPOSTA CORRECTA Não sabe errado quase certa certa
1- Classifica os triângulos quanto aos lados. 1- Equilátero, isósceles ou escaleno.        
2- Classifica os triângulos quanto aos ângulos. 2- Acutângulo, rectângulo ou obtusângulo.        
3- Define um triângulo rectângulo. 3- É um triângulo em que um dos ângulos internos é recto.        
4- Desenha um triângulo escaleno. 4- Terá de ser desenhado um triângulo em que os lados têm diferentes comprimentos.        
6- Indica um exemplo de um objecto ou figura onde estejam triângulos. 5- Por exemplo, pontes de ferro, andaimes, gruas, perfil do telhado, triângulo de um carro, ...        

        Despeço-me com estima e consideração, atenciosamente,

3.5 - Carta dirigida aos Encarregados de Educação durante o ano para resolver TPC.

        Ex.mo Sr. Encarregado de Educação

        Escrevo-lhe para que ajude o seu filho(a) a resolver os exercícios do T.P.C. de matemática que a seguir apresento.

        Deixe que seja o seu filho(a) a responder nesta folha. Ele deverá responder sem copiar. No fim ambos procurarão as respostas correctas que estão no livro de matemática ou no caderno. Por fim, peço-lhe que coloque uma cruz no local adequado de acordo com a resposta que o seu filho(a) escreveu.

        Muito obrigado.

T.P.C. COMO RESPONDEU ?

QUESTÃO RESPOSTA DADA Não sabe Errado Quase certa certa
1- Classifica os triângulos quanto aos lados. 1-         
2- Classifica os triângulos quanto aos ângulos. 2-         
3- Define um triângulo rectângulo. 3-        
4- Desenha um triângulo escaleno. 4-         
6- Indica um exemplo de um objecto ou figura onde estejam triângulos. 5-         

        Despeço-me com estima e consideração, atenciosamente,

3.6 - Comunicar com o E.E. sempre que necessário.

        A caderneta escolar ou o caderno diário do aluno são meios práticos e rápidos de informar o E.E. Pode-se usar estes meios para os informar, sempre que o aluno necessita de ser elogiado ou de ser criticado. No fim da mensagem, o professor solicita ao E.E. para que assine, desenha a sua rubrica e escreve a data. No aula seguinte verifica-se se o E.E. assinou e se escreveu mais algum comentário.

        Mas o professor pode contactar directamente com o E.E., de preferência com a presença do director de turma.

        Podem-se planificar reuniões de professores de uma turma com os respectivos E.E. onde são apresentadas e reflectidas em conjunto algumas análises comportamentais dos alunos e delimitam-se estratégias comuns.

 

3.7 - Dar sugestões aos E.E. para motivar o aluno durante os exames.

        Os exames podem ser um momento de tensão tanto para os estudantes como para os pais e amigos. Pergunte a si mesmo se não estará a contribuir para o seu stress ou o do estudante, esperando demasiado ou sobrevalorizando os exames. Por vezes os pais transmitem aos filhos a sua competitividade, exagerando na exigência de responsabilidade.

        Pare para reflectir na forma como encara os exames do seu filho. É alguma coisa do outro mundo? É a última vez na vida que ele o pode fazer? Dá valor ao estudo desempenhado por ele? Costuma perguntar-lhe como vão os seus estudos? Verifica se ele anda demasiado cabisbaixo?

        Talvez pense que o apoio que lhe dá não seja o melhor. Fale com o seu filho(a) e verifique a sua reacção. Pergunte aos outros pais como é que fazem e o que pensam sobre isto. Talvez não fosse má ideia juntar alguns pais para discutir sobre o que podem fazer para ajudar os filhos na época de exames e para controlar a sua própria ansiedade.

        Seja compreensivo e paciente, pois a época de exames é deprimente.

        Arranje um sítio para estudar com privacidade, sem distracções e onde se trabalhe em paz.

