SEMANA DA CULTURA E LÍNGUA PORTUGUESAS

NAS COMEMORAÇÕES DOS CENTENÁRIOS DOS NASCIMENTOS DOS ESCRITORES

JOSÉ RÉGIO

VITORINO NEMÉSIO

JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS


Trabalhos dos alunos Folheto 

 

DEPARTAMENTO DE PORTUGUÊS
PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DE LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESAS


Objectivos: As actividades constantes deste programa visam contribuir para

  •  a promoção do interesse do aluno pela cultura portuguesa em geral e em particular pelos
    autores de quem comemoramos o centenário do seu nascimento: José Régio; Vitorino
    Nemésio; José Rodrigues Miguéis (cf. breve nota biobliográfica em anexo);
  • a investigação, a consulta e a selecção de dados sobre autores de língua portuguesa;
  • a formação linguística do aluno, motivando-o a produzir textos em diferentes registos;
  • uma visão mais abrangente da cultura portuguesa através de várias formas de comunicação
    cultural.


Sugestão de percursos didácticos a serem explorados pelos professores e alunos.

  • Do conto / lenda popular ao conto de autor - produção de um conto pelo alunos.
  • Da biobliografia do autor à notícia, à entrevista, à reportagem, à exposição.
  • Da poesia de autor ao comentário.
  • Da poesia de autor à poesia de novos autores.
  • Da vivência colhida no estudo dos autores ao guião dramático.


Produtos a serem preparados, tendo em vista a sua realização ou publicitação

  • Colectânea a partir dos melhores textos produzidos, em suporte papel e em suporte informático.
  • Exposições com material significativo.
  • Sessões de “bem-dizer”.
  • Guião para programa de rádio com a colaboração de uma rádio regional.
  • Elaboração de uma página num jornal regional
  • Criação de um arquivo de “favoritos” sobre língura e cultura portuguesas a colocar em todos os computadores da escola ligados à Internet.
  • Concurso inter-turmas sobre Língua Portuguesa.
  • Acções de formação para professores: uma sobre Vitorino Nemésio (dirigida a professores
    em geral e alunos interessados do 12.º ano) - orador a convidar: Prof. Dr. Fernando Cristóvão;
    outra sobre língua portuguesa (dirigida sobretudo aos professores de Português) - orador
    a convidar: Dr. João Costa.


Actividades em foco durante a semana

  • 2.ª feira, dia 15 de Abril: A Língua Portuguesa na canção.
  • 3.ª feira, dia 16 de Abril: A Língua Portugesa na escrita.
  • 4.ª feira, dia 17 de Abril: A Língua Portuguesa na poesia.
  • 5.ª feira, dia 18 de Abril: A Língua Portuguesa e a Cultura Universal, através do cinema
  • 6.ª feira, dia 19 de Abril: A Língua Portuguesa na comunicação electrónica.


Formação de professores e alunos

  • 2.ª feira, dia 15 de Abril às 16.30: Vitorino Nemésio pelo Prof. Dr. Fernando Cristóvão
  • 3.ª feira, dia 16 de Abril às 16.30: Erros de Gramática pelo Prof. João Costa
  • 4.ª feira, dia 17 de Abril às 16.30: O Romance pela escritora Lídia Jorge
  • 5.ª feira, dia 18 de Abril às 16.30: Exibição do filme Fernão Capelo Gaivota


 

Vitorino Nemésio

 

O seu filho descreve o seu quarto de dormir, como um retrato de um homem por inteiro onde tudo se explica e desvenda:

“Era uma espécie de cela de monge onde se recolhia para melhor se abrir ao mundo. A sua cama era simples, de vinhático com duas contas de madeira, mas pobre e com uma cruz em osso desgastada e lustrosa pela usura do tempo e dos dedos das mãos. Na sua mesinha de trabalho tinha uma imagem pobrinha, daquelas que se vendem na feira, do saudoso padre Cruz.

Rodeado de livros amontoados no chão à volta da cama, para além das estantes,o meu pai vivia ali numa enorme ‘desarrumação’ arrumada à sua maneira, com ordens expressas de que apenas lhe fizessem a cama de lavado, lhe arranjassem o quarto e passassem o pano do pó pelos livros e móveis que mal cabiam no quarto, para além de um grande guarda-fato”.

