A evolução da população portuguesa a partir da segunda metade do século XX

O Comportamento das variáveis demográficas

A analise do comportamento da natalidade e da mortalidade e, consequentemente, das taxas de natalidade e de mortalidade, a partir da segunda metade do século XX, permite compreender melhor a evolução do crescimento natural e da taxa de crescimento natural.

A taxa de natalidade

  Evolução das taxas de mortalidade, natalidade e crescimento natural, entre 1995 e 2005
 

Evolução das taxas de mortalidade, natalidade e crescimento natural em alguns países da UE

 

A partir da análise do gráfico, constata-se o decréscimo contínuo da taxa de natalidade em Portugal, que passou de 24,1%, em 1960, para cerca de 10,4% em 2005.

Entre 1991 e 2001, é possível detectar algumas alterações na evolução deste indicador, pois a partir de 1995, ano em que atingiu o valor mais baixo(10,7%), registou uma subida, apresentando o valor mais elevado em 2000, 11, 7%. A partir de 2001, a taxa de natalidade voltou a sofrer um ligeiro decréscimo, o que continuou a verificar-se nos anos seguintes.

  Evolução da taxa de natalidade em Portugal, entre 1991e 2005
 

A ligeira tendência de acréscimo após 1995 até 2000 não pode, no entanto, ser considerada um novo baby-boom, mas antes deve ser entendida como uma alteração no calendário da natalidade, ou seja, as mulheres adiam o nascimento do primeiro filho, o que já era observado noutros países da Europa. Alem disso, o número de filhos de mães estrangeiras e também preponderante e fundamental para este aumento.

Taxa de natalidade vs Taxa de fecundidade

A taxa de natalidade considera o total de nados-vivos num universo global, isto é, por cada mil habitantes, independentemente do sexo e da estrutura etária da população. Então os resultados são, grosso modo, insuficientes. Deste modo, surge a necessidade de utilização da taxa de fecundidade, que permite uma leitura mais concisa e real, pois apenas considera a fracção da população que pode procriar - as mulheres em idade fértil. Efectivamente, a Taxa de fecundidade revela um comportamento análogo, no tempo e no espaço, à taxa de natalidade.

 A Taxa de fecundidade reflecte-se no Índice Sintético de Fecundidade, isto é, no número médio de filhos por mulher. . Assim, a queda drástica da fecundidade e bem ilustrada com o declínio do índice sintético de fecundidade verificado a partir de 1962, com cerca de 3,2 ate 1995, ano em que atingiu o seu valor mais baixo, 1,41. Em 1988, atingiu-se o limiar da renovação de gerações (2,1 por mulher).

A partir deste ano, e mais vincadamente após 1997, a fecundidade voltou a aumentar até 2000, apesar de a um ritmo mais lento, traduzindo-se num aumento do índice sintético de fecundidade, que foi de cerca de 1,46, em 1997, e de 1,58, em 2000. No entanto, em 2001, sofreu um decréscimo (1,46) em relação a 2000, estimando-se que em 2005 o seu valor seja ligeiramente mais baixo, rondando 1,4, isto é, abaixo do número necessário para assegurar a renovação de gerações.

 Esta tendência de decréscimo tendera a manter-se ate 2010, estimando-se que a partir desse ano aumente, atingindo, em 2050, cerca de 1,7 filhos, em media, por mulher.

 

Índice sintético de Fecundidade

O Índice sintético de fecundidade permite saber se um país tem a renovação das gerações assegurada.

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística, no ano de 2002, nasceram menos 2000 nados-vivos do que em 1990, que registava 116 383 nascimentos vivos contra os 114 456 de 2002. Como consequência, o número médio de crianças por mulher permanece abaixo do nível de substituição das gerações, que é de 2,1 contra os 1,47 registados em 2002.

A renovação das gerações só esta assegurada para valores do índice sintético de fecundidade superiores a 2,1. Como o valor do índice está cada vez mais longe do valor mencionado, a população vai entrar num processo rápido de decréscimo e de envelhecimento.

 

As causas do declínio da fecundidade

 

1- A modernização das sociedades e a melhoria do nível de vida; 

  •  maior preocupação com o bem estar (valorização afectiva) e a educação dos filhos

  •  limitação do nº de filhos às possibilidades económicas

  •  proibição do trabalho infantil

  • escolaridade obrigatória

  • aumento das despesas com os filho, na saúde, na alimentação, na educação, etc. (crianças fonte de rendimento /passaram a ser fonte de despesa).

 

2-  A precariedade do emprego e o aumento da população urbana

  •  instabilidade no emprego e a insegurança em relação ao futuro (insuficiência dos rendimentos) leva a  evitar os filhos ou a  retardar os nascimentos pela incerteza de os poder sustentar e educar.

  • carência e alto custo da habitação, retarda o casamento e dificulta a constituição de famílias numerosas

 

3- O desenvolvimento do planeamento familiar e a generalização da utilização de métodos contraceptivos

  • limita o número de filhos ao seu desejo e possibilidades económicas

 

 4- A crescente entrada da mulher no mercado do trabalho / Aumento da taxa de população activa feminina.

  • torna difícil suportar o duplo fardo do emprego e da maternidade

  •  o que se traduz numa menor disponibilidade para cuidar e educar os filhos

  • enormes despesas com a educação de menores muitas vezes incomportáveis para os rendimentos familiares.

 

5- A liberdade e realização pessoal/Aumento do nível de escolaridade das mulheres portuguesas.

  •  aumento da idade do casamento e do nascimento do primeiro filho, devido, em parte, ao prolongamento dos estudos e às dificuldades de acesso ao primeiro emprego (associado ao crescente desejo de realização profissional e pessoal está também o emprego precário e o desemprego crescente;

  • condicionam os movimentos, por isso , procuram evitar os filhos;

  • a elevação da idade do primeiro casamento e do nascimento do primeiro nascimento.

 

6- Redução da taxa de nupcialidade e das uniões extra maritais e o aumento do número de divórcios.

  •  problemas de ordem social e maior instabilidade reduz o número de casamentos.

  • o casamento é cada vez mais adiado em função do prolongamento dos estudos e da estabilidade profissional, o que acaba por se reflectir no aumento da idade da mãe ao nascimento do primeiro filho e no decréscimo geral da natalidade.

A evolução decrescente do índice sintético de fecundidade está relacionada com o aumento da idade média da mulher ao nascimento do primeiro filho.Em 2005, a idade média ao nascimento do primeiro filho era de cerca de 28 anos ( 24 em 1975). A tendência de ter filhos cada vez mais tarde mantém-se e as mulheres que tiveram filhos em 2005 tinham em média 30 anos, enquanto em 1977 a média era um pouco mais de 26 anos.

 

MEDIDAS SOCIOECONÓMICAS QUE INVERTAM A TENDÊNCIA PARA O ENVELHECIMENTO

 

Incentivar a natalidade através de:

  •  aumento do abono de família

  •  aumento da licença de parto.

  •  aumento de subsídios de nascimentos e aleitação

  •  maior apoio da legislação laboral às futuras mães

  •  penalizarão fiscal dos celibatários

 

 

 

Mapa de países

Atlas on-line

 

Mais informações

Vídeo: Evolução da taxa de natalidade

Descida da natalidade

Comportamento das variáveis

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