Gravidez
Orgulho
ferido
Embora o varão ocidental apenas utilize na sua vida um par de espermatozóides
para procriar, a possibilidade de uma crise real não deixa de ser alarmante. O
homem continua a ter relutância em admitir que é a causa da infertilidade no
casal, mas a verdade é que, segundo a Organização Mundial de Saúde, é
“culpado” em 33 por cento dos casos, contra 25% da mulher (20% é atribuída
a ambos e na restante percentagem não se conseguiu determinar por que o casal não
conseguia ter filhos). fonte: Correio da Manhã, 2002/07/20
"Os
países que adoptaram este tipo de programa, combinado com uma boa educação
sexual na escola, são aqueles que têm as mais baixas taxas de gravidez
adolescente", 2002/06/28, PÚBLICO.
A gravidez na adolescência é uma das manifestações resultantes da
patologia do afectos.
Esta síndroma complexa origina-se na degradação do ambiente familiar,
perturbando a educação para os afectos da juventude.
O traumatismo resultante de um divórcio litigioso, em que os filhos não
raro são arma de arremesso ou motivo de chantagem, gera um ambiente altamente
perturbado e nocivo para a formação da personalidade. Sendo a afectividade a
mais preciosa dádiva dos pais para os filhos, desde a mais tenra idade, nenhum
brinquedo, por mais aliciante, a pode substituir.
Os milhões de brinquedos produzidos na sociedade de consumo nada são,
face ao valor do carinho da mãe, sempre atenta às mais simples necessidades do
desabrochar duma criança. O
Stress resultante da necessidade de compatibilizar o direito à realização
profissional do casal e o dever inerente às suas responsabilidades familiares
tornam a paternidade consciente e responsável muito difícil. Não admira que a
maioria dos jovens desta sociedade doente procure no sexo, ou na droga, uma
falsa compensação para as suas carências afectivas. A sociedade não lhes
ensina nada e, perante o défice de valores e a patologia afectiva resultante
duma família destruída, acena-lhes apenas com a designada « educação sexual».
Esta resume-se à oferta maciça de pílulas e preservativos.
Com efeito, a sexualidade da maioria dos nossos jovens nada tem a ver com
a reprodução, desconhece tudo e é afectivamente pobre. Só lhe interessa o
prazer.
José
Pestana Dinis da Fonseca
Suíça
vota maioritariamente interrupção da gravidez
Mãe terá de alegar, por escrito, situação de perigo
Mais de 70% dos eleitores da Suíça pronunciaram-se, ontem, a favor da
despenalização condicional do aborto, que está teoricamente proibido por lei
há 60 anos. O eleitorado votou pela legalização do aborto durante as
primeiras 12 semanas de gravidez. Para este efeito, a mãe terá de alegar situação
de perigo e apresentar o pedido por escrito.
A alternativa posta ao eleitorado era um texto proposto pelos movimentos contra
o aborto e que visava endurecer a lei de 1942, que não é cumprida há cerca de
14 anos, na sequência de interpretações liberalizantes do diploma. Esta
proposta foi rejeitada nos 26 cantões suíços. O projecto só admitia a
interrupção da gravidez desde que a vida da mãe estivesse em perigo
"iminente, de natureza física e impossível de evitar".
O debate sobre a questão do aborto continua a ocupar os europeus, no quadro do
planeamento familiar e no âmbito dos direitos humanos relativamente à mulher.
União Europeia
Entre os 15 Estados membros da União Europeia (UE), apenas a República da
Irlanda só autoriza a interrupção voluntária da gravidez para salvar a vida
da mulher.
A interrupção voluntária da gravidez é autorizada nos restantes 14 Estados
membros da UE, embora em quase todos vigorem critérios próprios, sobretudo
quanto ao tempo de gravidez para a interrupção. Sintetizando, a interrupção
voluntária da gravidez é autorizada, maioritariamente a pedido (Alemanha, Áustria,
Dinamarca, França, Grécia, Holanda e Itália); para salvar a saúde da mãe ou
em caso de violação (Luxemburgo); se a mãe alegar situação de perigo (Bélgica);
para salvar a vida da mulher, preservar a sua saúde física e mental, em casos
de violação e de malformação do feto (Espanha e Portugal); para salvar a
vida da mulher, por questões de saúde e por razões económico-sociais (Reino
Unido, excepto a Irlanda do Norte); quando a vida ou a saúde da mulher
estiverem em risco (Irlanda do Norte); para salvar a vida da mãe, preservar a
sua saúde física e mental, por razões económico-sociais, em caso de incesto
ou de malformação do feto (Finlândia).
JN, 2002/06/03
Reprodução
assistida tem riscos que só agora são conhecidos, JN, 2002/06/22