A Newsletter da SAPO sobre a Saúde, 2002/07/06: Esta Semana em Notícia
Conferência promovida em conjunto com alunos da Universidade da Madeira
e o Clube dos Direitos Humanos
No passado dia 31 de Maio de 2002, teve lugar na nossa escola, Padre
Manuel Álvares, mais uma conferência subordinada ao tema “Para compreender a
adolescência (III Parte), subtema: Da
Adolescência ao Envelhecimento “A
aceitação de si mesmo".
Desta vez, foi-nos pedida a colaboração
num trabalho de alunos da Universidade da Madeira, nomeadamente: Andreia
Morgado; Carlos Andrade; Gabriela Nóbrega; Marlene Silva, Nuno Fraga e Sofia
Silva do primeiro ano do Curso de
Ciências da Educação, 1.º Ano/ 2.º Semestre.
Esta conferência iniciou-se com a
apresentação de todos os participantes. É de realçar, que tivemos como
participantes Encarregados de Educação; alunos e professores.
A primeira questão que foi colocada,
foi acerca da etapa de desenvolvimento, em que cada uma das pessoas presentes se
encontrava. Foi interessante verificar, que as pessoas que intervieram, não
tiveram nenhuma dificuldade em responder a nenhuma das perguntas colocadas.
Devemos salientar, que tínhamos também a presença de pessoas com uma idade
muito avançada, inclusive de uma com oitenta e um anos. Mas, com um espírito
muito jovem, que deram a sua valiosa opinião e contribuíram com a sua experiência
de vida.
Uma das primeiras intervenientes foi
uma senhora, que se sente realizada a todos os níveis. Ela acha que cada um de
nós foi educado, de acordo com o meio em que vive, tendo sempre como referência
a família para uma boa educação. Ela
teve que cuidar dos irmãos e pensa que não perdeu tempo a fazê-lo. Em relação
ao futuro, ela é da opinião que este vai sendo construído dia após dia.
A aluna do 12.º Ano, turma F, Nohelia
acha que o facto de continuar a estudar prolonga, de alguma forma, a adolescência
e faz com que se adquiram vícios como: o tabaco; a droga e o álcool.
Uma outra questão colocada, foi a de
ambos os sexos encararem da mesma forma a adolescência. Perante esta questão,
a Zélia disse que as raparigas estão mais abertas à resolução de problemas
do que os rapazes. Apontou a gravidez como um dos problemas que afectam muitas
raparigas durante esta fase e que pode muito bem lhes arruinar o futuro.
Um dos aspectos apontados como origem
de muitos problemas é também o dos pais não terem "conversas
abertas" com os filhos, provocando, desta forma, uma certa barreira entre
eles.
Um dos Encarregados de Educação
presentes, salientou que a sociedade só critica e que "o exemplo vem de
casa". Também, referiu que a formação dos pais
é importante, pois depende deles os filhos terem ou não êxito na vida.
Um dos assuntos que ainda continuam
a ser "tabu" é o sexo que durante gerações era um assunto evitado e
que, curiosamente, continua a ser ainda hoje... Se
bem que os tempos são outros, mas a mentalidade, infelizmente, continua a ser a
mesma...
Uma das pessoas que promoveram esta
conferência, focou o facto, de muitas vezes, os jovens serem criticados por
serem católicos praticantes, ou seja, por terem
determinados valores. E o pior é que a crítica provém de outros
jovens!!!
Um dos aspectos negativos apontados,
foi o de vivermos numa sociedade, que valoriza mais o "ter" do que o
"ser". Também, foi evidenciado o facto de haver muita falta de diálogo entre pais e
filhos, hoje em dia, pois os pais trabalham e têm pouco tempo para estar com os
filhos, para conversar com eles...
Porque será que a adolescência é a
idade dos porquês?!?! Esta foi uma questão, que ficou em aberto. Mas... pensando bem, não
é difícil responder, pois trata-se, efectivamente, de uma fase, em que começamos
a descobrir a vida e tudo o
que nos rodeia. Esta descoberta deve ser bem acompanhada e efectuada, pois se não
o for, poderá afectar o futuro de qualquer pessoa.
