UM OLHAR SOBRE O HOMEM PORTUGUÊS

A actividade denominada “Um olhar sobre o Homem Português” decorreu na semana de 15 a 19 de Março e teve como objectivo dar a conhecer algumas das características mais marcantes do homem português, apontando as suas diferenças em relação aos homens de outros países. Realçaram-se aspectos como o carácter aventureiro, a ligação à terra, a forma como é visto pelos franceses, a visão plástica e a procrastinação, bem como os diferentes papeis que ele desempenha: pai, escritor, emigrante e amante. Nesta actividade estiveram envolvidos vários grupos disciplinares, das Línguas às Artes, passando pela Educação Tecnológica e a História. Também o Grupo de Teatro se envolveu nesta actividade através da apresentação de uma peça.

De realçar ainda a colaboração activa dos alunos de diversos anos e turmas que se empenharam na realização desta actividade, disponibilizando inclusive algum do seu tempo livre.

 

 

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Os homens Portugueses de agora NÃO:

Têm respeito;

Têm carácter;

Têm responsabilidades;

Têm educação;

São cavalheiros;

São amorosos;

São interessantes;

São charmosos;

...

           

 

Mas o maior defeito deles é serem MACHISTAS, algo que todas as mulheres não suportam, e que lhes piora o carácter.

 

Na brincadeira!

 “Os portugueses cospem no chão, tiram cera dos ouvidos, têm uma tara doentia por acidentes e estão sempre a resmungar.”

 
Francisco Salgueiro

 

O homem Português como testemunha

 

O homem Português é sempre o primeiro na chegar ao local da tragédia, dá o seu testemunho apenas dizendo frases como ”E quando aqui cheguei estavam todos a chorar.”, não explica mais nada e chega para se fazer uma notícia televisiva.

 

Inês Marcelino, 9ºB

 

Entrevista a um homem Português que exerce a profissão de Construtor civil:

Ser construtor civil é uma profissão que ,hoje em dia poucos desejam ter, se calhar é devido a esta ser  muito cansativa …

De seguida vou apresentar uma entrevista feita  a um senhor que, apesar de não ter podido estudar, está bem na vida, vivendo apenas do seu trabalho. Tem cinco filhos e claro, uma esposa.

            É um grande homem, pois apesar e ter muitas “dores de cabeça” por causa da sua profissão, este sabe divertir-se com a família e com os seus amigos, chegando a ficar um pouco “quentinho”, mas nada que não se cure com uma noite bem dormida.

 

 


 

 Para começarmos a entrevista, podia revelar o seu nome e respectiva idade?

- O meu nome é Joaquim Gaspar Gonçalves e tenho cinquenta e uma Primaveras.

 

Há quanto tempo exerce  a sua profissão?

- Se bem me lembro há vinte e cinco anos.

 

 Esta é a profissão que sempre quis ter ou desejava ter outro emprego?

- Se tivesse tido a oportunidade de estudar mais, e se soubesse o que sei hoje… Na altura em que segui este ramo preferia ter outra profissão, pois esta é muito cansativa.

 

Os seus pais deixaram-no estudar até que ano?

- Apenas me deixaram fazer o quarto ano e …

 

 Está feliz com que obteve na sua vida?

- Sim estou, porque tenho uma esplêndida esposa e cinco filhos maravilhosos.

 

A sua profissão é-lhe suficiente para viver e para ter algumas regalias?

- Em parte , pois não falta nada aos meus filhos e à minha esposa.

 

 Quais os aspectos que considera mais importantes na sua profissão?

- Os aspectos positivos de que eu próprio me orgulho são nunca me ter faltado trabalho, e claro tive a hipótese de construir a casa onde neste momento habito.

 

E quais os aspectos negativos?

- Sobretudo é ser uma profissão que faz muito despesa e o lucro não ser muito, e... é muito cansativa.

 

 É um amante daquilo que faz?

- Por vezes sim por outras não, porque tenho clientes que no início apresentam um projecto e nunca estão satisfeitos com os resultados obtidos, mas tirando isso gosto de fazer o que eu faço.

 

 Se um jovem rapaz lhe pedisse alguns conselhos para o ramo de construção civil, quais seriam as suas palavras?

- Acho que em primeiro lugar dizia-lhe para pensar se é mesmo esta profissão que ele quer seguir, porque por vezes esta não dá muito rendimento, mas sim muito trabalho, depois dizia-lhe para fazer o trabalho bem feito e não fazer as paredes tortas. 

Acabamos de entrevistar um homem de H maiúsculo pois este tem e cumpre responsabilidades, tem um pensar muito interessante e é muito simpático, não se recusando a responder às minhas questões.

É de senhores como estes de que o mundo necessita!


