S
SÁDICO-ANAL
(estádio)
Ver
Anal
(estádio).
SADISMO
"Perversão
sexual na qual o prazer
erótico está ligado ao sofrimento infligido a outrem.
Freud
explica-o por um complexo ligado ao estádio
anal em que a criança descobre que pode fazer sofrer a mãe
se não aceita tornar-se limpo.
O
"pequeno sadismo" é a sua forma mais difundida, a forma
descrita pelo marquês de Sade (que lhe deu o nome): flagelações,
crueldades físicas ou morais, reais ou simuladas. Toma muitas vezes
um carácter simbólico,
"cerebral". Assim as humilhações infligidas por um chefe
aos seus subordinados são uma forma de sadismo. Deformação do
instinto
sexual macho que comporta uma parte de
agressividade,
combina-se às vezes com outras perversões, especialmente numa
curiosa alternância com o masoquismo,
que é o seu oposto.
Quando
tem por origem uma verdadeira doença mental (neurose
ou psicose),
as suas manifestações são mais temíveis e podem ir até ao
assassínio. Jack, o Estripador, que cometeu as suas perversidades em
Londres no último século, e nunca foi apanhado, é talvez um exemplo
de sadismo neurótico.
SAGAN,
Carl Edward (Novembro de 1934-Dezembro de 1996)
Cientista americano de origem leste-europeia. Com uma formação
científica múltipla (em áreas como a biologia e a genética)
deu realce à astronomia. Durante vários anos trabalhou para a
NASA, participando em vários projectos de exploração do espaço.
Na série televisiva de grande sucesso Cosmos mostrou-se um
extraordinário divulgador das ciências. Sustentava com convicção a
plausibilidade da existência de vida extraterrestre inteligente.
Ver
Exobiologia.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de (Lyon, 29/06/1900 - desaparecido em
missão de guerra, 1944)
|
Escritor
e aviador francês, humanista preocupado em encontrar um
significado moral e espiritual para a actividade humana --
preocupações que passou para as suas obras,
nomeadamente, Courrier Sud (1929), Voo
Nocturno (1931), Terra
dos Homens (1939), Piloto
de Guerra (1942), O
Principezinho (1943), Cidadela
(póstuma, 1948).
|
SARTRE,
Jean-Paul (Paris, 1905-Paris, 15/4/1980)
SAVATER,
Fernando
Catedrático de Filosofia da Universidade Complutense de Madrid,
autor de vários livros de ensaio, narração e teatro --
nomeadamente, de O
meu Dicionário Filosófico [ver outras obras suas na
Bibliografia]
SCHOPENHAUER,
Arthur (1788-1860)
(Em redacção).
Filósofo alemão.
SENSAÇÃO
Vivência simples, produzida pela acção de um estímulo (externo
ou interno: luz, som, calor, etc.) sobre um órgão sensorial,
transmitida ao cérebro através do sistema nervoso.
Embora por vezes se considere a sensação como o ponto de partida
para a construção da experiência e do saber, ela não é, no
entanto, um dado imediato da consciência: a sensação só se
apresenta ao nosso espírito sob uma forma mais complexa -- a
forma de percepção.
Apenas podemos falar de sensações nas percepções se as
considerarmos em si mesmas, sem considerar o que significam.
|||
Sobre o que é uma percepção em comparação com uma sensação, ver os
textos Percepções
e sensações,
Significado
de percepção [poder-se-á ter a experiência de uma
sensação pura?] e
Factores
da percepção.
SENSIBILIDADE
(Em redacção).
Ver
Conhecimento.
SENTIDOS
"(...) na rotina do dia-a-dia utilizamos continuamente os
nossos órgãos dos sentidos -- de tal maneira que nem nos
lembramos de nos deter um momento para admirar a capacidade tão
extraordinária dos nossos sentidos. Os nossos olhos, por exemplo,
podem aperceber-se, em condições atmosféricas favoráveis, do
luzir de um fósforo a uma distância de trinta quilómetros. Ou
podem ver um arame que seja tão fino que o seu diâmetro meça
apenas quinhentas milésimas de todo o campo visual!
