Alcino Simões 11 Jul 2006 |
O que é? Porque existe? Como o maximizar? |
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0. Introdução
(definição; sucesso aumenta; níveis satisfatórios;
o professor)
1. O que é o
sucesso?
(o sucesso é do aluno; quantificar;
factores; atribuição errónea do insucesso; consequências)
2. Porque existe insucesso matemático?
(sempre existiu; causas; factores históricos de Portugal; características da
Matemática; factores ambientais)
3. Como maximizar o sucesso matemático?
(IMPULSO = PROGRAMA; ambiente familiar; metodologias do professor; professor
trabalha em grupo; avaliação; currículo; prémios; especialistas; gestão escolar;
avaliação do professor; cheque-educação; materiais didácticos; instrumentos educativos; autonomia
da escola; tutoria; horário
semanal; Instituto do Ensino da
Matemática;
Psicologia da Aprendizagem;
arquitecturas escolares; televisão; explicadores; colocação de professores)
4. Plano de Acção para o Sucesso na Matemática
Comentários (dos
leitores)
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0. Introdução
São perguntas como estas que perseguem o professor de
Matemática durante toda a sua carreira.
Possui uma angústia quando
reconhece que as implicações do sucesso de hoje de um aluno vai reflectir-se
nos que vivem com ele e dos que, mais tarde, irão depender dele.
A seguir, apresentam-se algumas ideias,
pressupostos e sugestões de uma forma sintética. Isto não é um texto
terminado ou rigoroso. Pretende-se promover uma reflexão abrangente sobre a problemática do insucesso escolar.
0.0. Não existe uma definição de insucesso. A
ideia de insucesso está associada a uma falha ou lacuna num conhecimento ou
comportamento. Eis algumas definições:
- o insucesso a uma disciplina ocorre quando o aluno não concretiza os
competências/objectivos pré-estabelecidos;
- o insucesso no final do ano ocorre quando o aluno não obtém
aprovação/progressão;
- o insucesso resultante de uma avaliação externa ocorre quando um aluno não
atinge os resultados quantitativos medianos;
- o insucesso social de um aluno ocorre quando ele não realiza satisfatoriamente
uma actividade que a comunidade prevê para a sua idade.
O nível de (in)sucesso é determinado pelo avaliador ou professor, perante
a auscultação das comunidades em que se insere (professores da disciplina,
professores da escola, programadores ministeriais, comunidade da escola, ...).
A constatação de um insucesso deve conduzir a um acréscimo ou alteração
da acção educativa. O acréscimo é visível nas aulas de apoio, nas fichas de
trabalho, nas explicações disciplinares externas à escola, nos clubes, etc. A
alteração da acção educativa pode actuar sobre a metodologia do professor, a
constituição das turmas, o horário da turma, a alimentação na escola, a
comunicação familiar, etc.
0.1. Na verdade, o sucesso dos alunos tem aumentado
nas últimas décadas:
- no número de alunos matriculados na totalidade das escolas;
- no número de alunos que acedem ao ciclo de estudos seguintes;
- na manutenção ou incremento dos valores mínimos (médias) de entrada em cursos universitários;
- na quantidade de conhecimentos culturais dos alunos;
- na qualidade das competências sociais que se podem exigir aos alunos.
0.2. Estranhamente, o insucesso dos alunos portugueses surge em ambientes com factores e condicionantes favoráveis. Na verdade, hoje existem níveis satisfatórios de edifícios escolares, de materiais didácticos, de profissionais/trabalhadores da educação, de condições familiares e de apoios institucionais.
0.3. O sucesso escolar é distinto do sucesso social e do sucesso individual. Mas o sucesso escolar favorece os outros dois sucessos.
0.4. Os professores desejam, trabalham e reflectem para mais e melhor sucesso. Mas não são os elementos primordiais para o sucesso. Com maior influência no sucesso está o processo cognitivo do aluno, o ambiente famíliar, os valores da sua sociedade e os procedimentos do sistema educativo.
1. O que é o sucesso?
1.0. O (in)sucesso é do aluno!
Só depois se podem deduzir os (in)sucessos do professor, dos pais, da escola ou da
sociedade.
1.1. A definição de sucesso matemático está inversamente relacionada com a definição de proficiência matemática (ver texto). Aumentar o sucesso matemático equivale a diminuir a exigência de proficiência matemática.
