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Sistemas no eixo do tempo Um instrumento para o pensamento |
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Perante uma situação complexa, é-nos muitas vezes exigida uma opinião individual e acertiva.
A complexidade da situação dificultam uma tomada de decisão instantânea ou imediata, significando a existência de muitos parâmetros, variáveis, componentes, intervenientes, relações, valores e normas.
Existem "informações no ar" (informações eventualmente não personalizadas mas dominantes) que nos induzem a uma resposta típica. O director do jornal Expresso chamou-lhe "o ar do tempo" (*).
Seria bom que cada pessoa tivesse um instrumento para a abordagem do real.
O
esquema que aqui apresento é um esboço desse instrumento para pensar.
Não está terminado nem o considero perfeito.
Mas serve-me tal como uma mesa para segurar os pratos onde me alimento.
| QUESTÕES | SISTEMAS | RECURSOS | RELAÇÕES | RESULTADOS |
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1. Quando? |
1. Tempo |
Antes |
Durantes |
Depois |
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2. Onde? |
2. Ambiente |
Causas |
Circunstâncias |
Consequências |
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3. Quem? |
3. Comunicação |
Emissores |
Mensagens |
Receptores |
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4. O quê? |
4. Acontecimento |
Previsões |
Acções |
Repercussões |
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5. Como? |
5. Mecânico |
Impulsos |
Movimentos |
Percursos |
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6. Quanto? |
6. Produção |
Utensílios |
Operações |
Produtos |
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7. Porquê? |
7. Cognitivo |
Necessidades |
Processamentos |
Satisfações |
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8. Por que? |
8. Lógica |
Premissas |
Demonstrações |
Proposições |
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9. Se sim? |
9. Ensinação |
Ensinamentos |
Ensinos |
Aprendizagens |
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10. Se não? |
10. Problema |
Dados |
Resoluções |
Soluções |
|
11. Para quê? |
11. Avaliação |
Diagnósticas |
Formativas |
Sumativas |
Para cada sistema no eixo do tempo, é necessário:
distinguir, identificar, definir, ordenar e catalogar
cada uma das suas componentes.
Agora, poderemos aplicar este instrumento numa análise de uma situação complexa.
Por exemplo, no caso da actual situação complexa:
Disciplina "Educação Sexual" nas escolas portuguesas
Para apresentar uma opinião individual robusta, é necessário reflectir sobre muitas coisas. Nomeadamente:
- Causas, circunstâncias e consequências da aplicação da disciplina no ambiente escolar;
- Emissores, respectivas mensagens nos canais e receptores do sistema de comunicação gerado pela disciplina;
- Previsões, acções e repercussões dos currículos activos (escrito, ensinado, aprendido e praticado) desta disciplina;
- Impulsos, movimentos e percursos dos intervenientes (alunos, professores, especialistas, pais, etc.) nesta disciplina;
- Utensílios, ferramentas, operações e produtos desta disciplina;
-Necessidades, processamentos e satisfações dos intervenientes na disciplina;
- Premissas, axiomas e princípios assumidos e não assumidos pelos intervenientes; demonstrações dos assuntos dos currículos; Esclarecimentos das proposições, teoremas e teorias subjacentes a esta disciplina;
- Ensinamentos, ensinações e aprendizagens esperadas;
- Dados, resoluções e soluções dos exemplos e problemas no currículo desta disciplina;
- Avaliações diagnósticos, formativas e sumativas deste currículo.
Esta é uma abordagem difícil:
- Exige a intervenção de especialistas diversos
- Durante diferentes momentos
- Investimentos assegurados
- Intervenções dedicadas
Mas penso que chegou a hora das decisões políticas serem tomadas com o suporte dos diversos cientistas necessários.
Para que uma medida politica seja eficaz não basta ter boa vontade e/ou interesse e/ou dinheiro.
É necessário Saber Inovador!
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Daquilo que pensou ... Certamente está sensibilizado para esta problemática nos domínios da informação e da expressão do conhecimento.
O que apetece dizer? |
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Comentários:
24Set2005 [Alcina - alcina@coldmail.com]
Existem de facto alunos que não querem aprender!! Nem deixam os outros aprender!!
