Reflexão Final

O nosso formador escreveu:

" A melhor forma de aprender qualquer coisa é descobrindo-a por si próprio.
Deixa-os aprender adivinhando.
Deixa-os aprender provando.
Não reveles todo o teu segredo de uma vez.
 Deixa-os adivinhar antes de o revelares.
Deixa-os descobrir por si próprios tanto quanto seja possível!"

George Polya
[1]


      A lógica da formação na modalidade de Círculo de Estudos (e penso que em qualquer modalidade de formação de adultos) pressupõe que, no final da formação, cada um dos participantes elabore uma reflexão crítica individual. 
     Assim, num texto livre (entre uma a duas páginas A4) elabore uma reflexão crítica individual que deverá focar, entre outros, os seguintes aspectos:

    - Até que ponto este Círculo de Estudos sobre História da Matemática fortaleceu a sua autoconfiança; consolidou o espírito de grupo; a capacidade para interagir socialmente e para praticar a interdisciplinaridade; fomentou a pesquisa e o trabalho colectivos;
     - Que impacto terá esta formação, sobre História da Matemática, na sua actividade como docente. Os  resultados alcançados e as implicações para a mudança das suas práticas profissionais e/ou o seu desenvolvimento profissional.

      Note que, na reflexão também deverá constar a apreciação do seu trabalho, da sua participação nos momentos de chat e dos trabalhos efectuados (publicados ou não).

 

Observação: Esta reflexão individual deverá ser publicada, na zona de trabalhos, impreterivelmente, até ao dia 31 de Dezembro de 2002.   

 


[1] Polya, G. – How to Solve It, 2ª Ed., Princeton University Press, Princeton, New Jersey, 1985.

Carl Sagan, em Um mundo infestado de demónios escreve:

        "Gostaria de vos falar de professores de Ciências que me tivessem estimulado na escola primária ou no liceu. Mas, quando recordo esses tempos, vejo que não existiu nenhum. Havia a memorização maquinal da tabela periódica dos elementos, alavancas e planos inclinados, a fotossíntese das plantas verdes e a diferença entre a antracite e a hulha. Mas não havia um sentimento de exultação e deslumbramento, o menor vestígio de perspectiva evolucionista e nada sobre ideias erradas em que toda a gente em tempos acreditara. Nas aulas laboratoriais do liceu havia uma resposta que devíamos dar e, se não o conseguíamos, tínhamos nota negativa. Não havia estímulo para nos debruçarmos sobre os nossos interesses, palpites ou erros conceptuais. No final dos manuais havia material que se podia considerar interessante, mas o ano acabava sempre antes de lá chegarmos. Encontravam-se livros maravilhosos sobre astronomia nas bibliotecas, por exemplo, mas não na sala de aula. As contas de dividir eram ensinadas como um conjunto de regras de um livro de cozinha, sem qualquer explicação sobre o modo como esta sequência particular de pequenas divisões, multiplicações e subtracções nos dava a resposta certa. No liceu a extracção de raízes quadradas era-nos apresentada com veneração, como se fosse um método sagrado. Tudo o que tínhamos a fazer era recordar o que nos tinham mandado fazer. Dá a resposta certa e não te rales se não percebes o que estás a fazer. (...) O meu interesse pelas ciências manteve-se todos esses anos por ler livros e revistas científicos e de ficção científica."
 

        Depois destas palavras só me resta apelar para o uso da História da Matemática por forma a motivarmos os nossos alunos e trazê-los para dentro da aula de Matemática. No fundo temos que APRENDER PELAS RAÍZES, isto é, temos que mostrar aos alunos que a Matemática, sendo uma ciência, não nasceu feita, antes pelo contrário, foi de muito errar que chegou onde chegou e, nós professores de Matemática temos que estar conscientes disto para podermos levar este saber de erros feitos para dentro da sala de aula.

        Falando agora de mim e deste Circulo de Estudos, devo referir que muito tive que trabalhar para poder usufruir deste privilégio que foi participar nele. Tive que ler e ler muito, tive que abrir o manual do Cinderella, pois também queria fazer cosias bonitas com tecnologia que, pensamos, não existia no tempo de Euclides. Perdi-me no tempo várias vezes, pois quando começava a fazer um trabalha parecia que estava a comer cerejas, há sempre lugar para mais uma, pois as ideias vinham e tinham que ser inseridas no trabalho, enfim, sei que me podia ter dedicado mais à História da Matemática e em particular ao tema aqui tratado, mas...

        Aprendi muito aqui e cresci matematicamente ao aperceber-me das minhas grandes limitações matemáticas e ao ver o quanto tenho que estudar para poder levar a História da Matemática para dentro da sala de aula, mas a autoconfiança desenvolvida vai possibilitar fazê-lo.

        Sem sombra de dúvida que as minhas aulas têm de mudar, têm de conter História da Matemática genuína e este Círculo de Estudos muito vai contribuir para esse facto, pois as poucas leituras que fiz levaram-me a ver a História da Matemática onde ela não estava, mandei vir mais um livro brasileiro, enfim, li e isso, só por si, já é muito bom!

        Resta-me agradecer ao José Miguel, o nosso formador, as magnificas lições que me proporcionou, e avisá-lo, desde já, que o vou chatear por forma a perceber os  muitos conceitos que ficaram pendentes na minha cabeça.