E enquanto estou aqui sentada a escrever isto, ouço através da
janela fechada e vindo de longe o ladrar de um cão, gozo o sabor e
o aroma do meu cigarro, que me distrai ter entre os dedos;
simultaneamente noto que a sala está um pouco quente de mais, mas
que talvez justamente por isso chegue até junto de mim o aroma do
pinheiro de Natal acabado de cortar que se encontra na outra
extremidade da sala. E por um momento detenho-me e recordo um dia
de Natal em Viena, quando a neve batia de encontro à janela (Charlotte BÜHLER - A psicologia na vida do nosso tempo,
p. 90-91.
|||
É muito antiga a opinião de que o homem tem "cinco sentidos". Com
ela afirma-se: 1) que as percepções sensoriais estão distribuídas por domínios
inteiramente distintos entre si; 2) que esses domínios são
cinco.
A psicologia moderna não pode adoptar, de ânimo leve,
nenhum destes dois princípios. O primeiro deve completar-se
substancialmente, o segundo tem de ser corrigido.
O termo popular "sentidos" sugere a interpretação
de que se trata de uma série de faculdades independentes e
separadas. Em contrapartida, a expressão científica "modalidades
dos sentidos" significa que a função pessoal unitária
da percepção se exerce de vários modos, e que de
facto tais modos se destacam fortemente uns dos outros,
revelando, todavia, muitas relações e afinidades entre si.
Chegou mesmo a falar-se na "unidade dos sentidos"
(H. Plessner)." (William STERN - Psicologia Geral,
p. 166. )
SER
Substantivo (porque
é também verbo) precedido do artigo definido ("o
Ser"), pode designar o facto de existir (ex.: "Deus dá
o ser") ou a essência ou substância ("o ser das
coisas", "o
ser enquanto ser") ou o ser em si, em certos casos
confundido com o ser supremo, Deus.
A ideia
de ser
"A ideia de ser, tem-se dito, é a mais alta
abstracção
a que o homem pode chegar, depois que desproveu os seres
singulares de tudo o que os distingue e faz deles seres
determinados. A ideia de ser é, assim, uma ideia
de extensão
máxima e de compreensão
mínima: de extensão máxima, porque, sendo a ideia mais
abstracta possível, convém a tudo o que é ou pode ser;
de compreensão mínima, porque abstrai de toda e qualquer
característica ou qualidade particular. Deste modo, ao
ser nada se pode acrescentar, pois tudo o que existe ou
pode existir é ser. Todos os seres singulares
são o ser, mas cada um é-o de um modo peculiar.
Admitindo que os seres singulares são
espécies
de seres, alguns autores afirmam que o ser em geral é um
género
supremo. Outros, porém, contestando tal parecer,
sustentam que o ser não é um género mas uma noção
que, transcendendo ou superando todas as categorias do
ser, se aplica a tudo o que pode existir ou existe de
qualquer modo. É por isso que alguns metafísicos afirmam
que a ideia de ser é imanente
a todas as categorias (na medida em que todas participam
do ser) e ao mesmo tempo transcendente a todas (na
medida em que as supera a todas). E acrescentam: a ideia
de ser transcende não só cada uma das categorias do ser
considerada de per si, mas ainda todas as categorias em
conjunto, porque abrange não só todos os seres finitos,
que se dividem em categorias, mas ainda o Ser infinito,
que está acima das categorias.
Quando
considerado em si mesmo, e de um modo absoluto, do ser
nada se pode dizer senão que é o ser. Quando considerado
em si mesmo, mas agora não já de um modo absoluto mas de
um modo negativo, pode dizer-se do ser que ele é em si
mesmo indiviso, isto é, uno.
O ser é
tudo o que, em qualquer grau, se opõe ao nada. Tudo o que
é ser é uno e indiviso. O ser, dizem os metafísicos, é
uno e transcendente."
