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Ciclo solar
A actividade no Sol, as manchas, poros, fáculas, erupções,
etc., encontra-se intimamente relacionada com a existência
de regiões onde o campo magnético é muito
intenso. Este campo tem origem abaixo da atmosfera, no interior
desta imensa massa de gás que gira em volta de si próprio,
criando electrões e protões os quais, animados de
movimento, dão origem a uma corrente eléctrica que,
por sua vez, induz um campo magnético. O Sol comporta-se
como um dínamo gigante.
A rotação do Sol, sendo diferencial (a região
equatorial roda mais depressa do que as restantes regiões),
vai transformar um campo magnético poloidal (indo de um
pólo para o outro) pouco intenso, num campo toroidal (paralelo
ao equador) muito intenso: a rápida rotação
no equador vai misturar as linhas de força, formando cordas
magnéticas de elevada intensidade de campo. É este
campo magnético que se encontra na origem, por exemplo,
das manchas, na medida em que inibe a convecção
provocando o aparecimento de zonas mais frias na superfície
solar.
O "dínamo" solar experimenta mudanças
de regime periódicas, traduzidas numa variação
aproximadamente regular do número de manchas no Sol. Esta
permuta entre mínimos e máximos de actividade (e
vice-versa) caracteriza o ciclo solar, ao qual corresponde um
período de, mais ou menos, 11 anos (o período varia
entre os nove e os doze anos e meio). A localização
onde as manchas surgem no disco solar também varia com
a fase em que se encontra o ciclo, aparecendo a latitudes mais
altas (mais próximas dos pólos) no início
do ciclo, enquanto que, perto do fim, a quase totalidade destas
manchas surge junto ao equador.
O momento quando um grande número de manchas tornam a formar-se
é chamado de máximo solar. A intensidade no máximo
de cada ciclo também varia de ciclo para ciclo, existindo
épocas em que a actividade é muito superior, em
contraste com outras nas quais praticamente não se registam
fenómenos de actividade no Sol. Um exemplo é o mínimo
de Maunder (período compreendido entre 1650 e 1700), que
corresponde a uma fase em que o Sol quase não teve manchas
durante vários ciclos de actividade, coincidindo com um
abaixamento da temperatura média registada na Europa na
mesma época.
As manchas surgem normalmente associadas em grupos (habitualmente
aos pares), estando ligadas entre si pelo campo magnético.
Em cada ciclo de 11 anos, todos os grupos de manchas apresentam
uma orientação similar (para cada hemisfério),
tendo sempre a mancha da frente a mesma polaridade. Na fase seguinte,
quando se inicia um novo ciclo para esse número de manchas,
tal organização da polaridade é invertida.
Desta forma, voltaremos à mesma configuração
ao fim de dois ciclos consecutivos. Em resumo, embora o número
de manchas varie com um período de cerca de onze anos,
a polaridade das manchas inverte-se ao fim de cada 11 anos, pelo
que o ciclo magnético tem de facto 22 anos.
O ciclo solar tem um efeito directo sobre o que se passa à
superfície, afectando todo o Sistema Solar através
das diferentes manifestações de actividade que podem
ocorrer devido às manchas ou fenómenos associados,
como os flares, as proeminências e os buracos da coroa.
Numa fase mais activa do ciclo solar, o campo magnético
apresenta mais, e maiores, zonas fechadas de campo, o que leva
ao aparecimento na coroa de mais regiões de temperatura
e densidade superiores. Este tipo de regiões é particularmente
visível em imagens do Sol em raios-X, pois as zonas que
emitem neste comprimento de onda correspondem precisamente àquelas
onde se regista maior temperatura. Tais zonas são o resultado
directo da estrutura fechada do campo magnético associado
à actividade na superfície do Sol. É por
este motivo que o aspecto da coroa, vista em eclipses do Sol,
é bastante diferente, dependendo da altura em que se observa:
a estrutura apresentada é muito distinta caso o Sol esteja
num máximo ou num mínimo do ciclo de actividade.
A estrutura da coroa torna-se bastante mais rica na altura em
que o Sol está activo, sendo possível identificar
as zonas de campo associadas à actividade na superfície,
enquanto que no mínimo de actividade o aspecto é
muito mais uniforme, correspondendo a uma estrutura mais simples
do campo magnético.
Os efeitos do ciclo solar também são sentidos na
Terra e restante Sistema Solar. Um exemplo é o facto de
as mudanças na actividade do Sol serem acompanhadas por
alterações no vento solar, daí que a configuração
do campo electromagnético que rodeia a Terra possa expor
esta mais, ou menos, ao efeito dos raios cósmicos. Quando
tal acontece, a produção de carbono-14 é
alterada. Este efeito pode ser medido, sendo possível estabelecer
uma correlação entre este isótopo e o ciclo
solar.
Outro exemplo são as Auroras, cuja intensidade e frequência
é superior em épocas de maior actividade solar.
Finalmente, a temperatura na Terra também pode ser afectada,
tal como aconteceu no, já referido, mínimo de Maunder,
em que ocorreu uma pequena idade do gelo que levou toda a Europa
a ter temperaturas inferiores ao normal durante algumas décadas.
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O dinamo solar
Partindo de um campo poloidal limitado às regiões
polares (a), os segmentos de linha de campo situados no equador
são mais depressa arrastados do que os outros, resultando
num alongamento equatorial e no aparecimento de um campo toroidal
(b). Originam-se, assim, campos muitos concentrados, intensos
e de aspectos opostos de um hemisfério para outro (c).

A rotação diferencial e o aparecimento das
manchas solares
A rápida rotação no equador vai misturar
as linhas de força, formando cordas magnéticas de
elevada intensidade de campo. É este campo magnético
que se encontra na origem, por exemplo, das manchas solares.
Mínimo e máximo de actividade
As figuras representam o aspecto do Sol entre fases de actividade
máxima e de actividade mínima.
Fonte: National Solar Observatory)

Variação da localização em
latitude das manchas solares e relação com a fase
do ciclo solar.

O ciclo solar
O número de manchas solares varia ao longo do tempo, oscilando
entre períodos de quase ausência de manchas, mínimo
solar, e períodos correspondentes à presença
de elevado número de manchas, os máximos solares.

O Mínimo de Maunder
A figura mostra a variação do número de manchas
solares com o tempo. Entre, aproximadamente, 1650 e 1700 praticamente
não se registou a presença de manchas, defenindo-se
este período como o Mínimo de Maunder.
(Fonte: Harcourt,inc.)

Diagrama de borboleta
O diagrama mostra a média diária da área
de mancha por rotação solar para cada latitude.
Revela também a variação do campo magnético
do Sol com o tempo e a reversão do campo com o período
de 11 anos.
Actividade solar e alterações na estrutura
da coroa
As alterações na intensidade e distribuição
do campo magnético ao longo do ciclo solar, evidenciadas
pelo número e distribuição de manchas, proeminências
e filamentos, também se reflectem na estrutura da coroa.
(Fonte: Yohkoh/NOAA/HAO)

Variação na concentração de
C-14 presente em árvores
A tendência decrescente na variação do C-14
após a revolução industrial, deve-se basicamente
à sua libertação dos combustíveis
fósseis como dióxido de carbono. No entanto, outras
variações, aqui visíveis, reflectem alterações
no fluxo de raios cósmicos.

Manchas solares e Auroras catalogadas entre 1868-1962

Temperaturas relativas registadas de 1000 a 2000
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