Faculdade de Letras
Universidade do Porto
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Língua Portuguesa Escrita

Meio oral

Distinguir meio oral de meio escrito corresponde a identificar o tipo de suporte material da produção verbal que é matéria de inscrição e, consequentemente, dar conta das características do canal de transmissão no circuito de comunicação.

 
Meio oral: ar
— O enunciado é percepcionado pela via auditiva e produzido com a voz;
— efemeridade;
— aquilo que é dito é definitivo.

Meio escrito

O meio escrito tem o papel (madeira, papiro, seda, acetato, digitalização, etc) como suporte de veiculação de material linguístico gráfico.

 
— O enunciado é percepcionado pela vista;
— produção: motricidade fina;
— perenidade;
— aquilo que é escrito pode não estar escrito: até o escrevente o decidir, o enunciado escrito é reformulável;
— distanciamento no tempo e no espaço.

Uso oral

Modo de expressão verbal que pressupõe a partilha, pelo emissor e receptor, de um mesmo campo perceptivo e a instauração, entre eles, de uma relação física, cognitiva e emotiva.

 
— Dispensa a referenciação de um conjunto alargado de variáveis da situação interlocutiva;
— convoca esses elementos para a construção de sentido;
— é lugar de tensão na busca de exercício de influência sobre o receptor;
— cumpre necessidades comunicativas imediatas;
— realiza-se por movimentos discursivos de acrescentamento e não de substituição.

Uso escrito

Modo de expressão verbal que, dirigido a um destinatário ausente, no tempo e no espaço, conhecido ou anónimo daquele que escreve, se caracteriza por:

 
— requerer a explicitação das coordenadas enunciativas,
— implicar a activação dos meios linguísticos que explicitem o papel dos elementos contextuais na comunicação;
— exigir a realização de precisões, substituições, reformulações;
— envolver uma competência gráfica;
— accionar uma competência semântico-discursiva.

Texto descritivo


— Objectos descritos: tempo, lugar, aparência exterior, qualidades morais;
— enumeração;
— estrutura tema-rema;
— predicados de índole estativa;
— aspecto durativo, não acabado, imperfectivo.

Texto argumentativo

Quando nos dirigimos a alguém somos obrigados a dar razões, justificar ou provar aquilo que dizemos. Quando apresentamos essas razões (argumentos), fazemo-lo de modo a que a outra pessoa aceite aquilo que defendemos (conclusão). De uma ou de outra maneira, temos de estar prontos a responder à questão —"Porque é que dizes isso?". Essa nossa justificação pode transformar as opiniões, as crenças, as acções ou os sentimentos daquele(s) a quem nos dirigimos.

Texto dialogal

Unidade de composição textual (oral ou escrita) à qual se aplicam os princípios de organização linguístico-discursiva (coerência, coesão isotópia e conexidade)

 
Heterogeneidade composicional
O diálogo comporta sequências narrativas, descritivas, explicativas ou argumentativas; Unidade poligerida/realização interactiva (co-construção de um texto único)

 
Unidade composicional
Os enunciados estão mutuamente determinados;
Unidade textual constitutiva mínima: troca de vez ("turn taking");
Estrutura hierarquizada de trocas.

Exercício 1

Audição Paganini, Musique de Virtuose pour Violin (faixa 7);

 
Imagine um diálogo entre dois personagens a partir das melodias que integram este tema musical. Atente em:

PAGANINI, Niccolò: virtuoso do violino e compositor italiano (Génova 1782-Niza 1840). Compôs: 24 caprichos para violino sem acompanhamento; em 1820, concertos para violino e orquestra, La Campanella e séries de variações (sendo a mais conhecida sobre o Carnaval em Veneza, 1829)

Exercício 2

À Volta dos Dias (Antena 1—f25):

 
Transforme esta entrevista oral numa entrevista escrita

Sequência 1

Actividades de O Bando;

idade do grupo.

Sequência 2

Novo espaço ocupado pelo grupo.

Sequência 3

Actividades desenvolvidas nesse novo espaço.

Sequência 4

Espectáculos que vão entrar em cena.

Exercício 3

1. Reconstrua as perguntas que estiveram na base desta entrevista truncada.

 

O marinheiro que não voltou

 

Há sonhos que não se pode fingir que não existem. António Duarte Silva queria ser marinheiro. Saiu de Portugal e foi à procura desse sonho. Encontrou-o no Mediterrâneo, ao leme de alguns dos veleiros mais bonitos que já se construíram. Primeiro como marujo, depois como arrais, depois ainda como comandante, até se tornar num dos mais conceituados técnicos de restauro de iates clássicos. Considera-se um "fundamentalista figueirense" e teve um percurso de vida que só acontece, para a maioria de nós, nos sonhos.

 

Entrevista de Gonçalo Cadilhe

in GR, 107