Geografia 7º Ano
   
  
 
 

A TERRA: ESTUDOS E REPRESENTAÇÕES

 
 

Unidade - Meio Natural

A diversidade de climas e de formações vegetais

 Deves ser capaz de:

- Reconhecer as funções desempenhadas pela atmosfera

-Salientar a importância da troposfera para a meteorologia

- Distinguir estado de tempo e clima

- Referir os elementos do clima;

- Evidenciar o papel dos factores do clima;

- Caracterizar os diferentes climas da terra;

-Relacionar as formações vegetais com os respectivos climas;

- Referir a distribuição dos climas existentes à superfície da Terra;

- Caracterizar o clima de Portugal.


O Tempo

As previsões meteorológicas permitem conhecer com alguma antecedência o tempo que vai fazer, isto é, o estado do tempo - conjunto de condições atmosféricas que se verificam  num determinado lugar, num curto período de tempo.

O estado do tempo influencia a vida das pessoas e a realização de muitas actividades económicas. Daí, a grande importância que é dada à divulgação da sua previsão.

O estado de tempo  corresponde às condições atmosféricas existentes num dado momento e num determinado lugar.

 O estado de tempo é caracterizado pelo conjunto dos elementos meteorológicos que assumem na ocasião determinados valores: temperatura, a insolação,  a humidade, a nebulosidade, a precipitação (chuva, neve ou granizo), a pressão atmosférica e o vento (velocidade e direcção do vento).

 

 

A previsão do estado do tempo

Para se fazerem as previsões dos estados do tempo, recolhem-se, diariamente, dados nas estações meteorológicas através de aparelhos como os termómetros para medir para a temperatura, os pluviómetros para medir a pluviosidade, os barómetros para medir a pressão atmosférica, higrómetros para medir a humidade, cata-ventos para medir a  direcção do vento, anemómetros para medir a intensidade (velocidade em Km/h)  do vento  e outros. Tanto o cata-vento, como o anemómetro são hoje em dia substituídos, com vantagem, por anemógrafos, que registam a direcção e velocidade do vento em simultâneo. Também são captados dados através de balões-sonda, aviões ou satélites meteorológicos, (aparelhos e sistemas cada vez mais sofisticados e precisos). Estes dados são tratados informaticamente, sendo parte deles divulgados diariamente na televisão, na rádio, nos jornais e na Internet.

A partir dos dados e das imagens de satélites meteorológicos (que nos fornecem dados e imagens muito precisos e actualizados), a meteorologia elabora as cartas sinópticas, mapas com indicações relativas a determinados aspectos do estado do tempo, como a pressão atmosférica e o vento, que permitem caracterizar uma determinada situação meteorológica, com maior ou menor pormenor, e fazer previsões do estado do tempo para os dias seguintes. Estas previsões dizem respeito a momentos particulares e abrangem grandes áreas geográficas.

O estudo do estado do tempo é feito tendo por base as cartas sinópticas (mapa/carta meteorológica) como a da imagem anexa. Nelas inscrevem-se os valores dos principais elementos por meio de números ou símbolos. O aspecto mais saliente é o traçado das isóbaras (linhas que unem pontos de igual pressão), que dão uma imagem sugestiva da repartição da pressão e, portanto uma indicação da circulação atmosférica à superfície na região considerada.

A interpretação cuidadosa das cartas sinópticas permite, não só a caracterização do estado de tempo nesse momento, mas também prever com maior ou menor precisão a evolução provável do tempo, desde que se disponha de alguns dados complementares, como por exemplo  a temperatura do ar ambiente.

Figura - Imagem de satélite

O estado do tempo varia conforme a estação do ano e consoante as horas do dia.

 

 

De um modo geral, em cada lugar, as características do estado do tempo variam, quase sempre, de forma idêntica ao longo do ano numa dada região, o que nos permite falar de clima.

 

 Clima é a sucessão habitual de estados do tempo verificada numa dada região, durante um longo período, geralmente trinta ou mais anos, caracterizada a partir de valores médios .

Quer isto dizer, que o tempo traduz um estado actual da atmosfera, ao passo que o clima representa um estado médio da atmosfera.

