Presidente do Conselho Directivo
"Só estou cá por causa dos alunos"

Já cá está há vários anos, mas só há três decidiu ser presidente do Conselho Directivo.

Manuela Costeira fala das funções que lhe dão muito trabalho, mas que também proporcionam algumas alegrias.

Jornal ESV - Como é que decidiu concorrer a presidente do Conselho Directivo?
Manuela Costeira-É uma coisa complicada. Decidi há três anos e na altura fiz uma equipa de cinco e estivemos cá dois anos. Em relação ao ano passado, foram os professores que votaram no meu nome, foi nomeação e não candidatura.



JESV-O que é preciso para concorrer?
M. C.- Ser professora numa escola, em termos legais e ter uma equipa. Numa escola como a nossa, tem que ser cinco pessoas que queiram fazer parte. Concorrer e ter 50% dos votos dos professores da escola. Em termos pessoais é preciso disponibilizar muito tempo para a escola, mais do que se fosse só para dar aulas.



JESV- Está a gostar?
M. C.- Estou, dá muito trabalho e muitos problemas, mas também tem muitas compensações.



JESV- Quais as dificuldades que encontrou ao concorrer?
M. C.-Não encontrei nenhumas. Fiz a lista, houve eleições e de resto correu tudo normalmente.



JESV- Qual o relacionamento que tem com o resto da comunidade escolar?
M. C.- Eu penso que a equipa do Conselho Directivo dá-se bem com toda a gente.



JESV- Quais as funções de um presidente do Conselho Directivo?
M. C.- Saber tudo o que se passa na escola, tentar resolver os problemas que aparecem, portanto andar com os alunos, com os professores, com os funcionários e fazer com que as coisas corram bem dentro do possível.



JESV- Acha que convive mais com os alunos?
M. C.- Sim e não. Só como professora tinha cinco, seis turmas, 200 alunos dava para ter muito mais convívio. Como presidente do Conselho Directivo acabo por conviver muito para pedir coisas, para tentar resolver problemas. Acabo também por conviver bastante.



JESV- Acha positivo?
M. C.- Muito, acho que só estou cá por causa dos alunos.



JESV- Quais as prioridades para este mandato?
M. C.- Vai ser só de um ano, porque a minha delegação é só uma. Nós começámos por tentar melhorar os trabalhos dos directores de turma, que também têm a ver com os alunos para as coisas correrem melhor e informatizámos a sala dos directores de turma. Continuamos acima de tudo a melhorar o aspecto exterior da escola, arranjar os jardins e o interior. Vamos tentar que haja maior diversidade no bar, porque aquilo está um pouco fraco.



JESV- Quais as razões para o aumento da comida?
M. C.- O aumento da comida do bar tem a ver com o facto de na nossa escola haver muitas pessoas subsidiadas pelo SASE e é mesmo de lei, e mesmo que não fosse, nós consideramos que este aumento endireita mais qualquer coisa, e então por lei a escola tem de oferecer o pequeno - almoço e o lanche. Como este ano houve um grande aumento de alunos no SASE, aumentaram os preços porque o dinheiro é tirado do bar. Só com os alunos do SASE gastamos por mês à volta de 500 contos. Como em Janeiro o preço dos produtos aumentou, a comida do bar também sofreu aumentos. O bar não pode ter lucro, é uma questão de necessidade, embora o Conselho Directivo esteja a estudar a hipótese de encarecer mais aqueles produtos que não são tão necessários como os chocolates e voltar a baixar mais aqueles que os alunos comem mais, como o leite, o pão.



JESV- Com é que funciona a escola em termos de segurança?
M. C.- Neste momento não há grandes problemas, os nossos guardas nocturnos nem sempre cobrem a escola à noite, mas quando isso acontece há um gabinete de segurança que envia cá equipas de hora a hora para investigar e finalmente conseguimos organizar a escola, de maneira que agora na entrada as pessoas estranhas à escola, têm que preencher um papel a dizer para o que vêm e depois no fim entregá-lo assinado pelos serviços onde estiveram, portanto estamos a conseguir resolver esses problemas.



JESV- Consta que há um projecto da PSP com as escolas, chamado Escola - Segura, como tem sido a sua colaboração?
M. C.-São eles que vêm aqui quando não há guardas, todos os meses nos vêm perguntar se houve problemas, se temos reclamações. Há um tempo descobrimos que andavam aí algumas pessoas estranhas, telefonámos e eles vieram logo cá investigar, portanto está tudo a funcionar bem.



JESV- Há problemas com a droga nesta escola?
M. C.-Estou cá há seis anos e não oiço falar disso, há dois ou três falou-se que havia alguns alunos ligados à droga. Entretanto, pensamos que é capaz de haver, apesar de nunca termos apanhado ninguém. Há alunos que fumam, não que trafiquem dentro da escola, e nós também estamos a tentar resolver a situação com a polícia. Só alertamos, mas vamos ver o que é que se poderá fazer.



JESV-Os alunos desta escola são indisciplinados?
M. C.- Sobretudo sétimos anos. Este ano tem havido problemas, eu considero muitas vezes que é pela vida familiar que têm e as pessoas esquecem-se disso, temos cá muitos alunos que não têm dinheiro para comer, que não têm apoio em casa e portanto às vezes ultrapassam os limites. Mas de uma forma geral, em 51 turmas, tirando as turmas de sétimos e um caso ou outro noutras turmas, não há muito mais.



JESV-E que solução encontra para esses problemas?
M. C.- Nós temos tentado reunir os próprios alunos com os pais. Mesmo ao sábado fazemos reuniões, traçam-se estratégias. Este ano há uma professora colocada só para tratar destes casos, que anda a tentar integrar, por exemplo: um aluno que sistematicamente está a ser posto na rua, porque não faz nada, estamos a tentar arranjar actividades na escola que ele goste, como jogar computador, para os aliciar para que eles comecem a mudar o seu comportamento.



JESV-Alguns alunos têm manifestado algumas dificuldades em termos de transporte para a escola, o que é que o Conselho Directivo pode fazer nesse sentido?
M. C.- Os transportes têm muito a ver é com os Belos, por exemplo, quando o circuito especial chega atrasado, que é o autocarro dos que moram mais longe, telefonamos para os Belos a dizer que o autocarro está atrasado. Uma vez por ano, às vezes mais, há reuniões na Câmara para discutir esses problemas, mas nem sempre se consegue porque realmente o que podemos fazer é mandar ofícios, reclamar e esperar que eles consigam melhorar.

Entrevista: Marina Moreira


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