Karaté e Judo


As origens do Karaté, remontam ao sec. VI, quando um monge Indiano, de seu nome Bodhidharma, levou para a China os primeiros movimentos desta disciplina. Passado alguns anos ensinou num mosteiro chamado Shaolin, no norte da China, no qual nasceriam mais de quatrocentas variedades de boxe chinês; tornando-se para sempre uma personagem lendária (esta versão pode ter um fundo de fantasia).

Depois disso, não se têm certezas como se transmitiram esses conhecimentos à ilha de Okinawa, no Japão (sendo considerada o berço de todo o Karaté e seus variados estilos).

Em Okinawa nasceu o Sensei/Mestre Gichin Funakoshi, que fundou uma técnica de nome “Okinawa-té”, que é um misto de auto-defesa, tendo como característica principal as técnicas de mãos e de pés. Já em Tóquio, a pedido do governo Japonês, aí fica a ensinar a sua arte, abrindo um Dojo e reabaptiza o “Okinawa-té” de “Karaté-do” (Kara- vazio, Té- mão, Do- via ou caminho). Com o “Do”, o mestre Funakoshi pretendeu lembrar que a prática do Karaté deve ser uma via que conduza ao desabrochar do espírito e do corpo.

O Karaté, em competição é agora a última modalidade Olímpica aceite pelos órgãos máximo responsáveis por esse acontecimento (Comité Olímpico Internacional).

Existindo em Portugal uma Federação reconhecida Internacionalmente e credenciada pelo órgão máximo de Karaté mundial, sediada no Japão (JKF- Japan KarateDo Federation).

“O objectivo do Karaté-do não reside na vitória ou na derrota, mas sim no aperfeiçoamento do carácter dos seus praticantes” (Sensei Gishin Funakoshi); é compreendida e reconhecida como uma disciplina física, cultural e mental). Criada com objectivos corteses, como a coragem, integridade, humildade e auto-controle – aqui reside toda a sua essência.

Esta modalidade atlética tenta melhorar o aspecto físico-mental do seu praticante, desde o treino físico do sistema muscular, flexibilidade, sistema respiratório, coordenação motora, equilibro, bem-estar, etc., até ao treino mental de aperfeiçoamento da personalidade do próprio praticante. 

A ideia que se criou, de que o combate era a finalidade do treino do Karaté-do é, portanto, absolutamente errada e falsa.

É uma arte de movimento e respiração, que entre outras coisas (lazer, reabilitação, recreativo, cultura, física, etc.) dá importância à defesa pessoal.

É como que um processo de Desenvolvimento total do homem, como o defendem os seus criadores (os Japoneses) e não uma preparação para o combate.

O verdadeiro inimigo reside dentro de nós: a vontade de derrotar os outros, vendo em cada companheiro de treino um inimigo, o nosso orgulho barato, a ânsia de nos tornarmos melhor que os outros.

É, então, importante, que se perceba que este desporto, é na sua prática, um meio de estabelecer o equilíbrio e a harmonia, não só no nosso espírito, como também com os outros que nos rodeiam.

É já num próximo mês, que decorrerá um torneio de Karaté, a nível nacional da Associação Wado-Ryu em Portugal, no Pavilhão Gino-Desportivo do Fundão; resultante de uma grande vontade de alguns alunos desta Escola e de todo o grupo de Karaté Wado-Ryu que se treina nos Bombeiros Voluntários do  Fundão, juntamente com o grupo de Judo, à espera de novas instalações prometidas pela C.M.F. para o Pavilhão Municipal do Fundão.

“A via da suavidade”, assim se designa a palavra Judo. Nascida no Japão, esta arte marcial foi fundada por Jigoro Kano, considerado por muitos “o pai do Judo”.

Jigoro Kano sintetizou as melhores técnicas de Ju-Jitsu, aperfeiçoando-as, escolhendo os golpes mais eficazes e racionais. O Ju-Jitsu era uma arte marcial baseada na ligeireza do corpo e do espírito.

Com isto Kano aperfeiçoou maneiras de cair, retirando algumas técnicas perigosas, criando também um fato especial de treino (judogi), pois o anterior traje dos Ju-Jitsukas provocavam ferimentos.

Esta nova arte que resultou no nome de Judo, pela sua essência à não resistência e o aproveitamento da força do oponente; desenvolvendo um novo método de Educação Física e formação de carácter.

A actividade de Jigoro Kano não se limitou ao seu Dojo (sala de combate) que ele chamou Kadokam. Ele tornou-se professor de Universidade e membro do comité Olímpico Internacional.

Quando Jigoro Kano faleceu, já cerca de 120000 judocas estavam oficialmente recenseados, dos quais 85000 eram já cintos negros.

A Europa e Portugal em particular têm contribuído para o seu desenvolvimento mundial.

Em 1958 chega a Portugal o mestre Kiyoshi Kobayashi, o principal impulsionador do nosso Judo. Em 1964, o Judo é admitido como desporto de demonstração aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Em 1972 é finalmente tornada modalidade Olímpica nos Jogos de Munique.

Actualmente o Judo é um desporto universal praticado por cerca de 10000 Portugueses. Sendo os nossos atletas já temidos mundialmente, devido à sua classe, tendo já em seu poder vários títulos ganhos, desde campeonatos Europeus, Mundiais e recentemente um 3º lugar (medalha de Bronze) nos Jogos Olímpicos de Sidney, proeza de Nuno Delgado.

Penso que o Judo, tendo profundas raízes ligadas ao passado e ao Japão, é um Desporto moderno e projectado para o futuro.

Treinos de Karaté: Segundas e Quintas, a partir das 19.30h

Treinos de Judo: Terças e Sextas, a partir das 19.30h

Miguel Geraldes 12ºAS e Catarina Canarias 12ºTD