1.2. O sucesso é quantificado pelo número de alunos que atingem os níveis positivos determinados pela escola. Contudo, não basta dizer que o insucesso na disciplina de matemática é o número de alunos com "negativa" a esta disciplina, devendo também ser incluído os que abandonam a escola e os que não têm acesso a ela.
1.3. Existem muitos FACTORES que determinam o sucesso matemático:
O ALUNO: concentração, memória, processamento mental, percepção, expressão
corporal, expressão oral, comportamento, nível de expectativas, número de horas
de sono, quantidade de alimentos, qualidade alimentar, tempo de estudo
solitário e em silêncio, tempo de estudo em grupo, tipo de actividades de lazer,...
A FAMÍLIA: número de elementos do agregado familiar, presença dos progenitores,
nível de comunicação com os familiares, nível de escolaridade dos encarregados
de educação, disponibilidade financeira,...
OS PROFESSORES: conhecimentos científicos, conhecimentos pedagógicos, nº de anos
de docência (experiência profissional), qualidade da comunicação educacional,
diversidade das actividades lectivas, utilização de materiais didácticos,
auto-formação, ...
A ESCOLA: arquitectura da sala, diversidade de currículos, horário escolar,
escalas de classificações, disponibilidade de psicólogo, nº de alunos na turma,
qualidade dos alimentos, formação dos auxiliares
educativos, qualidade da gestão escolar, transporte casa-escola,...
A SOCIEDADE: incentivo à aprendizagem, acompanhamento de casos desviantes,
disponibilidade de especialistas, apoio das autarquias, prémios de sucesso,
restrição a actividades viciantes, valorização de livre iniciativa, ...
1.4. O insucesso escolar dos alunos tem sido
erroneamente atribuído:
- O insucesso não provém dos livros - Em relação aos livros que existiam à
alguns anos atrás, cada vez há maior quantidade, têm mais imagens, mais cores,
mais didácticas, mais baratos e mais diversificados;
- O insucesso não deriva do saber do
professor de matemática - Nunca existiu até hoje uma tão grande percentagem e
quantidade de professores licenciados em Matemática e em Ensino da Matemática.
Até recentemente, muitos professores de Matemática tinham formação inicial em
Ensino, provinham de
Engenharias ou de outros cursos universitários com limitada componente Matemática;
- O insucesso não deriva do saber-fazer do
professor de matemática - Apenas após a entrada de Portugal na Comunidade
Europeia existiram condições para fornecer formação contínua ao longo da
carreira do professor; Além disso, de entre todos os professores, os de Matemática são
os que mais promoveram e participaram em encontros e seminários dinamizados
pelos melhores conferencistas;
- O insucesso não provém das metodologias do professor - A aula expositiva
está a desaparecer e estão a surgir aulas de grupo, aulas de pesquisa, aulas de
discussão, aulas de experimentação, aulas de produção, aulas de reflexão, etc;
- O insucesso não provém dos recursos escolares - As salas de aula têm
mais materiais do que o quadro e o giz; Já há calculadoras, caixas de sólidos,
retroprojectores, computadores, sensores, etc;
- O insucesso não provém dos horários escolares - Para além as aulas
obrigatórias, a escola fornece bibliotecas, clubes, salas de estudo, salas de
lazer e espaços abertos que os alunos podem usar.
1.5. As consequências do sucesso dos alunos são detectáveis no seu desempenho familiar, social e profissional. As pessoas com algum tipo de sucesso educativo evidenciam competências e destrezas em procedimentos, nas estratégias, nos produtos e nos proveitos.
2. Porque existe insucesso matemático?
2.0. O insucesso
SEMPRE EXISTIU E EXISTIRÁ, senão vejamos:
- A sociedade exige que a escola faça uma filtragem escalonada de alunos,
donde se justifica a escala de classificação de 1 a 5 níveis (ens. básico) ou a de 0 a 20
valores (ens. sec.).
- Uma escola nunca aceita 100% de sucesso. A sociedade espera que a escola mantenha um exigente nível de competências nos
alunos. Quanto mais exigente for a escola em relação à sua comunidade, menores níveis de sucesso são
atingidos;
- Os alunos são diferentes, aprendem de formas diferentes e exprimem-se em modos
diferentes, determinando diferentes registos para a sua avaliação que um
professor não consegue observar ou anotar;
- A Matemática tem um currículo único, limitando a eventual excelência
dos alunos em apenas algum dos seus temas; Além disso, o currículo é lacto e
abstracto.
