Uma WebQuest sobre WebQuest

por Simão Pedro Marinho
Professor do Programa de Pós-graduação em Educação da PUC Minas
Consultor em Educação
Belo Horizonte, Brasil - 1999


| INTRODUÇÃO    |  TAREFA  |  PROCESSO    |  FONTES  |  CONCLUSÃO    |  CRÉDITOS

Introdução

Em 1995, Bernie Dodge, professor de tecnologia educacional da San Diego State University (SDSU), nos Estados Unidos, desenvolveu um formato de lições baseadas na WWW (World Wide Web) que chamou WebQuest. "Quest" quer dizer pesquisa, exploração ou busca. "Web" significa rede e se refere à World Wide Web, um dos componentes da Internet.

As idéias iniciais de Dodge estão disponíveis no artigo Some Thoughts About WebQuests, que posteriormente foi publicado em The Distance Educator.

Naquele artigo, Dodge definia uma WebQuest como:

... uma atividade orientada para a pesquisa na qual algumas ou todas as informações com as quais os estudantes interagem vêm de fontes na Internet...

Desde então, a noção de WebQuest foi adotada e adaptada por professores dos mais diversos lugares, especialmente nos Estados Unidos. Lamentavelmente no Brasil não pudemos encontrar registros dessa estratégia de uso da Internet que, assim nos parece, deveria merecer mais atenção dos educadores no momento em que tende a se ampliar o uso do computador e da própria Internet na escola.

A WebQuest vem sendo reconhecido como uma opção valiosa quando se pretende integrar a Internet de forma produtiva na escola. É o que aponta o artigo Integrating the Internet into the Curriculum: Using WebQuests in Your Classroom
Trata-se, pois, de uma estratégia útil para se promover a chamada alfabetização tecnológica na sala de aula, com bem destaca Kenneth Lee Watson no artigo WebQuests in the Middle School Curriculum: Promoting Technological Literacy in the Classroom.

Um artigo recente de Maureen Brown Yoder, que traduzi como A WebQuest do Estudante, além de trazer alguns exemplos de WebQuests interessantes, mostra a utilidade desse recurso pedagógico, um uso produtivo da Internet e que promove a reflexão por parte dos alunos.

Kathy Schrock, de Massachusetts (USA) ensina seus alunos de Pós-graduação a organizar uma WebQuest.
Ela desenvolveu um excelente slide show para explicar o conceito e as principais características.

Aulas e seminários sobre Webquest estão se espalhando por todos os lados.

Para encontrar mais informações sobre WebQuests, visite o site The WebQuest Page, organizado por Bernie Dodge.

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A Tarefa

Seu objetivo nesta WebQuest é desenvolver uma compreensão sobre quais são as diferentes possibilidades de aprendizagem colaborativa que uma WebQuest torna possível.
Uma das estratégias para você alcançar esse conhecimento é analisando alguns exemplos de WebQuest e discutindo-os sob múltiplas perspectivas.
Esta será a sua tarefa nesta atividade.
Ao final da aula, você e seus colegas deverão responder a essas perguntas:

  1. Qual dos exemplos de WebQuests listados em Fontes é o melhor? Por quê?

  2. Qual é o pior? Por quê?

  3. O que melhor e pior significam para você nesses casos?

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O processo

  1. Inicialmente você fará uma revisão sobre a definição que Bernie Dodge deu para a WebQuest em seu artigo datado de 1995. Para facilitar seu trabalho, foi feita uma tradução/adaptação do artigo que em português tem o título de Algumas idéias sobre WebQuests.
    [Tempo previsto = 10 minutos]

  2. Para a atividade, os alunos serão organizados em grupo de 4, embora devam inicialmente trabalhar dois a dois nos computadores.

  3. Para analisar cada uma dos WebQuests e responder às questões acima, cada grupo desempenhará um dos papéis colocados na tabela logo abaixo.
    Discuta com seus colegas o papel que o grupo deseja que seus componentes desempenhem.
    [Tempo previsto = 5 minutos]

    O Perito em Eficiência

    Você considera o tempo um negócio importante. Você acredita que hoje se perde tempo demais nas salas de aula com atividades sem foco e com os estudantes não sabendo o que devem estar fazendo em um dado momento. Para você, uma boa WebQuest é aquela que permite mais aprendizagem no menor prazo de tempo. Se a WebQuest for uma atividade pequena, sem muitas ambições, que ensina bem uma coisa pequena bem, então você gosta dele. Se ela for uma atividade de longo prazo, deve ensejar uma compreensão mais aprofundada do tópico que cobre, na sua visão.

