

ACÇÃO DE FORMAÇÃO
. INTERNET NA ESCOLA
DOLORES PINA E CARLOS PINA
A SUCESSÃO DOS DEUSES GREGOS
Inicialmente Gaia era a divindade suprema, adorada pelos povos agricultores anteriores aos bárbaros invasores que deram origem ao povo grego. Ela é a deusa-mãe de mil nomes, representação do princípio universal doador e nutridor da vida.
De Gaia foram gerados espontâneamente Pontos (o mar) e Urano (o céu), que também a desposaram dando origem a uma série de deuses. De Pontos ela deu à luz a deuses marítmos e de Urano, aos titãs, gigantes, cíclopes e Hecatoncheires. Certamente o casamento de Gaia já representa um extrato mitológico posterior, onde a deusa-mãe necessita do macho para fazer algo que outrora fora espontâneo.
Avançando mais na história, vemos que Urano temia ser destronado por um de seus filhos, e baniu tantos os cíclopes quanto os Hecatocheires para o Tártaro. Irritada com seu esposo, Gaia incitou Cronos a derrotar seu pai. Com uma pequena foice, Cronos castrou seu pai e tomou seu trono.
Neste ponto assistimos à supremacia de Cronos sobre os demais deuses. Cronos toma sua irmã Réia como sua esposa, que gera diversos filhos. Porém, para escapar de um fim igual ao que teve seu pai, Cronos engole seus filhos assim que eles nascem. Enganada por sua esposa, Cronos engole uma pedra ao invés do bebê Zeus, que é entregue aos cuidados de ninfas para ser criado. Quando este atingiu a maturidade, investiu contra seu pai e forçou-o a devolver seus irmãos. Com a ajuda destes Zeus derrotou os titãs e os seres que a estes se juntaram. Gaia apoiou os titãs e gigantes na luta contra Zeus. Toda essa disputa pode ser entendida historicamente como a luta entre duas diferentes culturas no seu processo de assimilação. Porque Gaia, como vimos, era a divindade de um povo agricultor e o guerreiro Zeus, montado em uma carruagem de guerra e brandindo seu raio, a divindade de povos nómadas bárbaros. Mesmo a representação que hoje nos chega de Cronos não é consistente. Pois se de um lado era um monstro devorador de seus próprios filhos, a ele é atribuído o reinado na Idade do Ouro, da inocência e pureza.
Assim, Cronos cedeu lugar a Zeus, Oceano a Poseidon, Hyperion a Apolo. Zeus dividiu o domínio do mundo com seus irmãos: ele ficou com o céu, Hades com o mundo dos mortos e Poseidon com os mares. Zeus tornou-se assim o rei dos homens e dos deuses.

Os Deuses Olímpicos
Afrodite (Vênus) - A deusa antiga do amor, seu nascimento e seus amantes.
Apolo
(Febo)
- A origem e os mitos de Apolo, o deus das Artes, da Luz e da Cura.
Artemis (Diana) - A deusa da caça e dos animais selvagens.
Atena (Minerva) - O nascimento da deusa da sabedoria.
Deméter
(Ceres) - Como foi instituído a celebração do
Mistério de Elêusis.
Dionísio (Baco) - A história do deus grego do pão e do vinho, conforme seu mistério.
Hefesto (Vulcano) - Seu nascimento, sua imperfeição e sua conquista de um
lugar no Olimpo.


Deusa
grega da beleza, da fertilidade e do amor, correspondente à romana Vénus, porém,
ao contrário da última, não representava apenas o amor sexual, mas também a
afeição que sustenta a vida social. É uma deusa de origem provavelmente
oriental, sendo primordialmente identificada como Astarte (Ishtar babilônica /
Inanna sumeriana). O epíteto "Cipriota"
talvez indique que os gregos tomaram conhecimento da divindade em Chipre. É
certo que ela recebia um maior culto nessa e em outras ilhas gregas. Pode-se
inferir que
seu culto chegou à Grécia por mar.
De acordo com Hesiodo, ela nasceu dos genitais cortados de Urano, enquanto Homero nos relata ser ela filha de Zeus e Dione, e esposa de Hefesto.
Era comumente separada por escritores e filósofos em Afrodite Celestial (Urania, nascida de Urano) e Afrodite mundana (Aphrodite Pandemus). Seu carácter celestial é ligado à origem descrita em Hesíodo, e ressalta o seu aspecto de divindade oriental, de fertilidade (veja abaixo a passagem que ilustra o nascimento de grama sob seus pés). Já seu carácter mundano aparece mais ligado a Homero, que a mostra como deusa volúvel do amor sexual e mesquinho.
Ainda ressaltando seu carácter como deusa da fertilidade, ela recebia em Creta o epíteto de Antheia, deusa das flores, o que revela sua conexão com a mágica das plantas. Também era a responsável pelo orvalho da manhã.

Conta-nos Hesíodo, em seu poema "Teogonia", que Urano estava banindo seus filhos para o Tártaro, e Gaia, sua esposa, incitou seu filho mais poderoso, Cronos, a enfrentar o pai e tomar o seu poder. Cronos destronou seu pai, Urano, e na luta cortou seus genitais com uma pequena foice.
"Quanto aos
genitais, tão logo ele os cortou com seu adamantino instrumento e os atirou da
terra ao mar oscilante, eles foram carregados nas ondas por um longo tempo. Em
torno deles uma espuma branca surgiu da carne imortal, e nela uma garota se
formou. Primeiramente, ela se aproximou de Cítera, então de lá ela veio à
Chipre envolta pela água. E da espuma saiu uma deusa modesta e bela, e a grama
começou a brotar por
baixo
do seu delgado pé. Deuses e homens chamam-na Afrodite, porque ela se formou da
espuma, e Citereia, porque ela se aproximou de Cítera, e nascida-de-Chipre,
porque ela nasceu na Chipre lavada pelo mar, e "genial", porque ela
apareceu de genitais. Eros e o belo Desejo assistiram seu nascimento e
acompanharam-na quando ela juntou-se à família dos deuses. E esse tem sido a
província a ela partilhada desde o começo entre homens e deuses imortais:
"O sussurro das garotas; sorrisos; desilusões; doces prazeres, intimidade, e suavidade."
Homero abre sua Ilíada contando a história de um concurso de beleza entre as deusas Afrodite, Hera e Atena. Não sendo possível aos deuses decidir essa disputa, foi deixado à cargo de um mortal, Páris, filho de Príamo, rei de Tróia. Páris então deu o premio, uma maçã de ouro, à Afrodite, que em troca prometeu-lhe a mão da mulher mais bonita do mundo. Foi assim que ocorreu o rapto de Helena de Tróia por Páris, fato que desencadeou uma guerra.
Ainda segundo
Homero, Afrodite era a esposa de Hefesto. Essa união, porém, estava longe de
ser estável, pois apesar de muito bela, Afrodite apresentava um caráter
vulgar. Tomando conhecimento do caso, Hefesto armou uma armadilha e prendeu Ares
e Afrodite em uma rede, expondo-os à vergonha frente aos outros deuses.