- Em cada turma, o professor ajusta o nível de exigência para o tipo de aluno
mediano observado, resultando alunos com medíocre desempenho e outros com
excelente desempenho; Um professor sozinho na aula não consegue actuar com
diferentes metodologias num mesmo instante;
- Na sala de aula, existe um prazo único para a aprendizagem; Alguns
alunos precisam de mais tempo de aulas para apoio educativo, na escola ou num "explicador".
2.1. A
maior causa do
insucesso é atribuída às CARACTERÍSTICAS DA MATEMÁTICA:
- A abstracção dos conceitos, implica uma limitação do aluno no
estabelecimento de relações com o real;
- Os atributos de um conceito são todos necessários, implica uma
limitação do aluno na sua apropriação;
- A simbologia é única e unívoca, implica uma exclusão da expressão
pessoal do aluno na representação e descrição;
- A linguagem é fechada e distinta , implica uma limitação do
aluno na
relação com outras disciplinas;
- A comunicação é baseada em caracteres e na oralidade, implica a
limitação da percepção do aluno.
2.2. O
insucesso matemático dos alunos portugueses deve-se a FACTORES
HISTÓRICOS DE PORTUGAL:
- Até meados dos anos setenta, Portugal restringiu o acesso à escola a um
número limitado de pessoas
- Ainda predomina a cultura de negligência e/ou menosprezo pela experimentação, o saber e a
inovação; Cultiva-se e perdoa-se a preguicite aguda;
- O estado, como principal empregador, valoriza o perfil de trabalhador não dedicado,
ao pagar-lhe e de igual valor que os restantes;
- Há uma ausência de avaliação do trabalho e inexistência de implicações no
trabalhador;
- Apenas nos anos oitenta, Portugal fomentou uma escolaridade básica
obrigatória de nove anos e ainda não se alargou a doze anos;
- Após 1974, reduziu-se a diversidade curricular que era oferecida pelas escolas técnicas;
Têm surgido cursos profissionais ou currículos paralelos, mas
são ainda em número insuficiente (o número das escolas profissionais deveria
ser o das usuais escolas secundárias e vice-versa);
- A escola promove a homogeneidade em detrimento da valorização da
criatividade;
- A formação de professores exclui(u) conhecimentos e práticas das Ciências
da Educação essenciais para a profissão docente, tais como a Didáctica, a Metodologia e a Pedagogia
na
aula;
- Existe a permissão de uma pessoa leccionar sem possuir a formação
profissional de professor;
- As famílias têm poucos incentivos à Educação e poucos prejuízos pela
ausência de Formação.
2.3. O ambiente familiar pode não potenciar o sucesso a Matemática; A família é a base da educação de uma criança e a escola não consegue aceder e moldar a familia; Algumas características familiares mais determinantes para o (in)sucesso do aluno são a escolaridade dos pais, o nível de expectativas gerado na criança, a qualidade dos diálogos familiares, a quantidade de tempo de observação de TV, o tipo de programas de TV observados, o tipo de revistas e jornais adquiridos, o tipo de férias escolares,...
2.4.
O insucesso pode ser causado pelas características do aluno:
- A carga genética do aluno não o predispõe;
- A mente do aluno não está com o nível atenção óptimo;
- A memória do aluno não é estimulada nas diversas percepções;
- O nível de afectos do aluno é desajustado das solicitações sociais;
- A gestão do tempo do aluno insuficiente ou sem estratégia;
- Os materiais didácticos do aluno são diminutos ou desajustados;
- A alimentação do aluno é pouco diversificada ou insuficiente;
- O tempo de sono do aluno é pouco;
- O tempo de televisão do aluno é muito.
2.6. O insucesso pode dever-se a factores
ambientais:
- Localização periférica da região em relação a outros países ou regiões;
- Afastamento de um grande centro urbano ou não concentração populacional;
- Temperatura ambiente (excessivamente quente ou fria);
- Localização geográfica adversa (montanha, deserto,...).
3. Como maximizar o sucesso matemático?
3.0. A sociedade precisa de um IMPULSO = PROGRAMA
NACIONAL DE INCENTIVO À APRENDIZAGEM. Alguns dos seus desejados projectos:
- Concurso de ideias para desenvolver o sucesso educativo;
- Publicidade audiovisual (Rádio, TV e revistas) promotores da aprendizagem;
- Design com simbologia enaltecedora em produtos perecíveis
(roupas, revistas, lápis,...);
- Prémios e actividades para melhores alunos;
- Planos de observação e de acompanhamento dos piores alunos;
- Prémios de produtividade para melhores escolas;
- Fomento de parcerias entre entidades privadas e escolas;
- Fomento às empresas para terem planos de formação contínua;
- Definição do Psicólogo de Família (semelhante ao Médico de família).
