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Uma disciplina específica para as TIC ?
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A escola, hoje, não pode ser considerada como a única responsável pela
formação do indivíduo, mas antes o ponto de partida num processo
contínuo de formação ao longo da vida, regulador das
aprendizagens do cidadão nas sociedades actuais.
E como ponto de
partida, mais que fornecer um acumulado de conhecimentos, os seus
objectivos devem centrar-se no desenvolvimento de capacidades,
competências e saberes, na formação de cidadãos
activos, autónomos e participativos. (1)
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Por outras palavras, à escola de
hoje são pedidas novas tarefas para que tem de preparar-se, sob
pena de não ser capaz de responder aos desafios que lhe são
cometidos na missão de formar cidadãos que assumam o
conhecimento e a aprendizagem como valores inerentes ao modelo
de Sociedade da Informação e do Conhecimento, que
aceitamos como dominante.Na
sequência,
aliás, do que se diz no capítulo 4º do Livro Verde para a Sociedade da Informação,
de 1997, texto de referência para a escola informada do
século XXI:
| "[A escola] tem de
passar a ser encarada como um lugar de aprendizagem em vez
de um espaço onde o professor se limita a transmitir o
saber ao aluno; deve tornar-se num espaço onde são
facultados os meios para construir o conhecimento,
atitudes e valores e adquirir competências. Só assim a
Escola será um dos pilares da sociedade do
conhecimento." |
E acrescenta:
| "A educação
articula-se com a sociedade de informação, uma vez que
se baseia na aquisição, actualização e utilização
dos conhecimentos. Nesta sociedade emergente
multiplicam-se as possibilidades de acesso a dados e a
factos. Assim, a educação deve facultar a todos a
possibilidade de terem ao seu dispor, recolherem,
seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma
informação." |
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Posto isto, e se aceitarmos os postulados
acima referidos - que atribuem à escola a missão de "facultar a todos a possibilidade de
terem ao seu dispor, recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem
e utilizarem (..) a informação" - cabe, então, perguntar como
operacionalizar no terreno tais princípios orientadores.
E aqui, é nossa
convicção, que a perspectiva integradora e transversal
das TIC em contexto escolar poderá cumprir melhor a missão de
que está incumbida a escola, ao atribuir a todos professores e
áreas disciplinares a responsabilidade de uma formação em que
as TIC sejam um recurso e meio facilitador da aprendizagem e do
desenvolvimento de competências de pesquisa, recolha,
selecção, ordenação, gestão e utilização da informação, e
não um fim em si mesmo, se transformadas em objecto de estudo.
Não cremos que uma
disciplina específica de TIC incluída num currículo de
formação geral inicial
(como previsto para os 9º e 10º anos a partir de 2004-05) possa
garantir o desenvolvimento de todas estas competências
enunciadas. Não cremos porque, necessariamente, os alunos terão
de trabalhar em função de um programa específico e a disciplina, legitimamente, irá centrar as suas preocupações no
ensino de conteúdos (mais ou menos) técnicos, programáticos e curriculares. Em
suma, as TIC não serão já um meio para acesso ao conhecimento e
à informação serão, isso sim, elas mesmas o objecto de
estudo...
A ideia que
defendemos para as TIC em contexto escolar não é tanto a da
aprendizagem de conteúdos técnicos específicos de manipulação
de hardware e software, ou programação, mas antes
a da utilização das TIC nas mais diversas situações e
contextos de aprendizagem de modo a que possam conduzir a uma
formação inicial sólida, ao desenvolvimento de competências na
utilização das TIC e à autonomia do aluno na pesquisa, recolha,
tratamento e gestão da informação - bases para
a aprendizagem ao longo da vida e pilares da Sociedade da
Informação e do Conhecimento. E
a responsabilidade do desenvolvimento destas competências -
finalidades de uma escola informada - dificilmente poderá
exigir-se a uma só disciplina, mesmo que específica de TIC... Porém...
está a escola dotada de recursos humanos e materiais capazes de
tal missão?