E assim, decorreu mais uma das conferências/debates promovidas pelo Clube dos Direitos Humanos e que me proporcionou, uma vez mais, ouvir, tomar nota e sobretudo ver que a vida, hoje em dia, é muito complicada para nós adultos, mas para aqueles que estão agora a começar a crescer ainda é muito mais complicada…
Micaela Pimenta e António Pereira
Ano Lectivo 2001/2002
Ponte
de Lima: Jovem de Fornelos mata-se por amor
Corpo
da rapariga foi encontrado junto ao clube náutico. Ministério Público
investiga
O suicídio de uma jovem de 20 anos abalou a pacata localidade de Fornelos,
Ponte de Lima, de onde era natural. Segundo fonte da PSP, a jovem foi
encontrada, ontem à tarde, enforcada numa árvore, junto ao Clube Náutico de
Ponte de Lima, tudo indicando que se tenha tratado de um suicídio por razões
sentimentais.
Depois da presença no local do procurador do Ministério Público e delegado de
saúde, o corpo foi transportado pelos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima
para a morgue do Hospital Conde de Bertiandos, naquele concelho. O caso será,
agora, averiguado pelo Ministério Público.
Referindo-se à situação, Elisabete Lopes, ex-catequista da jovem, salientou:
"Nada fazia prever uma coisa destas. Na freguesia, estão todos espantados.
Desconhecemos a razão que a levou a tomar esta atitude, que nos colheu a todos
de surpresa. Fiquei muito triste. Ela era a mais nova de três irmãs, uma família
que se dá bem com toda a gente".
Estarrecido com a notícia da morte da rapariga, um popular, que preferiu o
anonimato, acrescentou que ela "teria algum problema" com o namorado.
A propósito, o JN apurou que, antes do acto de desespero, a jovem terá tentado
contactar o namorado por telemóvel. Como tal não terá sido possível, optou
por enviar-lhe uma mensagem e, de seguida, suicidou-se.
Crianças
Amamentadas São Mais Inteligentes
Por MARC KAUFMAN
Domingo, 12 de Maio de 2002
Estudo feito na Dinamarca
Quanto mais tempo dura a amamentação, até aos nove meses, mais inteligente será o bebé
As crianças amamentadas durante os primeiros nove meses de vida tornam-se significativamente mais inteligentes do que as que mamaram um mês ou menos, conclui um estudo divulgado no "Journal of the American Medical Association". Os resultados do trabalho feito junto de mais de 3000 jovens de ambos os sexos na cidade de Copenhaga, capital da Dinamarca, vêm reforçar a ideia, há muito sugerida mas nunca provada, de que a amamentação não só torna os bebés mais saudáveis como também mais inteligentes.
"Estamos absolutamente certos de que o que aqui vemos é o efeito da duração da amamentação na inteligência do indivíduo", afirma uma das autoras do estudo, June Machover Reinisch, do Instituto Kinsey para Investigação em Sexo, Género e Reprodução. "A questão que fica em aberto é saber qual o específico pormenor da amamentação que resulta em maior inteligência."
"Crescem as provas de que a amamentação está entre os mais importantes benefícios para a vida que uma mãe pode dar aos seus filhos", acrescenta a investigadora.
Reinisch disse ainda que o estudo, o primeiro a medir os efeitos da amamentação muito para lá da infância, detectou uma presença desproporcionada de pessoas que tinham sido amamentadas durante um mês ou menos entre os que tinham obtidos fracos resultados nos testes de inteligência.
O relatório final adianta três explicações possíveis para explicar a associação feita entre a duração da amamentação e os resultados dos testes de inteligência.
A primeira é que dois ácidos gordos associados ao desenvolvimento das células nervosas e cérebro estão presentes no leite materno, mas não aparecem no leite de vaca e nas fórmulas de leite em pó. Os dois - o ácido docosa-hexanóico e o ácido aracidónico - já foram usados em experiências para melhorar a visão e algumas respostas motoras em crianças e jovens. Segundo Reinisch, estes dois compostos integram o grupo das centenas que se podem encontrar no leite materno, mas não nos seus substitutos. Já foi provado que outras substâncias encontradas no leite humano ajudam a melhorar a saúde respiratória e gastro-intestinal das crianças.