 O clima  caracteriza-se através da análise de gráficos termopluviométricos ( gráficos que representam a variação das temperaturas médias mensais e a distribuição do total de pluviosidade em longo dos meses do ano)

 

 

 

 Elementos do clima – São todos os elementos que permitem caracterizar o clima de uma determinada região. De entre os principais elementos do clima referem-se: a temperatura, a humidade atmosférica, a precipitação, nebulosidade, a insolação, a pressão atmosférica e o vento.

Todos estes elementos variam com os factores do clima que influenciam as condições climáticas. Os factores do clima são a latitude, a proximidade do mar, a continentalidade, a exposição geográfica das vertentes, as correntes marítimas e a altitude.

A insolação é a quantidade de energia solar que atinge uma unidade de área da Terra, ou seja, o número de horas de sol descoberto acima do horizonte, varia conforme a região. Exprime-se em horas por dia, mês ou ano. Assim, podemos concluir que quanto for a duração da insolação, maior será a quantidade de energia recebida à superfície terrestre).

 

 Figura - Diferentes ângulos de incidência dos raios solares, e diferente massa atmosférica por eles atravessada.

O Sol emite uma grande quantidade de energia sob a forma de radiação (radiação solar) : Energia emitida pelo sol). A insolação é a quantidade dessa radiação solar directa que incide num elemento com uma determinada área colocado numa posição horizontal e a um nível conhecido. A quantidade de radiação solar recebida num dado lugar varia com a latitude e a inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de órbita . É devido à inclinação do eixo da Terra  em relação ao seu plano de órbita que se deve a diferença entre os dias e as noites e as estações do ano.

A duração da insolação é determinante da variação da radiação solar à superfície da Terra. Como as nuvens absorvem, reflectem e difundem uma grande parte da radiação solar, quanto maior for a duração da insolação, menor será a quantidade de radiação solar perdida na atmosfera e maior será, portanto, a quantidade de energia recebida na superfície terrestre.

  A Temperatura é o grau de aquecimento do ar num dado momento. Traduz a sensação de calor ou frio sentida pelo corpo humano e baseiam-se no princípio de que muitas substâncias se dilatam quando submetidas a uma elevação da temperatura. Estas indicam a quantidade de calor ou frio que faz numa região. Está intimamente relacionada com a radiação solar que alcança a superfície terrestre. O número de horas de Sol e a quantidade de energia solar recebida em cada região  ou local influencia, directamente, a temperatura. A temperatura encontra-se desigualmente distribuída à superfície da Terra, pois os valores de temperatura variam de lugar para lugar e ao longo do ao longo do dia e do ano, num mesmo lugar devido à forma redonda da terra, à inclinação do eixo terrestre, ao movimento de rotação da Terra e ao movimento de translação que o nosso planeta executa em torno do Sol. No Equador, mais calor, menor atmosfera. Nos pólos, menos calor, maior atmosfera.

A temperatura mede-se com termómetros, os quais expressam a temperatura em graus centígrados ou Celsius (°C). No caso da água pura o seu ponto de congelação é atingido aos 0º C e o ponto de ebulição aos 100º C. Também existe a escala de Fahrenheit em que o ponto de congelação da água é aos 32º F e o de ebulição aos 212º F. Distingue-se assim os climas frios de quentes.

  Figura - Termómetro de solo

  

Figura - Termómetro de máxima (em cima) e Termómetro de mínima (em baixo)

Os termómetros mais utilizados são os de líquido em vidro, geralmente de mercúrio ou de álcool etílico. Para que a leitura da temperatura do ar seja representativa, os termómetros devem estar protegidos da radiação solar directa a uma altura acima do nível do solo compreendida entre um e dois metros. A escala de temperatura internacionalmente adoptada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) é a escala de graus Celsius (º C). Para fazer o seu estudo determinamos os valores de temperatura máxima e mínima. Para se estudar o comportamento e variação da temperatura, faz-se registos diários, que podem ser usados para calcular a temperatura média (soma dos valores de temperatura registados a dividir pelo número de registos) e a amplitude térmica ( diferença entre a temperatura máxima e a temperatura mínima registadas). Esses registos são feitos em estações meteorológicas. Os cálculos da temperatura podem ser feitos para um dia (diurnos), para um mês (mensais) ou para um ano (anuais).    

