A GALIZA

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Introdução:

A Galiza é uma das dezanove Comunidades Autónomas em que se divide Espanha.

Tem uma superfície de 29.154 km², dos quais 1.600 são costa (mar Cantábrico e oceano Atlântico). O seu relevo é de formas suaves, tendo uma altitude máxima de 2.11 metros. Considera-se a região mais ocidental do continente europeu e por isso é chamada "finis terrae".

A população galega é de 2.812.962 habitantes (7% da população espanhola), embora nos últimos dez anos se tenham perdido 35.789 habitantes. A cidade maior da Galiza é Vigo, com 300.000 habitantes recenseados e um total de 500.000, se tivermos em conta os não recenseados. A segunda cidade, atendendo ao seu número de habitantes é A Coruña, com 243.785 e depois Santiago de Compostela com 100.000.

Problemas de identidade:

A Galiza é Comunidade Autónoma de Espanha e tem estatuto de Comunidade Histórica, tal como a Catalunya e o País Basco. A Galiza conseguiu o seu Estatuto de Autonomia no ano de 1936 através de eleições em que participaram 1.000.936 pessoas, aprovando o estatuto 993.351, face aos 6.161 que votaram negativamente. Assim, a Galiza consegue a sua independência no ano de 1936, só que dois meses depois começa a guerra civil espanhola, com a posterior ditadura de Franco até o ano 1975 (quando morre). Portanto a Galiza nunca conseguiu uma independência real.

Aqueles intelectuais e políticos que lutaram pela independência foram perseguidos e mortos, portanto muitos tiveram de fugir e emigrar. A Galiza ficou desta maneira sem guias políticos e culturais — e nas mãos de Franco (que era galego) e do centralismo espanhol. A Galiza sofreu uma política muito violenta que empobreceu o país, que paralisou a modernização da agricultura e propiciou o estancamento da indústria que começava a ter força. Por isto muitos galegos tiveram que emigrar, especialmente para a Argentina.

Tudo isto teve reflexo também na situação linguística. Antes da guerra civil praticamente a totalidade da população era monolingue, falavam unicamente galego; depois da guerra perde-se 40% destes monolingues e passa-se para bilingues (galego-castelhano). Porém, na verdade, estamos ante uma situação, não de bilinguismo, mas de diglossia, em que há uma língua A (castelhano) e uma língua B (galego) e a primeira está reservada para os registros elevados e B para os baixos. Assim a língua converte-se em marca de classe, o que explica, em parte, a grande perda de falantes. Mas também há outros fenómenos, como o crescimento da cidade e o abandono do campo, o aumento da escolarização (maioritariamente castelhana) ou a importância da televisão (quase exclusivamente em castelhano).

O governo actual também não ajuda à melhora da situação: a Constituição Espanhola diz que o galego é a língua própria da Galiza, mas as línguas oficiais são o galego e o castelhano e todos têm o direito de conhecer o galego e o direito e o dever de conhecer o castelhano.

O mar:

O mar é fundamental para entender a Galiza. Esta tem 1.600 km de costa e é ao longo desta costa que se concentra a maior parte da população.

O mar é fundamental como atractivo turístico, com praias incríveis e uma rica gastronomia ligada ao mar. Mas, além disso, o mar é a base da economia galega: não podemos esquecer que na Galiza está o maior porto de toda Espanha (Vigo). A maior parte da população vive do mar, seja directa ou indirectamente (marinheiros, indústria conserveira, construção naval): diz-se que, nalgumas zonas da Galiza, três em cada quatro pessoas vivem do mar.

É desta maneira que se compreende melhor a catástrofe do afundamento do barco petroleiro Prestige nas costas galegas o ano passado. Para além da catástrofe ecológica e do impacto ambiental, temos que ter em conta que isto aconteceu num país que vive do mar, o que implicou um desastre económico, mas também moral, já que a Galiza é, historicamente, um país de marinheiros.

 

Sara L. Nogueira

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