Os autores do estudo sugerem igualmente que a relação mãe-criança pode ser aprofundada através do processo de amamentação e que isso afectará o desenvolvimento intelectual da criança. Uma terceira hipótese prende-se com a ideia de que o tempo que uma mãe dedica à amamentação pode ser um "indicador do interesse, tempo e energia que ela pode investir na criança durante a totalidade do processo de crescimento".
Apesar de as autoridades públicas de saúde - e mesmo os fabricantes de alimentos para crianças - recomendarem a amamentação como a melhor forma de alimentar um bebé nos primeiros seis a 12 meses de vida, são cada vez mais as crianças que crescem de biberão na boca.
As novas descobertas e as conclusões que elas permitem tirar sobre os benefícios da amamentação para a saúde e para o crescimento virão certamente animar ainda mais o já razoável debate público sobre como encorajar a amamentação. Nos EUA, a percentagem de mulheres que alimentam os seus filhos ao peito é mais elevada entre os brancos e nas classes mais abastadas, baixando entre os negros e mais pobres. Mas essa é uma realidade que varia de país para país.
Estudos anteriores já sugeriam uma ligação entre a amamentação e a inteligência, mas este parece ter fornecido a mais forte indicação de que há uma relação de causa e efeito.
A investigação, financiada maioritariamente pelo Instituto Nacional de Saúde, usou dois grandes grupos de mulheres e homens dinamarqueses que têm sido estudados desde que as suas mães ficaram grávidas deles, entre 1959 e 1961. Quando as crianças fizeram um ano, as mães foram questionadas acerca do seu tempo de amamentação.
A um grupo de 973 foi feito um teste de Coeficiente de Inteligência Weschler - uma intensa entrevista pessoal -, enquanto os 2280 homens da outra amostra foram sujeitos a testes de inteligência por ocasião do recrutamento militar. Em ambos os grupos, os que foram amamentados durante nove meses obtiveram pontuações significativamente mais altas do que aqueles que tinham mamado menos de mês.
Para reforçar a conclusão de que a amamentação influencia a inteligência do bebé, os investigadores detectaram um forte "efeito de dose" - uma melhoria gradual à medida que sobe o tempo de mama, até à barreira dos nove meses, altura em que esse efeito desaparece.
Exclusivo PÚBLICO/"The Washington Post"
2002-05-12"Emancipação
da mulher aproximou os homens"
HELENA TEIXEIRA DA SILVA
Pensador controverso, empenhado na moda, nas mulheres e nos valores emergentes
de uma sociedade constantemente renovada. Gilles Lipovetsky, filósofo,
pesquisador e professor da Universidade de Grenoble, em França, formado na
revolução sexual e cultural dos anos60, esteve no Porto para falar do amor e
da sedução na pós-modernidade.
Habituado a editar reflexões que rapidamente se tornam alvo de polémica,
regressará em Outubro, a convite de Manuel Maria Carrilho, para promover o seu
livro mais recente sobre o "Luxo".
Jornal de Notícias _ Na sociedade pós-moderna, o amor continua a ser a matéria
principal da vida das pessoas?
Gilles Lipovetsky _ É uma das matérias principais da vida contemporânea,
ao contrário da imagem que se criou da nossa época. Uma imagem que faz
apologia do sexo, da pornografia, do Viagra, da tecnologia do "faça você
mesmo". Esta libertação sexual existe, mas não anulou o valor do amor.
Toda a gente gosta de filmes de amor, de canções de amor, de reencontros.
Portanto, essa ideia de uma sociedade privada de romantismo não é verdadeira.
Aliás, acho que o amor é mais valorizado hoje. Antigamente as pessoas casavam
sem amor, eram arranjos da família. Hoje, cada pessoa escolhe a pessoa com quem
quer estar e, se a escolhe, é porque a ama. Em certo sentido, pode dizer-se que
houve uma democratização do amor e não uma desvalorização.
