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Os
Elementos de Euclides
Esta obra
não é a única atribuída a
Euclides, mas a sua fama está, sem margem para dúvidas, associada
a ela, a qual durante séculos foi a base do ensino da geometria em
muitas línguas. Como refere Fernando de Vasconcelos[1]:
George Allman[2]
afirma que através de Proclo sabemos que Euclides, ao compilar os
Elementos, organizou muitas das proposições de Eudoxo, completou muito
do que fez Teeteto e fez demonstrações irrefutáveis daquilo que os seus
antecessores tinham mostrado de uma forma descuidada.
É necessário ainda esclarecer o que aqui se entende por “Livro”. A escrita na antiga Grécia era feita à mão e em pergaminho donde os Livros correspondem, sensivelmente, aos nossos actuais capítulos. Grosso modo, podemos sintetizar assim o conteúdo dos treze Livros: Livro I: Definições, axiomas e postulados; os três casos de congruência de triângulo; teoria das paralelas; relações entre áreas de paralelogramos, triângulos e quadrados. A proposição quarenta e sete (penúltima) é o conhecidíssimo Teorema de Pitágoras. Acredita-se que a maioria do conteúdo deste Livro é devido aos pitagóricos. Livro II: Trata o que usualmente se designa por álgebra geométrica ou geometria das áreas. Num total de 14 proposições. Livro III: Consiste em trinta e nove proposições contendo muitos dos teoremas conhecidos sobre ângulos, círculos, cordas, secantes e tangentes. Livro IV: Construção de alguns polígonos regulares, bem como a sua inscrição e circunscrição num círculo. Livro V: Teoria das Proporções de Eudoxo. Livro VI: Aplicação dos resultados do Livro V à geometria plana. Livros VII, VIII e IX: Livros consagrados à Teoria de Números. Livro X: Versa sobre as grandezas irracionais. É o Livro mais extenso deste conjunto de treze Livros. Livros XI, XII e XIII: Sobre geometria tridimensional. Vejamos a estrutura do Livro I: - Lista de 23 Definições sem qualquer comentário como, por exemplo, as de ponto, recta, círculo, triângulo, ângulo, etc; - 5 Proposições geométricas específicas designadas de postulados; - 5 Noções comuns ou axiomas que são proposições supostamente de conhecimento geral e universalmente aceites; - Lista de 48 proposições com demonstração. O manuscrito original da obra de Euclides não chegou até à nossa era, o mesmo acontecendo com a generalidade dos textos gregos deste período (anterior ao séc. III a.C.). Quer isto dizer que as versões que chegaram até nós são edições traduzidas nas quais podem surgir alterações, pois muitas vezes são cópias de cópias de cópias, … . “No século XIX, analisando e comparando entre si diferentes edições, foi possível ao historiador e filósofo dinamarquês J. L. Heiberg apresentar uma reconstituição credível do original grego do tratado de Euclides.”[3] Entre nós é muito conhecida a versão (comentada) inglesa de Sir Thomas L. Heath[4] que utilizou para o seu trabalho o texto de Heiberg. Uma versão[5] da Dover Books pode ser presentemente adquirida em “algumas” livrarias em Portugal ou na Amazon (www.amazom.com).
Uma especial referência à tradução
portuguesa de alguns dos livros (dos seis primeiros, décimo primeiro e
décimo segundo) da responsabilidade da Real Imprensa da Universidade de
Coimbra (1768). Podemos aceder a uma versão digital do Livro I em:
[1] Vasconcelos, F. (1925) – História das Matemáticas na Antiguidade, Aillaud e Bertrand, Lisboa, pp. 290. [2] Allman, G. (1976) – Greek Geometry from Thales to Euclid, Arno Press, New York, pp. 5. [3] Estrada, M. & Sá, C. & Queiró, J. & Silva, M. & Costa, M. (2000) – História da Matemática, Universidade Aberta, Lisboa. [4] Uma outra bem conhecida obra de Thomas Heath (1861-1940) é: A History of Greek Mathematics, Dover, New York, 1981. Um excelente livro para quem quer conhecer a História da Matemática na Antiga Grécia. [5] Heath, T. (1956) – The Thirteen Books of Euclid´s Elements, Dover, New York.
José Miguel Sousa
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