O caso, verídico, é apenas um entre muitos outros de católicos que têm vindo a pedir a nulidade dos seus casamentos. Não se trata de um espécie de divórcio canónico, antes, sim, de declarar-se provado que, afinal, nunca existiu o sacramento do matrimónio. Fonte: JN, 2002/07/14

Português e Matemática cercam entrada no 10.º ano

Substituição das provas globais por exames nacionais está prevista para 2004/2005, para não alterar as regras para os actuais alunos do 3.º Ciclo

IVETE CARNEIRO, JN, 2002/07/12

Os alunos que entram em Setembro para o 3º Ciclo do Ensino Básico (7º ano) vão ter que apostar a sério na Matemática e no Português, duas disciplinas-chave que passarão a seleccionar a entrada no Ensino Secundário, através de exames nacionais semelhantes aos que existem actualmente para o 12º ano.
O fim das provas globais do 9º ano (elaboradas escola a escola) e a sua substituição por exames nacionais deverá acontecer no ano lectivo de 2004-2005, segundo as alterações ao decreto-lei 6/2001 ontem aprovadas em Conselho de Ministros e que deverão ser matéria para um despacho da Secretaria de Estado da Educação sobre a avaliação do Ensino Básico, a publicar "brevemente".
A medida, constante do programa do Governo, visa "elevar os patamares de exigência e a aferir os níveis de conhecimento e competência dos alunos que querem aceder ao Ensino Secundário". E, segundo fonte do Ministério da Educação, só avança dentro de três anos para não alterar as regras do jogo apresentadas aos alunos que frequentam actualmente o 8º e o 9º ano.

Nova disciplina
O diploma sobre reorganização curricular do 3º Ciclo do Ensino Básico, ontem, aprovado na generalidade em Conselho de Ministros, prevê ainda uma disciplina obrigatória de Introdução às Tecnologias da Informação e Comunicação, a criar até ao ano lectivo de 2004-2005, de modo a fornecer "competências mínimas" nessa área a todos quantos terminem a escolaridade obrigatória.
Além dos necessários investimentos financeiros, esta medida implicará a formação de professores, nomeadamente de "docentes em horário zero" (sem funções lectivas atribuídas). Segundo adiantou ao JN a mesma fonte do ME, a ideia é responder às necessidades preparando os professores que se encontram actualmente em excesso em disciplinas com quadro sobrelotado. Uma fórmula que não se deverá ficar pelas tecnologias da informação e comunicação.
A introdução da nova disciplina envolverá a preparação de mil salas equipadas para o efeito, de modo a apetrechar todas as escolas básicas do 3º Ciclo e as secundárias que ainda não tenham as condições necessárias. As salas terão 15 postos de trabalho ligados em rede, um projector ("datashow") e ligação à Internet, num investimento calculado em dez milhões de euros.
Por fim, as alterações ontem aprovadas prevêem a limitação da afectação de docentes à Área Projecto, ao Estudo Acompanhado e à Formação Cívica. Isto porque, no entender do Ministério da Educação, "o aumento de encargos, sem que estivessem assegurados os ganhos
de qualidade educativa, tornava-se incomportável". A medida permitirá poupar três milhões de contos anuais.


"Os distúrbios alimentares são talvez mais complicados do que a droga",


A desordem alimentar começou quando tinha nove anos. "Ou foi nessa altura que se deu por isso. Não sei como apareceu, mas era uma maneira de lidar com os meus sentimentos."

"Até Quando Fazia Amor Era a Pensar nas Calorias"
Domingo, 23 de Junho de 2002

No princípio, não foi o desejo de ser magra que tornou Marta, arquitecta de 36 anos, anorética. Foi por não gostar de comer. "Quando tinha 12, 13 anos, deitava fora as sandes que a minha mãe me dava para o lanche. Sempre tive problemas com a comida. Depois, o meu pai morreu", conta.

Há três anos, um olhar distorcido a um par de fotografias de praia levou-a a deixar de comer. Completamente. "Achei que estava gorda, fiz uma mini-dieta e deixei de comer."

A obsessão pela magreza criou outras obsessões. Marta, que não comia, passava o dia a pensar em comida. "Passava horas no supermercado para sair de lá com uma alface e um iogurte." Usava laxantes para perder peso. Ia a pé para o trabalho, para queimar calorias. "Até quando fazia amor era a pensar nas calorias que perdia."

"Tinha baixa auto-estima, não sabia lidar com os problemas, estava irritada com tudo, era super agressiva, chegava tarde ao emprego."

"Caiu-me o cabelo. Perdi dentes, por falta de cálcio. Chegou a um ponto em que queria comer e já não consegui." Foi internada numa clínica para dependentes químicos que aplica o programa dos 12 passos. Reaprendeu a comer, a fazer compras. Vai ao médico de três em três meses, participa nas reuniões dos Adictos da Comida Anónimos. "As reuniões são importantes, mas não bastam no caso da anorexia, que debilita muito rapidamente o corpo do doente. Mas os 12 passos são importantes porque pegam no estilo de vida, enquanto os médicos só pegam na balança. Não basta ganhar peso."

A.G