DURANTE o congresso da Internacional
Socialista (IS), Manuel Tomé, secretário-geral da Frelimo, falou connosco sobre a
situação em Moçambique. Eis alguns excertos: EXPRESSO - A proposta do nome de
Joaquim Chissano para uma das vice-presidências da IS foi defendida pelo PS português.
Isso quer dizer que as relações entre a Frelimo e os socialistas portugueses estão
boas?
MANUEL TOMÉ -Temos com o PS uma relação muito antiga, que tem sido reforçada ao
longo dos anos. Somos partidos no poder que têm jogado um papel importante na
aproximação entre os dois Estados.
EXP. - Estão ultrapassados os mal-entendidos a propósito da anglofonia e da
adesão de Moçambique à Commonwealth?
M.T. -Nunca houve mal-entendidos entre nós. Houve foi uma certa manipulação, que
confundiu alguns portugueses. A língua portuguesa está em Moçambique de pedra e cal, e
orgulhamo-nos de, nestes 20 e poucos anos de independência, termos ensinado mais
português aos moçambicanos do que os portugueses em 500 anos. Não aderimos à
Commonwealth por causa da língua, mas sim por razões regionais, porque precisamos de
diversificar a nossa cooperação. E também não vejo mal nenhum no facto de em
Moçambique se falar outras línguas. Em Portugal acontece o mesmo.
EXP. - Moçambique está em campanha eleitoral, e a Renamo diz que não tem meios
para fazer campanha, que não há condições de igualdade entre os dois partidos. Como
comenta estas críticas?
M.T. -Penso que isso são pretextos para encobrir a sua fraqueza organizativa. Um
partido não concorre a eleições à espera que lhe caia dinheiro na caixa...
EXP. - Mas a Renamo afirma que a Frelimo tem todos os meios e que não há
igualdade...
M.T. -Em parte nenhuma do mundo existem partidos iguais. Nós organizámo-nos há
muito tempo para estas eleições, efectuámos recolhas de fundos, introduzimos uma quota
adicional para a campanha...
EXP. - Acha que a Renamo tem auxílio suficiente do Estado? Os seus dirigentes falam
em ajudas de apenas 20 e tal mil dólares.
M.T. -A Frelimo não recebeu dinheiro do Estado para a campanha. Recebeu o mesmo
que a Renamo em função do número de lugares de cada partido no Parlamento. Mas nós
temos um sistema de gestão do nosso dinheiro, o que não acontece na Renamo, onde parece
que há um saco do qual cada um tira o que quer.
EXP. - O Presidente Chissano disse que a maioria absoluta está garantida e que a
meta é os dois terços. É essa a barra da Frelimo?
M.T. -Temos todas as condições para chegar aos dois terços. Hoje podemos fazer
campanha em distritos onde em 1994 a Renamo nos impediu, porque estava lá armada e
agredia os nossos militantes.
D.R.(Expresso 13/11/99)
