AGRUPAMENTO DE ESCOLAS SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - Brandoa
Sistemas de numeração
Nos museus de todo o
mundo há inúmeros objectos com marcas, pertencentes a épocas antigas.
São pedaços de madeira talhados, pedaços de barro com marcas e cordas
com nós. Existem cavernas em cujas paredes podemos ver marcas talhadas
ou pintadas. Isso parece indicar que o homem sentiu necessidade de
registar o total de objectos que contava. E como se fazia isso? Para
registrar o total de objectos ele usava também a correspondência um a
um: uma marca para cada objecto.
Diversas civilizações da
Antiguidade, além da egípcia, desenvolveram seus próprios sistemas de numeração. Alguns deles
deixaram vestígios, apesar de terem sido abandonados. Assim, por exemplo, na contagem do
tempo, agrupamos de 60 em 60; sessenta segundos compõem um minuto e
sessenta minutos compõem uma hora. Isto é consequência da numeração
desenvolvida na Mesopotâmia, há mais de 4000 anos – onde era usada a base 60.
Outro vestígio de uma numeração
antiga pode ser observado nos mostradores de relógios, na indicação de
datas e de capítulos de livros: são os símbolos de numeração romana.
Numeração romana
Diversas civilizações da Antiguidade, além da egípcia,
desenvolveram seus próprios sistemas de numeração. Alguns
deles deixaram vestígios, apesar de terem sido abandonados.
Assim, por exemplo, na
contagem do tempo, agrupamos de 60 em 60; sessenta segundos
compõem um minuto e sessenta minutos compõem uma hora. Isto é
consequência da numeração desenvolvida na Mesopotâmia, há mais
de 4000 anos – onde era usada a base 60.
Outro vestígio de uma
numeração antiga pode ser observado nos mostradores de relógios,
na indicação de datas e de capítulos de livros: são os símbolos
de numeração romana.
Estes são os símbolos
usados no sistema de numeração romano
I
V
X
L
C
D
M
1
5
10
50
100
500
1000
Vamos lembrar como eram escritos
alguns números:
Sete
Trinta e seis
Cento e cinquenta e dois
Mil setecentos e onze
VII
XXXVI
CLII
MDCCXI
5+1+1
10+10+10+5+1
100+50+1+1
1000+500+100+100+10+1
Para não repetir 4 vezes
um mesmo símbolo, os romanos utilizavam subtracção. Observe
alguns números que seriam escritos com 4 símbolos e como os
romanos passaram a escrevê-los:
Quatro
Nove
Quarenta
Quarenta e quatro
Novecentos
IV
IX
XL
XLIV
CM
5-1
10-1
50-10
(50-10)+(5-1)
1000-100
Quatrocentos e noventa
Mil novecentos e noventa
e quatro
CDXC
MCMXCIV
(500-100) +(100-10)
1000+(1000-100) +(100-10)
+(5-1)
Assim
como no sistema egípcio, também na numeração romana é trabalhoso
escrever certos números. Veja:
Há vários tipos diferentes de
ábacos, mas todos obedecem basicamente ao mesmo princípio. O mais
simples consiste no seguinte: numa moldura de madeira são fixados
alguns fios de arame. Dez bolinhas correm em cada fio.
As do 1º fio representam as unidades;
As do 2º fio representam as dezenas;
As do 3º fio, as centenas e assim por diante.
Vamos
imaginar que queremos contar todas as crianças que entram tua
escola, passando uma a uma pelo portão. Inicialmente todas as
bolinhas devem estar do lado esquerdo do ábaco. Para cada
criança que passa, deslocamos uma bolinha do 1º fio para a
direita.
Quando as
dez bolinhas do 1º fio estão à direita, deslocamos uma bolinha
do 2º fio para a direita e voltamos com as dez bolinhas do 1º
fio para a esquerda
Assim,
prosseguimos a contagem
Quando as dez bolinhas do 2º fio
estiverem à direita, deslocaremos uma bolinha do 3º fio para a
direita e as bolinhas do 2º fio voltarão para a esquerda.