Desvalorizam a escola!!menosprezam-na!! De facto o professor não tem como resolver a situação. Não tem mesmo!
Então??? Põe esses irrequietos seres no "lixo"?!
De onde muitas vezes eles provêm! O objectivo do docente é infindável ! sem poder intervir pode tentar remeter para quem o deva fazer!
Atenção, no entanto àquele cubinho de conhecimentos e comportamentos correspondentes ao idealizado pelo professor. Existem grandes círculos auspiciosos, círculos médios bem sucedidos em espaço suficiente, pequenos hexágonos com a flexibilidade entorpecida pelo ambiente. Podemos no entanto vir a ser avós de qualquer poliedro irregular, fruto de determinada conjugação involuntária de factores,
Que forma terá o modelo de aluno nessa época? não sabemos! O poliedro, esse será sempre nosso! Porém existem de facto situações complexas de alunos e de famílias e,
em paralelo, professores que empenhados não encontram onde recorrer!!!! Elaborando fundamentações pedagógicas sensatas não chegaremos de pressa, mas parece a melhor via!!
Resposta: o desafio da aprendizagem é a motivação do professor.
Fazer com que os alunos aprendam mais e melhor e todas as aulas.
Por vezes, o cansaço toma conta desta ilusão.
Mas com alguma persistência, continuaremos a fazer os alunos crescer algo.
24Dec2004 [Anónimo]
Ainda sou estudante - frequento o 10º ano de escolaridade.
Não suporto quando alguns dos meus colegas perturbam o decorrer da
aula: se não querem ouvir, que não ouçam, não têm é o direito de impedir
aqueles que se interessam de prestar atenção!!
O que me irrita mais é ver que alguns professores não fazem
rigorosamente nada em relação a isso - ou porque têm medo dos alunos em causa ou das reacções dos seus pais...! Ou até porque não estão para se chatear!
A ideia aqui exposta parece-me muito boa e poderá, porventura, ajudar a
ultrapassar o problema em causa. Talvez assim, alguns alunos tomassem
consciência dos problemas que causam não só aos professores mas também
aos seus próprios colegas
Resposta: O ruído na sala de aula é motivo de uma ausência de concentração no tema em estudo. Os diálogos paralelos dos alunos podem ser motivados por coisas de fora da sala de aula ou de dentro. Além disso, nenhum aluno tem a sorte e ter todos os professores de que desejaria/mereceria nem os professores conseguem implementar as estratégias adequadas a todos os tipos de alunos.
Este conflito/crise na sala de aula não tem uma solução. Mas o professor, por principio, deve experimentar algumas estratégias que mantenham a atenção, interesse e consecutiva aprendizagem dos alunos.
Uma verdade é que não há qualquer incentivo a uma imposição hierárquica do poder do professor ou à submissão do aluno.
Outra verdade, é que o aluno não deveria ter de aprender tantas coisas inúteis para a sua vocação.
Não há solução, mas há diálogo para a sala de aula.
12 Mar 2004 [Não se identificou]
Pensa-se demasiado e não se executa nada!
Qualquer desculpa serve de subterfúgio para continuar com a mesma
hipocrisia de há trinta anos atrás.
Resposta:Sim!
É essa a sensação de quem espera que sejam os outros a fazer!
Mas podes ver o meu currículo (um_eu na minha homepage) que tenho estado muito activo nos últimos dez anos, na formação de professores e dinamização de escolas.
Talvez se participares um pouco mais essa sensação desaparecerá. O entusiasmo com que abraçares uma tarefa não te deixará tempo para pensar naquilo que os outros não fazem.
E sobre este texto, o que achas? Serve para alguma coisa? Eu penso que ajuda a resolver problemas do dia-a-dia, como um acidente de viação, a construção de uma rua ou o projecto de uma actividade cultural?!!!
(*) Saraiva, José António. (2004). O ar do tempo, política à portuguesa. Jornal Expresso Nº1634, 21 Fev 2004. Lisboa.
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Simões, Alcino. (1998-200?, Mar 2004). Sistemas no eixo
do tempo, um instrumento para o pensamento. Folha do alcino.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/varias/sistemas.htm
alcinosimoes@yahoo.com