Evaporação da água é fundamental para o clima, pois ela esta directamente relacionada com a formação das chuvas. A evaporação ocorre quando um líquido é aquecido através da acção do Sol ou de outro factor como, por exemplo, o aquecimento de água num fogão doméstico. A água que evapora dos rios, lagos, oceanos e até do nosso corpo, ao atingir determinada temperatura, que varia de acordo com o líquido,  ocorre a transformação em vapor de água . Este vapor de água, que é invisível, mistura-se com o ar da atmosfera. Quando a temperatura baixa, o vapor de água volta ao formato líquido (condensação) e cai através de chuvas.

Figura 2: Nuvens

Evapotranspiração  é a quantidade de água que se evapora directamente de seu estado líquido ou sólido mais a que se evapora dos seres vivos, das plantas especialmente. A energia disponível para produzir a evapotranspiração não é constante, pois varia de acordo com as horas do dia e com as estações do ano.

Deve-se ter em conta que a evaporação depende de dois factores: por um lado da energia disponível para evaporar água e por outro a quantidade de água disponível. Desta maneira é possível que a energia seja maior que a quantidade de água, produzindo-se uma diferença entre a evapotranspiração real (a que efectivamente se produz) e a evapotranspiração potencial (a que se poderia produzir se existisse água suficiente para toda a energia disponível).  

Nebulosidade – Concentração de nuvens que tem um efeito de barreira sobre a luz solar, ou seja, o número de dias por ano em que o céu está cheio de nuvens. A nebulosidade está interrelacionada a evaporação, Esta é importante para  a formação das chuvas . A nebulosidade é também um factor do clima pois a nuvens não deixam passar todos os raios solares reflectidos pela superfície da terra e diminui a quantidade de calor que a crosta terrestre perde por irradiações. É por este motivo que nos dias de muita nebulosidade não faz tanto frio como nos dias com luz do sol.

 

evaporação da água 
Figura - Evaporação da água

Humidade atmosférica é a quantidade de vapor de água que existe na atmosfera.

Humidade do ar  -  quantidade de vapor de água existente numa dada unidade de volume de ar, varia de um lugar para outro e até num mesmo lugar, dependendo do dia, do mês ou da estação do ano. Quanto mais elevada for a temperatura, maior será a humidade do ar e vice-versa. A sua medição é muito importante, devido à sua acção sobre a temperatura do ar e sobre a velocidade da evaporação da água à superfície do solo. Por outro lado, a condensação do vapor de água existente na atmosfera pode dar origem a diversos fenómenos meteorológicos como, por exemplo: o nevoeiro, a chuva, o granizo, etc.

Constituindo importante variável meteorológica, ao lado da temperatura, pode ser considerada em números absolutos (g/m³) ou relativamente ao seu ponto de saturação, ou seja, à capacidade máxima da atmosfera em reter a humidade.

 Precipitação – quantidade de água que cai num determinado lugar da superfície da Terra, no estado liquido ou sólido e resulta da condensação do vapor de água que existe na atmosfera. A precipitação pode ter a forma de: chuva, chuvisco, neve, granizo, saraiva, nevoeiro, neblina, orvalho, geada ou sincelo. A abundância ou escassez de precipitações distingue climas húmidos, secos e áridos.

Quando as gotículas de água das nuvens se juntam umas às outras, aumentam de volume e peso, vencem a resistência do ar e caem sob a forma de chuva.

Quando a condensação do vapor de água ocorre a temperaturas inferiores a zero e mais ou menos lentamente, formam-se cristais de gelo, que ao caírem para o solo, se vão juntando uns aos outros, formando flocos aveludados que é a neve (temperaturas negativas em todo o seu trajecto). Por vezes, as gotas de água são arrastadas por correntes de ar ascendentes, para níveis altos da atmosfera, onde a temperatura é negativa; essas gotas solidificam rapidamente, transformando-se em grãos de gelo que é o granizo.

Para se medir a quantidade de precipitação caída por unidade de superfície, durante um certo intervalo de tempo, utiliza-se um um udómetro ou pluviómetro. Este instrumento é constituído por um funil colocado sobre um recipiente cilíndrico fixo a um suporte. O funil tem uma boca circular, de diâmetro conhecido e horizontal. A chuva que cai através desta abertura é recolhida num recipiente colocado dentro do cilindro. A quantidade de precipitação que se encontra no recipiente é medida em intervalos de tempo regulares. A determinação da quantidade de precipitação recolhida no udómetro faz-se recorrendo a uma escala graduada, geralmente em milímetros. A medição exprime-se em milímetros de altura (mm) ou em litros por metro quadrado (l/m2). A cada litro por metro quadrado corresponde a um milímetro de altura.