O que mudou, foi a percepção desse amor. Antigamente, amor e sexo eram duas
coisas diferentes. Hoje, fundem-se, são uma única e a mesma coisa para ambos
os sexos. Acredito que a mulher que ama um homem considera legítimo envolver-se
sexualmente com ele. Claro que também há mulheres como Catherine M. que
consegue separar a sexualidade do amor, mas creio que será uma minoria.
Antigamente, as raparigas estavam bloqueadas pela educação, pela moral. Hoje são
livres, o que não quer dizer que não se apaixonem perdidamente, que não
sofram quando são abandonadas ou quando o telefone não toca. E os homens, ao
contrário dos anos 50, já não são obrigados a dizer que amam as mulheres
antes de as conhecerem para garantir a sedução.
Reaproximação
A emancipação da mulher fez esmorecer a sedução masculina?
Pelo contrário. A emancipação da mulher levou os homens a reaproximar-se
delas. Os homens, diferentemente das mulheres, têm a obsessão de conquista
permanente. As mulheres reivindicam as mesmas oportunidades de trabalho, os
mesmos salários, as lideranças políticas, os graus académicos, mas em matéria
de sedução, não mudou nada. A mulher continua a querer ser cortejada,
seduzida. São raras as mulheres que dão o primeiro passo. E isto é um
problema porque trava a ideologia igualitária que elas reclamam.
Não será essa carreira profissional precisamente uma espécie de terapia
para a ausência do amor? Ou considera que a mulher está desiludida com a vida
activa e deseja voltar às suas funções domésticas?
Pode acontecer que o trabalho seja essa espécie de terapia, mas o objectivo
da mulher pós-moderna é combinar a vida profissional com a vida familiar. Essa
é a grande inovação e é também o que lhes torna a vida tão difícil.
Antes, ela renunciava à vida profissional para tratar do marido, dos filhos, da
casa. Hoje, a mulher faz as suas próprias coisas, concilia autonomia financeira
com a dedicação à família. E recusa-se a escolher só um dos lados. A mulher
continua a sonhar com o amor. Isso não mudou. Ela procura independência,
porque tem consciência de que o amor pode não durar sempre. Assim, ama mas
guarda um lugar para si, dentro do próprio espaço do casal.
Porque razão as feministas radicais francesas ficaram tão ofendidas com o
seu livro "A terceira mulher", onde faz uma análise da mulher dos
anos 90? Elas não se revêem ali?
Fizeram um ataque terrível. (risos) É complicado responder. As feministas
radicais foram muito hostis com o livro porque fizeram dele uma leitura muito
política. Creio que a principal ofensa tem a ver com o facto do trabalho falar
de um feminismo moderado,
que não fez uma revolução completa.
A instituição da família está fragilizada. Poderá desaparecer?
Nunca. A família está fragilizada institucionalmente, mas todas sondagens
provam que é o lugar onde as pessoas se sentem melhor. É um refúgio, é o
lugar onde as pessoas se protegem dos problemas. Falo de uma família escolhida
e não de um conceito institucional ou imposto pela igreja.
Desejo do luxo
Em Outubro volta a Portugal para apresentar um novo livro. Pode desvendar o
"Luxo".
É um ensaio para entender a história geral do luxo a partir do paleolítico.
Tenta compreender porque é que os homens o desejam, quais são os grandes
momentos que marcam a sua história, principalmente a partir do século XVIII,
que é quando as mulheres lhe alteram o significado. É uma teoria histórica do
luxo, que não fala apenas de consumo, mas também da morte, do sagrado, da
religião. Fala do que ele tem de crucial na história de civilização e na
sociedade democrática. Da combinação do luxo com a dinâmica de igualdade e
individualismo.
A era da pós-modernidade fica marcada pelo culto do superficial. Será o
facto das pessoas não conseguirem distinguir o essencial do acessório que lhes
causa tantas depressões?
Não devemos atacar o superficial. Ele é essencial à vida. As crises de
identidade e as depressões são fruto do individualismo, da religião e,
principalmente, da enorme fragilidade que nos caracteriza.
JN, 2002-05-12