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A Escola Secundária Alves Martins é uma instituição cujos
primórdios remontam à instalação do "Liceu Central de Viseu" no antigo
Convento dos Néris em Santa Cristina, no ano de 1849, percorrendo depois todo um longo
itinerário até aos nossos dias.
Foi em pleno
liberalismo que em Portugal se criou o Ensino Secundário, sendo o Ensino Liceal um dos
seus aspectos relevantes. Logo após a Revolução de 1820 é publicado um folheto da
autoria de Mouzinho da Silveira, onde se preconiza a revisão total do ensino e, pela
primeira vez, os liceus substituem os "Estudos Menores" Pombalinos. Esta
proposta não chega a concretizar-se e só com a implantação definitiva do Liberalismo
no reinado de D. Maria II, em 1836, Passos Manuel irá realizar a reforma completa da
instrução. São, assim, promulgadas várias disposições sobre instrução pública,
onde se valoriza o Ensino Secundário, sendo criados liceus em todas as capitais de
distrito com a designação de escolas secundárias por Decreto de 17 de Novembro de 1836.
Ao mesmo tempo anunciavam-se os currículos neles ministrados e constituídos por
disciplinas de humanidades e línguas vivas e também ciências como a Química, Física,
Álgebra, Geometria e Ciências Naturais. Rasgaram-se, assim, novos horizontes à
generalização da cultura. Entre 1842-1844 Costa Cabral faz a reorganização do ensino,
criando os chamados liceus de Província, ao mesmo tempo que se projectaram novos
programas e disciplinas.
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Seminário Diocesano
Por falta de instalações adequadas, só em 14 de
Setembro de 1849 se procede à instalação do Liceu de Viseu em duas salas cedidas pelo Seminário Diocesano, em Santa Cristina, e que aqui prevalece até
1869.
O primeiro Reitor foi o Padre
José de Oliveira Berardo, que simultaneamente exercia o cargo de Comissário dos Estudos
do distrito.
O primeiro núcleo de
professores constituía um total de 4 elementos - o Professor António de Sousa de
Figueiredo, da 1ª a e 2ª cadeira; João Pães do Amaral e Costa da 3ª e 4ª e Francisco
António Nunes de Vasconcelos da 5ª e 6ª. O Professor João Pães do Amaral e Costa
exercia simultaneamente as funções de Secretário interino da Escola. Concretizava-se
desta forma a execução da Portaria do Tribunal do Conselho Superior dos Estudos do Reino
de 5 de Setembro de 1849.
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Paço dos Três Escalões
Nas duas salas referidas
permanece o liceu cerca de duas décadas - 1868. Seguidamente é transferido para o
denominado Paço dos Três Escalões, graças à generosidade do em grande prelado D. António Alves Martins.
Foi esta prestigiosa figura do liberalismo português quem, quando ministro do reino,
elevou o Liceu de Viseu à categoria de 1ª classe por Decreto de 31 de Dezembro de 1868.
Os benefícios desta medida foram incalculáveis para os jovens mais dotados d terras do
interior, independentemente da sua origem e posse familiares. Com esta medida passam a ter
a possibilidade desenvolverem as suas faculdades intelectuais e de se prepararem para
novas perspectivas.
Em 25 de Outubro de 1862 morre o
Padre José de Oliveira Berardo, considerado o vulto mais proeminente desta cidade e desta
região no domínio da "República das Letras". Alexandre Herculano considerara
Berardo como "um dos homens mais eruditos e ilustrados que havia encontrado nas suas
digressões pelo país".
Como relata o número 636, de 1 de Maio
de 1948, do Jornal Política Nova, em artigo de primeira página, "o modelar e
magnífico Liceu Nacional de Viseu" é então inaugurado.
Morto Berardo,
sucedeu-lhe nos cargos de Reitor e Comissário dos Estudos do Distrito o Dr. António
Correia de Sousa Montenegro, bacharel em Cirurgia e Medicina pela Universidade de Coimbra
e que exercia o magistério em Viseu como professor da 3ª e 4ª cadeiras do Liceu que
eram a Matemática e Filosofia. A sua nomeação como Reitor é feita por carta de
nomeação de El-Rei D. Luís de 14 de Janeiro de 1863 e em 23 de Janeiro desse mesmo ano
o novo Reitor entrava em funções. A acção do Dr. Montenegro em prol da difusão do
ensino em breve se expandiu. A sua acção pedagógica contribuiu para que o Rei D. Luís
em 26 de Setembro de 1868 o agraciasse com o grau de Comendador da Ordem Militar de Nosso
Senhor Jesus Cristo. Este documento era também assinado pelo então Presidente do
Ministério, D. António Alves Martins, bispo de Viseu, grande amigo do homenageado e
grande protector do Liceu que, por sua iniciativa, foi elevado à categoria de 1ª classe.
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Colégio do Sacré Coeur
A secularização do Estado e a Lei de Separação permitiram ao Governo apossar-se do Colégio do Sacré Coeur, cujas Irmãs haviam educado largos anos as mais distintas senhoras de
Viseu. Devoluto o edifício, para ali foi transferido o Liceu onde permaneceu de 1922 a
1948.
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Liceu Nacional de Viseu
Como relata o número 636, de 1 de Maio de 1948,
do Jornal Política Nova, em artigo de primeira página, "o modelar e magnífico Liceu Nacional de Viseu" é então inaugurado |
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