A precipitação mensal obtém-se a partir da soma do volume de água caída durante todos os dias de um mês. Do mesmo modo, a precipitação total anual resulta da soma do volume de água caída ao longo dos meses do ano.

 

Figura - Pluviómetro

 

A pressão atmosférica é a a força exercida pela atmosfera sobre a superfície da Terra. O seu valor expressa-se em milibar (mb) ou em hectopascal (hp) e varia em sentido inverso ao da altitude, temperatura e humidade.

O valor normal da pressão atmosférica é de 1013 mb ou 1013 hp. No entanto o valor da pressão varia por influência de dois factores principais:

  • a temperatura
  •  a altitude

A temperatura constitui um dos principais factores de variação da pressão atmosférica. Quando o ar arrefece, a pressão atmosférica é mais elevada. Quando a temperatura aumenta, a pressão atmosférica é menor ( o ar quente é mais leve e sobe, diminuindo a pressão; o ar frio é mais pesado e desce, aumentando a pressão).

A pressão atmosférica também varia com a altitude ( a pressão diminui com a altitude pois diminui a coluna de ar atmosférico sobre um lugar). Assim, quando a altitude é baixa, a pressão do ar é elevada. Por outro lado, quando a altitude é elevada, a pressão atmosférica é mais baixa. Por isto, costuma-se dizer que na montanha o ar é mais “rarefeito” ou mais “leve”( densidade é menor).

 

Para além destes pode haver outros factores a influenciar o valor da pressão atmosférica.

  O peso do ar sobre a superfície da terra calcula-se medindo a pressão em cm2 da superfície terrestre, de uma coluna de ar – Barómetro. O valor médio da pressão atmosférica ao nível da água do mar é de 760 mm. Esta varia de acordo com a temperatura e a humidade do ar.

  

 

 

Figura - Barómetro

A pressão atmosférica é medida por barómetros. Há 2 tipos básicos de barómetros: mercúrio e aneróide. O mais preciso é o barómetro de mercúrio, inventado por Torricelli em 1643. Consiste de um tubo de vidro com quase 1 m de comprimento, fechado numa extremidade e aberto noutra, e preenchido com mercúrio (Hg). A extremidade aberta do tubo é invertida num pequeno recipiente aberto com mercúrio. A coluna de mercúrio desce para dentro do recipiente até que o peso da coluna de mercúrio iguale o peso de uma coluna de ar de igual diâmetro, que se estende da superfície até o topo da atmosfera. O comprimento da coluna de mercúrio, portanto, torna-se uma medida da pressão atmosférica. A pressão atmosférica média no nível do mar mede 760 mm Hg.

                      

Figura - Barómetro de mercúrio

 

Vento – É o ar em movimento. Movimento da massa de ar com uma determinada direcção e intensidade.

O ar  movimenta-se devido às diferenças de temperatura ou de pressão. O deslocamento do ar é sempre de áreas mais quentes, ou de regiões de altas pressões para as de baixa pressão. Sabemos que a superfície terrestre não recebe a mesma quantidade de calor. As regiões onde o ar faz movimento ascendente são denominadas de zonas de baixa pressão e nas regiões onde temos movimentos descendente são chamadas de zonas de altas pressão.  Para traduzir a velocidade do vento utilizam-se duas unidades: o metro por segundo, m/s, de que se deduz a velocidade em quilómetro por hora, km/h, ou o nó, que se abrevia por kt, e que corresponde a 51 cm/s. Tanto o cata-vento (para medir a  direcção do vento), como o anemómetro (intensidade do vento) são hoje em dia substituídos, com vantagem, por anemógrafos, que registam a direcção e velocidade do vento em simultâneo. São os ventos que transportam de um lado para o outro massas de ar diferentes, que podem deixar calor por onde passam ou frio. Quando duas massas de ar muito distintas confluem uma com a outra pode dar-se origem a um furacão ou tufão.

 


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