3.1. O principal ambiente do aluno é o ambiente familiar; É o que lhe inspira procedimentos, pressupostos e anseios. A intervenção estatal deve agir preferencialmente no ambiente familiar; Para promover a aprendizagem, devem ser chamadas outras instituições/empresas e especialistas que possam intervir com alguma eficácia no ambiente familiar;
3.2. Os alunos são colocados nas turmas de acordo com os seus desempenhos e perfil detectados (ver texto); Podem existir turmas de nível a Matemática com currículos e tempos ajustados;
3.3. O professor deve estabelecer para cada aluno uma ponte entre o que ele já sabe e
aquilo que vai aprender. Para isso, as metodologias do professor
devem ser diversificadas:
- do concreto (objecto ou imagem) ao abstracto;
- da rua à sala de aula;
- do óbvio (ou simples) ao complexo;
- do conhecido à descoberta;
- do vulgar ao específico;
- da expressão ao pensamento;
- do animado ao fixo;
- do grupo ao indivíduo;
- da cópia à criatividade;
- do usual à arte.
Ao iniciar um tema, o professor recorre a objectos, factos, exemplos e situações
elementares mas significantes para os alunos. Só depois (entre 10 a 80 minutos),
e de acordo com o desempenho de cada e de todos os alunos, o professor propõe
tarefas mais exigentes, sempre num ritmo crescente de complexidade. Finalmente,
faz-se a síntese da aula.
Em cada aula, a actividade do aluno deve ser diversa (comunicação, materiais,
…).
3.4. O regime de uma sala de aula é uma
profcracia e não uma democracia. É fundamental que os decisores pedagógicos
de cada escola assumam o principio da autoridade do professor: autoridade do
adulto, autoridade do conhecedor, autoridade do pedagogo e autoridade do
profissional.
Cada escola deverá definir os tipos de comportamentos indisciplinados e
respectivas actuações dos intervenientes; Só assim será possível eliminar a
indisciplina na sala de aula e potenciar a calma e o gosto de aprender.
3.5. O professor deve trabalhar em grupo. Deve resultar do trabalho de grupo a planificação anual, temáticas e de aula. Devem existir modelos ponto-a-usar de planos de aula e de actividades escolares. O professor deve participar em formação contínua, contextualizada, da sua área disciplinar e com uma avaliação com repercussão no seu salário e cargos elegíveis, potenciando simultaneamente a indispensável auto-formação.
3.6. O ensino obrigatório deve
possuir currículos distintos que nascem de um currículo essencial. Em
cada currículo são aprofundadas as áreas temáticas e as competências matemáticas, de
acordo com um perfil de ciclo ou curso: currículo prático que conduz ao
ensino profissional; currículo prático-teórico que conduz ao ensino técnico;
currículo teórico que conduz ao
ensino científico-humanistico.
Qualquer profissão deve exigir o equivalente a
doze anos de escolaridade.
3.7. O tempo de aulas de Matemática deve ser alargado para os alunos com algum insucesso a Matemática. Numa aula semanal, o tema das aulas pode conter apenas os conteúdos pré-requiridos, os semelhantes à aula ou os complementares à aula. No primeiro caso, o ensino deve ser individualizado com apenas dois ou três alunos.
3.8. O professor deve efectuar uma avaliação de alunos que seja contínua, formativa, abrangente, ponderada, bem como recorrer à hetero e à auto-avaliação. As classificações do aluno devem ter implicações nos estudos posteriores (exemplo, negativa a Matemática no 6º ano obriga a matricula no 7º ano numa disciplina alternativa de Matemática; outro exemplo, negativa no exame de Matemática no 9º ano impede matricula em cursos científicos do ensino secundário).
3.9. As instituições educativas devem fomentar
prémios de produtividade para:
- Alunos com uma classificação elevada;
- Professores com prática docente excelente;
- Escolas com nível de cumprimento excelente;
- Associações de Pais com Nível de intervenção excelente.
3.10. A escola deve poder recorrer a especialistas, tais como, assistente social, pedagogo, informático, advogado, contabilista. É essencial a existência de um psicólogo para cada cinquenta alunos.