        Ofereça uma ajuda experiente:

            - ajudando na elaboração do horário de estudo ao verificar se ele se enquadra na rotina familiar e se pode ser cumprido;

            - sabendo quando deve manter-se à distância, para não aumentar a tensão;

            - esclarecendo o aluno sobre o que se espera deles, principalmente se ele é candidato ao ensino superior;

        Seja tranquilizador, favorecendo um ambiente sem stress:

            - encoraje a confiança tão essencial para o estudo;

            - mantenha um ambiente descontraído;

            - assegure que o aluno(a) se alimenta regularmente e de forma equilibrada;

            - sensibilize os outros elementos da família para não fazer barulho;

            - liberte o aluno(a) das tarefas domésticas, principalmente nas vésperas dos exames;

            - mostre-se disponível para falar com ele/ela, sempre que ele/ela desejar pois desabafar pode aliviar o stress;

            - sugira um banho relaxante para aliviar a pressão.

        Esteja atenta aos sinais de alerta, tais como depressão (insónias persistentes, ataques de choro) e ajude a tempo de eles não se tornarem doentios.

        Não seja chato durante a temporada de exames. Não seja mãe galinha ao ponto de interromper por todo e qualquer motivo.

        Prepare uma surpresa para "depois de". Pode ser um bolo ou um passeio.

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4 - FAVORECER A UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS DE ESTUDO

 

4.1) Motivar para aprender.

        A principal arma do estudante é a confiança.

        O professor desenvolve capacidades de observação e análise dos comportamentos dos alunos para melhor os conhecer. Posteriormente utiliza estes conhecimentos para os motivar, para favorecer o empenhamento no estudo.

        Como favorecer a motivação? O professor tem consciência que:

            - os alunos nem sempre trabalham pelo prazer de aprender;

            - energia e clareza dos objectivos são características da pessoa motivada;

            - a motivação gera atenção selectiva.

Motivações extrínsecas

boas notas

prémios, elogios

dinheiro, prendas

agradar aos pais e aos professores 

desejo de aceitação social

evitar castigos

Motivações intrínsecas

prazer de aprender

curiosidade espontânea

desejo de saber

desejo de auto-realização

desejo de se relacionar

Conselhos para motivar:

        a) Reagir de forma positiva louvando, mostrando agrado e sorrindo perante cada tarefa bem realizada e cada comportamento que revele um progresso de um aluno relativamente ao passado.

        b) Criar uma atmosfera serena em que o aluno não se sinta ameaçado por punições.

        c) Dar oportunidade a cada um de mostrar em público as capacidades que tem, permitindo-lhe desenvolver actividades em que é bem sucedido, de modo a que isso constitua um aspecto gratificante.

        d) Estimular a auto-estima dos estudantes e ajudá-los a elevar e a alargar o âmbito das suas aspirações. Muitas vezes os estudantes não têm imaginação suficiente para aspirar a objectivos mais ambiciosos.

        e) Tornar explícitos os critérios de avaliação.

        f) Mostrar aos estudantes que se espera deles os melhores resultados. Criar expectativas positivas incita o entusiasmo enquanto expectativas de fracasso criam à partida uma atitude de desencorajamento.

        Louvar e criticar os alunos produz melhores resultados do que uma ausência de reacções. Numa primeira fase, os elogios e as críticas motivam muito. Mas posteriormente apenas os elogios permitem obter um contínuo melhoramento do rendimento enquanto que as críticas constantes levam a uma diminuição do rendimento.

        A competição é uma das mais antigas estratégias motivacionais e aplicada em muitas actividades humanas. Deve ser utilizada sem muitos exageros pois os seus efeitos secundários podem ser nefastos, nomeadamente no que se refere à personalidade.

        A cooperação é outra estratégia para motivar e que influencia positivamente a personalidade.

Conselhos para pôr em prática uma competição equilibrada:

        a) Garantir que todos possam passar por experiências gratificantes.

        b) Criar um clima de competição que não sobrevalorize a importância de vencer.

        c) Estimular os estudantes por meio de actividades que não sejam directamente competitivas (como trabalhos de pesquisa e exposições) e em que cada estudante possa evidenciar as suas capacidades sem se medir directamente com outros.

        d) Não tornar públicas listas de classificados. A ninguém agrada ficar entre os últimos.

        e) Proporcionar a todos a possibilidade de experimentar o prazer do sucesso, variando as actividades submetidas a avaliação.

        f) Estimular a cooperação para além da competição e premiar aqueles estudantes que sejam mais cooperativos com os seus colegas.

        g) Encorajar a autocompetição, comparando os resultados actuais com os do passado.

