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Trabalhos dos alunos ![]() |
Folheto |
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O seu filho descreve o seu quarto de dormir, como um retrato de um homem por inteiro onde tudo se explica e desvenda: “Era uma espécie de cela de monge onde se recolhia para melhor se abrir ao mundo. A sua cama era simples, de vinhático com duas contas de madeira, mas pobre e com uma cruz em osso desgastada e lustrosa pela usura do tempo e dos dedos das mãos. Na sua mesinha de trabalho tinha uma imagem pobrinha, daquelas que se vendem na feira, do saudoso padre Cruz. Rodeado de livros amontoados no chão à volta da cama, para além das estantes,o meu pai vivia ali numa enorme ‘desarrumação’ arrumada à sua maneira, com ordens expressas de que apenas lhe fizessem a cama de lavado, lhe arranjassem o quarto e passassem o pano do pó pelos livros e móveis que mal cabiam no quarto, para além de um grande guarda-fato”. Vitorino Nemésio adorava escrever em comboios. A letra era miúda e redonda, poupada para caber em pequenas páginas de caderno, folhas pautadas, toalhas de mesa ou bilhetes de comboio. Era poeta, acima de tudo!! Vitorino Nemésio nasceu em 19 de Dezembro 1901, nos Açores. Aos 13 anos vê em letra de imprensa o seu primeiro texto, aos 15 lança um livro de poemas chamado “Canto Matinal” e participa em jornais e revistas. Só aos 20 anos acaba o liceu. Ingressa na Arma de Infantaria, como voluntário e vem para Lisboa. Teve um papel activo nas greves de 1921, em particular no jornal “Última Hora”, fez comícios, e respira fundo quando tudo isto acaba. Volta, então, aos Açores. Casa com Gabriela Monjardino em 1926. Licenciado em Filologia Românica em 1931, professor auxiliar até se doutorar em 1934, vai ensinar para Montpellier onde permanece até 1937, no Collége Ecossaís. Em 1969 faz-se vedeta de televisão com “Se Bem Me Lembro...”, onde Vitorino era deixado com as suas memórias, a sua concepção do mundo. Foram seis anos de programa. Até à sua morte, a 20 de Fevereiro de 1978, vive dos possíveis prazeres, entre eles a guitarra que só os seus amigos tinham a generosidade de fingir admirar com talento. Passou os últimos dias no Hospital da CUF, longe das noites de sono justo e sem pesadelos, entre médicos e os filhos revezados em vigília. Em sussurros, pediu ao filho Manuel para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Òlivais em Coimbra. Pediu e cumpriu-se! Como resumir a vida de
um homem destes numa só ideia? Recebeu o prémio Montaigne em Março de 1974, e a
propósito disse: “A carta de cidadania é precisa para o voto e passaporte, mas
também se passa bem sem essas coisas. Sem pão e verdade é que não.”. Poesia: Ficção e Crónica de
Viagem |
José Rodrigues Miguéis, consagrado escritor português, nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1901 e morreu em Nova Iorque a 27 de Outubro de 1980. Com uma vida bastante activa e movimentada, colaborou desde muito cedo em jornais e revistas. Assim, foi um dos jovens que lançaram a revista “Seara Nova” em 1922. Com 23 anos, formou-se em Direito na Universidade de Direito de Lisboa, advogando, portanto, desde 1924, sendo mais tarde professor do ensino secundário. Contudo, não praticou intensivamente, nenhuma destas duas actividades. Paralelamente, foi Presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana e, mais tarde, adquiriu o cargo de co-director do jornal semanário “O Globo” (com Bento Caraça), tornando-se conhecido como orador e ideólogo político. De igual modo, foi Secretário da Liga Propulsora da Instrução e colaborou com Raul Brandão na reedição duma série de leituras primárias. Esta sua vida agitada teve, ainda, um período em que se apresentou como Bolseiro da Educação Nacional. Em 1932, editou a sua primeira obra Páscoa Feliz, merecedora do Prémio da Casa da Imprensa. Um ano mais tarde, em 1933, decide partir para Bruxelas com a intenção de se licenciar em Ciências Pedagógicas na Universidade local. No entanto, desiludido da Pedagogia, da Literatura e da Acção, em 1935, expatriou-se nos Estados Unidos onde agiu politicamente, colaborando na Imprensa de Língua Portuguesa e Espanhola. Entretanto, fez conferências em várias Universidades. Assim, mais tarde, trabalhou nas Selecções do Reader’s Digest, como redactor associado. Durante a sua vida nos
E.U.A veio a Portugal algumas vezes: Em 1946, permaneceu cá um ano, aproveitando
para editar a obra Onde a Noite se Acaba; em 1957 esteve, por dois anos, editando,
então, O Natal dos Clandestinos, Leah e Outras Histórias, em 1958 (recebeu por
esta obra o Prémio Camilo Castelo Branco), e ainda Um Homem Sorri à Morte com
Meia Cara em 1959, que foi mais tarde traduzido para inglês pela University Press
Of New England. Nos Estados Unidos, editou em 1960, A Escada do Paraíso e O
Passageiro do Expresso, peça de teatro, e em 1962, Gente da Terceira Classe.