3.11. Separar e profissionalizar a carreira de gestor escolar da carreira de professor.
3.12. A avaliação do trabalho do professor deve ter implicações no seu salário e nos cargos elegíveis.
3.13. Os Encarregados de Educação devem receber um cheque-educação mensal quando compareçam em reuniões da escola. Estes poderiam ser convertidos em materiais didácticos para o filho, visitas de estudo ou participação em espectáculo.
3.14. A escola deve ter materiais didácticos diversos: livros e textos, quadro e giz de cor, retroprojector e acetatos, computador e software, régua e compasso, caixas de sólidos e objectos comuns, calculadoras, ...
3.15. As instituições educativas nacionais devem patrocinar a produção e a utilização de instrumentos educativos: grelhas de observação, fichas de apresentação, inquéritos, ficheiros Excel para avaliação de alunos, cartão de estudante, livro de ponto electrónico,...
3.16. As escolas devem ter autonomia comercial. Os postos de venda internos devem pagar impostos e os preços devem ser diversos de acordo com o escalão de subsidio atribuído pela escola. Permite obter financiamento para actividades e projectos.
3.17. As escolas devem prestar tutória aos alunos, tanto os que revelam dificuldades de aprendizagem e de relacionamento, assim como os sobredotados em alguma área do saber.
3.18. Todos os profissionais da educação devem ter um horário semanal fixo com presença obrigatória na escola.
3.19. O país precisa de um Instituto do Ensino da Matemática que fomente a investigação, a divulgação e a utilização contextualizada dos seus resultados, recorrendo à formação contínua de professores.
3.20. O país precisa de investigadores na área da Psicologia da Aprendizagem que desenvolvam investigações nas escolas e promovam a implementação dos seus resultados.
3.21. Muitos edifícios escolares precisam de algum tipo de remodelação para obter arquitecturas escolares ajustadas.
3.22. Perante filmes/documentários/vídeos violentos ou inúteis, a televisão deve ter uma legenda permanente do tipo "Este programa prejudica gravemente a sua saúde emocional".
3.23. Os explicadores devem ir à escola partilhar estratégias com os professores. As "explicações" devem ser subsidiadas e consideradas como um suplemento educativo.
3.24. O concurso de colocação de professores deve ser trienal. Todos os professores devem saber a escola onde irão trabalhar até dia 15 de Julho. Deve existir uma lista permanente de permuta e outra de colocação de professores.
NOTA: Este texto resulta das minhas reflexões com os indispensáveis contributos de dezenas de professores, alunos, amigos e investigadores. Estou muito agradecido ao esforço de cada um deles.
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Daquilo que pensou ... O que apetece dizer? |
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Comentários
10) 23Jun2006
[Fernando Alves
- falves@netvisao.pt]
Em fase de avaliações, são gritantes os resultados na minha escola. Mais crente
fico de que:
a) A esmagadora maioria dos alunos com insucesso são os que não têm pais
coerentes, que não exigem o mais elementar cumprimento das obrigações
escolares dos filhos (enquanto supostos estudantes), e que, pior ainda, são
descaradamente coniventes com o insucesso e a indisciplina dos filhos, como se
fosse algo muito natural;
b) Pelos casos dos alunos que subitamente "acordam", sou levado a dizer que o
insucesso da Matemática está na vontade que os alunos não têm de se aplicar
minimamente - quer estando com atenção nas aulas, quer dedicando tempo mínimo ao
estudo -, e não em outros factores listados extensivamente aqui e acolá. Como é
possível que alunos que sempre tiveram resultados abaixo de 20%, subitamente
galguem a fasquia dos 90%? Acordaram, segundo reconheceram para mim entre
dentes. Dificuldades a Matemática é coisa que a maior parte dos alunos não têm,
digo eu.
c) Daqui a alguns minutos vai iniciar-se o Exame Nacional de Matemática. A minha
disponibilidade para receber os alunos na escola, para se prepararem para o
exame, foi recebida com desdém pelos próprios alunos. A partir de 9 de Junho
meteram férias e ponto final. Só cá apareceram 4 alunas, com níveis 4 e 5, e,
mesmo estas, desdenharam parcialmente a oferta alegando que está muito calor
para vir até à escola. A esmagadora maioria dos alunos, pura e simplesmente
encara estes exames como mais uma pedra insignificante no seu percurso de vida.