Suponhamos que, ao terminar a
contagem, esta seja a disposição das bolinhas no ábaco
Podemos
registar – no sistema de numeração que usamos – deste modo:
Centenas
Dezenas
Unidades
3
6
5
O número total de alunos é:
3 bolinhas que valem 100 cada
uma
+
6 bolinas que valem 10 cada
uma
+
5 bolinhas que valem 1 cada
uma
Ou seja
3 X 100
+
6 X 10
+
5 X 1
=
365
300
+
60
+
5
=
365
Necessidade do zero ‘0’
Observe as quantidades
indicadas em cada um dos ábacos seguintes:
No nosso sistema de
numeração elas são registadas assim: 34 e 304. Quando escrevemos 304, o
símbolo "0" indica que na 2ª fileira do ábaco não há bolinhas do lado
direito. Ao invés do símbolo "0" poderíamos usar outro qualquer como,
por exemplo, um espaço em branco: 3 4. Isto não importa; estaríamos, do
mesmo modo, usando um símbolo para o nada
34
304
Estamos
tão acostumados com sistema de numeração decimal que ele nos parece
incrivelmente simples. No entanto, desde os tempos em que os homens
fizeram as suas primeiras contagens, até o aparecimento do sistema de numeração hindu, decorreram
milhares de anos. É surpreendente que diversas civilizações da
Antiguidade, como as dos egípcios, babilónios e romanos, capazes de
realizações maravilhosas, não tenham chegado a um sistema de numeração
tão funcional quanto o dos hindus. Porquê então esta dificuldade? Uma
possível resposta a esta pergunta nos leva ao
zero, isto é, a um símbolo para o nada.
Estamos
tão familiarizados com o zero que não sentimos a menor dificuldade em
raciocinar com ele. As crianças dominam-no com facilidade. Entretanto,
nem sempre foi assim. Os nossos antepassados demoraram muito para
inventar o zero e, mesmo depois de
nascido, o símbolo para o nada demorou a ser aceite. «Já havia velhos do Restelo na altura, sabes»
É fácil
compreender o porquê dessa demora: os números foram criados pelos homens
como um recurso para auxiliá-los nas diversas contagens que precisavam
fazer no seu dia-a-dia. Os números surgiram da necessidade de determinar
quantidades. Ora, quem não tem coisa alguma, que necessidade pode ter de
contar o que não tem? Por exemplo: tens alguma girafa em sua casa?
Imaginamos que não! E se tu não tens girafas em casa, não vais sentir a
necessidade de contar quantas girafas tem em casa. Portanto, enquanto se
tratava apenas de determinar quantidades, ninguém sentiu falta de um
símbolo para o nada.
O zero
surgiu quando se procurou representar, fielmente, com símbolos no papel,
o que se passava no ábaco.
Vantagens e desvantagens de três
sistemas de numeração
Para
encerrar esta “breve lição histórica” e favorecer a compreensão do nosso
sistema de numeração, vou confrontá-lo com os sistemas de numeração
egípcio e romano, apontando as características básicas desses
sistemas (1 a 6).
1)
Base
Como
vimos, a base de um sistema é a quantidade escolhida no processo de
agrupar e reagrupar.
No nosso sistema a base
é dez;
No egípcio a base é dez;
No romano a base é dez.
Nota
que, no sistema romano, os símbolos são sempre reagrupados de dez em
dez: dez "I" formam um "X", dez "X" formam um "C", dez "C" formam um
"M".
Neste
ponto, pode surgir uma dúvida, pois cinco "I" são substituídos por um
"V". Entretanto, não existem reagrupamentos de cinco. Cinco "V" não são
trocados por um símbolo novo. Os símbolos "V", "L" e "D", que indicam 5,
50 e 500 são utilizados somente para simplificar a escrita. Portanto,
podemos afirmar que a base do sistema romano é mesmo 10.
2)
Valor posicional
O nosso sistema é
posicional; 51 é diferente de 15;
O egípcio não é posicional; é indiferente escrever doze assim:
ou assim:
O
romano é posicional, mas não no mesmo sentido do nosso sistema. É diferente escrever VI ou IV.
3)
Zero
Nosso
sistema tem um símbolo para o nada;
O egípcio não tem zero;
Romano
não tem zero.
