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Arsélio de Almeida Martins,
idoso professor de Matemática
na escola secundária JOSÉ ESTÊVÃO de Aveiro:
no ano lectivo 2003/04
trabalha com uma turma do 10º ano sem esperar muito para ser
feliz;
trabalha também com o
Alexandre Alfaiate, em artes matemáticas e marciais, e na biblioteca
- ou lar da terceira idade - com o Albano Rojão e o António Aurélio,
para além de D. Rosa.
Está convencido que os estudantes
do 10º ano são bons, mas demoram muito tempo a compreender que para
serem bons é preciso trabalhar com afinco, cumprir horários e regras,
estudar. ler e escrever todas as linhas com que o pensamento se
cose, aprender que a matemática é um negócio de ideias mais que
de números e contas, que a vida é um passeio pelo rio acima contra
a corrente até à nascente da imaginação mais fértil. Está
em crer que, como professor, demora outro tanto tempo a perceber
o mesmo e a proceder em conformidade e é, por isso, que não pode
ter razões de queixa nem de regozijo. Está convencido que toda a
gente tem direito a um desconto e a rir-se até das derrotas.
A gargalhada é melhor
e mais potente se fôr em coro. Não é?
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