Tradição centenária, parte profana das celebrações cristãs da Páscoa, "saltar o rego" é o nome dado às corridas de cavalos realizadas nas segundas-feiras de Páscoa.

Se esta prática tem hoje este nome, tal deve-se ao facto de, até há cerca de cinquenta anos, ter existido  um rego de água que atravessava o Largo de Alumieira, em Loureiro. Nesse largo, na grande feira anual da Páscoa, havia uma grande venda de animais, nomeadamente cavalos e burros. Os vendedores, para evidenciar as qualidades dos equídeos, galopavam alguns metros e obrigavam-nos a saltar esse rego de água, utilizado para o regadio dos campos próximos. Os cavalos, as mulas, os burros... já só eram vendidos depois de testados nesse salto ritual.

Até onde a memória se perde, esta prática tinha apenas um carácter utilitário, ou seja, o objectivo era mostrar as qualidades físicas dos animais a potenciais compradores.

Mas, a pouco e pouco, este carácter prático foi-se perdendo. A assistência era cada vez maior, entusiasmada e divertida com este espectáculo equestre. Com o tempo, o "saltar o rego" foi-se incorporando na grande feira da Páscoa, dando-lhe uma identidade única e peculiar.  Chegaram a banda de música, os ranchos folclóricos e os grupos musicais; os carrinhos de choque e as tasquinhas.   Morreu a feira de gado e utilidades agrícolas; nasceu o arraial.

Hoje, "saltar o rego" denomina  corridas de cavalos, realizadas numa estrada lateral ao Largo de Alumieira,  com cerca de 200 metros.  Estas corridas são divididas em eliminatórias e finais, consoante o número de concorrentes, sendo atribuídos prémios aos vencedores.  Esta prática atrai milhares de curiosos que, em memória dos tempos passados, mantém o nome centenário.