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A
disciplina de Filosofia tem como função, por um lado, assegurar o
desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla e aberta que inclua
necessariamente uma dimensão crítica e ética, indispensável face
ao extraordinário desenvolvimento das ciências e das tecnologias e às suas
consequências directas na nossa vida quotidiana e, por outro lado, contribuir
para a construção da identidade pessoal e social dos jovens que lhes permita
compreender o mundo em que vivem, integrar-se nele e participar
criticamente na sua construção e transformação.
No âmbito desta caracterização da
componente de formação geral a Filosofia deve ser vista como uma
disciplina em que os alunos, em contextos de aprendizagens que se pretendem
dinâmicos, devem aprender a reflectir, a problematizar e a
relacionar diferentes formas de interpretação do real.
Esta convergência de
perspectivas faz pensar um determinado paradigma filosófico, ligado a uma
concepção de Filosofia como uma actividade de pensar a vida e não como um mero
exercício formal; ou seja, preconiza uma concepção de Filosofia que a articula
com o exercício pessoal da razão, desenvolvendo uma atitude de suspeita,
crítica, sobre o real como dado, mas, ao mesmo tempo, a determina como um
posicionamento compreensivo, integrador e viabilizador de uma transformação do
mundo. Tal paradigma supõe que “ pensar por si mesmo” a vida obriga a uma
discussão pública, ao reconhecimento do momento de verdade inerente a cada
posição em debate e, simultaneamente, dimensiona-se numa vocação de
universalidade da razão. Ou seja, esta redimensionação do papel da Filosofia no
quadro dos novos desafios do ensino secundário, faz dela não só uma componente
essencial da formação pessoal da juventude como também a caracteriza como um
instrumento da vivência e aprofundamento da vida democrática.
(1)
Droit,R.P. (1995)
Philosophie et démocratie dans le monde – une enquête de
l’UNESCO
(p.105).
Paris : UNESCO
(2)
Ibidem.
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