(MAGALHÃES-VILHENA,
V. de - Pequeno Manual de Filosofia. 5ª ed.
Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1977, p. 602-603)
SEXTO
EMPÍRICO (séc. II-III)
Filósofo, médico e astrónomo grego, conhecido por O Empírico
por ter introduzido, diz-se, o empirismo
na medicina. As suas obras filosóficas (escreveu umas Hipotiposis
pirrónicas) são a fonte mais importante para o conhecimento
do cepticismo
e do estoicismo
antigos.
SILOGISMO
(Em redacção).
Tipo de raciocínio dedutivo
em que de duas proposições
iniciais (as premissas) se infere
uma terceira (a conclusão).
|||
Silogismo é o título de uma das rubricas da
unidade
lógico-argumentativa do programa de Introdução à Filosofia do 11º ano.
SÍMBOLO
Figura real ou linguística, cuja particularidade reside no facto
de utilizar um elemento material a fim de representar uma
realidade abstracta ou espiritual, em virtude de uma analogia
natural ou de uma convenção. Assim, o leão, que é um animal,
designa a força, que é uma virtude; a balança é utilizada como
símbolo da justiça...
|||
Lógica aristotélica e lógica simbólica é o título de
uma das rubricas da unidade
lógico-argumentativa do
programa de Introdução à Filosofia do 11º ano.
SINGULAR
Em sentido geral, é um indivíduo
ou o que lhe diz respeito. Em lógica,
é singular o juízo
(ou a proposição)
cujo conceito-sujeito está reduzido a um indivíduo. Ex.: Beethoven
é músico.
SINTAXE
Disciplina da linguística que tem como objecto de estudo a
estrutura da frase -- as relações dos signos (dos vários
elementos da frase) entre si, abstraindo quer do significado que
eles possam ter, quer da utilização que deles se possa fazer.
||| As
três dimensões do discurso: sintaxe, semântica
e pragmática
é o título de uma das rubricas do
programa
de Introdução à Filosofia do 11º ano.
SINTÉTICO,
juízo
O
texto
Kant:
apriorismo e criticismo distingue juízos analíticos e juízos
sintéticos.
SOBRERACIONALISMO
(Em redacção).
|||
Ver Bachelard
SÓCRATES
(Atenas, 470 a.C.-399 a.C.)
Filósofo grego. Não tendo escrito qualquer obra, foram sobretudo
alguns diálogos de Platão
(Apologia de Sócrates, Críton, Fédon, O
Banquete e Teeteto) que contribuíram para nos dar a
conhecer o mestre pensador.
|||
Porque é que Sócrates não escreveu nada? -- a interrogação central do
texto Viver
em conjunto.
SOFISMA
Do grego sophisma ("invenção engenhosa") --
designa um raciocínio
aparentemente válido
(isto é, de acordo com as regras da lógica), mas incorrecto.
Ver Sofistas.
SOFISTAS
A sofística foi um movimento intelectual que surgiu na Grécia no
século V a. C. Os sofistas são conhecidos por causa das críticas
que Platão
lhes endereçou.
Os sofistas mais importantes foram Protágoras de Abdera (ca.
480-410 a. C.), Hípias de Élis (séc. V a. C.) e
Górgias.
SOLIPSISMO
(Em redacção).
A postura solipsista é a postura dos pensadores que duvidaram da
existência de qualquer coisa e de qualquer outro ser humano que não
fosse eles próprios
SPINOSA,
Baruch
Ver Espinosa.
SUBJECTIVO
(Em redacção).
1. Sentido comum (por vezes com conotação pejorativa): o
que é respeitante ao sujeito, pessoal, de ordem afectiva, arbitrário,
parcial e relativo.
2. Na obra de Kant:
aquilo que provém das estruturas a priori do entendimento humano,
contrariamente às "coisas em si" (filosofia crítica);
o que no sujeito depende da sensibilidade, em oposição às exigências
universais da razão (filosofia moral).
3. Em epistemologia,
opõe-se a objectivo.