A vida era nova e frágil quando Afrodite chegou com o suspiro da renovação. Nascidas de ventos gentis no mar oriental, ela chegou na ilha de Chipre. Tão graciosa e sedutora era a deusa que as Estações correram para recebê-la, implorando para que ficasse para sempre. Afrodite sorriu. Sua estada seria interminável, seu trabalho nunca completo. Ela atravessou a praia cristalina e caminhou por sobre as montanhas e vales, procurando por todas as criaturas viventes. Magicamente as tocou com desejo e as mandou embora em alegres pares. Ela abençoou o útero das mulheres, guardando-os enquanto cresciam, e aliviou as dores do parto. Em todos os lugares ela espalhou a promessa escondida da vida. Todos os dias beijava a terra com o orvalho da manhã.
As andanças da deusa a levaram para longe, mas todo inverno ela retornava à Chipre com suas pombas para seu banho sagrado em Paphos. Lá era atendida por suas Graças: Florescência, Crescimento, Beleza, Alegria e Resplendor. Elas a coroavam com mirto e espalhavam pétalas de rosas a seus pés. Afrodite caminhava para o mar, para os ritmos lunares da maré. Quando emergia, com seu espírito renovado, a primavera florescia plenamente, e todos os seres sentiam sua alegria. Através de estações, anos, eras, os mistérios de Afrodite permaneciam invioláveis, pois apenas ela entendia o amor que gera a vida.

Além do seu marido Hefesto, Afrodite teve diversos outros amantes:
Adonis;
Ares - de quem teve Harmonia, Eros,
Deimos e Fobos;
O mortal Anchises - de quem teve Enéias.
Em relação à maternidade de Eros, parece que essa é uma lenda posterior, já que Hesíodo conta Eros entre as divindades primordiais, surgindo após o Caos. Além disso Eros aparece assistindo o nascimento de Afrodite.

Divindade
que recebeu grande reverência desde os tempos dos gregos primitivos até os
romanos, Apolo era o filho de Zeus
e da titã Leto, e irmão gêmeo de Artemis.
Leto foi seduzida por Zeus e foi obrigada a se esconder da ciumenta Hera que a perseguiu através de toda a Terra. Ela conseguiu refúgio na ilha de Asteria (Delos), onde deu à luz Artemis e logo depois ao gêmeo Apolo. Existe porém uma versão que diz que Apolo nasceu em Delos enquanto Artemis nasceu em Ortygia.
Na realidade, nem seu nome nem sua origem podem ser definitivamente explicados. De qualquer modo, parece certo que ele não era um deus originalmente grego, tendo derivado dos hiperbóreos no norte longínquo ou dos habitantes da Ásia Menor (provavelmente da Lícia)*.
Na Grécia seu culto expandiu principalmente a partir de Delos e Delfos. De acordo com a lenda, logo após seu nascimento Apolo matou Python, o guardião do Oráculo de Delfos, e tomou o lugar de Temis, tornando-se o senhor do oráculo. Para celebrar seu feito ele organizou os Jogos Pítios. Apolo, porém, teve de pagar penitência na Tessália pelo assassínio de Phyton. Em seus mitos, Zeus por duas vezes forçou Apolo a ser escravo de um mortal para pagar pelos seus crimes. **
Suas
numerosas características e funções, assim como seus muitos epítetos
(algumas vezes não traduzíveis), indicam que os atributos de diversas
divindades locais foram gradualmente transferidos para ele e para sua irmã.
Provavelmente muito desses atributos não correspondiam à suas naturezas
originais, o que deu origem ao caráter multifacetado
desses deuses.
Apolo tinha uma natureza intrinsicamente dual, podendo, por um lado, trazer a boa fortuna e afastar o mal, enquanto por outro lado ele podia dar origem a desastres. Foi Apolo quem fez o acampamento dos gregos nas planícies de Troia sofrer com a peste, guiou a flecha mortal de Páris que atingiu Aquiles, matou os filhos de Niobe, e após derrotar Marsyas em um concurso, esfolou-o vivo.
Ainda assim ele era louvado como o deus da agricultura e dos rebanhos, a quem os camponeses oravam por ajuda, deus da expiação e cura, guardião dos portões, protetor da lei e da ordem, e deus das artes (sobretudo da música) e das ciências. Como Febo, ele era o próprio deus-Sol, comparado a Hélio.
Devido à sua inspiração musical, ele era chamado Musagetes (Líder das Musas).
Apolo desempenhava seu mais importante papel dentro e fora da Grécia como o senhor de muitos oráculos, dos quais os mais famosos eram Delos e Delfos, que ajudaram a unificar os gregos politicamente.
Já no 5. século a.C., os romanos o adotaram como divindade, associando-o com o Sybilem Cumae e adorando-o como o deus da medicina. Logo após a batalha de Actium (31 a.C.) o imperador Augusto ergueu um templo magnífico em sua honra no Palatino. Outro templo foi erguido em sua homenagem no ano de 433 a.C. como tentativa de conter de uma praga. Através da atenção da família real, Apolo se tornou objeto de especial veneração entre os cidadãos de Roma.
Existem
diversas representações de Apolo feitas na antiguidade. Inicialmente, e até
cerca do sexto século a.C., ele era representado como um homem barbado, mas a
partir desta época ele passou a personificar o ideal de beleza masculina, na
forma de um jovem desnudo. Ele também era comumente representado como um jovem
tocador de cítara.
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Apolo e Dafne
Apolo perseguiu Dafne, que se transformou em um loureiro na fuga.
Apolo e Jacinto
Apolo estava apaixonado por um jovem chamado Jacinto. Acompanhava-o em suas diversões, levava a rede quando ele pescava, conduzia os cães quando ele caçava, seguia-o pelas montanhas e chegava a esquecer-se do arco e da lira por sua causa. Certo dia os dois se divertiam com um jogo de discos e Apolo, impulsionando o disco com força e agilidade, lançou-o muito alto no ar. Jacinto, excitado com o jogo, observou o disco e correu para apanhá-lo. Zéfiro (o Vento Oeste), que também tinha uma grande admiração pelo jovem, porém tinha ciúme de sua preferência por Apolo, fez o disco desviar seu rumo e atingir o jovem bem na testa.
Jacinto caiu no chão desacordado, e nem com todas as suas habilidades de cura, Apolo conseguiu conservar sua vida. Do sangue que escorreu nasceu uma bela flor, semelhante ao lírio.***
Apolo e Marsyas
Apolo foi desafiado pelo sátiro Marsyas, que tendo inventado a flauta (ou encontrado a flauta que pertencia à Atena), ficou muito orgulhoso do seu talento musical.
Os dois contendores acordaram que aquele que fosse o vencedor poderia estipular o castigo ao perdedor. Havendo vencido a disputa com sua lira, Apolo matou Marsyas, pendurando-o em uma árvore e tirando sua pele.
Apolo e Marpessa
Apolo perseguiu Marpessa, mas ela foi salva por Idas em uma carruagem alada que este havia recebido de Poseidon. Apolo então enfrentou Idas, e os combatentes foram separado por Zeus, que permitiu Marpessa escolher seu esposo dentre os dois. Marpessa escolheu Idas (segundo uma interpretação, por temer que Apolo o abandonasse quando ela ficasse velha).
Apolo e Coronis
Apolo apaixonou-se por Coronis, e ela ficou grávida do deus. Apolo, porém, ouviu de um corvo que Coronis o estava traindo com Ischys e matou-a com uma flecha.
Enquanto o corpo da moça estava queimando na pira funeral, Apolo retirou Asclépio, seu filho, do corpo inerte e entregou para ser criado pelo centauro Quiron.