    O agregador

    Para você, as melhores atividades de saber são aqueles em que estudantes aprendem a trabalhar em conjunto. WebQuests que forçam a colaboração e criam a necessidade de discussão e da busca de consenso são os melhores em sua visão. 
    Se uma WebQuest pode ser feita por um estudante trabalhando sozinho isso não te dá o mínimo entusiasmo

    O Altitudinista

    O pensamento de nível mais elevado é tudo para você. Você acredita que nas escolas de hoje existe muita ênfase na memorização de fatos; os alunos perdem tempo decorando informações trazidas pelo professor ou obtidas em livro  que depois são cobradas em provas e testes. Você acredita que a única justificativa para trazer a tecnologia para as escolas é se ela criar possibilidades para que os alunos analisem informações, vislumbrem uma multiplicidade de perspectivas e tomem posição sobre os méritos ou vantagens de algo. Você valoriza também sites que permitem alguma expressão criativa por parte do estudante.

    O tecnófilo

    Você adora essa tal de Internet. Para você a mehora WebQuest é aquela que faz o melhor uso da tecnologia da Web. 
    Se uma  WebQuest tem cores atrativas. imagens em movimento e um monte de links para sites interessantes você adora. 
    Se a WebQuest faz um uso mínimo da Web, você prefere usar uma planilha ou outra coisa..

  1. Imprima a planilha para análise e avaliação das WebQuests. Cada membro do grupo deverá receber uma cópia desta planilha.

  2. Você examinará cada uma das quatro WebQuests da lista de Fontes e usará a planilha para anotar sua opinião sobre cada WebQuest tendo como perspectiva o papel que foi atribuído ao grupo.
    Na planilha que recebeu você fará as anotações sobre cada WebQuest e depois dará a cada um deles uma nota entre 0 (péssimo) a 5 (ótimo).
    Você precisa examinar cada site rapidamente; não gaste mais do que 10 minutos com cada um deles.
    Nesse trabalho, já que os alunos trabalharão dois a dois nos computadores, a colaboração é essencial pois as pessoas poderão precisar de tempos diferentes para observarem os WebQuests indicados. Dessa forma, cada membro da dupla deverá ser tolerante com o outro, desde que seja observado o tempo limite para a etapa.
    [Tempo previsto = 60 minutos]

  3. Depois que os componentes do grupo tiverem visto todos os sites, será o momento de reunir as respostas. Uma forma de fazer isso é reunir o grupo e cada um dos seus elementos indicar o melhor e o pior em sua perspectiva. Nesse momento é importante que o grupo deixe bem claro o que significa ser melhor e ser pior. Preste bem atenção a cada uma das outras avaliações, mesmo que a primeira  vista você discorde delas. Para esse trabalho, se assim julgar melhor, o grupo poderá sair do laboratório de informática.
    [Tempo previsto = 15 minutos]

  4. Possivelmente não haverá um consenso no grupo, de tal forma que a próxima etapa é discutir de forma que o grupo possa chegar ao consenso sobre qual WebQuest é a melhor e qual é a pior. 
    [Tempo previsto = 10 minutos]

    Um componente em cada grupo deverá abrir a versão html da planilha de avaliação e registrar as conclusões do grupo e as razões para elas. Este arquivo deverá ser gravado (salvo) em disquete para uma eventual publicação na web page da turma.

    Tempo máximo previsto para o WebQuest= 100 minutos

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Fontes

Na lista imediatamente abaixo estão os quatro sites que você deverá analisar. Estão todos em língua estrangeira.
Infelizmente foi um fracasso nossa busca de sites que apresentassem WebQuests em língua portuguesa.
Isso reforça a nossa idéia de que a WebQuest é um tipo de atividade que deveria estar sendo explorado por nossas escolas. É um desafio aos professores.

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Conclusão

Esse exercício foi planejado na perspectiva de lhe possibilitar algumas reflexões (insights) sobre como as WebQuests podem ou devem ser usadas para uma prática de aprendizagem colaborativa de modo que os alunos possam [1] usar aulas e leituras da disciplina, trabalhos de campo e outras fontes para encontrar um consenso sobre a melhor forma de contribuir para a rede da escola e [2] criar registro de suas deliberações e conclusões que serão disponibilizadas para futuros alunos da escola e usuários da rede.

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Créditos

Esta WebQuest foi basedo em A WebQuest about WebQuests, desenvolvido por Bernie Dodge, da San Diego  State University, nos Estados Unidos.

O artigo WebQuests in the Middle School Curriculum: Promoting Technological Literacy in the Classroom, de Kenneth Lee Watson, foi publicado em Meridian.

O artigo The Student WebQuest, de Maureen B. Yoder, foi publicado originalmente no volume 26/número 7 da revista Learning and Leading with Technology, da International Society for Technology in Education.

O texto Algumas idéias sobre WebQuests foi traduzido e adaptado de Some Thoughts About WebQuests, de Bernie Dodge.

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