AS ESTRUTURAS E OS COMPORTAMENTOS SOCIODEMOGRÁFICOS

A estrutura etária

A evolução da população portuguesa reflecte, através da análise dos seus indicadores demográficos, as características da população em termos da sua estrutura etária

A estrutura etária, ou seja, a composição da população por idades, é muito importante para se compreender e estudar a população de um país ou região, pois, por exemplo, poderá saber-se se a população tenderá a aumentar ou diminuir a partir da sua tendência para o envelhecimento ou juventude.

Assim, por exemplo:

  • Quanto maior for a taxa de natalidade, maior será a percentagem de população jovem, o que leva a um crescimento da população;

  • Quanto menor for a taxa de mortalidade, maior vai ser a esperança média de vida, o que leva a um aumento da percentagem de idosos e, geralmente, a uma diminuição do crescimento da população.

 A estrutura etária de uma população pode ser representada graficamente, através de uma pirâmide etária ou pirâmide de idades.

As pirâmides etárias permitem, através da sua forma e irregularidades:

  • Identificar a estrutura etária (por exemplo se a população é jovem ou idosa);

  • Conhecer os acontecimentos passados;

  • Fazer projecções futuras.

Normalmente, para se caracterizar a estrutura etária de uma população utilizam-se os grupos etários, que dividem a população em:

  • Jovens – dos 0 aos 14 anos;

  • Adulta – dos 15 aos 64 anos;

  • Idosa – a partir dos 65 anos.

 Numa análise ainda mais pormenorizada, a população pode ser agrupada em classes etárias quinquenais – 5 anos (0-4, 5-9, 10-14, …) ou mesmo em classes mais extensas.

  

Estrutura etária da população portuguesa

A população portuguesa tem sido caracterizada por alterações na proporção dos grupos etários, sobretudo na proporção dos jovens e dos idosos.

É notório o decréscimo da percentagem de jovens e o aumento significativo dos idosos. A proporção de adultos tem variado pouco, verificando-se uma tendência para a diminuição, uma vez que os jovens adultos serão cada vez menos.

 

Pirâmide etária, Portugal, 1950 e 2005

 

 Pela análise  da pirâmide , verificamos que  o efeito do “envelhecimento” continua bem marcado na estrutura etária portuguesa. Veja-se, por exemplo, que a base da pirâmide continua a estreitar, ao mesmo tempo que o topo continua a “alargar”. Isto traduz uma baixa de natalidade (estreitamento na base) e um aumento do número de idosos (alargamento no topo) e consequente aumento na esperança média de vida.

O acentuar do estreitamento na base da pirâmide verifica-se até às classes etárias dos 25 anos (aproximadamente), altura em que a situação se inverte, ou seja, verifica-se, a partir daqui um aumento de efectivos até às classes etárias mais elevadas no ano de 2005.

 As pirâmides etárias das seguintes figuras testemunham as alterações verificadas na estrutura etária da população portuguesa.

 

Estrutura etária da população portuguesa, 1960,1981,2005 e 2005 (previsão)

   Constatamos, então, que a população portuguesa tem vindo a envelhecer, o que está materializado em 1981, que testemunha claramente uma situação de duplo envelhecimento – envelhecimento pela base (causado pelo decréscimo da população de jovens) e envelhecimento pelo topo (aumento da proporção de idosos).

 A População de todo o país está num processo de envelhecimento, embora mais marcado nos distritos do interior (envelhecimento da população e consequentemente redução da natalidade, êxodo rural, emigração)As seguintes pirâmides traduzem as assimetrias regionais ( litoral anterior).

  

 

Duplo envelhecimento: Envelhecimento pela base e pelo topo:

 

          A proporção dos jovens em relação à população total traduz o envelhecimento pela base - Classes ocas na base – reflexo de redução da taxa de natalidade ( redução dos efectivos em idade de procriar).

           A proporção dos idosos em relação à população total traduz o envelhecimento pelo topo.

          - Desigualdade dos efectivos do sexo masculino e feminino – nascem mais indivíduos do sexo masculino (105 rapazes para 100 raparigas); a partir dos 45 anos, a situação inverte-se ( têm imigrado mais homens do que mulheres e , por outro lado, em média os homens morrem mais cedo do que as mulheres).

          A pirâmide do Norte Litoral apresenta uma população jovem adulta maior - base mais larga -  maior taxa de natalidade, maior tradicionalismo e religiosidade.