Apolo e Niobe
Niobe, a esposa do rei Amphion de Tebas, se vangloriou de ser mais abençoada que Leto, por possuir maior número de filhos e de filhas. Irada, Leto pediu punição à mortal orgulhosa, e Artemis matou todas as filhas enquanto Apolo matou os filhos de Niobe****.
Apolo e os Cíclopes
Quando Zeus matou Asclépio com um relâmpago, Apolo se vingou matando os Cíclopes, os quais haviam fabricado para Zeus os relâmpagos. Zeus puniu Apolo, condenando-o a servir ao rei Admetus como pastor por um ano.
Apolo e as Muralhas de Tróia
Apolo e Poseidon resolveram colocar o rei Laomedon de Tróia à prova, e assumiram a aparência de homens e construíram as muralhas de Tróia em troca de um pagamento combinado. Porém o rei não cumpriu sua parte, e Apolo mandou uma peste e Poseidon um monstro marinho contra a cidade.
Apolo e Crisei
Capturada durante a Guerra de Tróia, Crisei foi mantida cativa por Agamemnon e os Aqueus, que se recusaram a devolvê-la ao seu pai, um sacerdote de Apolo. Por causa disto, Apolo enviou uma peste ao acampamento dos gregos, e assim convenceu-o a libertar sua prisioneira após um longo período.
Apolo e Páris
Apolo guiou a flecha de Páris que atingiu o guerreiro Aquiles em seu ponto vulnerável.
Apolo e Laoconte
Apolo foi responsável pela morte de Laoconte, que, durante uma oferenda à Poseidon foi atacado por serpentes. Laoconte havia falado aos seus compatriotas contra o Cavalo de Tróia, deixado pelos exércitos gregos em partida.
Apolo e Cassandra
Apolo ensinou à Cassandra a arte da profecia, porém esta recusou seus favores ao deus. Apolo então condenou-a a nunca ter crédito em suas profecias.


A mais popular das deusas do panteão grego, Artemis era a filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apolo. A etimologia do seu nome permanece desconhecida. Como uma deusa virginal da caça, ela gradualmente assimilou diversas características que eram transferidas para ela a partir de deusas locais. Acompanhada de ninfas, ela vagava por bosques e prados com seu arco e flechas em sua representação como protetora dos caçadores e Senhora dos Animais.*
A tradição formal relata que Leto deu à luz Artemis e Apolo em Delos, que anteriormente era chamada Asteria ou Ortygia. Porém no Hino Homérico dedicado à Apolo, o autor distingue Ortygia de Delos, afirmando que enquanto Apolo nasceu em Delos, sua irmã nasceu em Ortygia. Nesta versão, Ortygia é provavelmente identificada com Rhenia, uma ilha desabitada próxima a Delos, onde eram localizadas as grutas dos Delios.
Narrada por Apolodorus, a lenda conta que imediatamente após o seu nascimento, Artemis ajudou o seu irmão mais novo a nascer, sendo esta a razão pela qual a donzela Artemis era invocada para auxiliar no trabalho de parto das mulheres.
Qualquer um que a ofendesse era severamente punido. Assim ela matou as filhas de Niobe e os filhos de Aloades. Matou (ou fez os cães matarem) Acteon, porque a viu banhando-se nua e Orion, porque a desafiou para uma competição de arremesso de disco. Entre diversos exemplos, o de Agamemnon é especialmente notável: porque ele havia matado um cervo consagrado à deusa, ela exigiu o sacrifício de sua filha Ifigênia. Este fato é usado para justificar o argumento que sacrifícios humanos eram parte do culto à deusa em tempos primordiais.
"Eu sou a mãe sem esposo, a Mãe Original; todos são meus filhos, e portanto ninguém jamais ousou se aproximar de mim; o imprudente que tentar, envergonhará a Mãe - e é esta a razão para a maldição"***
Oeneus,
Rei de Calidon, ao sacrificar os primeiros frutos da terra na colheita anual dos
campos à todos os deuses, esqueceu-se apenas de Artemis. Furiosa, ela enviou um
javali de tamanho e força descomunais, que impedia que a terra fosse semeada e
atacava o gado e os moradores do lugar. Para atacar o javali, Oeneus convocou os
guerreiros mais nobres da Grécia, e prometeu a pele do animal ao homem que o
matasse. Esse javali foi caçado e morto por um grupo de heróis famosos, que
incluía os Dioscuri, Jasão, Teseu,
Atalanta e outros.
"Eu canto a Artemis, cujas setas são de ouro, que se alegra com os cães de caça, a pura donzela, caçadora de veados, que se deleita com a arte de atirar flechas, irmã de Apolo com a espada dourada. Sobre os morros sombreados e picos batidos pelo vento ela saca seu arco dourado, alegrando-se na perseguição, e lança severas setas.
Os
cumes das altas montanhas tremem, e pela floresta em sombras ecoa os gritos
assustados das feras dos bosques; a Terra treme, assim como o faz o mar, cheio
de peixes. Mas a deusa de valente coração se vira para todos os lados
destruindo a raça das feras selvagens: e quando está satisfeita e alegrou seu
coração, esta caçadora solta seu arco e parte para a grande casa do seu
querido irmão Apolo
Febo, para a rica terra de Delfos, para lá comandar a dança das Musas e das
Graças."
"Para
Artemis" - Hinos Homéricos
Se em uma mão ela trazia a ruína, na outra ela protegia a vida. Em seu papel como Eileithyia, ela ajudava as mulheres grávidas a darem à luz sem dor. Se uma mulher morresse no trabalho de parto, acreditava-se que ela havia sido atingida por uma flecha de Artemis; ainda assim, as roupas da mulher falecida eram oferecidas à deusa. Noivas e noivos, principalmente jovens donzelas, pediam sua proteção fazendo sacrifícios à deusa antes do casamento.*
Artemis também aparece na mitologia como deusa da vegetação e da fertilidade. Era a deusa da natureza intocada. Em conexão com o culto de árvores, sua imagem era pendurada em galhos e arbustos. "Aonde não dançou Artemis?" - era um ditado popular na Grécia Antiga.** Importantes em seu culto eram a dança e o ramo sagrado - muito provavelmente derivados do culto antigo da árvore da lua, fonte de imortalidade, conhecimento secreto e inspiração.** A dança mascarada realizada por jovens e donzelas em sua honra (muitas vezes com máscaras de urso), que possuía um caráter fálico, apontava para Artemis em sua manifestação como deusa da vegetação, assim como o fazem suas imagens de culto adornadas com muitos seios.*
Apesar de Artemis ser venerada por toda a Grécia, seu culto era especialmente forte na Arcádia. Lá ela vivia afastada nos bosques selvagens e intocados, e era a mais virginal das deusas. Outro centro importante de adoração era Éfeso, na Anatólia, onde eram enfatizadas suas qualidades de Grande Mãe.** Os moradores de Éfeso acreditavam que uma imagem da deusa com vários seios havia caído do céu.
Em um estágio bastante posterior, Artemis passou a ser identificada com a deusa da lua Selene, em cujo caráter ela visitava seu amante Edymion noite após noite. *
Sua
participação na Guerra de Tróia não foi muito gloriosa, e ela finalmente se
refugiou ao lado de seu pai Zeus*. Homero deu à Artemis um caráter fraco e até
mesmo ridículo na Ilíada.
Originalmente, a deusa era representada flanqueada por dois leões ou em posição de dança, com um veado. Um pouco mais tarde, ela passou a ser representada montada em um leão. Finalmente a deusa foi retratada com seu arco e flechas, segurando um veado morto em ambas as mãos. **
A deusa era associada pelos romanos com Diana.


