Para veres as definições das palavras, "clica" num dos números da grelha. Escreve a palavra à frente da definição, e "clica" no botão "Inserir" para colocar a palavra na grelha.
Se tiveres dúvidas "clica" no botão "Ver Pista". De cada vez que pedes uma pista, diminuis a pontuação!
No final, clica no botão "Verificar" para veres o resultado.
(...) E então os braços continuavam a doer; doía-lhes agora o corpo todo, ao mesmo tempo que uma tristeza cada vez mais pesada lhes oprimia o espírito, parece que embrutecendo-os.
– Mas a estrela sempre além... – notou ainda o Manuel, balbuciante de medo, como se quisesse increpar a própria estrela da sua indiferença criminosa, no meio daquele enorme infortúnio em que por causa dela se haviam precipitado. – Se ela pudesse acudir-nos!
Até que por fim, prostrados de fadiga e das lágrimas, de novo se deixaram adormecer, era já alta noite.
Mas, na sua fúria constante, a corrente, que ali era muito forte, não cessava de bater contra as pedras o pobre barco indefeso. Até que, após tamanho lidar, o rio safou-o de repente para um lado onde as águas se contorciam em remoinho, e entrou de girar com ele, violentamente. Quando a água se precipitou para dentro, os dois pequenos, assim de súbito acordados, romperam em gritos lancinantes:
– Ai! quem acode! Ai Jesus, quem nos vale! Acudam! Acudam!
Tinha surgido a manhã, serena, tranquila, cheia de gorjeios e de azul. Mas como ninguém acudisse e a luta no rio fosse desigual, num repelão mais violento o pobre barco esfacelado investiu de proa com o abismo e lá se sumiu para sempre! Feridos de morte, no último paroxismo da sua enorme dor desesperada, os dois irmãozitos abraçados sumiram-se também com ele!...
...Nesse mesmo instante... – e mais longe do que nunca – ...a estrela feiticeira acabava de cerrar também a pálpebra luminosa!...
Trindade Coelho, Os Meus Amores, Lisboa, 1891