É isto que vamos avaliar, esta pedra insignificante na maioria dos nossos
alunos.
d) Aos anos que se lançam medidas na educação em Portugal. Todas as medidas têm
uma característica em comum: não se pautam pela educação e formação serem, de
facto, uma exigência da sociedade. Apela-se à motivação, a isto e àquilo, à
vontade de saber e aprender, mas não há, de facto, contrapartidas concretas que
convençam o povo a aprender, a formar-se. Ser-se ignorante, inculto, iletrado e,
por consequência, ter insucesso na educação, é algo tão banal quanto aceitável,
nas famílias e na sociedade.
e) Quanto passa para os alunos a oportunidade de avaliarem a Matemática, as
respectivas aulas e respectivo professor, porque sou confrontado, ano após ano,
com as mesmas conclusões: "as aulas são boas, o professor explica bem, a
Matemática afinal até nem é difícil, a gente é que não estuda..."??? Confesso
que me sinto completamente impotente com esta avaliação dos meus alunos. É, como
diria alguém, "andar a trabalhar para aquecer"...
Resposta: a) Pelas leituras que tenho feito, tens razão: a família e o
ambiente familiar é o principal factor para o sucesso dos alunos.
b) Resulta do factor ambiente familiar; Alunos com motivação aprendem.
c) Resulta do factor ambiente familiar.
d) Resulta do factor ambiente familiar.
e) Resulta do factor ambiente familiar; Alunos com motivação aprendem.
Apetece dizer: As famílias deveriam pagar para resultar uma valorização da
escola e da aprendizagem.
Neste momento advogo o cheque-ensino (ver medida D25 da page
PASMATE deste site).
Os professores de Matemática não desistem! Com arte, fazemos os alunos
aprender, queiram ou não queiram!
9) 7Jun2006 [Raimunda Cleia
Nunes Almeida - mundica@hotmail.com.br]
Olá! Gostaria de saber como o pedagogo pode intervir no ensino da
matemática na educação infantil ao primeiro ciclo de ensino fundamental?
Eu tenho formação em Matemática e para jovens dos 12 aos 18 anos.
Resposta: Parece-me que é determinante o ambiente familiar (ver sugestões
no texto). O meu conselho aos pais é fazerem uma pergunta por dia ao seu filho
sobre a escola e a sua aprendizagem.
O objectivo é criar um ambiente que favoreça à criança falar sobre as suas
vivências e dificuldades, contando com os pais como mediadores da sua
aprendizagem.
Este procedimento é ainda mais eficaz até aos 10 anos de idade se um dos pais
auxiliar o seu filho vinte minutos (ou mais) por dia enquanto ele resolve os
trabalhos da escola.
Talvez o principal desafio seja incentivar e acompanhar a criança a exprimir os
seus conhecimentos.
8) 7Jun2006 [Ana Nascimento
- ana_xikinhas@hotmail.com]
Nesta página também podiam caracterizar as causas do insucesso
escolar.
Resposta: As causas do insucesso estão identificadas em "2. Porque existe
insucesso matemático?". E o ponto "1.4. Factores para o sucesso" tem alguns
indicadores.
Qual é a tua opinião sobre este texto?
7) 5Jul2006
[Ana Alexandra
da Luz Silva de Oliveira
- analex_oliveira@clix.pt]
Se o ministério pensasse (mas isso é muito complicado) que o sistema de
avaliação actualmente em vigor só promove o insucesso... Os nossos alunos já
viram que passam de ano de qualquer maneira, até com 7 e 8 negativas, para quê
estudar?
As medidas legislativas actuais têm um alcance muito superior ao imediatamente
observável!
É verdade que muitos alunos iludem o processo de avaliação e transitam
para o ano de escolaridade seguinte apesar de não terem conhecimentos.
Até 1992 os alunos semelhantes a estes eram excluidos! Nem pertenciam à
percentagem do insucesso!
Por outro lado, o sucesso de um aluno está imensamente dependente da
escolaridade dos seus pais! A escola de hoje deve dar a estes filhos mais do que
os seus pais tiveram dela!
Sim, faz falta percursos formativos diferenciados! Sim, faz falta psicologos e
assistentes sociais! Sim, faz falta muita coisa. Mas basta estarem na escola
para aprenderem algo e, mais importante, não aprenderem o que é mau!
Não prejudiquemos ainda mais estes filhos!
