ANÁLISE

 

  

 

 

"Subitamente - que visão de artista! - / Se eu transformasse os simples vegetais, / A luz do sol, o intenso colorista, / Num ser humano que se mova e exista / Cheio de belas proporções carnais?!" (est. VII). Através da imaginação, o sujeito transfigura poeticamente a realidade exterior, estabelecendo associações entre "os simples vegetais" e partes de um corpo humano. Os verbos utilizados na estrofe nove apontam precisamente para essa reconstrução do real elaborada mediante a fantasia - "recompunha", "Achava", "Descobria". A estas formas no Pretérito Imperfeito, sucede-se o Presente do Indicativo - "São" (est. X) - estabelecendo-se assim um percurso entre o acto de imaginar (de recompor a realidade) e a existência real, presente de um universo, o universo poético que resulta da criação. Universo que, neste caso, como é comum na poesia de Cesário Verde, assume contornos plásticos, características pictóricas - são "os tons e as formas" (est. IX), "as posições" (est. XI) dos frutos e dos vegetais que possibilitam a associação de ideias na qual consiste esta transfiguração.

 


 Cesário Verde