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Texto 13
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Duplicação do Cubo - mais soluções
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Anteriormente analisamos algumas das soluções para o problema
da duplicação do cubo apresentadas por
matemáticos ao longo do período helénico, nomeadamente
Arquitas e Menecmo, mas estes não são os únicos que se dedicaram ao
estudo deste problema.
Façamos um breve "ressumo".
O primeiro contributo para a resolução do problema da
duplicação do cubo é de Hipócrates de Quios, que reduz
este problema a um outro - a procura de dois meios proporcionais
entre a aresta do cubo dado e o seu dobro. A partir da contribuição
de Hipócrates todos os esforços dos matemáticos se voltaram para a
procura dos dois meios proporcionais em causa e, possivelmente, a ele se
deve o nascimento do tão conhecido método de redução.
Talvez possamos afirmar que os matemáticos e
filósofos gregos prepararam os alicerces do edifício geométrico, graças
à sua capacidade visual. A solução apresentada por Arquitas é um
bom exemplo desta conjectura, pois é uma solução de rara beleza
tridimensional, que envolve três superfícies de revolução. Pensa-se que
um dos discípulos de Arquitas, Eudoxo de Cnido, apresentou uma
solução, possivelmente influenciada pela solução do seu mestre, mas que
infelizmente não chegou até nós.
Os matemáticos gregos desenvolveram, largamente, a
chamada álgebra geométrica, através de figuras geométricas simples e das
respectivas áreas. Menecmo terá sido o primeiro a representar
curvas por meio de equações, no entanto de um modo um pouco primitivo. A
solução que Menecmo apresenta para encontrar os meios proporcionais,
referidos por Hipócrates, faz uso de curvas que se podem obter pela
intersecção dum cone de base circular com um plano. Pensa-se que foram
as investigações efectuadas por Menecmo, para solucionar o problema em
estudo, que o levaram à descoberta das secções cónicas.
Platão criticava todas as construções que não fizessem
uso exclusivo de raciocínios geométricos, por estas desvirtuarem a
beleza e a pureza da geometria. No entanto, é a ele atribuída, talvez
incorrectamente, uma solução para o problema da duplicação do cubo
através de um engenho mecânico - o esquadro de Platão - que faz uso de
uma determinada configuração de triângulos rectângulos. Mas esta não é a
única solução conhecida através de engenhos mecânicos; Eratóstenes
de Cirene construiu um engenho, com o intuito de resolver este problema,
do qual muito se orgulhava. Esse engenho, conhecido pelo nome de
mesolabo, tem como base uma configuração de triângulos semelhantes que
deslizam sobrepondo-se, permitindo construir os dois segmentos em
proporção contínua entre a aresta do cubo dado e o seu dobro.
Os problemas clássicos da geometria grega originaram um
pretexto para estudar curvas mais complexas que a recta e a
circunferência. Além das cónicas, já anteriormente referidas, outra
curva - a concóide de Nicomedes - aparece associada ao
problema da duplicação do cubo, ou seja, ao problema dos dois meios
proporcionais. Esta curva, exposta por Nicomedes na sua obra Sobre as
Linhas Concóides, é utilizada na duplicação do cubo e, como já
referimos, na trissecção do ângulo.
Uma outra solução por meio de uma curva, legada pelos
gregos, faz uso da cissóide de Diocles. A solução apresentada por
este matemático parece ter influenciado outras soluções, nomeadamente,
as soluções de Esporo e Papo. Estas soluções serão
apresentadas simultaneamente, tendo em atenção que são, no essencial, a
de Diocles; mas ao invés de usarem a curva cissóide, usam a manipulação
de uma régua que deverá atingir uma posição pretendida.
A principal fonte para o nosso conhecimento dos
desenvolvimentos do problema da duplicação do cubo é o legado de Eutócio
no seu comentário à obra de Arquimedes Da Esfera e do Cilindro.
As soluções de Apolónio, Herão e Filão podem ser
analisadas em simultâneo, tendo em atenção que têm, em termos teóricos,
o mesmo objectivo: a determinação de dois pontos numa posição desejada.
Para estudar as restantes soluções para o problema da duplicação do
ângulo, no período helénico, pode consultar:
Sousa, J. M. - Trissecção do Ângulo e Duplicação do
Cubo: as soluções na Antiga Grécia, APM, Lisboa, 2002.
Ou as
seguintes ligações:
José Miguel Sousa
Data da última actualização:
27-11-2002

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