 

 

            Inês Marcelino, 9º B

 

 

 

 

Camões – um Poeta – um Homem Português  que escreve sobre o Amor

 

Uma história de amor

 

O Adamastor - Canto V, de Os Lusíadas

                       

51        “Chamei-me Adamastor, e fui na guerra

                        contra o que vibra os raios de Vulcano;”

 

            Segundo Amélia Pinto Pais, “É a história do Gigante, um filho da Terra que, com os restantes irmãos, Gigantes como ele, haviam ousado escalar o Olimpo, destruíndo-o, e tendo sido posteriormente castigados pelos Deuses; a ele coubera-lhe a tarefa particular de defrontar Neptuno.

            A história deste Gigante tão temeroso é, afinal, uma história dramática de amor frustado, infeliz, porque feito de desejo erótico, insatisfeito por uma ninfa, Téthys”.

 

            De facto na estrofe 52, o Adamastor diz:

 

            “Um dia a vi, co’as filhas de Nereu,

            Sair nua na praia: e logo presa

            A vontade senti de tal maneira,

            Que inda não sinto cousa que mais queira”.

 

            O Adamastor está perdidamente apaixonado pela Thétys mas é um amor impossível por ser um Gigante feio, monstruoso e desproporcionado. Atraído pela Thétys, o Adamastor corre em sua direcção para a abraçar:

 

            55        “ Como doudo corri de longe, abrindo

                        Os braços pera aquela que era vida

                        Deste corpo, e começo os olhos belos

                        A lhe beijar, as faces e os cabelos.”.

 

            Julgando tê-la já nos braços, é terrivelmente surpreendido ao descobrir que o que abraçava era sem mais nem menos do que um rochedo, transformando-se em seguida ele próprio num penedo, sendo castigo do Céu:

           

56        “Que, crendo ter nos braços quem amava,

                        Abralado me achei c’um duro monte

                        De áspero mato e de espessura brava.”.

           

            Na estrofe 59, podemos verificar a sua transformação em penedo:

 

                        “Converte-se-me a carne em terra dura;

                        Em penedos os ossos se fizeram;

                        Estes membros que vês, e esta figura

                        Por estas longas águas se estenderam.

                        Enfim, minha grandíssima estatura

                        Neste remoto Cabo converteram

                        Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,

                        Me anda Thétys cercando destas águas”.

 

            Este foi o triste destino do Adamastor por decisão dos Deuses. O Gigante monstruoso revela ter sentimentos: está apaixonado e chora pelo amor impossível:

            60        “Assim contava; e, c’um medonho choro,

                        Súbito d’ante os olhos se apertou.”.

 

Celina Martins 9ºB

O HOMEM PORTUGUÊS  E O EMIGRANTE PORTUGUÊS VISTO PELOS FRANCESES

 

CONCLUSÕES DE UM INQUÉRITO

 


 

Para integrar a actividade «Um olhar sobre o homem português», na disciplina de Francês de 10º ano (nível de continuação da Formação Geral), decidiu-se elaborar um inquérito para tentar perceber a imagem que os franceses têm do homem português. Dado que um dos temas do programa se prende com a exclusão/inserção social, decidimos também estudar como é visto o nosso emigrante em França uma vez que a imigração é muitas vezes conotada com exclusão, problemas de integração etc.

O inquérito foi feito a 36 pessoas das quais 30 estudantes dos 15 aos 19 anos e 6 adultos (professores e auxiliares de educação). 32 são do sexo masculino e 4 do sexo feminino. Foi realizado no liceu profissional de Narcé, uma escola parceira do projecto Socrates «Para uma escola motivada e sustentada».

Nenhum dos inquiridos visitou Portugal mas 22 (61%) afirmam conhecer portugueses. Para 45% são colegas de turma ou amigos de infância; para 23% são amigos da família e para 18% são vizinhos.

75% dos inquiridos dizem que o emigrante português é bem acolhido em França e 78% que se integra bem na sociedade francesa.

Os portugueses associam Portugal a um país de férias, de calor. Palavras como mar, sol, calor, férias, festas e praia são referenciadas com muita frequência. Também nos associam ao Futebol e o nome de Figo é bastante nomeado.

Os inquiridos fazem um balanço positivo dos portugueses. As palavras que escolhem para caracterizar os homens portugueses são, por ordem decrescente, festeiros, simpáticos, trabalhadores, acolhedores, românticos e sorridentes. Mas também têm defeitos: têm mau carácter, são barulhentos, desconfiados, possessivos e machistas. Relativamente ao aspecto físico, o homem português é descrito como alguém de cabelo comprido, mal barbeado, bronzeado e peludo. Poderá esta última visão estar relacionada com as inúmeras anedotas sobre os portugueses sobretudo as portuguesas peludas e com barba? Se compararmos a descrição feita do homem com a do imigrante português, verificamos que os adjectivos desconfiado e desonesto caracterizam mais o imigrante que o português. O homem português é mais festeiro, mais alegre que o imigrante. É normal visto nos associarem às férias e às festas. O imigrante é visto como alguém que vai para França para trabalhar e por isso é caracterizado como nostálgico, triste, sonhador e menos viajante.

Para estes jovens, o imigrante português trabalha sobretudo na construção civil mas é ainda visto a desempenhar funções de porteiro.  É ainda associado ao trabalho clandestino e à pobreza.

