História de Gavião

Acredita-se que o povoamento desta terra seja antiquíssimo, pois o topónimo Sá remete para a época suévica. Pertencente ao Território Portucalense, situada sob o monte de Vermoim, a villa Cavilam, no século XI, era bem próprio de um clérigo que, sentindo-se indigno e pedindo a misericórdia do Senhor, a doou, juntamente com outros seus pertences, à Sé de Braga, para mais justamente merecer o perdão dos seus pecados.
A maior parte dos lugares de Gavião fala-nos da importância dos elementos naturais e da vida agrícola, que são a sua marca mais forte: Devesa, Azinheiro, Souto de Fora, Casal, Picoto, Loureiro, Bica, Moledo, são alguns exemplos. Enquanto Real atesta a existência de terras reguengueiras (Cf. Inquirições de 1220, que nos dizem que o rei tinha uma leira da qual recebia um almude de pão e outro reguengo em Real), Quintã sugere território honrado.
Podemos afirmar que as terras reguengueiras não rendiam muito ao rei, e as Inquirições de 1220 revelam ainda que outras instituições eclesiásticas possuíam aqui propriedades (várias igrejas e mosteiros). Gavião sofreu a acção da

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mão régia, na tentativa de evitar usurpações indevidas e o aumento do poder da nobreza. O porteiro era tolhido de entrar em Sá e Valdoi, que não queria peitar voz e coima. Este foi território honrado durante 10 anos, mas as Inquirições de D. Afonso III mandaram devassar o lugar. Igual sorte teve Sá, honra nova instituída sem carta ou marca régias. Em Valdoi estão também referidos abusos com o amádigo. Ainda podemos saber que, na Idade Média, os habitantes de Gavião eram obrigados a ir ao castelo, possivelmente de Vermoim.
Os Tombos das igrejas de Antas e Gavião, do século XVI, falam sobretudo das formas de exploração da terra, dos frutos das
propriedades e da estrutura dos casais, unidades agrícolas que deviam predominar na freguesia.

Em volta do casal, com os seus espaços habitacionais, adega, lagar, palheiro e lojas de gado, decorria o dia-a-dia das populações.
As Memórias Paroquiais de 1758 alegam que Gavião pertencia ao arcebispado de Braga, se situava na província de Entre-Douro-e-Minho, e fazem ainda referência ao juiz de fora de Barcelos, à correição de Barcelos e ao Julgado de Vermoim. Gavião possuía nesta altura 95 vizinhos, 423 pessoas, maiores ou menores, entrando criados de um e outro sexo e 50/60 pessoas da terra andariam emigradas, à procura de melhor sorte ou fortuna. Produzia, em maior quantidade, milho grosso, mas também recolhia milho miúdo, algum centeio e painço ... vinho verde e pouco azeite. A paisagem rural era marcada pela variedade de culturas e pelo minifúndio.
Ao longo dos séculos, Gavião foi sempre uma freguesia eminentemente agrícola. Nem sempre a terra produziu em abundância e documentação coeva do século XVIII dá conta de anos de pobreza na freguesia. A falta de água, nos anos em que o caudal do Pelhe era

menor, originou conflitos entre os agricultores, alguns dos quais represavam a água, e a população, que se via, por vezes, privada da água do povo. Documentação antiga faz referência a conflitos relacionados com a Fonte das Ribeiras, localizada no largo do mesmo nome, que fornecia a água do povo.
No século XV, Gavião foi integrada no concelho de Barcelos, em 1836 passou a fazer parte do município famalicense e em 1852 da comarca de Vila Nova de Famalicão.
Gavião deu ao concelho alguns nomes ilustres, e, ao longo dos séculos XVIII e XIX, a documentação refere a existência de abastadas casas agrícolas que atestam a vitalidade económica da freguesia.
No decorrer de todo o século XX, o crescimento de Gavião foi sustentado e contínuo, sendo hoje uma das freguesias mais prósperas do concelho.