Vitorino Nemésio adorava escrever em comboios. A letra era miúda e redonda, poupada para caber em pequenas páginas de caderno, folhas pautadas, toalhas de mesa ou bilhetes de comboio. Era poeta, acima de tudo!!

Vitorino Nemésio nasceu em 19 de Dezembro 1901, nos Açores.

Aos 13 anos vê em letra de imprensa o seu primeiro texto, aos 15 lança um livro de poemas chamado “Canto Matinal” e participa em jornais e revistas. Só aos 20 anos acaba o liceu. Ingressa na Arma de Infantaria, como voluntário e vem para Lisboa. Teve um papel activo nas greves de 1921, em particular no jornal “Última Hora”, fez comícios, e respira fundo quando tudo isto acaba. Volta, então, aos Açores. Casa com Gabriela Monjardino em 1926. Licenciado em Filologia Românica em 1931, professor auxiliar até se doutorar em 1934, vai ensinar para Montpellier onde permanece até 1937, no Collége Ecossaís. Em 1969 faz-se vedeta de televisão com “Se Bem Me Lembro...”, onde Vitorino era deixado com as suas memórias, a sua concepção do mundo. Foram seis anos de programa.

Até à sua morte, a 20 de Fevereiro de 1978, vive dos possíveis prazeres, entre eles a guitarra que só os seus amigos tinham a generosidade de fingir admirar com talento. Passou os últimos dias no Hospital da CUF, longe das noites de sono justo e sem pesadelos, entre médicos e os filhos revezados em vigília. Em sussurros, pediu ao filho Manuel para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Òlivais em Coimbra. Pediu e cumpriu-se!

Como resumir a vida de um homem destes numa só ideia? Recebeu o prémio Montaigne em Março de 1974, e a propósito disse: “A carta de cidadania é precisa para o voto e passaporte, mas também se passa bem sem essas coisas. Sem pão e verdade é que não.”.
Algumas obras importantes:

Poesia:
- O Pão e a Culpa. Lisboa, 1955.
- Canto de Véspera. Colecção Poesia e Verdade. Lisboa, 1966.
- Sapateia Açoriana, Lisboa, 1976.

Ficção e Crónica de Viagem
- Mau tempo no Canal Romance. Lisboa, 1944.
- O Mistério do Paço do Milhafre. Contos. Lisboa, 1949.
- Caatinga e Terra Caída - Viagens no Nordeste e no Amazonas. Lisboa,1968.


 

José Rodrigues Miguéis

 

José Rodrigues Miguéis, consagrado escritor português, nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1901 e morreu em Nova Iorque a 27 de Outubro de 1980. Com uma vida bastante activa e movimentada, colaborou desde muito cedo em jornais e revistas.

Assim, foi um dos jovens que lançaram a revista “Seara Nova” em 1922. Com 23 anos, formou-se em Direito na Universidade de Direito de Lisboa, advogando, portanto, desde 1924, sendo mais tarde professor do ensino secundário. Contudo, não praticou intensivamente, nenhuma destas duas actividades.

Paralelamente, foi Presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana e, mais tarde, adquiriu o cargo de co-director do jornal semanário “O Globo” (com Bento Caraça), tornando-se conhecido como orador e ideólogo político. De igual modo, foi Secretário da Liga Propulsora da Instrução e colaborou com Raul Brandão na reedição duma série de leituras primárias. Esta sua vida agitada teve, ainda, um período em que se apresentou como Bolseiro da Educação Nacional.

Em 1932, editou a sua primeira obra Páscoa Feliz, merecedora do Prémio da Casa da Imprensa. Um ano mais tarde, em 1933, decide partir para Bruxelas com a intenção de se licenciar em Ciências Pedagógicas na Universidade local. No entanto, desiludido da Pedagogia, da Literatura e da Acção, em 1935, expatriou-se nos Estados Unidos onde agiu politicamente, colaborando na Imprensa de Língua Portuguesa e Espanhola. Entretanto, fez conferências em várias Universidades. Assim, mais tarde, trabalhou nas Selecções do Reader’s Digest, como redactor associado.