 

4.2 - Reflectir sobre alguns princípios que estão na base da programação das actividades    didácticas relativas aos métodos de estudo (adaptado de Serafini, 1991).

A) Privilegiar capacidades de estudo específicas. Alunos diferentes assumem capacidades diferentes. Não é possível aborda-las todas de uma vez. Seleccionar as mais pertinentes.

B) Definir as capacidades de estudo de um modo explícito. Não basta referir "resume" mas antes "lê, observa diferentes fontes, sintetiza e depois esquematiza com poucas palavras e/ou símbolos".

C) O conselho de Turma estabelece, no início do ano, quais são as capacidades de estudo a serem desenvolvidas. Se possível, distribuir as diferentes actividades a desenvolver ao longo do ano pelos professores.

D) Todos os professores contribuem para o desenvolvimento das capacidades de estudo.

E) Integrar a didáctica das capacidades de estudo na das matérias do programa. Não basta que os métodos de estudo sejam executados com exercícios de psicologia ou similar.

F) Elaborar unidades didácticas com a finalidade de desenvolver capacidades de estudo específicas;

G) Avaliar o aproveitamento individual de cada aluno e corrigir os erros principais. O trabalho do professor não pode ser apenas sugerir. Compete-lhe também verificar e corrigir os trabalhos propostos na área dos métodos de estudo.

 

4.3 - Conhecer o estilo de aprendizagem dos alunos.

        O sucesso do professor está ligado a vários factores, entre eles o conhecimento do estilo de aprendizagem dos alunos e as técnicas necessárias para os motivar.

        Os dois hemisférios cerebrais encerram características cognitivas e de personalidade que são distintas. As pessoas com dominância do hemisfério direito do cérebro são de alguma forma diferentes dos que têm dominância do hemisfério esquerda ou de ambos.

O estilo de aprendizagem depende muito desta subdivisão e pode ser descrito com base em cinco componentes: ambiente de estudo; emotividade; sociabilidade; características físicas; abordagem analítica ou global.

Apresentar ao aluno uma ficha de reflexão de forma a que ele reconheça o seu estilo de aprendizagem e de que forma o poderá melhorar. Esta ficha deve abordar os aspectos da organização mental, da informação e do espaço físico, bem como sobre a forma como e ncara o seu estudo.

O professor ao conhecer os estilos de aprendizagem dos alunos, pode adaptar a planificação ou a abordagem das aulas. 

4.4 - Ensinar a ouvir.

        Quando um aluno afirma que não entendeu, poderá ser porque não ouviu. Mas o professor não é um repetidor. Não habitue os alunos à ideia de que o professor pode repetir sempre que se queira. Devemos habituar os alunos a estar atentos. De igual modo, devemos responder (ou fazer algum sinal com a mão) sempre que um aluno nos chama.

        Sempre que possível apresente questões a que os alunos têm de dar uma resposta oral sem que recorram aos cadernos. Por exemplo, no capítulo "Números Racionais" do 7º ano pode dispor uma aula para questionar oralmente os alunos, um por um, com questões do tipo "2 - 3", "10-100", "3,1 - 2".

        Cada resposta é avaliada e escrita pelo professor na presença dos alunos.

 

4.5 - Incentivar a utilização de técnicas de memorização.

        O professor apresenta sugestões para memorizar sempre que aparece uma nova fórmula ou uma nova estratégia de resolução. Poderão ser mnemónicas, esquemas, iniciais das palavras, versos, desenhos, etc.

        Auxilie a compreensão de um conceito desdobrando a palavra (tri + ângulo).

        Por exemplo, pode apresentar a correspondência entre os números e as sílabas mono, bi/isso, tri, tetra/quadi, penta, hexa, ept, octo, enea, deca, undeca, dodeca e ico.

 

4.6 - Utilizar o sublinhado.

