Anabela Santos psicóloga da ESV
"A desmotivação dos alunos é geral"

Desde o ano lectivo de 89/90 que a escola dispõe de um serviço de psicologia e orientação. O objectivo do serviço é apoiar os jovens a vários níveis: psicopedagógico, orientação escolar e profissional e ligação ao mundo do trabalho. Apesar de tudo, a desmotivação dos alunos continua.

Jornal ESV- Qual a função que desempenha nesta escola?
Anabela Santos- Esta escola dispõe de um serviço de psicologia e orientação. Esse serviço deveria ter vários técnicos ao serviço: psicólogos, técnicos de serviço social, entre outros. Eu sou psicóloga e sou um dos técnicos previstos, para desempenhar funções nesse serviço.


JESV - Qual é o objectivo do funcionamento do serviço?
A. S. - O serviço existe com o objectivo de ajudar os jovens a vários níveis: psicopedagógico, orientação escolar e profissional, ligação ao mundo do trabalho, entre outros.


JESV - Há quanto tempo exerce essas funções nesta escola?
A. S. - Exerço funções desde o ano lectivo de 89/90, portanto hà 9 anos.


JESV - Gosta de trabalhar cá?
A. S. - Gosto, trabalhar com a população jovens é muito interessante.


JESV - De que anos são os alunos que recorrem ao serviço de psicologia e orientação? Aderem todos?
A. S. - São alunos de todos os níveis de escolaridade. Do 9º, cerca de 80%, do 11º cerca 50% e do 12º cerca de 75%. Do 7º e 8º anos nunca fiz o cálculo da percentagem, mas posso dizer que o nº de pedidos de colaboração é significativo.


JESV - Acha que influencia os alunos em relação ao futuro?
A. S. - Não, não posso, nem devo. O meu papel é só de aconselhamento, de ajuda.


JESV - De que forma os aconselha em relação ao curso que devem seguir no futuro?
A. S. - Faço testes psicotécnicos, entrevistas, analiso o mundo do trabalho e os cursos em conjunto com eles. Mas, a decisão é sempre do jovem. O jovem conversa comigo, com o(s) professor(es), com o encarregado de educação, os amigos, etc. A minha função é orientá-lo, ajudá-lo a reflectir sobre a situação e ajudá-lo a encontrar a melhor solução.


JESV - E se um jovem se enganar no curso? Isso não tem nada a ver com o aconselhamento?
A. S. - Pode acontecer. Às vezes não é uma questão de engano mas sim de opção. Já aconteceu, por exemplo, um jovem optar pelo agrupamento 1, científico natural, apesar de todo o seu perfil apontar para o agrupamento 4, humanidades, isto apenas e porque o Encarregado de Educação considerava o agrupamento 4 com poucas saídas profissionais.


JESV - Qual é o agrupamento que tem mais saídas?
A. S. - Todos os agrupamentos têm saídas profissionais, aliás hoje em dia o mercado de trabalho em si tem poucas saídas profissionais. O que nós devemos fazer para conseguir ingressar no mercado de trabalho para além de termos que ter um curso? Temos que gostar daquilo que fazemos e, acima de tudo, trabalhar muito.


JESV - O que acha da desmotivação dos alunos em relação aos projectos que existem na escola?
A. S. - A desmotivação dos alunos não é só em relação aos projectos existentes na escola, é geral. Verifica-se uma grande desmotivação relativamente a tudo. Há alunos com muito interesse, muita motivação e que têm uma mais valia muito grande que lhes pode ajudar muito. Existem muitos também que não têm projectos, não sabem porque é que andam na escola, nada lhes interessa.


JESV - Acha que há mais alunos na escola que andam por andar ou porque querem algo para o futuro?
A. S. - Não tenho estatísticas sobre isso, mas há muitos jovens que andam aqui apenas porque alguém lhes diz para andarem e não sentem uma relação entre o andar e o seu futuro. É precisamente desta ausência de projectos, objectivos que surge a desmotivação.


JESV - Se um aluno de outro ano escolar precisar de acompanhamento para algo pode dirigir-se ao seu gabinete?
A. S. - Sempre. Como eu disse, o serviço apoia os jovens a vários níveis. Pode acontecer que um jovem tenha um problema ao qual não seja capaz de dar resposta, de ajudar o jovem. Evidente que não o vou mandar embora. Vou sim procurar encontrar no exterior, de preferência a nível público, ajuda necessária.

Jovens aderem a coisas novas


JESV - Se um aluno tiver um problema que não seja relacionado com o futuro ou com o curso a escolher também se pode dirigir a si?
A. S. - Pode sim. Já tenho recebido aqui alunos com problemas de álcool , de toxicodependência, problemas familiares, casos de divórcios na família, depressões, entre outros.


JESV - Acha que há muitos alunos que se drogam cá na escola?
A. S. - Hoje em dia, infelizmente, os nossos jovens têm uma grande tendência para procurar coisas que se dizem novas e fáceis.Todos os jovens têm essa tendência. Aqui, na escola, se há um número significativo de jovens com essa tendência, eu não sei. O certo é que essa procura do novo, fácil e imediato tem consequências graves para o futuro dos jovens e, consequentemente, para todos nós.


JESV - Acha que os amigos influenciam ou não?
A. S. - O que leva um jovem a procurar a droga ou o álcool, são vários factores: os amigos, a família, a estrutura familiar e social que cada um tem. Há imensos jovens que se dão com amigos que vivem no mundo da droga mas que optam por não seguir esse caminho. Porque têm uma estrutura psicológica e familiar muito forte, porque vivem num meio social também ele forte.


JESV - Tem conhecimento do projecto de educação sexual que se está a desenvolver na escola?
A. S. - Tenho, pois eu também faço parte dele. Vou integrar um dos gabinetes de apoio aos jovens, que está a ser desenvolvido e que, em princípio, irá arrancar no próximo ano lectivo.



Entrevista: Ivone Rosário e Susana Cara-Nova


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