"Salve, Deusa, e nos dê boa
fortuna com felicidade!"
Hinos Homéricos
Deusa
virginal da vitória e do combate, mas também da sabedoria, protetora da vida
política, das ciências e artes, e também da habilidade manual.
Atena foi gerada da cabeça de Zeus, após este haver engolido a deusa Metis grávida,
apesar dos líbios a listarem como filha de Poseidon e do lago Tritonis. Esta última
versão era sustentada pelo fato de em muitas representações, ou nas suas
descrições, ela aparecer com olhos azuis, iguais aos de Poseidon.
Na Ilíada aparece como divindade tutelar dos gregos, e traz normalmente o epíteto
de Pallas (Donzela). Sua imagem, o Palladium - que foi atirado dos céus
por Zeus - era tido como garantia da proteção das cidades. Apenas se fossem
roubadas podiam os inimigos tomarem a cidade.
A evolução das cidades gregas refletiu na deusa, e quando a monarquia terminou
em Atenas, passou a deusa a ser a protetora das cidades livres.
O animal consagrado a ela era a coruja, símbolo de sabedoria, e a árvore, a
oliveira.
Era representada como uma virgem totalmente armada, portando o Aegis de seu pai.
Não era imaginada, porém, como tendo a paixão irracional pela guerra que
caracterizava o deus da guerra Ares. Ela intercedia pela luta ordenada pela
defesa da terra natal de um povo. Neste sentido ela deu valiosa ajuda a alguns
heróis, como Ulisses, Hércules
e Aquiles.

Originalmente, Atena era uma deusa pacífica no período da Creta minoana. Era a
deusa das casas e do palácio, apresentando um caráter de protetora das artes e
ciências. A ela eram consagrados a coruja e a serpente, e também o galho da
oliveira.
Identificada nas tábuas de Knossos, Creta, datadas de 1400 a.C., como Atana
Potinija ("A Senhora de Atenas"), era uma deusa serpente, como a
apresentada na figura abaixo.

Provavelmente as
invasões que colocaram um fim na civilização minoana, também levaram o culto
à deusa para o continente, e no período belicoso de Micenas, ela adquiriu seu
aspecto guerreiro, tornando-se uma divindade tutelar de governantes com suas
cidades e domínios. A deusa do Palácio de Creta era a protetora do rei, e o
mesmo é o papel assumido por Atena - a guardiã dos heróis.
Já na mitologia Clássica, Atena perde todo o seu caráter matrifocal e se
torna a filha de Zeus, sozinho, sem intervenção feminina. Ela nasceu da cabeça
do grande deus, totalmente armada, pois seguindo-se o que deve ter sido o
pensamento dos criadores do mito, se a mulher gera através da barriga, é da
cabeça dos homens que saem suas criações.
"Ouçam-me, todos os deuses e deusas, como o
ajuntador de nuvens Zeus começou a desonrar-me temerariamente, quando ele me
fez sua esposa verdadeira. Vejam agora: sem mim ele deu à luz a Atena, a de
olhos claros, que tem primazia entre todos os deuses abençoados..."
Sua ligação com a antiga deusa cretense permanece tanto na manutenção da
coruja e da oliveira como atributos sagrados de Atena, bem como com a posse do
seu escudo, que traz cravado em seu centro a efígie da Medusa - também uma
antiga deusa serpente.
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Céu e Terra já
estavam criados. E reinava supremo Zeus no Olimpo, após destronar seu pai, Cronos
(Saturno), colocando fim à antiga dinastia dos deuses titânicos e abrindo a
era dos deuses olímpicos.
Pois Zeus tomou como sua primeira esposa a deusa Métis, filha de Oceano e Tétis.
E como filha do casal primevo, Métis era infinitamente sábia. Sua sabedoria
sobrepujava a de todos os outros deuses, e, conhecendo arte de mudar sua forma,
usava tal artifício sempre que Zeus tentava aproximar-se dela - até o dia em
que ela, por sua vontade, compartilhou sua presença e engravidou do deus.