        Num texto todo sublinhado nada se destaca. O sublinhado deve ser apenas utilizado nas palavras ou frases essenciais ou que traduzam uma conclusão.

4.7 - Fazer resumos

        No inicio do ano escolar o professor explica o que é e para que serve um resumo e apresenta alguns exemplos.

        No inicio de cada unidade temática, ou de uma sub-unidade, o professor informa os alunos que deverão entregar um resumo da unidade que irão estudar, como um trabalho de projecto individual.

        No fim de cada unidade temática, em data a marcar, serão recolhidos os resumos. Na aula seguinte o professor entrega os resumos com a correspondente avaliação. No resumo de cada aluno foi escrito um comentário de forma a sugerir um aperfeiçoamento ou encorajamento para a realização dos próximos resumos, referindo-se a aspectos tais como

ortografia,

esquemas,

textos copiados, 

caligrafia,

cor,

exemplos, 

imagens, 

autoconfiança, 

definições, 

apresentação,

extensão, 

organização, ...

        Fazer resumos estimula a memorização momentânea e a progressiva, além de reforçar a compreensão e a análise dos conhecimentos.

 

4.8 - Desenvolver a memória visual e a memória lógica.

        Apresentar gráficos ou esquemas que possam traduzir ou apoiar a explicação do assunto.

4.9 - Apresentar, sempre que possível, um esquema conceptual para reforçar a memória visual.

        Apresentar a "matéria" com a ajuda de um esquema conceptual. No fim pedir uma composição escrita sobre o significado do esquema.

        Expor uma "matéria" e pedir (como TPC) aos alunos para apresentarem um esquema conceptual que represente o que foi exposto.

 

4.10 - Ensinar a tirar apontamentos.

        Apresente sugestões para tirar apontamentos rapidamente. Dar exemplos das abreviaturas mais utilizadas.                        Símbolos mais utilizados

> maior que

< menor que

Ù      e

Ú      ou

Π   pertence

       não pertence

³     maior ou a igual que

£       menor ou igual que

= igual a; isto é; ou seja

¹        diferente de

+ mais

- menos

x vezes

: a dividir; tal que

­    aumentar

¯     diminuir

È reunião

Ç intersecção

Ì está contido

Ë não está contido

Þ implica; donde se

conclui; o que leva a

Û equivalente

Ü é implicado por

Ð ângulo

â marca registada;registado

® para a frente; avança

¬ para trás; retrocede

$ existe; existe apenas um

" qualquer

¥ infinito; muito grande

¦ função

±    mais ou menos

» aproximadamente

// paralelo

x incógnita

portanto

< gradiente

[ ] intervalo

{ } conjunto

     vazio; nada

0 zero

1 um

2 dois

n muitos;inúmeros

1º primeiro

2º segundo

        O professor chama à atenção ao aluno de que as abreviaturas são um meio de facilitar o registo máximo de informação. Por isso, apenas se devem utilizar quando nos facilitam o trabalho e nunca se devem utilizar em exercícios ou em trabalhos escritos de avaliação.

        A seguir estão alguns exemplos que poderão facilitar a tarefa de escrever apontamentos na sala de aula.

h. hora m metro qdo quando
mn. minuto(s) Km quilómetro qto quanto
séc. século ton tonelada qq qualquer

        Outras abreviaturas usuais para poupar tempo quando se escrevem apontamentos.

a.

c/

cf.

col.

ed.

igual//

ob.

q.b.

sol.

autor

com

conforme

colecção

edição

igualdade

observação

quanto baste

solução

a.c.

cap.

cit.

d.c.

ex.

mto.

p. ou pág.

s/

tb.

antes de cristo

capacidade

citação

depois de cristo

exemplo

muito

página

sem

também

art.

cat.

c/o

dificul//

i.é.

pq.

sp.

vol.

artigo

categoria

como

dificuldade

isto é (ou seja)

número

porque

sempre

volume

4.11 - Incentivar o estudo em grupo.

        A biblioteca ou o polivalente são espaços da escola onde os alunos podem fazer grupos de estudo. Os trabalhos de grupo ou de investigação permitem que os alunos aprendam comunicando. As questões e afirmações de um podem e devem ser comentadas pelos outros.

