I - TEXTOS DOS NOSSOS VISITANTES:

De: João_Afonso <jsafonso@mail.telepac.pt> 

To: <nypereira@mail.prof2000.pt>
Subject: Notícias_da_página
Date: Sun, 5 May 2002 21:50:27 +0100

Recebi o Mail que me enviaram por intermédio do Carlos Gouveia. Fico
satisfeito por saber que a "página" já é útil. O meu mail é
jdsa03@mail.prof2000.pt ou jsafonso@mail.telepac.pt.
Boas navegações!

João Santos Afonso


identificação
Sónia Michelle Fonseca Fernandes
"Ave85@hotmail.com", 2002/05/06

Idade
28

Cargo
Professor

contributo
Adolescente

- O teu corpo quando cresce.
Tu quando sonhas.
Desenvolve-se em ti a inteligência.
Desejas sempre mais.


- Tens medos;
Vontade de voltar a ser criança.
Sede de dialogar com alguém.
Inúmeras curiosidades.
Foges das raparigas parvas.
Ignoras os rapazes brutos.
.. E muitas vezes o suicídio é uma
chamada de atenção.

- Salienta-se a vergonha.
O desejo de ser como os do teu grupo.
Sublinhas a agressividade com os adultos.
Na adolescência mostrei,
mostras uma segurança que não sentes.
Ser adolescente...
Adolescência!


Professora de E.V.T:
Sónia Michelle F. Fernandes

"Ave85@hotmail.com"

I I- RECORTES DE IMPRENSA:

Adolescentes Portugueses Mostram-se Tolerantes Face à Sida
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Segunda-feira, 13 de Maio de 2002, PÚBLICO

Primeiros resultados de estudo entre estudantes

Não basta estar informado sobre os riscos em relação à sua saúde. É preciso transformar esses conhecimentos em práticas

FotoQuais são as crenças e as atitudes dos adolescentes portugueses em relação ao HIV/Sida? É uma das questões a que um estudo a decorrer actualmente, em Portugal, com o apoio da Organização Mundial de Saúde, pretende dar resposta. Iniciado em 1998 junto de 6903 alunos do 6º, 8º e 10º anos de escolaridade, o estudo denominado "Health Behaviour in School-aged Children" foi entregue à equipa do projecto "Aventura Social & Saúde" sob a coordenação da psicóloga Margarida Gaspar de Matos, professora da Faculdade de Motricidade Humana.

A análise das atitudes dos adolescentes face à sida é apenas um dos temas abordados neste amplo estudo (realizado por uma rede europeia de profissionais ligados à Saúde e à Educação) que tem como objectivo compreender os estilos de vida dos jovens e os seus hábitos ligados à saúde ou ao risco.

Realizado de quatro em quatro anos, a segunda fase está agora em curso e os seus resultados serão apresentados no próximo mês de Setembro. Os dados já recolhidos demonstram que a maioria dos inquiridos estão devidamente informados sobre o HIV/Sida e têm uma atitude tolerante relativamente aos seropositivos. Curiosamente, são rapazes e mais novos os que assumem posições mais conservadoras.

A maioria dos inquiridos manifesta-se contra a discriminação das pessoas portadoras de HIV/Sida. Mais de 69 por cento por cento considera que essas pessoas não deveriam viver à parte do resto da população. Apenas 12,2 por cento afirma estar de acordo e 18,1 por cento diz não saber.

À questão "Era capaz de estar numa aula ao lado de um portador do vírus da sida?", a maior parte dos jovens (60,5 por cento) respondeu afirmativamente. Outros 10,9 por cento afirmaram não concordar e 28,7 por cento que não sabiam. Para a maior parte dos inquiridos, exagera-se sobre o perigo da sida e uma larga maioria (80,9 por cento) diz que visitaria um amigo se este tivesse a doença.

