Características do

Morangueiro Silvestre

 

Fragaria vesca Rosaceae
 

Esta Rosácea representa uma variante unilateral do tipo; da mesma maneira que o Geum urbanum e a Potentilla, o morangueiro possui o tronco da árvore frutífera debaixo da terra; um tronco subterrâneo denominado rizoma. O rizoma rasteiro do morangueiro, que está dentro do solo, vai emitindo para fora do solo as folhas a as pequenas hastezinbas em cuja ponta estão as flores. O morangueiro produz na primavera flores brancas com cinco pétalas contendo multidões de estames e de carpelos. Quando esta flor fenece, o crescimento que foi interrompido momentaneamente devido à intrusão astral, retoma, não apenas nas partes do morangueiro situadas abaixo da terra, mas também nas partes situados acima da terra. O rizoma emite pequenos conjuntos de folhas que rastejam sobre o solo e, em seus nós, ele emite raízes adventícias que se multiplicam e assim a planta também se reproduz por via vegetativa. Os receptáculos das flores que feneceram também começam a crescer e a se dilatar, se fundem com os pedúnculos de numerosos carpelos para formar os falsos frutos denominados morangos; este globo carnudo traz em sua superfície numerosos pequenos aquênios que são os verdadeiros frutos.

Esta Rosácea, amiga da terra, procura espontaneamente os terrenos das florestas, sombrios, úmidos, ricos em húmus que foram abertos à luz do sol devido ao corte na mata ou a algum furacão ou ainda pelo fato de ser aberto um caminho na floresta, etc. Encontramos morangueiros silvestres que nascem nesses bosques em grande quantidade desde que a umidade obscura favoreça tal proliferação e desde que também haja a penetração intensa do calor de verão, pois dessa maneira, os processos específicos dessa planta coincidem com a dinâmica do meio ambiente no qual esta planta cresce. Esta intrusão da luz e do calor no sombrio e no húmus faz com que o morango selvagem seja particularmente bem sucedido, pois ele pode utilizar duas substâncias que tem relação especial com a luz e o calor: a sílica e o ferro. A folha do morangueiro e seu aquênio são particularmente ricos em sílica. A sílica, como já tivemos ocasião de mencionar muitas vezes, desempenha no mundo dos seres vivos um papel importante que R. Steiner mencionou pela primeira vez, A sílica é portadora de forças estruturantes do organismo em sua periferia, ou seja, onde aquilo que é vivo, estabelece um limite com o meio ambiente através de sua própria forma, mas se abre igualmente a esse meio ambiente. Os revestimentos que cobrem o organismo e protegem cada órgão em particular, e ainda a esfera dos órgãos sensoriais é o domínio da atividade da sílica.

Os processos da sílica são, pois, na planta, um processo centrífugo, irradiante. Ele abre a planta ao vir-a-ser luminoso, favorece o "metabolismo da luz". Os "sentidos luminosos" da planta se encontram dessa maneira despertos e ela pode muito bem dispor de pequenas quantidades de claridade para poder crescer. É interessante notar que os morangos são muito açucarados e aromáticos, mesmo quando o tempo em que ele cresceu foi chuvoso e nublado. Ao contrário, o processo ferro relaciona ritmicamente o cósmico com o terrestre. Tal processo, no morangueiro, é sutilmente ativo e atua mais num sentido dinâmico do que num sentido material.

Tais processos cósmicos de calor e da luz tem como resposta um abundante processo açúcar que surge nas folhas e flui nas flores e nos frutos, tal como nós observamos em todas as Rosáceas. A soma destas atividades é o morango, simultaneamente carnudo açucarado e muito aromático; ingerido pelo ser humano, ele pode estimular beneficamente as atividades correspondentes a ele próprio, sobretudo se ele for preparado sob a forma de medicamento, per exemplo, associado a urtiga. Tal medicamento ativa a formação do sangue a partir da esfera metabólica e impulsiona principalmente o fluxo sanguíneo até a extrema periferia do corpo, graças à sílica (esse processo pode ser muito forte em algumas pessoas e provocar erupções na pele). Em muitas formas de anemia, poderemos preparar um excelente medicamento a partir de morangos.

Os frutos dessa planta (na realidade o morango é um pseudo-fruto) possuem sementes (botanicamente cada uma delas é um fruto) na periferia de sua estrutura. O centro do morango é oco e a parte interna é esbranquiçada. Ao observarmos um morango cortado transversalmente, iremos notar que a parte central é oca, e mais para fora iremos encontrar uma estrutura branca e depois, indo para a periferia, a cor vai ficando cada vez mais vermelha e o sabor mais doce. O morango se estrutura do centro para a periferia e, além disso, possui proteína que pode causar alergia em algumas pessoas.

Essas duas características: Movimento do centro para a periferia e atividade protéica, indicam uma proximidade do morango com o sangue que é formado na medula óssea, do centro para a periferia e possui uma enorme atividade protéica, porém contida pelo Ferro. Frutos de morango silvestre, elaborados juntamente com mel, constituem medicamentos utilizados no tratamento das anemias.

As folhas do morangueiro associadas às de videira, segundo uma indicação de R. Steiner, podem produzir um importante medicamento para o fígado. A relação com os processos do fígado se realiza, no morangueiro, através de maneira intensa com que as forças do calor e luz penetram nesta planta - forças de luz no sentido da formação de amido e açúcar, O fígado não é apenas o órgão onde se formam os glicídios, mas também o órgão mais quente de todo o nosso corpo.

   

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