Voltou a Portugal, também, em 1963. Com efeito, sendo José Rodrigues Migueis
bastante activo esteve ainda um ano no Brasil em 1949. A sua obra tem sido alvo de numerosos estudos apresentados sob a forma de doutoramentos e em inúmeros artigos publicados nos Estados Unidos. Desde 1949, a sua obra tem sido traduzida em inglês, italiano, alemão, polaco, checo e russo. Em suma, José Rodrigues Miguéis apresentou, durante toda a sua vida, uma multiplicidade de formas na sua expressão, escrevendo contos, novelas, romances, e peças de teatro. Apesar de quase toda a sua produção ter sido escrita longe da pátria (o que explica a sua preferência por temas do exílio e da emigração), mantém o humorismo magoado, a simpatia humana e o lirismo tipicamente portugueses. |
Foi em Vila do Conde em 1901 que nasceu um dos maiores génios da literatura contemporânea, José Régio, cujo verdadeiro nome era José Maria dos Reis Pereira. Licenciou-se em Letras na Faculdade de Coimbra e dedicou 30 anos da sua vida ao ensino numa escola secundária em Portalegre, local que viria a ser (como ele próprio afirmava), o seu local de “refúgio produtivo”. Desempenhou, ao longo da sua vida, várias funções: Foi romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, tendo sido um dos fundadores da revista «Presença». Contudo, foi como poeta que ganhou popularidade e prestígio, prestígio esse que, após a década de quarenta, viria a perder, pois as criticas eram-lhe desfavoráveis e o público indiferente à sua poesia. Em 1925 José Régio publicava o seu primeiro livro, Poemas de Deus e do Diabo, no qual o poeta abordava temas tais como o conflito entre Deus e o homem, o espírito e a carne, a frustração do amor, que viria a desenvolver mais tarde noutras obras, como por exemplo, Biografias. Ainda no campo da poesia, José Régio publicou As Encruzilhadas de Deus, (1936), com o qual atinge os momentos mais altos da sua carreira como poeta, mais tarde Fado (1941), e Mas Deus é Grande (1945 e 1954). António José Saraiva caracteriza, em História da Literatura Portuguesa, a sua poesia, como tendo “tendência para a dramatização, que imprime um cunho de diálogo entre planos diferentes, e considerados como irredutíveis da sua própria consciência”. Como dramaturgo, José Régio também deu o seu contributo ao Teatro com peças como Jacob e o Anjo (1940), Benilde ou a Virgem Mãe (1947) e A Chaga do Lado (1957). Entretanto, fascinado pela ficção, realizou neste domínio uma vasta obra da qual se destacaram algumas obras, como por exemplo: O Jogo da Cabra Cega (1934) As Raízes do Futuro (1947) Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941) e História de mulheres (1946) , caracterizadas por uma invulgar densidade psicológica temperada com uma subtil crítica de costumes. Quanto ao homem, despido dos dotes multifacetados, poucos foram aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. |