Porém o segundo
filho desta união seria aquele que superaria as forças de seu pai e decretaria
seu fim. E Zeus ficou sabendo disso, e engoliu Métis que estava grávida.
Foi depois, quando estava passeando por um lago, que Zeus sentiu uma dor de cabeça,
cuja intensidade aumentava até que se tornou insuportável. Então Zeus gritou
de dor, e Hefaísto, ouvindo o grito, pegou um machado duplo e partiu a cabeça
do deus.
Da sua cabeça
golpeada saiu Atenas, totalmente armada, lançando um grito de guerra. Apesar de
portar uma lança e estar revestida por uma armadura, Atenas não é uma
divindade de fúria guerreira, como Ares, mas sim da guerra estratégica e
defensiva, protetora de homens inteligentes e corajosos.
Atenas é sua cidade, seu santuário, que lhe foi oferecida como prêmio pela
vitória na disputa com Poseidon, que também almejava tal glória.
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Como deusa da paz, em relação ao seu caráter original como deusa da casa e do
palácio, Atena Ergane instruiu a humanidade em muitas artes manuais,
como a tecelagem e a feitura de cerâmica. Ocasionalmente era relacionada também
à agricultura, e conta a lenda que ela trouxe não apenas a roca e o tear, mas
também o arado e o ancinho para a humanidade. Como deusa da paz doméstica, ela
estabeleceu as cortes de justiça nas cidades. Como deusa da sabedoria, ela era
venerada especialmente por filósofos e poetas.
O Paternon, "A
Casa da Deusa Virgem", um dos templos mais esplêndidos da Grécia foi
erigido em sua homenagem na Acrópole de Atenas. Seu projeto começou no ano de
447 a.C. foi erigido com os fundos das contribuições da Liga de Delos, cujo líder
era a cidade de Atenas, bem como com o dinheiro do culto da própria deusa. O
principal objetivo do templo era honrar Atena em seu aspecto como guerreira
servindo como campeã divina do poder militar de Atenas. Uma estátua de marfim
e ouro, esculpida por Fídias, ficava dentro do Paternon. O templo anterior,
Atenas Polias ("A Guardiã da Cidade") havia sido destruído em
480 a.C. pelos Persas, e tinha como principal altar uma oliveira.
A
Panatenaia, o festival em homenagem à deusa, era celebrada anualmente pelo
nascimento da deusa (Pequena Panatenaia), e, após 565 a.C., passou a ser
celebrado com especial pompa de quatro em quatro anos, como a Grande Panatenaia.
O ritual era ricamente desenvolvido. Iniciava-se ao escurecer com música e dança
na Acrópole, e, ao amanhecer, ocorria uma procissão para presentear a Atena,
em seu altar, um manto especialmente tecido por garotas atenienses
cuidadosamente selecionadas. Essa procisão estava representada nos frisos do
Paternon, mostrando homens e mulheres (cidadãos de Atenas) em procisão,
assistidos pelos próprios deusas. Além do caráter religioso, este festival
tinha o objetivo de mostrar a grandeza e a importância da cidade de Atenas. A
Grande Panatenaia servia também como competição de música e atletismo, no
qual os principais prêmios eram as ânforas panatenaicas, cheias de óleo.
Minerva - Antiga divindade italiana, protetora de Roma, dos artesãos, poetas,
professores e médicos (Minerva Medica). A partir do terceiro século
a.C. passou a ser identificada com a deusa Atena.
Atena Nike - Um pequeno templo na Acrópole de Atenas, dedicado ao seu aspecto
como deusa da Vitória.
Aegis - O escudo de Zeus. Fabricado pelo renomado ferreiro Hefesto,
trazia a cabeça da Medusa entalhado ao centro. Simbolizava a proteção dos
deuses (os quais também o tomavam emprestado), daí a expressão "estar
sob o aegis de alguém". Más interpretações etimológicas levaram à
crença pós-homérica de que o escudo era recoberto pela pele da cabra de
Amalthea.
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No reinado de Cécrope, Atenas competiu com Poseidon sobre o domínio da Ática,
e sagrou-se vencedora, pois os deuses preferiram seu presente - a oliveira - à
fonte que Poseidon fez jorrar na Acrópole.
Um relato diz que
Hefesto tentou ter relações com a deusa, que fugiu para manter sua virgindade.
O sêmen do deus, entretanto, caiu sobre a perna de Atenas, que removeu
desgostosa o sêmem que caiu no chão. Daí nasceu Erichtonus, que foi criado
por Atenas escondido dos outros deuses. Atenas colocou-o em uma arca, que deu às
filhas de Cécrope para guardar, mas as garotas abriram a arca e viram
Erichtonus. Atenas as enlouqueceu e elas se atiraram ao mar. Erichtonus, mais
tarde, tornou-se o rei de Atenas.
É dito que Tirésias foi feito cego por Atenas por tê-la visto despida.
Aracne, que havia ganhado fama nas cidades Lídias devido à sua habilidade na
arte de fiar e tecer roupas, competiu com Atena nesta arte e, sendo vencida, foi
transformada em uma aranha por Atenas.
Asclepius, o deus curador, recebeu de Atenas o sangue que fluia das veias da
Medusa, e enquanto Asclepius usava o sangue que havia sido retirado do lado
esquerdo da górgona para a ruína da humanidade, o sangue do lado direito era
usado para sua salvação, sendo capaz até mesmo de levantar os mortos.
Um de seus mortais favoritos era Ulisses, quem ela ajudou em suas jornadas.
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Durante o julgamento de Páris, Atenas prometeu a ele a vitória em qualquer
guerra, mas ele preferiu a mão de Helena, declarando Afrodite a vencedora. Por
haver sido desta forma preterida, e por ser a protetora dos gregos, Atenas
postou-se contrária à causa troiana.
Em uma ocasião
durante a Guerra de Tróia, Atena tomou a forma de um valente lanceiro e
procurou por Pandarus para fazê-lo quebrar a trégua entre Troianos e Aqueus.
Em outra ocasião tomou a forma de Deiphobus, irmão de Heitor, para iludí-lo e
fazê-lo enfrentar Aquiles. Em uma das inúmeras batalhas durante a Guerra,
Atena e Diomedes feriram Ares.
Atenas também foi ferida; Téthis que havia se juntado aos exércitos contra Tróia,
teve uma disputa com Agamemnon em Aulis, razão pela qual retornou à sua casa,
porém deixando ferida Atenas no pulso, que tentava convencê-lo a ir para a
guerra.
"De Palas Atena, guardiã da cidade, eu começo a cantar. Poderosa é ela,
e com Ares ela ama os feitos de guerra, o saque de cidades, e os clamores da
batalha. É ela quem salva as pessoas quando elas vão à guerra e retornam.