Passar da teoria à prática

A maioria dos jovens demonstrou também estar informada sobre as formas de contágio ao considerar verdadeiro que este se faz através de relações sexuais, da utilização de uma seringa infectada, da transfusão de sangue ou por transmissão mãe-feto. Consideraram, por outro lado, que "vestir roupa de um indivíduo infectado, falar com um indivíduo infectado e beijar não são formas de transmissão do vírus".

Os dados já apurados mostram ainda que são as raparigas e os mais velhos aqueles que estão melhor informados sobre a doença e têm menos preconceitos em relação a ela.

Estes resultados apontam para a mesma tendência já registada por um inquérito realizado em 1994 junto de jovens portugueses acerca de aspectos da sua vida afectiva e sexual. As conclusões apontavam para o facto de os inquiridos estarem, em geral, bem informados quanto à prevenção da gravidez não desejada e às doenças sexualmente transmissíveis. Porém, tinham dificuldade em transformar esses conhecimentos em comportamentos de saúde.

É um problema focado pela psicóloga Margarida Matos, que defende, face a esta discrepância entre "informação" e "adopção de comportamento", a adopção de "medidas promocionais que ajudem os jovens a transformar os seus conhecimentos em práticas de saúde", de forma a que adquiram capacidade para "escolher um estilo de vida saudável e de o manter".

Atendendo a que muitos dos problemas de saúde dos adolescentes resultam de comportamentos de risco, Margarida Matos realça a importância da prevenção. E cita estudos sobre esta problemática realizados em outros países que referem algumas estratégias consideradas eficientes junto de adolescentes entre os 12 e os 19 anos: "haver pessoas infectados com HIV que falem com os adolescentes", "ensinar aos adolescentes como é que o HIV os infecta", "mostrar aos adolescentes o que é que a sida faz às pessoas" e "os pais serem mais apoiantes dos adolescentes para que se eles tiverem relações sexuais os encoragem a usar preservativos."


O Abc de Bush: Casamento, Castidade e Aborto Nunca
Por PEDRO RIBEIRO, Nova Iorque
Segunda-feira, 20 de Maio de 2002, Público

A política do Governo dos EUA tem seguido uma linha extremamente conservadora em questões como o aborto ou o planeamento familiar. Algumas das suas medidas têm repercussões a nível internacional, mas são do agrado da base mais sólida de apoio de Bush: a direita religiosa. Bill Clinton já não está na Casa Branca, mas isso não quer dizer que em Washington se tenha deixado de pensar em sexo.

FotoA Administração Bush tem promovido políticas conservadoras em termos morais que podem interferir com a actuação de agências internacionais de combate a doenças sexualmente transmissíveis e de planeamento familiar. A mensagem da Casa Branca aos norte-americanos - sobretudo aos jovens - sobre comportamentos sexuais é: o melhor método anticoncepcional é a abstinência, aborto nunca, e, se tiverem filhos, o melhor é casar. Algumas das medidas do Presidente George W. Bush têm um âmbito internacional, que pode resultar na redução dos fundos para o combate à sida e que já provocou o fracasso da recente Assembleia da ONU sobre a Criança.

Bill Clinton já não está na Casa Branca, mas isso não quer dizer que em Washington se tenha deixado de pensar em sexo. O Presidente Bush foi eleito como um "conservador com compaixão", mas, moralmente, o seu conservadorismo (cristão e puritano) é maior do que a sua compaixão. Ao contrário da Administração Clinton, que assinou acordos internacionais sobre contracepção e combate à sida, o actual Governo de Washington assume posições de linha dura em termos morais.

O motivo desta inversão tem a ver com as crenças do próprio Bush e da equipa que o rodeia, recheada de ultraconservadores (nomeadamente o seu "attorney general", ministro da Justiça, John Ashcroft), mas também com considerações eleitoralistas: a base mais sólida de apoio de Bush, a direita religiosa, discorda de várias políticas desta Administração - sobretudo no Médio Oriente e na imigração -, por isso o presidente vê-se na obrigação de apaziguar estes sectores com medidas conservadoras no campo moral.

