4 - ETAPAS DA INFECÇÃO VIRAL
 
 
 
 

Os vírus têm que ser capazes de reconhecer e entrar nas células-alvo apropriadas, replicar e então infectar outras células. A célula actua como uma fábrica, providenciando os substratos, energia e maquinaria para a replicação do genoma viral e para síntese das proteínas virais.

O vírus adapta-se e compete para a mesma maquinaria usada pela célula para sintetizar o RNA m e as proteínas requeridas para a sua própria estrutura e função. As enzimas para os processos não providenciados pela célula têm que ser codificadas pelo genoma do vírus. O resultado da competição entre os processos metabólicos da célula e os do vírus determinam o resultado da infecção.

Os passos mais importantes na replicação viral são comuns a todos os tipos de vírus e são apresentados na figura 10

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Retirado de: Murray et al., 1990.
Figura 10 - Esquema geral dos modos de infecção viral


A sequência geral dos passos de um ciclo de replicação viral é apresentado de seguida.
 
 Passos da replicação viral:

1 - Reconhecimento da célula alvo.
2 - Ligação do vírus à célula por adsoção.
3 - Penetração.
4 - Perda do capsídio ou "despir" do  vírus.
5 - Síntese de macromoléculas:
    a) RNA m e síntese proteica: genes não-estruturais para enzimas e proteínas  que actuam conjuntamente
        com os ácidos nucleicos.
    b) Replicação do genoma.
    c) RNA m tardio e síntese proteica: proteínas estruturais.
6 - Modificação das proteínas pós-tradução.
7 - Montagem do vírus.
    a) Ligação do envelope viral.
8 - Libertação do vírus.

O vírus está em condições de infectar novas células.
 


A adsorção ocorre apenas quando existem receptores em ambos os intervenientes: a célula hospedeira e o vírus. Este pormenor determina a gama de hospedeiros de um vírus. Um exemplo é o vírus da polio, em que os primatas têm receptores para o vírus da polio enquanto que os roedores não têm.

Existem dois esquemas principais utilizados pelos vírus para entrarem na célula.

- Endocitose mediada por receptores;
- Fusão directa.

    Na endocitose mediada por receptores, o vírus ligado entra na célula por interacção do seu envelope com a região coberta por clatrina e então ocorre a invaginação para o interior da célula com a formação de endossomas. Pensa-se que o abaixamento do pH é o responsável pela fusão das membranas (da célula hospedeira e do envelope viral), e a penetração final da membrana do endossoma pelo vírus. Este mecanismo de abaixamento de pH é originado por uma ATPase que bombeia activamente  protões para o interior do endossoma. No caso de vírus nús, não ocorre fusão de membranas no endossoma. Em vez disso, o vírus nú causa um buraco na membrana do endossoma e liberta o seu genoma na célula hospedeira.
    A fusão directa é utilizada por alguns vírus com envelope. Depois da ligação, o receptor viral sofre uma alteração conformacional. É criado um peptídeo de fusão para causar a fusão entre as membranas do vírus e a da célula hospedeira.
Podemos considerar duas fases principais num ciclo de replicação viral:
- uma fase inicial, com a ligação do vírus à célula hospedeira, penetração e início da perda do capsídio da partícula viral;
- uma fase tardia, ocorre desde a síntese macromolecular até à montagem do vírus e posterior libertação.
 

O modo como cada vírus desenvolve esses passos e consegue sobrepôr-se às limitações bioquímicas das células é determinado pela estrutura do genoma e do vírus que tem que ser replicado; assim, de acordo com a classificação de Baltimore, existem várias estratégias de replicação do genoma viral utilizadas, que são explicadas sucintamente de seguida.