Divindade
grega da natureza, especificamente deus do vinho e mais amplamente da vegetação,
que desempenhou um papel de excepcional importância entre os gregos. Suas
características separadas são tão iridescentes que apenas com muita
dificuldade podem ser juntadas para compor uma figura única. Onde surgiu Dionísio
e quando seu culto se disseminou na Grécia são perguntas que não possuem
respostas seguras. De qualquer maneira, a primeira parte de seu nome apresenta o
genitivo do nome de Zeus, e foi como filho de Zeus e Sêmele, filha de Cadmo e
Harmonia, que ele entrou para os escritos mitológicos.
Na imaginação da antigüidade, o culto de Dionísio veio da Trácia, Lídia (o
nome Baco provavelmente é derivação lídia) ou Frígia para a Grécia
aproximadamente no oitavo século a.C. Ele é marcado com um tipo de entusiasmo
e e êxtase até então desconhecido dos gregos. Por isso o culto do deus se
estabeleceu contra muita oposição, principalmente da aristocracia.
Significantemente, Homero não reconhece Dionísio como um dos grandes deuses olímpicos.
Nos festivais realizados em sua homenagem, que eram basicamente festas da
primavera
e do vinho, o deus em forma de touro freqüentemente liderava
as Maenads barulhentas , bacantes, sátiros, ninfas e outras figuras disfarçadas
para os bosques. Eles dançavam, desmembravam animais e comiam suas carnes
cruas, e alcançavam um estado de êxtase que originalmente nada tinha a ver com
o vinho. Apenas gradualmente é que foram os componentes licensiosos e fálicos
do culto moderados, de forma que Dionísio veio a ocupar um lugar seguro na
religião dos gregos.
Mais tarde, seu culto se tornou tão difundido que Dionísio veio a ser
cultuado em um momento histórico particular, até mesmo em Delfos, o santuário-chefe
de Apolo.
Nos festivais de Dionísio, especialmente em Atenas, performances dramáticas
eram representadas, de forma que o culto de Dionísio pode ser visto ligado ao gênero
dramático.
Entre os romanos, já em uma época bem antiga, Dionísio foi identificado com o
deus Liber, e eventualmente aceito com o nome de Baco. Quando as bacanálias,
celebradas em sua honra, degeneraram, o estado interveio para regulá-las, sem
nunca, porém, impedir a continuação do culto. A bacanália era o culto
secreto romano, celebrado com excessos sexuais. Em 186 a.C. o Senado proibiu sua
realização, devido à onda de criminalidade que foi introduzida devido ao
festival. Mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo.
As representações mais antigas do deus mostram-no como um velho de barbas,
enquanto que as mais recentes o representam como um belo jovem.
As histórias sobre as andanças de Dionísio, e em particular sua viagem à Índia,
são provavelmente surgidas da simples observação da difusão geográfica da
videira. Onde essa planta era cultivada, e o vinho extraído, acreditava-se que
o deus por lá havia passado, dando aos mortais sua benção ou maldições.
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Assim que soube
que Sêmele estava esperando um filho do seu marido, Zeus, ela ficou
demasiadamente furiosa. Sabendo que as suas reprovações aos atos de Zeus não
surtiam nenhum efeito, resolveu vingar-se da jovem e destruí-la. Para Hera, Sêmele
era culpada, e carregava em seu ventre a prova de seu ato ilícito.
"Não me chamem mais de de filha de Saturno, se
ela não descerá às águas do Estígio, para lá enviado pelo seu Zeus!"
Com essas palavras ela se levantou de seu trono, e envolvida por uma nuvem
dourada, aproximou-se da morada de Sêmele. Hera, então, transformou-se em uma
velha senhora, seus cabelos tornando-se brancos, e rugas surgindo em sua pele.
Ela andava com as costas arqueadas e passos cambaleantes. Sua voz dobrou-se à
idade, e ela tornou-se a cópia exata de Beroe, a ama de Sêmele.
Alcançando Sêmele, ela iniciou uma longa conversa, na qual mencionou o nome de
Zeus. Então Hera disse que ela deveria pedir uma prova de que seu amante era
realmente Zeus, e ainda mais; que, sendo Zeus, aparecesse em sua forma gloriosa,
a mesma que ele aparecia perante Hera, e só assim a abraçasse.
"Eu rezo para que seja mesmo Zeus! Mas tudo isso
perturba-me: muitas vezes um homem usou deste artifício para penetrar no quarto
de uma mulher honesta, fazendo-se passar por um deus."
Assim dizendo, Hera conseguiu colocar a suspeita no coração da jovem, e ela
dirigiu-se à Zeus, pedindo uma prova de seu amor. Ele respondeu dizendo que
qualquer coisa que ela pedisse lhe seria atendido. Ainda mais, para reforçar
seu juramento, chamou o nome do deus do rio Estígio para ser sua testemunha.
Sêmele, feliz com o juramento, selou seu destino com o seu pedido:
"Mostre-se a mim. Da mesma maneira como você se apresenta a Hera quando
você troca abraços amorosos com ela!" O deus tentou em vão impedir que
ela falasse tamanho desatino, mas as palavras já haviam deixado sua boca - e
seu juramento não podia ser alterado.
Lamentando muito a tarefa que estava prestes a realizar, Zeus lançou-se ao
alto, juntou as névoas obedientes e as nuvens de tempestade, relâmpagos,
ventos e trovões. Tentou ao máximo reduzir ao máximo a sua ostentação de glória.
Mas a estrutura mortal de Sêmele não podia suportar a visão do visitante
celestial, e ela foi queimada até as cinzas pelo seu presente de casamento.
Seu bebê, ainda incompletamente formado, saiu do útero de sua mãe, e
alojou-se na coxa de Zeus, até que se completasse a sua gestação. Zeus
entregou o bebê a Hermes, que o confiou ao casal Ino e Athamas, advertindo-os a
cuidar de Dionísio como se ele fosse uma menina. Entretanto, Hera descobriu que
o bebê havia nascido e que estava sendo criado escondido dela. Indignada, levou
Ino e Athamas à loucura. Athamas caçou o próprio filho, Learcus, como se
fosse um veado, matando-o, e Ino, para livrar seu outro filho, Melicertes, da
loucura do pai, o atirou ao mar, onde foi transformado no deus do mar Palaemon
(em homenagem a quem Sísifo
instituiu os jogos do Istmo).