        Frequentemente os alunos juntam-se para estudar, sem que a iniciativa parta do professor.

 

4.12 - Utilizar os meios informáticos adequadamente.

        Todos reconhecem as potencialidades computador. Mas o software que se tem disponível é determinante para se atingir resultados positivos.

        Os programas podem ter imagens "muito bonitas" e um conteúdo muito vago. Sempre que se utiliza o computador deverão ser devidamente observados os programas e questionar sobre a sua necessidade e eficácia. Vale mais não o utilizar se se concluir que o software não é apropriado ou se os alunos têm de conhecer demasiadas definições informáticas para aceder à informação pretendida.

        No entanto, é possível actualmente ter bons programas educativos para o computador e que conseguem seduzir e ensinar. As orientações e os limites de tempo sugeridos pelo professor são essenciais para que as actividades com o computador sejam ricas e frutuosas.

        Mas o computador tem de ser considerado como ele é: uma ferramenta de apoio.

 

4.13 - Sugerir formas de gerir o tempo.

        Os alunos costumam afirmar que não têm tempo para realizar muitas tarefas. É verdade que os alunos têm um horário escolar extenso. Mas muitas vezes desbaratam o tempo de forma descuidada.

        Para o aluno gerir adequadamente o seu tempo, deve :

 

4.14) Fornecer uma ficha de reflexão sobre métodos de estudo.

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5 - LER ALGUNS LIVROS SOBRE MÉTODOS DE ESTUDO

 

5.1 - Sobre métodos de estudo.

Boscato, Graziella, Estudante OK, Edições Salesianas, Lisboa(?), (?);

Brown, Michèle, Como Estudar com Sucesso, Círculo de Leitores, (?), 1992;

O´Meara, P. e Outros, Como estudar melhor, Editorial Presença, Lisboa, 1988;

Howe, Anne, Como Estudar, Publicações Europa-América, Lisboa, 1993;

Maddox, Harry, Como Estudar, Livraria Civilização, Porto, 1968;

Mendes, Mª Adelaide C. Lourenço, Sala de estudo orientada, (?), Figueiró dos Vinhos, 1996;

Palmarini, Massimo Piatelli, A vontade de estudar, Difusão Cultural, Lisboa, 1992;

Serafini, Maria Teresa, Como se faz um trabalho escolar, Editorial Presença, Lisboa 1986;

Serafini, Maria Teresa, Saber estudar e aprender, Editorial Presença, Lisboa 1991;

 

5.2 - Sobre o ensino da matemática.

D´Ambrosio, Ubiratan, Da Realidade à Acção, reflexões sobre ed. e mat., Summus Editorial, S. Paulo, 1986

Polya, George, A arte de resolver problemas, Interciência, Rio de Janeiro, 1986;

 

5.3 - Sobre Pedagogia educativa.

Ferreira, Manuela Sanches e Santos, Milice Ribeiro dos, Aprender a ensinar Ensinar a aprender, Edições Afrontamento, Porto, 1994;

 

5.4 - Sobre mapas conceptuais.

Ontoria, A. e outros, Mapas conceptuais, uma técnica para aprender, Edições ASA, Porto, 1994;

 

5.5 - E ainda.

Antão, Jorge Augusto da Silva, Comunicação na sala de aula, Edições ASA, Porto, 1993;

Coutinho, Maria de Sousa, O Papel Do Director De Turma Na Escola Actual, Porto Editora, Porto, 1994;

Gardner, Martin, Ah, descobri!, Gradiva, Lisboa, 1990;

Pekelis, Viktor, Conheça as suas potencialidades, Editora Mir, Moscovo, 1988;

Rutherford, Robert e João Lopes, Problemas De Comportamento Na Sala De Aula, Porto Editora, Porto, 1994;

Sampaio, Daniel, Indisciplina, Um signo geracional?, IIE, Lisboa, 1997;

Vilar, Alcino de Matos, A Avaliação Um Novo Discurso?, Edições ASA, Porto, 1992;

Vilar, Alcino de Matos, O Professor Planificador, Edições ASA, Porto, 1993.

Outras Conferências