4)
Princípio multiplicativo
O número posicional,
como o nosso, baseia-se no princípio multiplicativo: cada algarismo
representa o produto dele mesmo pelo valor de sua posição. Por
exemplo: na nossa maneira de escrever o número 245.
Nos sistemas egípcio e
romano não vale o princípio multiplicativo.
O
número representado é a soma dos valores que cada um dos símbolos
representa. O princípio aditivo comparece nos três sistemas:
No nosso sistema, 245 =
200 + 40 + 5;
No egípcio, = 100 +
100 + 10 + 1 + 1 + 1;
No
romano, CXXVII = 100 + 10 + 10 + 5 + 1 + 1.
Entretanto, no sistema romano, o princípio aditivo precisa ser aplicado
com cuidado, porque nele existe também o princípio subtractivo. Por
exemplo:
A
leitura correcta: CXLIX = 100+ (50-10) +(10-1)
Uma
leitura errada seria: CXLIX = 100+10+50+1+10
6)
Quantidades de símbolos diferentes
Quantos
símbolos diferentes são necessários para escrever qualquer número?
No nosso
sistema, com apenas dez símbolos diferentes, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,
9 e 0, escrevemos qualquer número;
No
egípcio e no romano, por mais que se criassem novos símbolos, sempre
seria possível pensar num número que, para ser escrito, precisaria de um
novo símbolo. Assim, seriam necessários infinitos símbolos.
Algarismo
Os dez
símbolos do nosso sistema de numeração são chamados dígitos ou
algarismos. Dizemos, por exemplo, que 507 é um número de três dígitos ou
três algarismos.
A
palavra dígito vem da palavra latina "digitus", que significa
dedo. É claro que isto tem a ver com o uso dos dedos nas contagens.
É
curiosa a origem da palavra algarismo. Durante o reinado do califa
al-Mamun, no século IX, viveu um matemático e astrónomo árabe, que se
tornou famoso. Chamava-se Mohammed ibm-Musa al-Khowarizmi. Ele escreveu
vários livros. Num deles, intitulado "Sobre a arte hindu de calcular",
ele explicava minuciosamente o sistema de numeração hindu. Na Europa,
este livro foi traduzido para o latim e passou a ser muito consultado
por aqueles que queriam aprender a nova numeração. Apesar de
al-Khowarizmi, honestamente, explicar que a origem daquelas ideias era
hindu, a nova numeração tornou-se conhecida como a de al-Khowarizmi. Com
o tempo, o nome do matemático árabe foi modificado para algorismi que, na língua portuguesa, acabou por se designar algarismo.
Sistema de numeração decimal
Extraído
de:Desafios Matemáticos, 5.º Ano, Porto Editora.
A
quantidade de objectos de uma colecção é um número inteiro, para o
representares usas um numeral, escrevendo símbolos de acordo com as
regras do sistema que usas.
O nosso
sistema de numeração utiliza dez algarismos para representar números,
que como sabes são:
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9
Cada
algarismo ocupa, num determinado numeral, uma posição ou ordem e o seu
valor depende dessa ordem.
O valor
de uma ordem é dez vezes maior que o da ordem que fica à sua direita.
Por isso se diz que o nosso sistema de numeração é decimal.
Ou
seja, o numeral: 2 222
2
2
2
2
2 Milhares
2 Centenas
2 Dezenas
2 Unidades
2 X 10 centenas
2 X 10 dezenas
2 X 10 unidades
2000 Unidades
200 Unidades
20 Unidades
As
diversas ordens do numeral agrupam-se 3 a 3 a partir da direita –
formando classes.
Exemplos:
Milhares de milhão
Milhões
Milhares
Unidades
4
0
5
4
4
0
1
7
7
0
0
0
4
0
0
0
1
7
2
2
2
2
6
0
0
0
0
0
0
Os
números na tabela lê-se:
·Quarenta milhões,
quinhentos e quarenta e quatro milhares e dezassete unidades;
·Sete milhares de
milhão, quatrocentos milhares e dezassete unidades;
·Dois milhares e
duzentos e vinte e duas unidades;
·Seis milhões.
Números decimais
No teu
dia-a-dia deparas-te frequentemente com grandezas como, o comprimento, o
peso e a temperatura e os seus valores são expressos em números
decimais.