Finalmente, Zeus iludiu Hera transformando Dionísio em um cabrito, e Hermes o
levou para ser criado pelas ninfas de Nysa, na Ásia, quem Zeus posteriormente
transformou em estrelas, dando-lhes o nome de Híades. Mais tarde Dionísio
resgatou Sêmele dos ínferos e a levou ao Olimpo, onde Zeus a transformou em
deusa.
Quando Dionísio cresceu, ele descobriu a videira, e também a maneira de
extrair da fruta o seu suco e transforma-lo em vinho. O deus então vagou pela
Ásia e foi até a Índia, onde ficou diversos anos, para ensinar os povos a
cultivar a vinha. Em seu caminho, chegou até Cibela, na Frígia, onde a deusa Réia,
mãe dos deuses, o purificou e o ensinou os ritos de iniciação.
Ele então se dirigiu à Trácia, onde Licurgo era o rei dos Edonianos, que
viviam ao lado do rio Strymon. Licurgo foi o primeiro a insultar Dionísio e
expulsá-lo. Doinísio soube da intenção de Licurgo através de Carope, pai de
Orfeu.
Dionísio se refugiou no mar, com Tétis, enquanto qua as maenads foram feitas
prisioneiras, juntamente com os sátiros. Mas Dionísio enlouqueceu o rei, e ele
matou seu filho com um machado, pensando estar cortando uma videira. Quando
acabara de cortar os membros do filho, desfez-se o encanto do deus. O deus
tornou a terra improdutiva, causando a revolta dos seus súditos,que o ataram a
cavalos que o despedaçaram, pois haviam ouvido que "Enquanto Licurgo
estivesse vivo, a terra não mais daria frutos". Dionísio recompensou a
ajuda de Carope dando-lhe o reino dos trácios e instruíndo-lhe nos ritos
secretos ligados aos seus mistérios.
Ao voltar a Grécia, instituiu seu próprio culto, porém encontrou oposição
dos reis devido a desordem e a loucura que o mesmo provocava nos seguidores.
Quando Dionísio se encaminhou à Tebas, ele forçou as mulheres a abandonarem
suas casas e segui-lo, em uma espécie de transe. O Rei Penteus tentou por um
fim à desordem causada pelo deus, tentando prende-lo. Sua tentativa foi infrutífera,
pois os seguidores de Dionísio impediam a prisão do deus. Penteu tentou
espionar o culto de Doinísio, mas foi avistado pela sua mãe, Agave, que
participava junto com as maenads. Cega pelo deus, Agave pensou ester vendo um
javali gigante, e chamou as demais mulheres para correrem atrás dele. Assim que
o alcançaram, despedaçaram-no. Sua mãe percebeu horrorizada que não era um
javali que haviam desmembrado, mas sim seu filho. Após o seu enterro, Agave,
juntamente com seus parentes deixou Tebas, em exílio.
Depois de Tebas, Dionísio foi para Argos, e por que eles não
quiseram
honrá-lo, ele fez as mulheres ficarem loucas, e elas carregaram seus filhos no
colo até uma montanha e os devoraram.
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Dionísio era também um deus das árvores, e os antigos gregos faziam
sacrifícios para "Dionísio das Árvores". Sua imagem, muitas vezes,
era meramente um poste ereto, sem braços, mas enrolado em um manto, com uma
mascara barbada para representar o rosto, e com arbustos projetando da cabeça
ou do corpo, para indicar o caráter do deus. Ele era o patrono das árvores
cultivadas, a ele eram endereçadas preces para que fizesse as árvores
crescerem, e ele era especialmente venerado por fruticultores, que faziam uma
imagem dele em seus pomares.
Entre as árvores especialmente dedicadas à ele estava, além da videira, o
pinheiro,e em diversas imagens artísticas o deus, ou seus seguidores, aparecem
portando um bastão com um cone de pinha em cima.
Assim como os demais deuses da vegetação, acreditava-se que Dionísio havia morrido uma morte violenta, mas que havia sido trazido novamente à vida; e sua morte, ressurreição e sofrimentos eram representados em ritos sagrados.
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Um dia, narra a lenda, a grande deusa Deméter chegou à Sicília, vinda
de Creta. Trazia consigo sua filha, a deusa Perséfone, filha de Zeus. Deméter
planejava chamar a atenção do grande deus, para que ele percebesse a presença
de sua filha.
Deméter descobriu, próximo à fonte de Kyane, uma caverna, onde escondeu a
donzela. Pediu-lhe, então, que fizesse com um tecido de lã, um belo manto,
bordando nele o desenho do universo. Desatrelou de sua carruagem as duas
serpentes e colocou-as na porta da caverna para proteger sua filha.
Neste momento Zeus aproximou-se da caverna e, para entrar sem despertar
desconfiança na deusa, disfarçou-se de serpente. E na presença da serpente, a
deusa Perséfone concebeu do deus.
Depois da gestação, Perséfone deu luz a Dionísio na caverna, onde ele foi
amamentado e cresceu. Também na caverna o pequeno deus passava o tempo com seus
brinquedos: uma bola, um pião, dados, algumas maçãs de ouro, um pouco de lã
e um zunidor. Mas entre seus brinquedos havia também um espelho, que o deus
gostou de fitar, encantado.
Entretanto, o menino foi descoberto por Hera, a esposa de Zeus, que queria
vingar-se da nova aventura do esposo. Assim, quando o deus estava olhando-se
distraído no espelho, dois titãs enviados por Hera, horrendamente pintados com
argila branca, aproximaram-se de Dionísio pelas costas e, aproveitando a ausência
de Perséfone, mataram-no.
Continuando sua obra deplorável, os titãs cortaram o corpo do menino em sete
pedaços e ferveram as porções em um caldeirão apoiado sobre um tripé e as
assaram em sete espetos. Atenas viu a cena e, mesmo não podendo salvar o
menino, resgatou o coração do deus.
Mal tinham acabado de consumar o assassínio divino, Zeus apareceu na entrada da
caverna, atraído pelo odor de carne assada. O grande deus viu a cena e entendeu
o que havia se passado. Pegou um de seus raios e atirou contra os titãs
canibais, matando-os.
Zeus estava desolado com a morte do filho, quando a deusa Atenas apareceu e
entregou-lhe o coração do deus assassinado. Zeus, então, efetuou a ressurreição,
engolindo o coração e dando, ele próprio, à luz seu filho.
E essa é a origem do deus morto e renascido, relatada pelos antigos e celebrada
nos mistérios...

Muitas vezes Dionísio era representado na forma animal, principalmente
na forma de um touro (ou pelo menos com os seus chifres. Assim, ele era
conhecido como "Com Face de Touro", "Com Forma de Touro",
"Com Chifres de Touro", "Chifrudo", "Touro". Em
seus festivais, acreditava-se que ele aparecia como um touro.
"Venha aqui, Dionísio, ao seu templo sagrado
junto ao mar; Venha com as Graças ao seu templo, correndo com seus pés de
touro, Oh bom touro, Oh bom touro!"
De acordo com uma versão do mito da morte e renascimento de Dionísio, foi como
touro que ele foi despedaçado pelos Titãs, e os habitantes de Creta
representavam os sofrimentos e morte de Dionísio despedaçando um touro. Aliás,
o ato de matar ritualmente um touro e devorar sua carne era comum aos ritos do
deus, e não há dúvidas que quando os seus adoradores faziam esses sacrifícios,
acreditavam estar comendo a carne do deus e bebendo seu sangue.
Outro animal cuja forma era assumida por Dionísio era o cabrito. Isso porque
para salvá-lo do ódio de Hera, seu pai, Zeus, o transformou nesse animal. E
quando os deuses fugiram para o Egito para escapar da fúria de Tifon, Dionísio
foi transformado em um bode. Assim, seus adoradores cortavam em pedaços um bode
vivo e o devoravam cru, acreditando estar comendo a carne e bebendo o sangue do
deus.
No caso do cabrito e do bode, quando o deus passou a ter sua forma humana mais
valorizada, a explicação para se sacrificar o animal veio de um mito que
narrava que uma vez esse animal havia despedaçado uma vinha, objeto de cuidados
especiais do deus. Note que neste caso perdeu-se o sentido de sacrificar o próprio
deus, tornando-se um sacrifício para o deus.
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Uma vez, quando Dionísio quis navegar de Icaria para Naxos, ele entrou em um navio pirata tirreano. Os piratas, entretanto, ignoravam a identidade do deus, e tencionavam vendê-lo como escravo na Ásia. Quando percebeu que estavam indo para outra direção, Dionísio fez brotar heras pelo navio e transformou o mastro em uma grande serpente. Ouvia-se o som de flautas, e o doce aroma do vinho podia ser sentido por toda a embarcação. Os piratas enlouqueceram, e atirando-se ao mar foram transformados em golfinhos.
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Quando Teseu
chegou em Creta, contou com a ajuda de Ariadne, filha do rei Minos, que estava
apaixonada por ele. Ela concordou em revelar o caminho de saída do labirinto se
Teseu a levasse como esposa para Atenas. Ela porém foi abandonada em Naxos por
Teseu. Dionísio a encontrou naquela ilha e a tomou como esposa. Após sua
morte, Dionísio a conduziu ao Olimpo, e colocou no céu, como estrelas, a
guirlanda que Hefesto
havia preparado para seu casamento.
Aura, filha do Titã Lelantus e da Oceainida Periboea, era uma caçadora Frígia,
aversa ao amor. Um dia quando estava dormindo em um bosque, foi violentada pelo
deus, e deu à luz dois gêmeos. Sendo indesejados, assim que seus filhos
nasceram, ela matou um deles, e em desespero se atirou no rio Sangarius, sendo
transformada por Zeus em uma fonte.
Nicaea era uma ninfa de Astacia, e também era uma caçadora. Hymnus se
apaixonou pela ninfa, mas ela ficou furiosa e matou-o. Um dia ela bebeu vinho, e
se embebedou, e Dionísio aproveitou a oportunidade para tirar sua virgindade.
Aristaeus descobriu o mel, e muito orgulhoso do seu feito, competiu com Dionísio,
dizendo ser o mel maior benção que o vinho. Zeus julgou entre os dois e deu o
prêmio à Dionísio.
Hera, certa vez, enlouqueceu Dionísio, e ele chegou a um grande pântano, que não
conseguia cruzar. Ele então foi ajudado por dois jumentos, um dos quais o
carregou pela água, levando-o ao templo de Zeus. Quando o deus chegou ao santuário
foi libertado da loucura, e, sentindo-se grato aos jumentos, os colocou entre as
estrelas (Asellus Borealis e Asellus Australis em Câncer).


