Que podem fazer os pais?

Mulheres continuam a fumar na gravidez: Estudo da Faculdade de Medicina do Porto em 41 maternidade revela que a tendência é mais grave no sul do que no Norte, JN 2002/06/17


“Família é o valor preferido pela maioria dos europeus

Pesquisa elaborada por revista francesa revela que Portugal é dos países que mais preza a vida familiar, mas modelo monoparental ganha terreno em todo o lado
 
Os valores familiares estão em alta em Portugal, Alemanha e França, muito embora se assista ao declínio da família "nuclear" e ao aumento das monoparentais ou reorganizadas. A esta conclusão chegaram os analistas da revista francesa "Futuribles", depois de terem entrevistado pelo menos mil pessoas em cada país da Europa.
Sob o tema "Os Valores Europeus", a pesquisa concluiu que a vida familiar está no topo dos valores mais cultivados pelos povos da Europa. Com efeito, a revista revela que 86% dos inquiridos tem na família a prioridade das suas vidas. E isto independentemente do modelo familiar, já que, como foi apurado, a família "nuclear" está a perder para um novo modelo, o monoparental.
Ao procurar saber quais as qualidades que os pais mais encorajam nos filhos, o inquérito apurou serem a tolerância e o respeito pelos outros, seguidos do sentido da responsabilidade e, em seguida, as boas maneiras.

Investir no trabalho
Depois da família, é o trabalho o valor que os europeus mais prezam. Também aqui, Portugal, França, Bélgica e Alemanha observaram um aumento deste valor, ao contrário do Reino Unido, Dinamarca e Suécia, que registaram um grande recuo.
Segundo o estudo, os países desenvolvidos colocam o trabalho em concordância com outros domínios da vida, como os tempos livres, e pretendem o equilíbrio entre o trabalho e o não-trabalho.
Quando a situação económica e social o permite, os europeus investem no trabalho como um domínio de expressão das potencialidades de cada um. Por outro lado, relativizam as satisfações materiais, com a condição, contudo, de que o trabalho seja acompanhado por vantagens concretas, atractivas e tangíveis.
A seguir à família e ao trabalho, e por ordem decrescente, os europeus demonstram valorizar a amizade, o lazer, a religião e a política.”

 

Fonte: JN, 2002-07-21 , FERNANDO BASTO


  Os pais podem ter um papel importante procurando, em primeiro lugar, conhecer e tomar consciência dos seus próprios valores e atitudes face à sexualidade; poderão também apoiar os seus filhos criando condições para o aparecimento de debates francos e abertos sobre temas ligados à sexualidade ou outros que, de algum modo, preocupem e possam interessar os jovens.

    Durante a adolescência é também frequente que os rapazes e raparigas se questionem sobre qual a idade para iniciar as relações sexuais. Esta questão surge não só por comparação com o grupo de amigos mas também pelas mudanças que ocorrem no seu corpo. Tal como em relação a outro tipo de opções, os pais podem ter um papel importante fomentando a autonomia e incentivando o jovem a decidir de acordo com a sua vontade própria.

De igual modo, alguns dos aspectos menos positivos da sexualidade devem ser abordados nas conversas entre pais e filhos. De forma natural e sem dramatismo, as DST (doenças sexualmente transmissíveis – as chamadas doenças venéreas) e a gravidez não desejada, podem constituir temas de conversa.


 

Comportamentos: pais aprendem a ajudar filhos

LEONOR FIGUEIREDO


Lisboa, sábado de manhã. Numa pequena sala de um hotel, 12 pais ouvem as explicações do neuropsicólogo Nelson Silva Lima. A maioria é jovem, está muito atenta e toma apontamentos. De quando em quando surgem perguntas. Como a desta mãe: "O meu filho tem dez anos e anda com rejeição à escola, embora tenha boas notas e uma inteligência acima da média. A aversão é cada vez maior. O que havemos de fazer? Forçá-lo a cumprir as regras? Até onde?" A voz angustiada, juntava-se à desorientação. Fora a este seminário de Verão do Instituto da Inteligência para encontrar pistas que a ajudassem a lidar com aquele problema.

Como resposta, Nelson Silva Lima foi contando histórias de outras crianças e, a partir de pequenos exemplos, ajudou a abrir eventuais portas de saída para que o quotidiano daquele rapaz e de seus pais fosse mais gratificante. "Lembra-me o caso da menina de seis anos que quando entrou para a escola já sabia ler. A escola ia ensiná-la, mas ela já sabia. A solução que a professora encontrou foi torná-la sua assistente, para que não ficasse desmotivada".

Recorrendo a casos que lhe passaram pelas mãos, o neuropsicólogo juntou teoria e prática, nesta sessão destinada a pais, com o objectivo de lhes fornecer novos saberes e alargar as suas competências como progenitores. Antes, porém, explicou como o cérebro das crianças actua no processo de aprender, os mecanismos biopsicológicos em jogo (percepção, atenção, concentração, memória e raciocínio), os efeitos negativos do stress e da ansiedade, a importância da alimentação na melhoria da actividade cerebral, os métodos de estudo e as estratégias mais eficazes.

Incentivar os pais a serem, para os filhos, os intérpretes do mundo e dos grandes acontecimentos que passam nos telejornais que as crianças também vêem, assim como motivá-los para serem o filtro do que acontece na escola, foram dois ensinamentos sempre presentes neste seminário que durou quatro horas.

Isto porque Nelson Silva Lima considera que a escola, tal como é e está, não cativa as crianças para o conhecimento. "Aprender não pode ser uma seca, mas sim um acto convidativo. Mas hoje em dia o ensino, como um pronto-a-vestir, está completamente massificado. Actualmente a escola só tem clientes porque o ensino é obrigatório", opinou o responsável pelo Instituto da Inteligência, com sede no Porto, defendendo que a escola "precisa de uma nova imagem de marketing, porque está a vender o ensino e o conhecimento". E frisou: "o sistema de ensino que temos é paranóico, com a obsessão de querer ensinar tudo, fornecendo muita informação que não tem qualquer interesse prático, deixando para trás muitos espaços vazios que deviam ser preenchidos, como o da educação dos comportamentos".

Mas, como é esta a escola que temos, o sucesso ou insucesso na aprendizagem, também pode começar em casa. "Uma criança que esteja bem consigo própria, aprende com mais facilidade", lembra. E acentua pilares importantes para os mais novos: "Construir uma boa auto-estima, ajudá-los a abrirem-se à intimidade sem que percam a autonomia, ensiná-los a lamber as feridas da luta com a vida, desenvolver-lhes a consciência das suas verdadeiras capacidades e incutir-lhes a noção de que a vida é um fio contínuo, feita por etapas".

Informações que os pais vão digerir. Como dizia, ao DN, a mãe Maria Simões, "a minha presença aqui tem a ver com a necessidade de saber mais e perceber como hei-de lidar com a situação".
Fonte:2002/06/23: http://dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?codNoticia=51334&codEdicao=307&codAreaNoticia=2