Resenha Histórica
Tempos Antigos
Insere-se o Concelho de Carregal do Sal numa zona da Península Ibérica, berço da antiga Lusitânia, sendo muitos os testemunhos históricos da passagem dos primitivos invasores.
São porém, como, aliás acontece com grande parte do solo nacional, os romanos que marca mais vincada deixaram por terras deste concelho.
Dos antigos povos ficaram antas (Orca, Lapa da Moura, as mais importantes), achados arqueológicos em São Sebastião (freguesia de Currelos) e outros, descobertos na freguesia de Beijós, pedaços, visíveis ainda, de uma antiga estrada, nos limites da Azenha, os vestígios da via romana que ligava a hoje denominada Região de Lafões com portos mediterrâneos do sul de Espanha. Esta via atravessava o Caramulo, passando depois por terras do antigo concelho de Currelos, onde, bem perto da actual Ponte do Caldeirão, no Rio Mondego, outra teria existido, como parece atestar uma pedra de granito, dali transportada para a Póvoa de Midões (Tábua) e que , colocada na parede de um edifício, à beira da rua principal, contém, e ainda hoje se pode ver, a seguinte inscrição latina:
«IMPERATORI TITO PONTEM AEDIFICAVIT SEVERUS VIVI FILIUS» («Severo, filho de Vivo, fez a ponte ao imperador Tito»).
Esta via seguia depois, passando por Midões (Tábua), Bobadela (Oliveira do Hospital), rumo à Serra da Estrela, descia a Manteigas, Belmonte, seguindo depois para Mérida, capital da Lusitânia, em Espanha, e dali para Sevilha (Hispalis), e finalmente Roma, através de Cadiz e outros portos do Mediterrâneo.
Era uma via importante de transporte de matérias - primas para Roma, como acontecia com o chumbo de Sever do Vouga e Talhadas.
Com a invasão árabe, no tempo de Almançor, toda a região teria sido devassada, sendo de realçar, na sua passagem por este concelho, a interessante lenda que ficou da Nossa Senhora dos Carvalhais.
Os dois extintos concelhos de - Currelos e Oliveira do Conde - tiveram o seu povoamento anterior à Nacionalidade Portuguesa, tendo sido pedaços preciosos da antiga Lusitânia.
Novo Concelho
Concelho criado pela Reforma Administrativa de Passos Manuel, em 1836 ( Decreto de 06 de Novembro), sucessor do antigo concelho de Currelos e que passou então a integrar também, por extinção, o Concelho de Oliveira do Conde.
Em 1895, juntou-se-lhe a freguesia de Parada do então extinto concelho de São João de Areias, ficando, a partir daí, com as suas actuais dimensões
De notar que as freguesias de Papízios e Sobral, eram terras do termo da cidade de Viseu, que, em 06 de Novembro de 1836, se haviam também já integrado no concelho de Carregal do Sal.
O concelho de Carregal do Sal pertencia então ao Distrito Administrativo de Coimbra e era Julgado da Comarca de Arganil. Tinha 2331 fogos (Reforma Judicial de 29 de Novembro de 1836, no Diário do Governo, nº 292, de 99/12/1836).
Origens do nome de Carregal do Sal
A vila , sede do concelho do mesmo nome, implantada em zona plana, entre as vertentes dos Rios Mondego e Dão, estende-se cerca de 3Km ao longo da Estrada Nacional nº 234, principal eixo rodoviário de ligação com os países da Europa. A Linha do Caminho de Ferro da Beira Alta, de igual modo, a mais importante via ferroviária no campo internacional, acompanha-a em toda a sua extensão, e a estas duas vias de acesso e à sua situação geográfica invejável, se deve, em boa medida, o desenvolvimento do seu aglomerado populacional e mesmo o progresso geral de todo o concelho.
De notar que a vila teve os seus núcleos mais antigos em locais que hoje constituem como que bairros típicos, como a Rua da Fonte, a Rodela e as Salinas, embora esta última zona se encontre hoje bastante modificada, com a edificação de prédios novos, e a remodelação e substituição das velhas construções, onde outrora se armazenava o sal, interposto abastecedor de uma vasta zona, entre o Douro e a Serra da Estrela, atravessando mesmo a fronteira de Vilar Formoso e entrando em terras de Castela, tal como se pode confirmar, em microfilmagem no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, das «Memórias Paroquiais da Freguesia de Currelos, de 1758».
Não são muito pacíficas as correntes de opinião sobre as origens do nome de Carregal do sal. O certo, porém, é que o nome figurou apenas como Carregal até aos fins do século XIX.
O topónimo «Carregal» teria, assim, segundo os estudiosos derivado de «Cárrega», planta ciperácia, espécie de gramínea, abundante na região, e, portanto, «Carregal», lugar onde havia «Cárrega», a que se juntaria o «sal», este devido ao cloreto de sódio, armazenado nos grandes e referidos depósitos, em local ainda hoje designado por «salinas».
O Sal, cujo comércio consta já, em documentos de 1758, era transportado em barcos da Figueira da Foz até à Foz - Dão ( porto fluvial e povoação hoje desaparecida com a Barragem da Aguieira ) e daqui seguia, em carros de bois, até ao Carregal.
O nome Carregal, como povoado, é, porém, muito antigo, e já figurava num documento de doação de Dom Afonso Henriques, datado de 1137, e onde também se faz referência a «Ulveira de Currelos», «Parada», «Papizenos» e «Pineirino», nomes antigos de terras hoje pertencentes ao concelho.