6) 28Mar2006
[Mariana Castro Moura
- mrfontes@iol.pt]
Sou professora há seis anos e decidi abraçar um projecto que me aliciou logo que
me apercebi das mudanças que iria trazer para muitos alunos com "indigestão"
matemática. Ao longo da minha carreira profissional, que apesar de curta me
trouxe experiências várias, me apercebi que na escola não temos tempo para
ensinar a todos. No MATHNASIUM, dedicamos o tempo necessário a cada aluno, não
necessitando de ter um linguagem exigente, nem de um auxiliar ao nosso cérebro.
Trabalhamos apenas com o nosso corpo e os miúdos apercebem-se realmente do
sentido dos números. É uma experiência gratificante, e ainda mais prazer nos dá
quando um pai nos congratula pela real felicidade do seu filho: -" o António
pediu-me para
desistir do ténis porque prefere vir ao ginásio ( subentenda-se - MATHNASIUM). É
muito motivador trabalhar cá e, desta forma contribuir para o verdadeiro sucesso
de cada aluno. O sucesso deles é o meu sucesso!!!
Resposta: Apenas conheço as lojas Mathnasium das noticias publicitárias.
Todas as iniciativas para a aprendizagem da matemática são válidas.
Parece-me que uma loja destas é um espaço de lazer incluindo alguns conceitos
matemáticos. Não substitui a escola mas pode ser um aliado para a aprendizagem
da matemática.
Outra medida que as famílias já conhecem é o suplemento matemático dos
"explicadores". Infelizmente, muitos destes não desenvolvem adequadamente o seu
método ao ponto de serem um aliado da escola na aprendizagem da Matemática.
Espero que as lojas Mathnasium tenham melhor sensibilidade para serem
colaboradores na aprendizagem da Matemática.
Continuação do bom trabalho.
5) 26Fev2006
[Paula Rebelo -
paula.aspra@sapo.pt]
Concordo com muitas das sugestões aqui apontadas mas não vejo de que forma um
explicador poderá "ajudar" um professor com as suas estratégias. Convém
salientar que um explicador tem um grupo de alunos mais restrito, em que o
interesse e a pré-disposição dos alunos, numa "explicação", é bem diferente das
aulas.
Para além do que disse, acho que os professores deveriam ser pagos ou
compensados de acordo com as suas responsabilidades. Ensinar Matemática não é o
mesmo que ensinar Educação Física (por exemplo). Lembre-se que o professor de
matemática tem muito mais trabalho que um professor de Educação Física. A
preparação das aulas, o corrigir testes, os exames, a pressão sobre os
resultados da avaliação por parte dos órgãos de certas escolas, etc. Não seria
justo, que os professores das disciplinas teóricas, tivessem uma compensação por
todo esse trabalho acrescido em relação a outros que vão para casa e sem
qualquer trabalho?
Resposta: Perante as descrições do aluno, o explicador deve se colocar ao
lado do professor, favorecendo a que o aluno aprenda no seu espaço
natural que é a sala de aula.
O salário do professor de Matemática (e de Português) deveria ser superior aos
dos restantes professores.
Porque ensinar com obrigação de avaliação externa regular e sistemática é mais
difícil do que ensinar sem avaliação obrigatória.
Porque ensinar a mente é mais difícil do que ensinar o corpo.
Porque ensinar o abstracto é mais difícil do que ensinar o objecto.
Porque ensinar a estrutura é mais difícil do que ensinar o procedimento.
Ensinar Matemática ainda é mais difícil do que as dificuldades anteriores.
4) 22Fev2006
[Vanessa de Siqueira
Camilo - vaneucamilo@yhoo.com.br]
Realmente a família e parte indispensável na educação de uma criança. Se
possível, adoraria receber no meu e-mail mais informações sobre a família na
educação escolar, pois estou a escrever um artigo sobre este assunto.
Resposta: A influencia da familia é o factor principal no sucesso de um
aluno.
Uma citação de um artigo de 2 paginas de uma revista portuguesa:
"São questões psicológicas que levam os alunos a desinteressar-se. (...) Uma
variável muito importante é a relação afectuosa com a mãe. Por outro lado, a
relação conflituosa prejudica a aprendizagem. (...) Ter expectativas de alcançar
a universidade é uma das variáveis mais determinantes."
Joaquim Pinto Coelho, In Sábado, 6jul2006, pp. 114, 115.