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Currículo Básico em TIC para Professores
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Feita uma primeira abordagem, em que defendemos como estratégia a integração das
TIC em contexto escolar, é obrigatório que se faça uma
referência objectiva aos
recursos humanos e materiais. Isto é, numa perspectiva
integradora e transversal das TIC em contexto escolar, o
apetrechamento da escola (salas de aula e
espaços escolares em geral, tendo como meta a generalização e
democratização dos acessos) e a
formação de professores na utilização das tecnologias de
informação e comunicação. Uma e outra, como medidas de
complemento para o sucesso da educação. Sem elas, não será
possível à escola disponibilizar os meios para
cumprir a missão da formação inicial sólida de que está
incumbida e aos professores a concepção e planificação de
estratégias de utilização das TIC em contexto educativo.
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Se o
professor não se sentir confortável na utilização dos meios, estes dificilmente serão equacionados enquanto recurso
ou
estratégia possível de utilização em sala de aula...
Por isso, é fundamental que o professor utilize bem os recursos
tecnológicos ao seu dispôr, compreenda a
sua pertinência, conheça metodologias de utilização e os considere como estratégias de
aprendizagem.
Daí que o Currículo Básico em TIC para professores,
proposto pelo Departamento de Avaliação Prospectiva e
Planeamento, em articulação com o Programa Nónio século XXI,
na sequência do Projecto Europeu "Competências em TIC para
o Professor Europeu", realizado em 2000-01, aponte para uma formação de
professores definida em módulos
sequenciais e progressivos de competências, com a seguinte
formulação(3):
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Módulo
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Título |
Horas |
| Módulo I |
O desafio das TIC |
15 h |
| Módulo II |
Escrita criativa com o computador |
12 h |
| Módulo III |
A apresentação de comunicações |
15 h |
| Módulo IV |
A utilização da folha de cálculo |
12 h |
| Módulo V |
A utilização das bases de dados |
12 h |
| Módulo VI |
Recursos Pedagógicos |
09 h |
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Interacção a distância |
15 h |
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Total de horas |
90 h |
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Em resumo, como estratégia de
formação, o professor deve definir um percurso individual de
formação, por etapas, que lhe permita, gradualmente, adquirir
competências básicas de utilização das TIC para, finalmente,
as poder integrar em contextos educativos.
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No final do seu percurso
de formação em TIC, o professor deve estar familiarizado com ferramentas que
sirvam para:
Comunicar,
Colaborar,
Pesquisar,
Explorar,
Coligir dados,
Processar dados,
Armazenar dados,
Expandir conhecimentos e
Integrar ferramentas.
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Enquanto não atingirmos estas metas
- o apetrechamento adequado das escolas e a formação
básica em TIC dos professores - não restam muitas
alternativas senão considerar como adequada (se transitória) a
inclusão de uma disciplina de TIC nos currículos do ensino
básico e secundário (9º e 10º anos).
Atingidas
as metas acima definidas, esta medida deve ser corrigida e
orientada para práticas de utilização efectiva das TIC em contexto escolar, mais de acordo com as características de uma
geração user friendly das tecnologias.
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Fernando Alberto Lacerda
lacerda@mail.prof2000.pt
CT - Prof2000
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Bibliografia
(1) "The central importance of education,
learning and the acquisition of knowledge and skills can never have
been more widely recognised. It is now common to talk of OECD
countries as 'knowledge economies'. With rapid change, and hence the
continual requirement for new knowledge, few people now adhere to
the old assumptions that an initial schooling or apprenticeship is
an adequate preparation for working life. Life-long learning has
come to be widely acknowledged as essential, not only in education,
but in a wide armoury of economic and social policies; it forms a
central plank, for instance, of the OECD Jobs Strategy."
Istance, David, Education and Social Exclusion, In The OECD
OBSERVER No. 208 October/November 1997
(2) Livro Verde para a Sociedade da Informação em
Portugal, 1997, Lisboa
(3) Perfil definido no
âmbito do projecto europeu "Profiles in ICT for Teacher
Education", em que o Programa Nónio-Século XXI participou, em
2000-2001
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