Durante a sua vida nos E.U.A veio a Portugal algumas vezes: Em 1946, permaneceu cá um ano, aproveitando para editar a obra Onde a Noite se Acaba; em 1957 esteve, por dois anos, editando, então, O Natal dos Clandestinos, Leah e Outras Histórias, em 1958 (recebeu por esta obra o Prémio Camilo Castelo Branco), e ainda Um Homem Sorri à Morte com Meia Cara em 1959, que foi mais tarde traduzido para inglês pela University Press Of New England. Nos Estados Unidos, editou em 1960, A Escada do Paraíso e O Passageiro do Expresso, peça de teatro, e em 1962, Gente da Terceira Classe. Voltou a Portugal, também, em 1963. Com efeito, sendo José Rodrigues Migueis bastante activo esteve ainda um ano no Brasil em 1949.
Alojado definitivamente nos E.U.A, José Miguéis foi membro efectivo da Erudith Hispanic Society of America e eleito académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa em Janeiro de 1976, um ano após de ter editado O Milagre Segundo Salomé. Antes da sua morte, foi ainda agraciado com a Ordem Militar de Santiago da Espada, no Grau de Grande Oficial, em Maio de 1979.

A sua obra tem sido alvo de numerosos estudos apresentados sob a forma de doutoramentos e em inúmeros artigos publicados nos Estados Unidos. Desde 1949, a sua obra tem sido traduzida em inglês, italiano, alemão, polaco, checo e russo.

Em suma, José Rodrigues Miguéis apresentou, durante toda a sua vida, uma multiplicidade de formas na sua expressão, escrevendo contos, novelas, romances, e peças de teatro. Apesar de quase toda a sua produção ter sido escrita longe da pátria (o que explica a sua preferência por temas do exílio e da emigração), mantém o humorismo magoado, a simpatia humana e o lirismo tipicamente portugueses.


 

José Régio

 

Foi em Vila do Conde em 1901 que nasceu um dos maiores génios da literatura contemporânea, José Régio, cujo verdadeiro nome era José Maria dos Reis Pereira.

Licenciou-se em Letras na Faculdade de Coimbra e dedicou 30 anos da sua vida ao ensino numa escola secundária em Portalegre, local que viria a ser (como ele próprio afirmava), o seu local de “refúgio produtivo”. Desempenhou, ao longo da sua vida, várias funções: Foi romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, tendo sido um dos fundadores da revista «Presença». Contudo, foi como poeta que ganhou popularidade e prestígio, prestígio esse que, após a década de quarenta, viria a perder, pois as criticas eram-lhe desfavoráveis e o público indiferente à sua poesia.

Em 1925 José Régio publicava o seu primeiro livro, Poemas de Deus e do Diabo, no qual o poeta abordava temas tais como o conflito entre Deus e o homem, o espírito e a carne, a frustração do amor, que viria a desenvolver mais tarde noutras obras, como por exemplo, Biografias.

Ainda no campo da poesia, José Régio publicou As Encruzilhadas de Deus, (1936), com o qual atinge os momentos mais altos da sua carreira como poeta, mais tarde Fado (1941), e Mas Deus é Grande (1945 e 1954).

António José Saraiva caracteriza, em História da Literatura Portuguesa, a sua poesia, como tendo “tendência para a dramatização, que imprime um cunho de diálogo entre planos diferentes, e considerados como irredutíveis da sua própria consciência”.

Como dramaturgo, José Régio também deu o seu contributo ao Teatro com peças como Jacob e o Anjo (1940), Benilde ou a Virgem Mãe (1947) e A Chaga do Lado (1957).

Entretanto, fascinado pela ficção, realizou neste domínio uma vasta obra da qual se destacaram algumas obras, como por exemplo: O Jogo da Cabra Cega (1934) As Raízes do Futuro (1947) Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941) e História de mulheres (1946) , caracterizadas por uma invulgar densidade psicológica temperada com uma subtil crítica de costumes.

Quanto ao homem, despido dos dotes multifacetados, poucos foram aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.