3) 17Fev2006
[Lélia Arruda
- leliarruda@yahoo.com.br]
Sou professora de matemática e me aflige quando vejo o alto índice de notas
baixas.....a escola onde trabalho é ciclada e os alunos pouco se importa com o
seu desempenho na sala de aula....o pior de tudo é que eles tem razão pois no
conselho de classe a coordenação faz pouco caso com a opinião do professor e
acabam aprovando alunos que nem se quer haveria condição de passar de ano fico
triste com o ensino de hoje tenho um pouco mais de um ano que me formei e me
encontro em desespero sem saber o que fazer.... estou fazendo especialização
e minha monografia será sobre dificuldade de aprendizagem em matemática quero
fazer um excelente trabalho e procurar respostas para minhas dúvidas.
Resposta: A escola deixou de ser o lugar da aprovação exclusiva dos que
sabem.
A escola vale muito mais do que isso.
Porque a repetição de um ano por um aluno não lhe trás melhor futuro!
O aluno precisa de muitos especialistas que, infelizmente, a escola não
lhe pode dar.
Os professores de Matemática têm de ensinar a Matemática Possível de ser
apreendida pelos seus alunos.
Os professores de Matemática podem sonhar com alunos de topo, mas a maioria são
alunos normais que precisam de um currículo normal!
2) 16Jan2006 [Telma Matias -
telmaidalimatias@hotmail.com]
Depois de pensar calmamente e em silêncio, eis o que me ocorreu!
(Oh Alcino! Que tramado que é pensar e ter uma opinião sobre o
insucesso!!!!!).
O conceito “Insucesso” é utilizado no sistema de ensino, em geral, para apontar
o fraco rendimento escolar dos alunos que não alcançam os objectivos propostos
no decorrer ou no final de um período escolar e, por isso, reprovaram.
O insucesso pode conduzir os alunos ao abandono escolar.
É um problema que não tem só grande impacto na vida escolar dos alunos. Por
exemplo, a nível do sistema educativo regista-se a redução do número de alunos a
atingir o nível superior, e o problema com que (nós) professores nos deparamos:
"O que fazer? Quais as causas? Como combater esta "epidemia?"".
Combater este problema? Tentar conhecer as causas! Como?
Pesquisando em textos e testemunhos sobre o assunto? Fazendo entrevistas?
Falando com outros professores? Com psicólogos? Com os pais?
Resposta: Bateste na ferida: é difícil pensar sobre o insucesso.
O meu texto acima aponta um conjunto de pistas de reflexão (definições, causas,
evidências, implicações e medidas).
Para conhecermos o todo precisamos de conhecer cada pequena parte. Neste
sentido, vamos (eu e outras duas professoras) fazer as entrevistas para conhecer
melhor alguns casos.
A ilusão é que possamos favorecer, pelo menos, estes alunos que vamos
entrevistar.
No entanto, gostaria de conhecer melhor todos os alunos.
Isto seria possível com um questionário.
Mas o tratamento de dados dá um trabalhão...
Estarias disposta a passar horas em frente ao computador a inserir dados numa
folha de Excel? Depois, outras dezenas de horas a construir gráficos. Depois,
outras dezenas de horas a pensar nas medidas. Depois, outras dezenas de horas a
falar com pessoas. Depois,... acabou o ano e estes alunos não usufruíram do
estudo. Claro que no próximo ano, as coisas não serão iguais.
Conheces outro caminho para ajudar os nossos alunos a aprender?
1) 26Nov2005 [Benjamim Nunes - benjamim_nunes@hotmail.com]
Simplesmente brilhante meu caro colega!!!
Os meus cumprimentos!
Resposta: Qual foi o tópico que gostaste mais? E o que menos apreciaste?
Gostava que o meu site fosse considerado como um brilho para iluminar algum
caminho de outro.
As sugestões aqui tão sinteticamente deixadas são um primeiro desabafo que
tenciono frutificar.
Brevemente, vou reflectir (em conjunto com a Ana Batista, coordenadora de
Departamento de Matemática) sobre o insucesso de alguns alunos na minha escola.
Pretendemos intervir e modificar alguma parte desta realidade.
Será que estamos a aplicar as melhores metodologias para os nossos alunos?
Será que poderemos/deveremos influenciar os pais?
Será que poderemos/deveremos influenciar outras instituições?
É um desafio!
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Simões, Alcino. (1998-200?, Out 2005). Sucesso
educativo em
Matemática. Folha do alcino.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/ensinacao/sucesso.htm
alcinosimoes@yahoo.com