Deus grego do fogo, depois também da forja e dos artífices, e finalmente das artes e da própria perícia manual. Sua origem é provavelmente a Ásia Menor, sendo Lemnos seu principal centro de culto. A partir do VI séc. a.C. passou a ser venerado também em Atenas, onde foi erigido um templo em sua homenagem, o Theseum, que servia de centro do seu principal festival, a Hephaestia. Além destes, poucos indícios temos de culto a Hefesto na Grécia.

Hefesto é descrito como filho de Zeus e Hera ou como filho unicamente de Hera, que o teria gerado sem intercurso com o sexo masculino (Teogonia, Hesíodo).
A causa da sua imperfeição física (o deus era coxo) também possui duas versões: A primeira diz que Hera, furiosa pela imperfeição do filho, expulsou-o do Olimpo, lançando-o ao mar, onde foi socorrido e criado pela Nereida Tétis. Na segunda, Homero (Ilíada) conta que quando Zeus, irritado com sua esposa Hera por haver lançado uma tempestade contra Heracles que estava ao mar após tomar Tróia, prendeu-a para fora do Olimpo, este partiu em defesa de sua mãe, sendo lançado por Zeus para fora dos limites de seu reino. Hefestos caiu por três dias, aterrisando em Lemnos quase sem vida, onde foi ajudado pela deusa Tétis e por Eurynome, a mãe das Graças. As duas protegeram-no, escondendo-o em uma caverna da ira de sua mãe, que havia ficado profundamente envergonhada ao ver sua manqueira. Hefesto trabalhou por nove anos na caverna, aperfeiçoando sua arte, para retornar ao seu lugar de direito no Olimpo.
"Uma
vez antes disso, Quando eu estava lutando para salvar você, ele me pegou pelos
pés e me lançou para além dos limites celestiais; O dia inteiro eu fui
levado, e ao pôr do sol eu caí em Lemnos, e pouca vida restava em mim."
Ilíada –
Homero

Certa
vez, Hera viu uma das jóias criadas por Hefesto e admirou-se da mestria
empregada e quis saber quem havia feito tais criações. Hera descobriu que eram
obras de seu filho e o mandou chamar de volta ao Olimpo, convite que foi
recusado pelo deus. Conta-se então que Hera pediu que Dionísio
o convencesse a voltar, o que só foi possível após o deus do vinho embriagá-lo.
Hefesto retornou ao Olimpo montado em uma mula, precedido por Dionísio que
vinha a pé. No Olimpo ele criou obras magníficas, e sua habilidade o fez
aceito por todos os deuses. Seu retorno ao Olimpo era tema comum entre artistas
e poetas. De Hera, recebeu a mão da bela Afrodite
como reparação pelos anos de exílio.
Essa união estava longe de ser estável, pois apesar de muito bela, Afrodite apresentava um caráter vulgar. Afrodite mantinha um caso com o deus da guerra Ares, do que Hefesto tomou conhecimento. Armou então uma armadilha para ambos, e, durante sua ausência, os dois deitaram-se na sua cama e ficaram presos em uma rede, expostos à vergonha em frente dos outros deuses.

Existe
também o relato de que logo que voltou ao Olimpo fabricou tronos para todas as
divindades do Olimpo, sendo que para Hera fabricou um trono que a prendeu assim
que sentou-se. Para libertá-la Dionísio foi chamado e embebedou Hefesto, que
assim libertou-a. Esse me parece uma recorrência do mito de retorno de Hefesto.
Essa vingança não corresponde ao tratamento dispensado à Hera na Ilíada.

Em sua forja, que ficava sob o monte Etna, ou segundo outros na ilha de Lemno, trabalhava habilmente diversas criações, ajudado pelos ciclopes ou por dois auxiliares por ele criados (dourados, em forma de mulheres, inteligentes e com capacidade de fala). E quando estava executando mais uma de suas obras, as faíscas e a fumaça resultantes podiam ser vistas por todos através da saída do vulcão.
Prometeu Acorrentado , Ésquilo: Ao limite mais remoto da Terra, viemos, às terras Cíticas, uma solidão não explorada. E agora, Hefesto, tua é a obrigação de observar o mandato a ti imposto pelo Pai - para prender esse infame nas altas pedras escarpadas em inflexíveis grilhões de amarras inquebráveis. Ver mito de Prometeu.
Partiu a cabeça de Zeus, quando este estava com uma grande dor de cabeça, libertando Atena. Essa versão do nascimento de Atena contradiz o mito que Hera gerou Hefesto sozinha por inveja do fato de Zeus haver gerado Atenas sozinho. Ver mito do nascimento de Atenas.
Matou o gigante Mimas com misséis de metal quente. Gigantomaquia. Marido de Aglaé (Teogonia) e Afrodite (Odisséia). Na Ilíada a referência a Charis (singular de Charites, as Graças das quais Aglaé faz parte), parece reforçar a citação à Aglaé, apesar de não especificar seu nome.
Uma
vez quando Atena procurou Hefesto para que este fabricasse uma nova armadura
para ele, ele tentou forçar a deusa a amá-lo, mas esta resistiu. Porém ele
derramou uma gota de sêmem na perna de Atenas, que caiu no chão quando a deusa
fugia, dando nascimento à Erichthonius. Outra versão diz que a gota de sêmem
caiu sobre Gaia
que estava passando, dando ela origem a Erichtonius.

Principais Obras:
Trono de Zeus.
Palácio dos deuses no Olimpo.
Carruagem alada de Hélio.
Arcos e flechas de Apolo e Artemis.
Foicinha de Deméter.
Peitoral de Heracles.
Armadura de Aquiles.
Cetro de Agamemnon.
Espada de Peleus (*)
Touro de patas de bronze de Pelias.
Colar de Harmonia (presente de
Cadmo).
FIM
MORTÁGUA, 23 DE
NOVEMBRO DE 2002