Para eles, o imigrante português mora em prédios, nos HLM (habitações sociais) e como qualquer imigrante é colocado nas «cités» de imigrantes, nos «bidonvilles» (bairros de lata), em barracas e caves.

Consideram-nos ainda um povo que gosta muito de comer e beber melhor. No que concerne aos nossos gostos pensam que amamos o mar e o vinho. Como nos associam ao mar, pensam que a base da nossa alimentação é o peixe, sobretudo o bacalhau e a sardinha. Também somos grandes consumidores de batata e legumes.


 

 

ESTEREÓTIPOS E CLICHÉS SOBRE O HOMEM PORTUGUÊS

 

Outra actividade levada a cabo foi a recolha de provérbios em Francês e Português que caracterizassem o homem. Encontraram-se alguns provérbios equivalentes nas duas línguas o que leva a crer que o homem francês se assemelha ao português, mas muitos outros são específicos e caracterizam dois povos diferentes nas suas atitudes. A recolha de imagens do homem português na imprensa e sites franceses mostram também uma simpatia pelo homem português. São, no entanto,  imagens estereotipadas, clichés  que generalizam o povo.

 

Pontualidade: Não a conhecemos. No entanto, esta característica considerada uma falta de respeito pelos outros, não se aplica ao povo português. Somos  um povo que tem um profundo respeito pelo ser humano.

 

 


 

Homem / Amor: romântico, sentimental que dificilmente exterioriza os seus sentimentos com palavras.

 

Ódio: só o manifestam em situações excepcionais. Preferem mil vezes amar que odiar.

 

Charme: O sorriso de um homem português derrete qualquer francesa.

 

Fidelidade: nem mais nem menos que os outros.

 

Lealdade: Este termo é tão importante na amizade como nos negócios. A sinceridade nos sentimentos é primordial. Associado ao amor e à noção de fidelidade, não são mais leais que os outros. Na política não são muito fieis. Não hesitam em não votar no candidato preferido porque supõem que um político só trabalha, se não estiver no poder.

 

Casamento: É visto como positivo nem que seja para preservar as tradições. È também encarado como o culminar de uma relação. São bons companheiros, apreciam a vida de casal e fazem tudo para que a harmonia reine no lar.

 

Paternidade: São orgulhosos no desempenho desta função. A geração mais antiga de homens recusa partilhar as tarefas domésticas mas torna-se menos frequente nas novas gerações.

 

Machismo: Tanto se revelam machistas como muito meigos nas suas atitudes para com o ser amado. Um português machista não o é por natureza, apenas por cultura. E é muito fácil mudar esta atitude. 

 

Simpatia: Não há mais simpático que um português; por vezes a simpatia prega-lhe mesmo partidas. O português é também muito prestável.

 

Carinho: O português tem carinho para vender mas como não é interesseiro dá-o.

 

 

Humor: Os portugueses, contrariamente à ideia de nostálgicos e tristes, são vistos como grandes crianças que gostam de pregar partidas até ao fim da vida. Gostam de rir, de festas e têm muito sentido de humor.

 

 

Pudor: Geralmente são bastante pudicos. Têm de se sentir à vontade.

 

Físico: O físico do homem português agrada. Recentes sondagens na imprensa feminina francesa mostram que o português é eleito pelo seu físico e charme. Os portugueses praticam desporto pelo benefício da saúde, os franceses para melhorarem a sua aparência física.

 

Respeito: Respeitam muito as mulheres. A mulher portuguesa é vista como uma rainha ou pelo menos com um estatuto muito particular. Por natureza, são muito corteses com as mulheres excepto quando estão entre homens. Também nunca verá, num transporte público, um homem sentado e uma mulher de pé.

 

Educação: È por natureza bem educado. Esta característica é bem marcante no ritual escrito. Usam o superlativo, exagera-se na importância do interlocutor... Mas quando se enervam os palavrões saem-lhe da boca sem pensar. São humanos, por isso reagem facilmente.

 

Inveja / Ciúme: Os portugueses fazem a  diferença entre cobiçar o bem de outro (ser invejoso) e ter ciúme da amada enquanto que  o francês utiliza a expressão «être jaloux» para ambas as situações. Isto prova que não misturam sentimentos de amor com avidez.

 

Sexo: Os portugueses perdem-se por sexo. Expressões ligadas ao sexo deixam de ser injúrias  para fazerem parte da linguagem popular oral. Os habitantes da região do Porto têm a reputação de possuírem um vocabulário bastante censurado neste domínio. Um estudo da revista Men's Health de Novembro 2001, feito a homens de 11 países essencialmente europeus  entre os quais França, Itália, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda, mas também os USA et a Austrália, afirma que o homem português detém o record de relações sexuais por mês. Na opinião das francesas o homem português também não flirta, não corteja, vai directamente ao assunto. Olha muito sem se incomodar mas nada fará  sem autorização. Para um homem português, ser seduzido por uma estrangeira é muito excitante. Imagina de imediato uma relação  tórrida e vai gabar-se para os amigos.


 

 

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D. G.