Entre essas medidas está a rejeição de um compromisso na recente Assembleia da ONU sobre a Criança; a declaração final desta cimeira tornou-se numa desilusão para os seus signatários, porque a delegação americana objectava à prestação de "serviços de saúde mental e reprodutiva" a adolescentes no Terceiro Mundo. Os EUA opunham-se a qualquer espécie de educação sexual que contemple o aborto enquanto método contraceptivo.

Os EUA impuseram ao consenso final da assembleia disposições sobre o ensino da castidade como forma de prevenção, contando com o apoio do Vaticano. (Bush deverá reunir-se com o Papa no dia 28 em Roma, e prevê-se que discuta a crise na Igreja americana, mas também as suas políticas de planeamento familiar, que são próximas das doutrinas da Igreja católica.)

Outro ponto em que os EUA chocam com a comunidade internacional é a continuada recusa de Washington de ratificar a Convenção dos Direitos da Criança de 1989, subscrita por 191 países - todas as nações do Mundo menos a América e a Somália (e o Governo provisório dos somalis também já prometeu assinar esta convenção).

Pagar às mães solteiras para casar

Os EUA têm bloqueado várias outras iniciativas de agências internacionais que não seguem a filosofia moralista da Adminstração Bush. Washington recusa financiar ONG que promovam educação sexual fora da perspectiva de que o melhor método preventivo é a abstinência. Segundo especialistas citados pelo semanário britânico "The Observer", a relutância americana pode tirar financiamentos cruciais na batalha contra a sida - além de impedir professores e médicos de discutir honestamente métodos contraceptivos em países do Terceiro Mundo.

Bush limita-se a estender à arena internacional as suas políticas domésticas. A sua administração investiu milhões de dólares para apoiar programas que incentivam a castidade: em Fevereiro, Bush incluiu 135 milhões de dólares (150 milhões de euros) no seu orçamento para financiar organizações que promovem a abstinência sexual entre adolescentes.

O presidente vai também dar 300 milhões de dólares este ano a organizações que promovem o casamento como método de evitar o aumento do número de mães solteiras. Um elemento da Adminstração Bush citado sob anonimato pelo "New York Daily News" disse que uma das propostas poderá fazer com que "as mães [solteiras] sejam pagas por se casarem".

Para além de promover a castidade e o casamento, Bush está também a combater o aborto. A sua administração apresentou leis que dificultam o acesso à "pílula do dia seguinte"; cancelou o financiamento a ONG que promovam ou apenas dêem informação sobre o aborto; e, na mais controversa destas medidas, deu aos fetos o estatuto de "criança por nascer".

Genevieve Wood, da organização conservadora Family Research Council, disse à CNN que esta medida visa apenas "proteger as mães com rendimentos baixos", estendendo os programas de saúde federais que apenas financiavam bebés às mulheres grávidas; os críticos, como Joycelyn Elders, ministra da Saúde no tempo de Bill Clinton, acusam Bush de querer "minar os direitos das mulheres" - ou seja, abrir um precedente para reverter a decisão do Supremo Tribunal que, nos anos 70, legalizou o aborto nos EUA.

A mais curiosa das medidas recentemente propostas por Bush está apenas indirectamente ligada a questões sexuais: a administração quer permitir a criação de escolas estaduais com discriminação por sexos. Desde os anos 70 que o Estado americano não pode criar escolas só para rapazes (ou raparigas).

O objectivo declarado de escolas segregadas por sexo é permitir melhorar o desempenho escolar das crianças, retirando-lhes a distracção de ter de conviver com estudantes do sexo oposto: "Pretendemos dar às escolas a máxima flexibilidade possível para responder às necessidades dos seus estudantes", disse o secretário da Educação, Rod Paige, ao "Washington Post". No entanto, segundo alguns críticos, as escolas segregadas teriam também o objectivo de tentar reduzir ao máximo o contacto entre rapazes e raparigas - e assim facilitar a manutenção da castidade.