          A pirâmide do Alentejo Interior apresenta população adulta maior - uma base mais estreita e maior extensão das barras no topo– menor taxa de natalidade – redução dos efectivos em idade de procriar, maior retracção (classes ocas) das classes etárias da população adulta (escalões dos 40 aos 54 anos) devido à emigração e ao êxodo rural , logo descida da natalidade.

 

Se em 1990 Portugal era um país jovem, do ponto de vista demográfico, hoje a realidade apresenta-se muito grisalha, pois manifesta já uma estrutura etária muito envelhecida (dado que pela primeira vez o número de jovens foi superado pelo número de idosos no ano 2000), apesar de, no quadro comunitário, ocupar ainda um lugar intermédio.

 

 

O envelhecimento da população portuguesa deve-se ao contínuo decréscimo da taxa de natalidade, à redução da taxa de mortalidade e ao aumento da esperança média de vida.

O aumento da esperança média de vida resulta:

          Da melhoria das condições de vida;

          Dos progressos da medicina;

          Da melhoria da assistência médica

A esperança média de vida está directamente relacionada com o grau de desenvolvimento dos países, o que significa que quanto mais desenvolvido for o país, maior será o número de anos que o indivíduo terá, à nascença, probabilidade de viver.

Em Portugal, a esperança média de vida era, em 1960, de apenas 61 anos para os homens e 67 anos para as mulheres, enquanto em 2005 atingia 81 anos para as mulheres e 75 para os homens. Assim, a esperança média de vida à nascença tem vindo a aumentar, sendo sempre superior nas mulheres, devido à sobremortalidade masculina.

Segundo o último relatório anual do Conselho da Europa sobre a «Evolução demográfica recente na Europa», os portugueses serão menos um milhão em 2050 e a população estará ainda mais envelhecida, havendo perto de 2,5 idosos por cada jovem.

A população portuguesa deverá começar a decrescer a partir de 2010, atingindo os 9.302.500 habitantes em 2050.

O aumento da esperança média de vida reflecte-se directamente no índice de envelhecimento, pois este indicador aumentou de 109 indivíduos idosos por cada 100 jovens, em 2004, para cerca de 110, em 2005. O fenómeno do envelhecimento é superior entre as mulheres. Assim, a tendência crescente do índice de envelhecimento fica a dever-se:

•  Ao aumento da esperança média de vida, com consequente crescimento da percentagem de população idosa;

      Ao facto de o aumento da natalidade verificado não ter conseguido compensar o declínio da percentagem de jovens na população.

Em termos regionais, o índice de envelhecimento registou:

          Os valores máximos no Alentejo, no Centro e Algarve, que apresentam índices de envelhecimento superior à média nacional, isto é, superiores a 110 idosos por cada 100 jovens. Os valores que se fazem sentir nestas regiões, principalmente nas áreas localizadas no interior, devem-se sobretudo à baixa natalidade e aos movimentos migratórios, quer internos quer externos.

          Valores inferiores à média nacional nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores e no Norte, devido à maior taxa de natalidade, maior tradicionalismo e religiosidade.

 Factores que levam ao envelhecimento

Declínio da taxa de natalidade (reduzem-se as probabilidades de nascimento) e a não renovação de gerações – inferior a 2,1 (este aspecto não pode ser dissociado da emigração) e a desertificação demográfica de algumas áreas do país, decréscimo da taxa de mortalidade; aumento da esperança média de vida.

Consequências demográficas

  • Diminuição da taxa de natalidade, não renovação das gerações, envelhecimento da população.

 

O aumento do índice de envelhecimento tem reflexos nos índices de dependência. Assim, verifica-se que o índice de dependência total diminuiu de 50 indivíduos, em 1991, para 48, em 2001, situando-se, em 2005, em 48,6 indivíduos. No entanto, este declínio deveu-se exclusivamente à diminuição do número de jovens. Assim, o índice de dependência jovem foi de 23,1 indivíduos, uma vez que a relação de idosos na população potencialmente activa passou para 25,4 indivíduos.

 

Em consequência deste aumento da esperança média de vida, prevê-se que a idade média da população aumente cerca de 2 anos para as mulheres e 2,5 para os homens, em 2005, o que poderá traduzir-se numa esperança média de vida de 84,7 anos para as mulheres e 79 anos para os homens.

É a crónica de uma morte anunciada, isto é, se os portugueses e os europeus nada fizerem.

 

 

 

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